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Posts Tagged ‘viagem’

::Medos e surpresas de viagem::

24/11/2013

Viajar requer coragem. Ainda mais viajando sozinho.

Tem-se que ter coragem pra se lançar no desconhecido. Coragem pra virar aprendiz de novo, pra se sentir burro e fora do lugar. Coragem pra dar muitos foras, pra não saber como reagir e precisar de ajuda alheia. Com isso, podemos dar de cara com agradáveis surpresas e reconhecer no ser humano totalmente desconhecido um anjo mandado pelo universo, um guia, pura bondade e boa vontade de cuidar de alguém que nunca tinha visto antes em sua vida.

Viajar de avião, ainda mais em longas distâncias, requer loucura. Loucura pra entregar sua vida pra um desconhecido e sua máquina em forma de pássaro, que pode ir a velocidades acima de 900 km/h, em alturas acima de 12.000 metros, levar cargas de até 275.000 kg e passar por temperaturas externas de -70 graus pelas quais não sobreviveríamos em condições normais. Às vezes vê-se outro bichão passando bem pertinho da gente e dá aquele frio na barriga misturado com admiração pelas pistas invisíveis desenhadas nas alturas. É preciso loucura pra entregar sua vida pra pássaros grandes, mas por incrível que pareça são os pequenos que dão mais medo. Sente-se o barulhão do motor, tudo é minúsculo no interior do bicho e voa-se a alturas bem mais baixas, o que faz com que tenha-se ainda mais consciência da doideira que se está fazendo. As recompensas, quando tudo dá certo, não poderiam ser maiores: o bicho enfia bem no meio do escuro e sai do outro lado do mundo, apresentando lindas imagens durante seu percurso. O ar, acima das almofadas gigantes formadas por nuvens de todas as formas, continua sendo um dos lugares onde me sinto melhor espiritualmente e, que contradição, em plena liberdade (pois no fundo sou um pássaro também), ainda que com a idade meu corpo não responda mais sem resquícios à maratona da viagem e que eu tenha ficado mais medrosa, pensando nos que ficaram pra trás e desejando que eles tivessem a oportunidade de dividir a viagem comigo.

Viajar de carro no exterior também requer coragem. Muita coisa pode ser diferente: marcha automática, sistema métrico e limites de velocidade, regras de trânsito, lado da direção (e olha que ainda não me vejo dirigindo do lado do passageiro). Pegar o carro e fazer pequenos trajetos de A pra B pode ser legal e prático. Mas o bom mesmo é descobrir aquilo que é recomendado na região e ir em busca do desconhecido. As surpresas, pelo menos desta vez, não poderiam ser melhores. Vi um dos lugares mais lindos que já tinha visto em toda a minha vida (La Jolla na Califórnia) e tive uma experiência tão mágica de telepatia que ficará guardada na minha memória pro resto da minha vida.

Viajar requer condição física pra andar longos trajetos, muitas vezes carregando peso, pra se adaptar a novos fusos horários e pra se recobrar de jetlag.

Viajar requer uma língua que fale outras línguas e que esteja disposta a experimentar novos sabores. Tem muita comida gostosa espalhada por aí esperando por novos apreciadores, ainda que a saudade pelo arroz e feijão, se possível da mãe da gente, seja constante.

Viaja quem é doido desvairado, quem é essencialmente curioso, quem tem família pra agüentar as pontas na outra ponta, quem tem medo pelo desconhecido mas acima de tudo se sente atraído por ele e suas belezas. Quando o medo é dominado, ele vai ficando cada vez menor e a magia toma conta do momento. A saída da zona de conforto é brindada com lindos presentes do universo. Pois no final das contas o mundo é uma bola cheia de belezas e a curiosidade vence sempre.

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::Quais são suas dicas de viagem na Europa?::

07/06/2013

A Juliane Luz, uma leitora do Mineirinha escreveu perguntando sobre dicas de viagens em família com crianças. Acabou me inspirando para um novo post e para convidá-los a acrescentar nos comentários as suas dicas pessoais. Aqui vão as minhas:

Olha, eu já fui na Eurodisney com as crianças. Legal também é o Legoland que fica pertinho de Ulm.

Quando viajo, faço pesquisas no booking.com e já reservei hotéis ótimos nesta página. Adorei também a nova experiência do camping, o Mobilheim é ótimo e pra crianças um camping é muito legal!

Eu olho os comentários das pessoas e faço pesquisas, dando mais importância aos comentários de famílias com crianças, como no meu caso.

Já consegui hotéis de 3 e 4 estrelas mais baratos do que hotéis mais simples, porque muito hotel bom oferece a pernoite grátis de duas crianças, se elas dividirem com os pais o mesmo quarto.

Adorei viajar com a AIDA! Faria uma outra viagem de navio pra qualquer lugar com a empresa! Nota 10!

Quanto a voos, eu procuro sem parar até achar o que quero. Olho preço, tipo de avião, nome da cia. aérea e a duração total dos voos além do número de conexões.

E com relação ao aluguel de carros, procure ofertas sem limite de km e com um motorista a mais incluído. Eu já viajei muito de trem, mas no momento as passagens estão muito caras, apesar de que até 6 anos as crianças viajam de graça na companhia de um adulto.

Geralmente invisto muito tempo nas pesquisas e acho que vale a peba comprar livros dando dicas sobre o destino ou baixo uma App pra fazer pesquisas.

E quais são suas dicas pessoais de viagem na Europa?

::Quem tem boca, vai a Roma!::

02/06/2013

Tinha ido bem perto de Roma há alguns anos, mas não cheguei a conhecer a cidade. Fiquei frustrada e decidi que um dia ia, sim, conhecer Roma, mas iria querer ter uns dias pra ver de perto a cidade.

Isso se resolveu neste Corpus Christi, quando fomos, nós e a irmã do Matthias, além de um de seus filhos e um amigo, conhecer a cidade. Ficamos num camping ótimo, a 9 km do mar e bem pertinho de ônibus do metrô da cidade.

O camping (Fabulous, parte da rede ECVacanze) foi gostoso por várias razões: apesar de vir de cidade grande, sei como é gostoso ter contato com a natureza, e era bom chegar da metrópole e entrar na floresta de pinhos, onde ficava nossa casinha de camping. A casinha era fofa e completa, tinha de tudo, até uma varandinha coberta, e mesmo nas noites frias seu sistema de calefação não nos deixou na mão. Para construir as casinhas, a floresta foi respeitada. Uma das árvores passava no meio da nossa varanda!

Pro Daniel então o lugar foi perfeito. Ele podia jogar bola com o primo e seu amigo, ir na piscina, brincar com os catos do camping ou andar de carrinho antes e depois dos passeios. Pra nós, foi também muito gostoso ficar lendo na varanda ao som do barulhinho das árvores. Descansamos até!

Algumas observações sobre Roma e os caminhos que nos levaram até lá:

– Roma fica mais longe do sul da Alemanha do que se pensa. Na ida, pegamos várias horas de engarrafamento no túnel suíço de São Gotardo e precisamos ao todo de 15 horas de viagem, incluindo todas as paradas. Foi por isso que pegamos o San Bernardino na volta, economizamos algumas horas e vimos paisagens maravilhosas na Suíça, do extremo verão ao extremo inverno, todas as estações num só dia. Fizemos a volta com 12 horas.

– A cidade é linda, mas enorme, onde se concentra a maior parte das obras de arte espalhadas pela Itália. Por isso, haja pés pra caminhar tanto! Mesmo pegando metrô e ônibus, ainda fica muito pra conhecer de S2-pés, ou per pedes. A parte boa é que chegávamos em casa tão acabados que, mesmo sendo uma família coruja e adorando dormir tarde, íamos dormir relativamente cedo pra nós (perto da meia-noite).

– A melhor maneira de ficar móvel na cidade é munir-se de um mapa e de um tíquete combinado para trem e metrô. Com 24 euros para um passe pra semana toda o primeiro problema da mobilidade estava resolvido.

– Os ônibus de Roma são como os do Brasil: passam no ponto na hora que lhes dá na telha. Você vai pro ponto e fica lá, esperando, até o ônibus dar o ar de sua graça. Mas nós até que tivemos muita sorte! Nunca esperamos mais do que uns 15 minutos, ou chegávamos na estação final e o nosso ônibus estava lá esperando pela gente.
Também fizemos um passeio extra para conhecer Roma à noite, que indico. A iluminação da cidade é toda indireta e tudo fica lindo à noite, bem charmoso!
– Eu tenho um Fiat 500 e esperava encontrar muitos por lá. Que nada! O romano adora o SMART, carro que eu tinha antes e também continuo amando. Lá é uma das cidades da Europa onde mais vê-se SMARTs, que são fofos mesmo e combinam com a cidade, suas ruazelas e carros estacionados de todo jeito pelos cantos delas. Aliás, o italiano adora um carro alemão. Vimos muito VW, Audi, Mercedes, BMWs, etc. pelas ruas e rodovias do país.

– Já que estamos falando de direção, o romano, aliás, o italiano dirige muito como o brasileiro, com o diferencial de que eles não conseguem bem definir a faixa em que estão dirigindo. Ficam no meio das duas faixas e não acham que a da direita é pra carros que estão indo mais devagar, nem dão seta quando resolvem escolher uma faixa. Resultado: você pode ser ultrapassado pela direita e tem que tomar cuidado ao transitar pelas ruas, mas isso a gente já conhece do Brasil, né?

– Aliás a Itália tem muito de Brasil, ou o Brasil tem muito da Itália? Vi uma brasileira pechinchando em português com um camelô romano, que respondia em italiano… Quem fala português entende bem o italiano, mas quem fala um pouco de italiano acaba falando inglês. Pelo menos foi o que aconteceu comigo, por ser mais fácil achar as palavras na cabeça.

– A praia pertinho de Roma, cuja cidade se chama Torvaianica, é super parecida também com as praias do Espírito Santo ou da Bahia. Parece que você está chegando numa praia brasileira! A diferença é que a praia fica separada da rua por uma primeira fileira de casas ou de arbustos com flores.

– As romanas têm pés especiais ou passam por um curso especial pra conseguirem andar o tempo todo de sapatos altíssimos sem demonstrar cansaço… E todos são muito bem vestidos! O Matthias comentou que se se esforçassem tanto na economia quanto se esforçam no visual, a Itália não teria problemas econômicos!…

– Os garçons romanos são… indianos! A cidade está lotada deles, trabalhando como garços, camelôs ou vendedores de rua. A taxa de desemprego da Itália não deve ser das melhores, mas não no caso dos indianos, que até entre si conversam falando em italiano.

– Os sorvetes italianos, hummmmm!…. Por eles eu morreria gorda, mas feliz! Na Itália não se conhecem bolas de sorvete, as porções são definidas pelo preço. Primeiro você informa o preço, depois se quer casquinha ou copinho, e depois os sabores desejados. Todos eles são fantásticos, então fica difícil fazer uma escolha!

– O cappuccino da Itália é naturalmente mais gostoso do que o da Alemanha – e bem mais barato. Aliás, pra quem está acostumado com os preços na Alemanha, a Itália é barata. Mesmo no centro de Roma se encontra um bom restaurante pagável, e se eles não estiverem funcionando (têm uma boa pausa entre o almoço e o jantar), as lanchonetes da cidade são também uma boa pedida.

– Se quiser economizar, peça seu cappuccino sem se sentar nas mesas. Sentado, seu pedido pode ser 3-5 vezes mais caro do que em pé!

– Há um tipo de alface diferente lá, o Agreti. Muito gostoso na salada e no espagueti.

– As pizzas de lá são tão finas como no Brasil, ao contrário das pizzas grossas da Alemanha, que são pura massa nas beiradas.

– Achei as frutas e verduras mais gostosas que aqui na Alemanha.

– Quase não há crianças na Itália! Atualmente, o país está com a taxa mais baixa de natalidade da Europa.

– As indústrias de Roma se resumem a escritórios, turismo e moda!

– Na Fontana de Trevi deixará uma moeda, se quiser voltar à Itália, duas moedas, se quiser se casar e três moedas se quiser se separar! As moedas são muitas e toda semana são retiradas para ajudar em projetos sociais.
Leve sempre uma garrafinha de plástico pequena para encher com a água das montanhas em um dos mais de 2.000 bebedouros espalhados pela cidade.

– Se quiser ver o Papa no Vaticano, ele pode ser visto na praça de São Pedro às quartas e domingo às 10:30 horas da manhã. Não se paga nada para entrar na praça, você só tem que abrir sua bolsa para que ela seja revistada.

– Goethe passou 15 meses em Roma e disse, ao deixar a cidade, que são necessárias várias vidas para se conhecer Roma. E acho que ele tem razão!

::Novidade para autorização de viagem de adolescentes brasileiros::

16/11/2012

Novidade! Para a autorização de viagem de adolescentes brasileiros entre 12 e 18 anos, agora só e necessário um “Atestado de Residência”, a ser requerido no consulado mais próximo de sua residência! 😀

E mais: menores entre 12 e 18 anos não necessitam de autorização de viagem dos pais ou responsáveis para se deslocar desacompanhados dentro do território nacional. Toda a explicação da lei aqui.

Fonte: Website do Consulado Geral do Brasil em Munique.

::Pensamento do dia::

18/06/2012

“Muitos alemães na realidade não buscam em suas viagens ao exterior um país estrangeiro, mas sim uma Alemanha com sol.”
Erwin Kurt Scheuch, sociólogo

“Auf Reisen suchen viele Deutsche eigentlich nicht das fremde Land, sondern Deutschland mit Sonne”.
Erwin Kurt Scheuch, Soziologe

::595 posts, 3.400 comentários, 500 livros vendidos…::

24/11/2010

O Mineirinha tá que cresce… Mas desta vez só vou escrever curtinhas mesmo, sem acentos (escrevo direto no computador), pois ando cansada (e a neve está chegando a passos largos…):
– Comprei meu Dance Central da Kinect! A partir de amanha é só dancar…
– Li numa revista alema que no Brasil se come mandioca frita no café-da-manha… Se isso for verdade, alguém saberia me dizer em que regiao brasileira se come mandioca de manha?!?
– Uma alema que deu uma volta por 5 cidades brasileiras há algumas semanas atrás voando com a TAM me contou que antes de cada voo passava um filminho de um(a) brasileiro(a) comentando que na Alemanha nao há alegria e que ela quer vir pra cá pra espalhar a alegria brasileira por aqui. A propaganda pegou um pouco mal, ainda mais porque a pessoa que conheco viajava com um grupo de alemaes e viu o vídeo em cada voo que fez dentro do Brasil… Alguém conhece a propaganda? Sabe exatamente como ela é? De qualquer maneira, apesar do faux-pas, ela adorou o Brasil e, de volta à Alemanha, fez um encontro com caipirinha, muqueca, farofa e mostrou fotos da viagem pros amigos. 🙂 Tentando achar eu mesma o tal do vídeo, achei este daqui, que até que é bonitinho:

::Cinema Paradiso::

22/09/2010

Anos passados
Cabelos grisalhos
Quilos a mais
Histórias pra contar
Amor por outro(a)s – (será que existe mesmo mais de uma alma gêmea?)

Filhos
Dívidas
Dúvidas
Carinho
Admiração

Relembrar os velhos tempos
Reencontrar no outro a si próprio
Quem fui
Como me tornei
Quem hoje sou

Buscar no olhar do outro
Cumplicidade
Explicar decisões
Justificar direções

Vidas paralelas
Que se cruzam uma vez mais
Pra logo voltarem a ser
Paralelas

Pela força do que
As tinha unido outrora:
O tempo e o espaço
O espaço e o tempo

Sandra, 21.08.2010

::Munique e Copa::

20/06/2010

Eu e o Daniel fomos levar a mamãe para Munique e ficamos alguns dias por lá com ela e minha irmã, que está para ganhar neném. Foi praticamente a primeira vez depois de muito tempo que fomos a Munique como turistas, então aproveitamos para fazer um city tour, para visitar pontos turísticos e finalmente consegui unir o nome de algumas das principais estações de metro a um visual na superfície da cidade, deixando de lado a uniformização das estações debaixo da terra. Foi a 4a. vez em série que fui ao consulado brasileiro para resolver pendências e desta vez deixei por lá uma nota com sugestões para melhorar o atendimento, sendo que a sugestão que eu mais gostaria de ver implementada seria um consulado itinerante aqui em Baden-Württemberg, pois até o momento, pra tirar 3 passaportes e mais outros documentos relacionados à minha próxima viagem ao Brasil já investi umas 50 horas e mais de 600 (!) euros… Voce teria outras sugestões? O consulado de Munique está pedindo ativamente por elas! Se comentar aqui, as repasso para o pessoal do Conselho de Cidadaos da Baviera e Baden-Württemberg, com quem tenho contato.

Na sexta, no último dia de Munique, um grande susto: estávamos no andar de cima do ônibus, eu e o Daniel, bem na primeira fileira, fazendo um city tour pela cidade. O city tour aliás vale super a pena pra quem quer conhecer muito da cidade em pouco tempo. De repente o ônibus deu uma freada super brusca e eu nao sei como reagi brecando com meus joelhos e segurando o Daniel pela parte de trás da camiseta. Mesmo assim, ele socou o nariz no retrovisor do ônibus, tendo imediatamente comecado a chorar, muito assustado, enquanto o nariz ficava um pouco roxo de lado e comecava a inchar. So depois notei que tinha caído um arbusto bem na frente do ônibus, e o motorista tinha freado para evitar danos ao veículo. Eu fiquei muito preocupada com medo do Daniel ter quebrado o nariz, dei água pra ele, o coloquei no meu colo, e na falta de uma alternativa melhor coloquei uma peça pequena de metal no lugar afetado. Fiquei muito apreensiva até ele limpar o nariz, pouco tempo depois, de baixo pra cima. Neste momento eu tive certeza de que ele não tinha quebrado seu nariz. Ufa! Ainda assim, limpei seu nariz por dentro e saiu um pouco de sangue… Já na casa da minha irmã, demos pra ele homeopatia (Arnica, que é ótima para evitar inchações) e ele reagiu muito bem. No outro dia, graças a Deus, não tinha mais sinal nenhum do acidente. Ufa, que baita susto!!!

Uma coisa que me chamou a atenção foi que desta vez as pessoas em Munique estavam, apesar da chuva constante, muito mais abertas. Deve ser porque o inverno severo já ficou há muito pra trás. Consegui arrancar muitas vezes sorrisos de pessoas desconhecidas, simplesmente dando sorrisoso pra elas de presente, o que me deixou feliz. Geralmente, no meio do inverno, se eu as encarava, elas desviavam o olhar, com aquele ar neutralizante insuportável. Desta vez havia vida em Munique, até debaixo da terra (no metrô). Minha alergia, por sua vez, desapareceu por lá. Também pudera: a natureza também, os passarinhos e as rosas daqui do lago também.

A volta pra casa ontem, também debaixo de chuva – como diz meu marido neste ano o verão aqui foi numa quinta-feira… 😦 – foi gostosa, pois voltamos pelo caminho passando pela região de Allgäu, Lindau e beirando o tempo todo o lago, e este é um dos caminhos de trem que mais gosto de fazer aqui, além de viajar daqui para a Itália, passando pela Suíça. Parece que o tempo parou nesses caminhos e tudo é muito idílico, é uma delícia mesmo! Da pra curtir muito as paisagens, a arquitetura, os lagos… Ontem, o quadro idílico e tranquilizante era completado pela chuva constante. O Daniel dormiu no meio do caminho e eu não hesitei: coloquei-o dormindo no meu colo, aproveitando daquele momento inesquecível que só uma mãe vai poder entender, de sentir o calor do filho, a paz, o amor, o cheirinho dele. Uma delícia! Tirei uma fotografia daquele momento com minha mente pra guardar pra todo o sempre, que combina demais com esta música linda do Leoni:

Deu saudade em voce também?!? 😉 Eu também estava com saudade de casa. Chegar e ser recebida na estação pela família e pelo sol, além do lago, é uma delícia: nada melhor do que voltar pra casa! Por outro lado, mal cheguei e minha alergia (a pólen) voltou com força total, mas também nao é de se estranhar, pois vivo com muita natureza ao meu redor, e gosto disto.

E o que dizer do jogo de hoje? Eu gostaria de ver o Brasil ganhando por jogar um excelente futebol, ético, correto, e nao por completar gols com a ajuda de mãos de jogadores, etc. Por outro lado, achei deplorável a agressividade do time dos marfinenses e uma pena o Kaká ter perdido a “estribeira” e ter recebido no final até um cartão vermelho. Pelo que eu ouvi e li, segundo a análise de comentaristas alemães e jornalistas brasileiros, ele pode dividir a culpa com os juízes da partida, que deixaram a briga entre os dois times escalar no campo durante o jogo de hoje… Mesmo assim é uma pena, pois eu prefiro mil vezes ver o Brasil jogando corretamente, sem apelações, e o Kaká seria importante no próximo jogo contra os portugueses. Mas como os times da América do Sul estão se saindo bem nesta Copa, não é mesmo? Pena que o mesmo nao vem acontecendo para os times africanos!

Ah sim… Quando cheguei em casa achei a frente da casa decorada, através das janelas do meu vizinho português, com uma bandeira portuguesa, uma alemã e uma brasileira, representando as nacionalidades que moram aqui no meu prédio. Hoje eu brinquei com o Matthias que se nós ganharmos de Portugal, meu vizinho pode vir a bater a campainha daqui de casa depois do jogo e me devolver a minha bandeira, hehehe… Cenas dos próximos capítulos!

::Visita a Heidenheim::

27/03/2010

Antes de ontem estive visitando a Meire e sua família (marido e dois filhos – um casal), em Heidenheim, no caminho para Nürnberg. A filha dela me “reconheceu” na estação de trem, hehehe… Adorei ter conhecido a Meire e constatei que em Heidenheim há muitos brasileiros: fomos antendidos em português no shopping e no prédio dela (e na cidade) há muitas famílias brasileiras também, o que é super legal para o entrosamento no exterior.

Acho que a parte mais gostosa de escrever um blog e de ter lançado meu livro é quando fico conhecendo um leitor ao vivo e a cores. É tão gostoso ter a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas com quem já começamos a bater papo como se já fossemos amigos há anos, não é mesmo? E foi exatamente assim também que aconteceu com a Meire e sua família!

Meire: muito obrigada pela sua acolhida, por sua amizade e pelo seu carinho. Quando vierem ao lago de Constança, prometo lhes levar pra conhecer vários lugares bonitos aqui nas redondezas. Aguardo sua visita!

::Viagem a Bamberg, uma cerveja diferente e uma enquete::

11/03/2010

No final de semana passado estivemos em Bamberg, patrimônio cultural da humanidade que fica na Baviera (Franken). Íamos de carro, mas depois de 50 Km e de não conseguirmos ver mais absolutamente NADA além de 360° de neve (até a rodovia desapareceu sob a neve!), fomos obrigados a voltar e mudar a alternativa para uma viagem de trem.

Eu duvidava que viajar de trem fosse ser possível no sábado passado, pois a nevasca, o frio e o vento eram tantos, que o nosso limpador de para-brisas estava se congelando, apesar de termos o carro aquecido do lado de dentro a 22,5°C. Meio incrédulos, compramos as passagens e embarcamos, depois das 3 horas da nossa “voltinha” de carro.

A viagem foi incrível! Primeiro porque o Matthias estava inspirado e quase me matou de rir. Aqui em casa ele se chama de “Big Kahuna” (vulgo o “chefe” da casa) e eu sou pra ele a “kleine Kahine” (pequena Kahine – segundo ele, “chefe” e “sub-chefe” em havaiano)… Bom, então eu parei de frente pra estação ferroviária da 1a. cidade que conseguimos alcançar depois que desistimos de fazer a viagem de carro, e pedi pra ele sair pra dar uma olhada nos horários dos trens. Só que o frio era imenso, além da neve, do vento, de tudo afinal. Ele perguntou pra mim:
– Mas por que eu é que tenho que sair lá fora pra fazer isso?
– Porque você é o “big Kahuna”!
– Humpf! Selective “big Kahuna”… (sou o chefe só de forma seletiva…)
Ele foi e voltou com os horários. E se bem que é verdade mesmo: eu sou a chefa, e ele também é, quando o momento é apropriado, hehehe…

Depois eu enchi o saco dele pelo sobrenome dele. Imaginem, ele odeia neve e se chama “Schnee”. Olha a ironia! Comentando sobre isso, em Bamberg me contaram que um conhecido se chamava “Winter” (inverno), se casou e mudou seu nome para “Heiß” (quente). Boa mudança, né?

Eu continuava a tagarelar e o Matthias não parava de tirar sarro da minha cara, porque na correria pra pegar o trem tinha deixado tudo o que tinha trazido pra ler pra trás. Sem ter o que fazer, comecei a limpar minha bolsa. Claro que ele fez altos comentários sobre, segundo ele, minha “Atomikkofferchen” (malinha atômica), hehehehe…

Depois ele perguntou se eu estava me sentindo bem sem ter papel por perto, e se era pra ele ir ao banheiro e pegar um pedaço de papel higiênico pra mim, pra eu me sentir melhor… Minha acusação:
Du bist frech wie Oskar! (tipo: você é sem-vergonha feito o Oskar – pra quem gosta de idiomatismos (Redewendungen), aqui uma boa lista com informações sobre este e várias outras expressões comuns da língua alemã.

Na falta do que ler, eu falava na viagem sem parar. Enquanto que o Matthias estava doido pra dormir. Por fim me convenceu argumentando que no próximo trem não teríamos assentos tão bons como no ICE. E nisto ele tem razão, pois não há mesmo viagem melhor de trem na Alemanha do que em um ICE. Deixei ele dormir e tentei dormir também, ou fechei os olhos por alguns minutos…

Fui acordada por – acreditem se quiser – um céu azulaço e SOL batendo em mim! Tudo parecia um sonho, o tipo de paisagem que eu mais amo: céu azul, sem nuvens, muito sol e a neve brilhando. Não parecia mesmo que tínhamos acabado de sair de uma nevasca… Muito doido. Mas mesmo assim o último final de semana vai entrar pra história como o que eu mais vi neve durante todo o caminho de trem passando por grande parte do sul da Alemanha…

Adorei Bamberg! Já tinha ido lá outra vez e não tinha tido a oportunidade de conhecer a parte histórica, e portanto tinha achado a cidade feia. Mas desta vez reconheci que ela tem seu charme, tem uma parte histórica linda (a mais bem preservada da Alemanha!) e à noite tem bastante movimento por lá! Fizemos um passeio pelas ruas da cidade, aprendendo sobre sua história e seu passado. E depois fomos a uma das cervejarias da cidade (Schenkerla) e tomamos um tipo de cerveja que eu nunca tinha experimentado antes: cerveja com gosto de salsicha defumada (Rauchbier)! Ela tem sua origem por causa da época do jejum, onde não se pode comer nada, mas beber (ainda mais com um gostinho de salsicha, hehehe) é permitido! Imaginem, tenho que dizer que o gosto é bastante sui generis, por ser uma cerveja escura de malte defumado. Pra quem quiser provar a cerveja, aqui mais informações sobre a cervejaria que visitamos, que serve aliás muita comida típica e gostosa da região, e vende a cerveja no mundo todo, inclusive no Brasil através deste site aqui.

Saindo da cervejaria, fomos num bar onde estava tocando jazz. De repente a Taísa ligou. Ela estava desesperada ao telefone, dizendo que tinha acontecido uma coisa horrível. Eu comecei a me preparar, achando que ela estava mal ou tinha acontecido um acidente com ela, com medo de não poder ajudá-la à distância. Felizmente o dano foi só material: o Tigger (nosso gato) derrubou um vaso enorme em cima do nosso fogão e quebrou a parte da frente do painel em mil pedacinhos… Hoje já pedi um novo painel para o nosso fogão, até mais moderno, e vou tentar recuperar o valor através do seguro contra danos domésticos (Haushaltsversicherung), apesar de eu achar que isso não vai funcionar, pois seguros são conhecidos por praticamente nunca valerem quando se precisa deles… Mas… vale a pena tentar, não é mesmo? Cerankochfeldplatte Unfall Mineirinha n'Alemanha

Este passeio foi o 1° que fizemos sozinhos desde o nascimento do Daniel, que passou o final de semana na casa da tia. Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Foi legal pra, passado o susto do começo da viagem, recarregarmos as baterias e descansarmos “só” como casal, apesar das dificuldades com a neve e do susto com o telefonema da Taísa.

Semana passada fui também à Nürnberg e agora tenho três cartões postais comigo, que quero dividir com vocês. Vou começar por um cartão postal, à escolha de quem ganhar o sorteio, e depois sorteio os outros dois. Para tanto, criei pela 1a. vez uma enquete. Prometo que envio o cartão postal pra qualquer lugar do mundo! Participe clicando abaixo e deixe seu comentário registrando sua participação!


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