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Posts Tagged ‘trem’

::Backwerk: Como ganhar – e perder – um cliente em menos de 24 horas::

31/10/2017

Há umas semanas atrás assisti um documentário sobre o fato de que muitas padarias não são mais padarias, mas mantêm meros fornos para esquentar massa de pão feito muito longe, muitas vezes em outros países, p.ex. na Polônia. Elas conseguem vender pães a preços mais baratos, mas a custo da qualidade e da falta de ética por todo o processo econômico, pois quem compra barato também quer ter baixos gastos, p.ex. com pessoal, para maximizar seu lucro. Assim todo mundo sai perdendo, mas os bolsos dos donos dessas grandes cadeias acabam crescendo e eliminando as pequenas padarias espalhadas pelo país. Capitalismo no nível hard core.

A Backwerk é uma dessas empresas. Compro pouco lá, mas ontem estava voltando do trabalho, ia direto pra ioga e tinha só uns minutos em uma estação de trem, e corri lá pra comprar um pão. Quando ia pagar, vi que me faltava um euro e não poderia levar o pão. Quis devolver, mas não me permitiram. O gerente me passou um sabão, mas pediu que a empregada anotasse o valor que faltava na nota de compra e eu deveria voltar lá para pagar o valor devido. Comentei com meu marido que a empresa me vendeu fiado, como antigamente.

Em praticamente 12 horas voltei lá pra pagar minha dívida, pois não gosto de ter dívidas. A funcionária não sabia falar alemão direito e chamou a gerente  do dia. Essa, não gostou da novidade e começou a reclamar, que não poderia aceitar o dinheiro, que eu voltasse outra hora. Disse que não faria isso e pedi que me cobrasse o valor. Ela deu ordens à sua empregada que nunca faça coisa parecida, disse que não seria tão fácil assim, seu caixa não fecharia no final do dia. Eu disse que o gerente do dia anterior tomou essa decisão, que pelo jeito ele tinha mais a mandar do que ela e que agora eu queria pagar minha dívida, e que afinal de contas se em um dia falta um euro e no outro sobra um euro, o caixa dos dois dias irá fechar porque um euro positivo com um euro negativo daria zero. Mesmo assim ela relutava e eu pedi que a funcionária cobrasse o dinheiro e deixasse o valor separado ao lado do caixa, para poder resolver como colocá-lo no sistema mais tarde, porque eu não poderia perder meu trem. Ela cobra o valor devido, enquanto a gerente desaparece esbravejando para o fundo da loja. Isso bastou para que eu comentasse com ela: “Sua chefe é muito sem educação. Hoje foi o último dia que compro alguma coisa nesta loja. Não volto aqui nunca mais!”

Li que as marcas e empresas das quais gostamos e onde gastamos nosso dinheiro têm muita ligação conosco mesmo e com nossos valores. Quais são as marcas às quais você é fiel e por que, o que elas dizem sobre você mesmo?

P.S.-Se quiser responder mais perguntas sobre você e fazer uma viagem dentro de si mesmo, dê uma olhada no meu novo livro aqui.

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::A insegurança nossa de cada dia::

24/07/2017

Prometi pra mim mesma que vou voltar a escrever no blog com mais frequência. Logo hoje que comecei a observar que passavam muitos helicópteros na minha cabeça, durante o trabalho, e logo depois um colega veio me contar que um homem tinha invadido uma seguradora com uma motosserra, agredido cinco pessoas, deixando uma delas gravemente ferida. E isso bem perto da cidade onde trabalho.

Em poucos minutos eu já sabia detalhes do acontecido. O tragicômico é que se você busca por notícias em vários idiomas e em vários países, fica sabendo de detalhes diferentes da mesma notícia. Aqui na Alemanha ou na Suíça, por exemplo, muitas vezes não se anuncia o nome de uma pessoa que cometeu um crime, ou somente o nome com uma letra adicional do começo do sobrenome. Agora que estão buscando abertamente pelo foragido, decidiram anunciar o nome completo dele, data de nascimento, o máximo de informação de que dispunham. Mas antes disso na CNN o nome completo dele já estava sendo divulgado. Outra coisa curiosa foi como as primeiras pessoas ficaram sabendo do acontecido, lá no trabalho. Um colega, cuja mãe mora no Canadá, foi contatado por ela perguntando se estava tudo bem. Pouco tempo depois, o marido de uma colega francesa ligava preocupado.

Vi a foto da pessoa que tinha sido a autora daquela loucura, que foi fortemente informada como não ser um ataque terrorista. Ele estava foragido, fiquei sabendo da marca, cor e modelo do carro que dirigia, mostraram umas fotos suas, dizendo que ele tinha cortado os cabelos e estava careca. Ouvi uma representante da polícia dando detalhes do crime, e fiquei até um pouco orgulhosa de entender tudo, pois se tratava de alemão suíço, outro departamento pra quem fala alemão padrão.

Por um milisegundo pensei se poderia ir embora pra casa, se os trens não teriam parado de circular. Antes de sair, a notícia que eu não queria ler: talvez o foragido estivesse indo pra Alemanha… Exatamente pra onde eu estava indo!… Acabei tendo uma sorte danada, pois ao deixar o escritório, me encontrei com um colega, que me acompanhou até a estação de trem. Lá chegando, encontrei com um outro colega, que na realidade é meu vizinho e me acompanhou até eu chegar em casa. As reações, durante o caminho, foram mesmo assim inevitáveis: uma pessoa passou por mim correndo, fazendo esporte como mil e outras pessoas sempre fazem à beira do rio Reno, mas eu me assustei com ela. No caminho, começamos a conversar sobre o meu spray de pimenta e eu não o localizei na minha bolsa, mas imediatamente depois que entrei dentro de casa, e ele voltou pra dentro dela, por precaução. Dentro do trem e ainda na estação, eu observei todos os passageiros. E assim que cruzamos a fronteira, procurei pelos policiais alemães. Ao achá-los, com roupas à prova de bala e armas bem grandes, um alívio interno e um sentimento (falso) de segurança se instalaram. Na Suíça, a decisão da polícia tinha sido de ficar à paisana, para não afugentar o foragido, que era considerado perigoso e já tinha tido problemas por porte de arma ilegal por duas vezes nos últimos anos, mas que ainda não cumpriu pena, pois não tem endereço fixo e mora nas florestas…

Assim que coloquei a chave no cadeado da minha porta e entrei em casa, veio aquele alívio final: lar, doce lar!…

::Munique e Copa::

20/06/2010

Eu e o Daniel fomos levar a mamãe para Munique e ficamos alguns dias por lá com ela e minha irmã, que está para ganhar neném. Foi praticamente a primeira vez depois de muito tempo que fomos a Munique como turistas, então aproveitamos para fazer um city tour, para visitar pontos turísticos e finalmente consegui unir o nome de algumas das principais estações de metro a um visual na superfície da cidade, deixando de lado a uniformização das estações debaixo da terra. Foi a 4a. vez em série que fui ao consulado brasileiro para resolver pendências e desta vez deixei por lá uma nota com sugestões para melhorar o atendimento, sendo que a sugestão que eu mais gostaria de ver implementada seria um consulado itinerante aqui em Baden-Württemberg, pois até o momento, pra tirar 3 passaportes e mais outros documentos relacionados à minha próxima viagem ao Brasil já investi umas 50 horas e mais de 600 (!) euros… Voce teria outras sugestões? O consulado de Munique está pedindo ativamente por elas! Se comentar aqui, as repasso para o pessoal do Conselho de Cidadaos da Baviera e Baden-Württemberg, com quem tenho contato.

Na sexta, no último dia de Munique, um grande susto: estávamos no andar de cima do ônibus, eu e o Daniel, bem na primeira fileira, fazendo um city tour pela cidade. O city tour aliás vale super a pena pra quem quer conhecer muito da cidade em pouco tempo. De repente o ônibus deu uma freada super brusca e eu nao sei como reagi brecando com meus joelhos e segurando o Daniel pela parte de trás da camiseta. Mesmo assim, ele socou o nariz no retrovisor do ônibus, tendo imediatamente comecado a chorar, muito assustado, enquanto o nariz ficava um pouco roxo de lado e comecava a inchar. So depois notei que tinha caído um arbusto bem na frente do ônibus, e o motorista tinha freado para evitar danos ao veículo. Eu fiquei muito preocupada com medo do Daniel ter quebrado o nariz, dei água pra ele, o coloquei no meu colo, e na falta de uma alternativa melhor coloquei uma peça pequena de metal no lugar afetado. Fiquei muito apreensiva até ele limpar o nariz, pouco tempo depois, de baixo pra cima. Neste momento eu tive certeza de que ele não tinha quebrado seu nariz. Ufa! Ainda assim, limpei seu nariz por dentro e saiu um pouco de sangue… Já na casa da minha irmã, demos pra ele homeopatia (Arnica, que é ótima para evitar inchações) e ele reagiu muito bem. No outro dia, graças a Deus, não tinha mais sinal nenhum do acidente. Ufa, que baita susto!!!

Uma coisa que me chamou a atenção foi que desta vez as pessoas em Munique estavam, apesar da chuva constante, muito mais abertas. Deve ser porque o inverno severo já ficou há muito pra trás. Consegui arrancar muitas vezes sorrisos de pessoas desconhecidas, simplesmente dando sorrisoso pra elas de presente, o que me deixou feliz. Geralmente, no meio do inverno, se eu as encarava, elas desviavam o olhar, com aquele ar neutralizante insuportável. Desta vez havia vida em Munique, até debaixo da terra (no metrô). Minha alergia, por sua vez, desapareceu por lá. Também pudera: a natureza também, os passarinhos e as rosas daqui do lago também.

A volta pra casa ontem, também debaixo de chuva – como diz meu marido neste ano o verão aqui foi numa quinta-feira… 😦 – foi gostosa, pois voltamos pelo caminho passando pela região de Allgäu, Lindau e beirando o tempo todo o lago, e este é um dos caminhos de trem que mais gosto de fazer aqui, além de viajar daqui para a Itália, passando pela Suíça. Parece que o tempo parou nesses caminhos e tudo é muito idílico, é uma delícia mesmo! Da pra curtir muito as paisagens, a arquitetura, os lagos… Ontem, o quadro idílico e tranquilizante era completado pela chuva constante. O Daniel dormiu no meio do caminho e eu não hesitei: coloquei-o dormindo no meu colo, aproveitando daquele momento inesquecível que só uma mãe vai poder entender, de sentir o calor do filho, a paz, o amor, o cheirinho dele. Uma delícia! Tirei uma fotografia daquele momento com minha mente pra guardar pra todo o sempre, que combina demais com esta música linda do Leoni:

Deu saudade em voce também?!? 😉 Eu também estava com saudade de casa. Chegar e ser recebida na estação pela família e pelo sol, além do lago, é uma delícia: nada melhor do que voltar pra casa! Por outro lado, mal cheguei e minha alergia (a pólen) voltou com força total, mas também nao é de se estranhar, pois vivo com muita natureza ao meu redor, e gosto disto.

E o que dizer do jogo de hoje? Eu gostaria de ver o Brasil ganhando por jogar um excelente futebol, ético, correto, e nao por completar gols com a ajuda de mãos de jogadores, etc. Por outro lado, achei deplorável a agressividade do time dos marfinenses e uma pena o Kaká ter perdido a “estribeira” e ter recebido no final até um cartão vermelho. Pelo que eu ouvi e li, segundo a análise de comentaristas alemães e jornalistas brasileiros, ele pode dividir a culpa com os juízes da partida, que deixaram a briga entre os dois times escalar no campo durante o jogo de hoje… Mesmo assim é uma pena, pois eu prefiro mil vezes ver o Brasil jogando corretamente, sem apelações, e o Kaká seria importante no próximo jogo contra os portugueses. Mas como os times da América do Sul estão se saindo bem nesta Copa, não é mesmo? Pena que o mesmo nao vem acontecendo para os times africanos!

Ah sim… Quando cheguei em casa achei a frente da casa decorada, através das janelas do meu vizinho português, com uma bandeira portuguesa, uma alemã e uma brasileira, representando as nacionalidades que moram aqui no meu prédio. Hoje eu brinquei com o Matthias que se nós ganharmos de Portugal, meu vizinho pode vir a bater a campainha daqui de casa depois do jogo e me devolver a minha bandeira, hehehe… Cenas dos próximos capítulos!

::Viagem a Bamberg, uma cerveja diferente e uma enquete::

11/03/2010

No final de semana passado estivemos em Bamberg, patrimônio cultural da humanidade que fica na Baviera (Franken). Íamos de carro, mas depois de 50 Km e de não conseguirmos ver mais absolutamente NADA além de 360° de neve (até a rodovia desapareceu sob a neve!), fomos obrigados a voltar e mudar a alternativa para uma viagem de trem.

Eu duvidava que viajar de trem fosse ser possível no sábado passado, pois a nevasca, o frio e o vento eram tantos, que o nosso limpador de para-brisas estava se congelando, apesar de termos o carro aquecido do lado de dentro a 22,5°C. Meio incrédulos, compramos as passagens e embarcamos, depois das 3 horas da nossa “voltinha” de carro.

A viagem foi incrível! Primeiro porque o Matthias estava inspirado e quase me matou de rir. Aqui em casa ele se chama de “Big Kahuna” (vulgo o “chefe” da casa) e eu sou pra ele a “kleine Kahine” (pequena Kahine – segundo ele, “chefe” e “sub-chefe” em havaiano)… Bom, então eu parei de frente pra estação ferroviária da 1a. cidade que conseguimos alcançar depois que desistimos de fazer a viagem de carro, e pedi pra ele sair pra dar uma olhada nos horários dos trens. Só que o frio era imenso, além da neve, do vento, de tudo afinal. Ele perguntou pra mim:
– Mas por que eu é que tenho que sair lá fora pra fazer isso?
– Porque você é o “big Kahuna”!
– Humpf! Selective “big Kahuna”… (sou o chefe só de forma seletiva…)
Ele foi e voltou com os horários. E se bem que é verdade mesmo: eu sou a chefa, e ele também é, quando o momento é apropriado, hehehe…

Depois eu enchi o saco dele pelo sobrenome dele. Imaginem, ele odeia neve e se chama “Schnee”. Olha a ironia! Comentando sobre isso, em Bamberg me contaram que um conhecido se chamava “Winter” (inverno), se casou e mudou seu nome para “Heiß” (quente). Boa mudança, né?

Eu continuava a tagarelar e o Matthias não parava de tirar sarro da minha cara, porque na correria pra pegar o trem tinha deixado tudo o que tinha trazido pra ler pra trás. Sem ter o que fazer, comecei a limpar minha bolsa. Claro que ele fez altos comentários sobre, segundo ele, minha “Atomikkofferchen” (malinha atômica), hehehehe…

Depois ele perguntou se eu estava me sentindo bem sem ter papel por perto, e se era pra ele ir ao banheiro e pegar um pedaço de papel higiênico pra mim, pra eu me sentir melhor… Minha acusação:
Du bist frech wie Oskar! (tipo: você é sem-vergonha feito o Oskar – pra quem gosta de idiomatismos (Redewendungen), aqui uma boa lista com informações sobre este e várias outras expressões comuns da língua alemã.

Na falta do que ler, eu falava na viagem sem parar. Enquanto que o Matthias estava doido pra dormir. Por fim me convenceu argumentando que no próximo trem não teríamos assentos tão bons como no ICE. E nisto ele tem razão, pois não há mesmo viagem melhor de trem na Alemanha do que em um ICE. Deixei ele dormir e tentei dormir também, ou fechei os olhos por alguns minutos…

Fui acordada por – acreditem se quiser – um céu azulaço e SOL batendo em mim! Tudo parecia um sonho, o tipo de paisagem que eu mais amo: céu azul, sem nuvens, muito sol e a neve brilhando. Não parecia mesmo que tínhamos acabado de sair de uma nevasca… Muito doido. Mas mesmo assim o último final de semana vai entrar pra história como o que eu mais vi neve durante todo o caminho de trem passando por grande parte do sul da Alemanha…

Adorei Bamberg! Já tinha ido lá outra vez e não tinha tido a oportunidade de conhecer a parte histórica, e portanto tinha achado a cidade feia. Mas desta vez reconheci que ela tem seu charme, tem uma parte histórica linda (a mais bem preservada da Alemanha!) e à noite tem bastante movimento por lá! Fizemos um passeio pelas ruas da cidade, aprendendo sobre sua história e seu passado. E depois fomos a uma das cervejarias da cidade (Schenkerla) e tomamos um tipo de cerveja que eu nunca tinha experimentado antes: cerveja com gosto de salsicha defumada (Rauchbier)! Ela tem sua origem por causa da época do jejum, onde não se pode comer nada, mas beber (ainda mais com um gostinho de salsicha, hehehe) é permitido! Imaginem, tenho que dizer que o gosto é bastante sui generis, por ser uma cerveja escura de malte defumado. Pra quem quiser provar a cerveja, aqui mais informações sobre a cervejaria que visitamos, que serve aliás muita comida típica e gostosa da região, e vende a cerveja no mundo todo, inclusive no Brasil através deste site aqui.

Saindo da cervejaria, fomos num bar onde estava tocando jazz. De repente a Taísa ligou. Ela estava desesperada ao telefone, dizendo que tinha acontecido uma coisa horrível. Eu comecei a me preparar, achando que ela estava mal ou tinha acontecido um acidente com ela, com medo de não poder ajudá-la à distância. Felizmente o dano foi só material: o Tigger (nosso gato) derrubou um vaso enorme em cima do nosso fogão e quebrou a parte da frente do painel em mil pedacinhos… Hoje já pedi um novo painel para o nosso fogão, até mais moderno, e vou tentar recuperar o valor através do seguro contra danos domésticos (Haushaltsversicherung), apesar de eu achar que isso não vai funcionar, pois seguros são conhecidos por praticamente nunca valerem quando se precisa deles… Mas… vale a pena tentar, não é mesmo? Cerankochfeldplatte Unfall Mineirinha n'Alemanha

Este passeio foi o 1° que fizemos sozinhos desde o nascimento do Daniel, que passou o final de semana na casa da tia. Como o tempo passa rápido, não é mesmo? Foi legal pra, passado o susto do começo da viagem, recarregarmos as baterias e descansarmos “só” como casal, apesar das dificuldades com a neve e do susto com o telefonema da Taísa.

Semana passada fui também à Nürnberg e agora tenho três cartões postais comigo, que quero dividir com vocês. Vou começar por um cartão postal, à escolha de quem ganhar o sorteio, e depois sorteio os outros dois. Para tanto, criei pela 1a. vez uma enquete. Prometo que envio o cartão postal pra qualquer lugar do mundo! Participe clicando abaixo e deixe seu comentário registrando sua participação!

::Mineiros x Paulistas::

11/08/2009

A Silvia, minha amiga blogueira de anos a fio do Consulta Sentimental, por sinal uma paulista, foi quem me enviou esta piada: ri, gostei e a estou publicando pra dividi-la com vcs :-):

Três mineiros e três paulistas estavam viajando de trem para um congresso. Na estação, os três paulistas compraram um bilhete cada um, mas viram que os três mineiros compraram um bilhete.

– Como é que os três vão viajar só com um bilhete? – perguntou um dos paulistas.

– Espere e verá – respondeu um dos mineiros.

Então, todos embarcaram. Os paulistas foram para suas poltronas mas os três mineiros se trancaram juntos no banheiro.

Logo que o trem partiu, o fiscal veio recolher os bilhetes.

Ele bateu na porta do banheiro e disse:

– O bilhete, por favor.

A porta abriu só uma frestinha e apenas uma mão entregou o bilhete. O fiscal pegou o bilhete e foi embora.

Os paulistas viram e acharam a ideia genial.

Então, depois do congresso, os paulistas resolveram imitar os mineiros na viagem de volta e, assim, economizar um dinheirinho (reconhecendo a inteligência superior dos mineiros).

Quando chegaram na estação, compraram um bilhete.

Para espanto deles, os mineiros não compraram nenhum.

– Mas, como é que vocês vão viajar sem passagem? – um paulista perguntou perplexo.

– Espere e verá. – respondeu um dos mineiros.

Todos embarcaram e os paulistas se espremeram dentro de um banheiro e os mineiros em outro banheiro ao lado.

O trem partiu.

Logo depois, um dos mineiros saiu, foi até a porta do banheiro dos paulistas. Bateu e disse:

– A PASSAGEM POR FAVOR.

DESTA FORMA, MAIS UMA VEZ, FICA PROVADO QUE MINEIRO É QUEM ENTENDE DE TREM…

::Quem não se comunica, se estrumbica::

29/04/2009

Meu anjo da guarda deu um duro “danado” hoje! Isso porque estava voltando de uma viagem que fiz pela empresa onde trabalho da região de Frankfurt para o sul da Alemanha, e a viagem deu totalmente errado e ao mesmo tempo 100% certo só por causa dele, do meu anjo da guarda.

Explico: o planejado era pegar um taxi, fazer um pequeno trajeto de ônibus e depois seguir viagem até aqui perto de casa com dois trens. Pois bem, só que depois do taxi, por indicação do taxista eu peguei o ônibus errado, tive que descer às pressas e pedi por telefone um taxi para poder voltar à estação de trem correta. Uma senhora velhinha, que tinha descido do ônibus comigo, ficou preocupadíssima com a minha falta de sorte e me ajudou a olhar as opções do que eu poderia fazer, pra onde voltar, como tentar negociar com a Deutsche Bahn (a empresa ferroviária alemã), pois o meu tíquete não oferecia a opção de reembolso nem de troca. Depois de alguns preciosos minutos o novo taxista, por sua vez, pelo jeito era novo no ramo e não sabia para onde ir, tendo me perguntado se eu conhecia o caminho… Mais uns minutinhos perdidios… Mas ele me sugeriu a melhor estação de trem, onde segundo ele haviam mais conexões naquelas redondezas, que aliás era para onde o ônibus correto teria me levado. Desci às pressas do taxi e tentei tirar da máquina as informações que precisava para viajar em outro trem pra casa, mas de primeira não recebi a informação detalhada das conexões. Tentei na beirada do guichê, mas a funcionária so me informou, bastante seca, que eu teria que comprar um novo tíquete e que aquele não era mais válido. Não aceitei que teria que investir tanto dinheiro em um novo tíquete e voltei à máquina, que desta vez me deu as conexões da nova viagem. Desci à plataforma 5 às 11:00 h e pouco, pois às 11:09 sairia o trem da nova conexão, e no mesmo momento em que cheguei lá ouvi o aviso de que o trem de 10:38 h estava saindo com pouco mais de 25 minutos de atraso da plataforma 4 (de frente para a 5, onde eu estava!). Ei, esse era o trem que tinha perdido! Mas ainda assim não sabia se entrava no trem atrasado, ou se ia na nova conexão. Eis que aparece outro funcionário da Deutsche Bahn, que me aconselha a entrar no trem atrasado mesmo, pois nele meu tíquete teria validade. Ufa! Entrei no trem e continuei ainda desse momento eletrizante, nessa loucura de tantas “coincidências” em um espaço de tempo tão curto, e fiquei ainda um bom tempo pensando em como tudo aquilo poderia ter dado tão errado e tão certo ao mesmo tempo. De azarada eu passei à posição de sortuda…

Lembrei do meu primeiro dia de Alemanha quando cheguei aqui em 1993, e de todas as pessoas que foram surgindo do nada e me ajudaram a fazer o carrinho do aeroporto se mover, a comprar um tíquete na máquina para andar de trem, de metrô, a movimentar minhas malas pesadérrimas… Viajei no tempo e agradeci. Meu anjo da guarda é mesmo tiro e queda!

::Dica pra viagem na Europa::

12/12/2008

Uma leitora me perguntou dicas de como planejar uma viagem aqui na Europa. Depois de dar uma pesquisada básica, descobri uma página que me parece bastante flexível para procurar vôos baratos: Megaflieger. O problema é que ela é só em alemão, o ponto positivo é que ela lista todas as opções de voar barato por aqui (que são inúmeras!). Mas como não conheço a página e não sei se é confiável, depois de verificar a melhor opção eu aconselharia ir direto no site da cia. aérea e efetuar a compra por lá mesmo. Isso eu já fiz algumas vezes e sei que dá super certo, os sites são confiáveis e o procedimento é relativamnte simples. Os sites normalmente são feitos em vários idiomas, o que facilita também.

Pra quem estiver com mais tempo, eu sugiro viajar de trem mesmo, pois pode-se aproveitar de paisagens maravilhosas e o efeito descanso é mil vezes maior do que o estresse das rodovias de alta velocidade, pelo menos aqui na Alemanha, ou do de voar pela Europa e ter a oportunidade de ver pouca coisa de perto.

Para achar boas ofertas de hotel, eu já usei os serviços da página www.booking.com (também em português!) e fiquei super satisfeita. Consegui em Amsterdã um hotel de 4 estrelas pelo preço de um albergue da juventude!

Então bons planejamentos…. e boa viagem! Quem tiver mais dicas, pode deixar nos comentários. Outros leitores agradecem!

::De trem pela Alemanha & Europa::

12/07/2008

Andar de trem aqui na Alemanha é super gostoso e é meu meio de transporte predileto. O país tem quase 34.000 km de trilhas e quase 6.000 estacoes ferroviárias. Quase dois milhoes de pessoas e mais de 300 toneladas de produtos sao transportados por ano através das vias férreas. Nesta página, que existe em 9 idiomas, dentre eles o ingles e o espanhol, pode-se planejar viajens de trem nao só dentro da Alemanha, mas também pela Europa.

Há tíquetes bem em conta, como o Inter-Rail, porém somente válido para pessoas que morem há pelo menos 6 meses na Europa. Como há trens noturnos, há muitas pessoas que passeiam de dia e viajam à noite de trem, economizando os hotéis. Há também várias categorias de precos, que dependem do comforto e da velocidade do trem escolhido. Geralmente, como o software da Deutsche Bahn (Linhas Ferroviárias Alemas) logicamente foi feito para gerar lucro, se voce procurar uma viagem sem mexer em nenhuma opcao apresentada, a tendencia será que o programa procure pela viagem mais rápida e, consequentemente, mais cara.

Vou dar alguns exemplos de como viajar mais em conta de trem aqui na Alemanha:
– Observar os tíquetes promocionais (Schönes-Wochenende-Ticket e os tíquetes dos estados, como p.ex. Baden-Württemberg Ticket ou Bayern-Ticket (dependendo do trajeto que for fazer, pode ser que valha mais a pena comprar os tíquetes dos estados em questao);
– Observar os tíquetes regionais para viagens para distancias máximas de 50 ou 100 quilometros;
– Observar o valor de tíquetes diários e para grupos;
– Dar uma olhada, antes de comprar o tíquete desejado, se a Deutsche Bahn está com alguma promocao. No momento, p.ex., há uma promocao para viagens dentro da Alemanha para 2 adultos acompanhados de suas criancas por 49 euros;
– Se for ficar aqui por um ano, pode ser que valha a pena comprar os cartoes Bahncard 25, Bahncard 50 ou até o Bahncard 100, que lhe darao respectivamente 25%, 50% ou 100% de desconto em todas as passagens adquiridas ao longo de um ano (Se quiser comprar um Bahncard, clique aqui);
– Verificar se há precos especiais como p.ex. Sparpreis 25 e Sparpreis 50 – descontos de 25% e 50% no preco da passagem individual (uma vez ganhei 50% de desconto na 1a. classe e minha viagem ficou mais barata do que se tivesse viajado de 2a. classe);
– Ao solicitar a procura através do programa da página citada acima, faca várias pesquisas olhando o preco dos trens mais rápidos, depois sem ICE (o mais rápido), e depois sem ICE/IC/EC (as opcoes mais rápidas) e, por último, somente usando trens regionais. Observe as possíveis ofertas em cada resultado, o tempo de viagem e o número de trocas de trem que terá que efetuar durante o percurso.

A compra das passagens poderá ser feita online, através do seu cartao de crédito. Se nao quiser observar tudo isso, pode comprar sua passagem diretamente na estacao ferroviária, mas terá que pedir expressamente a “opcao mais em conta” pois se nao falar nada, poderá receber somente a opcao mais rápida e consequentemente mais cara. Se for estudante ou acima de 60 anos, nao deixe de citar este detalhe, que pode resultar em um tíquete mais barato. Se comprar sua passagem na internet, seu tíquete será um arquivo PDF, que irá receber por e-mail depois de efetuada a compra, sendo que o documento apresentado na compra será seu documento de identidade, tendo que ser apresentado ao longo de toda a viagem. Um resultado de uma procura poderia dar no seguinte:

08:31 Konstanz 2
09:15 Zürich 1

09:36 Zürich 4
10:28 St. Gallen 6

Os horários, um pouco inacreditáveis para nós, sao mesmo os horários em que os trens deixarao a plataforma da estacao ferroviária em questao, muitas vezes pontualmente, apesar da Deutsche Bahn nao gozar de bom conceito perante a populacao alema por conta de seus constantes atrasos. O número depois da cidade será o número da plataforma. Por consegüinte, o número depois da cidade de chegada ou onde haverá uma troca será a plataforma onde voce irá chegar, o outro número depois do próximo horário, ainda na mesma cidade, o número da plataforma para onde voce deverá se dirigir. Normalmente ainda há dados sobre o nome do trem, o que voce ainda poderá reconfirmar nos painéis de aviso dos trens. Interessante é que cada trem, com seu respectivo nome, vai sempre parar num exato lugar da plataforma, que normalmente é dividida em partes (A-E, p.ex.). Isto significa que se voce tiver feito uma reserva para o vagao 252, irá poder verificar, mesmo antes do trem chegar, onde exatamente o vagao irá chegar, já podendo se dirigir de antemao à parte da plataforma correspondente.

Eu, da minha parte, adoro viajar de trem aqui! É muito prazeiroso, ainda mais contando que na maioria das vezes estou viajando com o Daniel e ele adora viajar de trem, tendo espaco e podendo se movimentar, ir ao banheiro, ao restaurante, dar oi pra outros passageiros, brincar, etc. Há vagoes ou parte de vagoes especiais para criancas, há restaurantes, há vagoes com células separadas com 6 lugares e vagoes com lugares divididos por mesas, onde 4 pessoas podem sentar-se juntas. Há vagoes dormitórios e há a possibilidade até de viajar e levar seu carro junto na viagem, pois em várias rotas é feito também o transporte de carros.

As paisagens vistas do trem sao, em sua maioria, muitíssimo mais bonitas e interessantes do que as vistas de carro, das rodovias de alta velocidade aqui na Alemanha (Autobahn). Caso o seu trem se atrasar, ainda pode tentar falar com o pessoal de bordo para se informar se o próximo trem ainda poderá esperar na outra estacao, e se nao for possível e sua viagem se prolongar por causa do atraso, nao deixe de investir um tempinho na reclamacao, pois receberá um formulário para preencher e tentar ser resarcido de pelo menos uma parte do valor pago pelo seu tíquete.

Dependendo do tipo de trem que escolher, encontrará um conforto similar a uma viagem de aviao, com cadeiras super anatomicas, conexao de internet e programa de rádio. Os trens mais simples tem assentos menos luxuosos, sao mais barulhentos e menos confortáveis. Há trens de dois andares, na cor vermelha, como os onibus double decker de Londres.

O interessante com relacao a espaco aqui na Alemanha é que cada passageiro, mesmo se tiver reservado só um lugar, pensa, ou melhor tem certeza de que o lugar do lado dele também lhe pertence!… Invariavelmente a pessoa ocupa primeiro para si própria dois lugares. Somente se voce perguntar se o lugar está vago ou se alguém chegar e mostrar a reserva para o outro assento, é que este será liberado. Antes de se sentar, observe as reservas: elas estarao sempre anotadas na parede do trem, de forma eletronica nos trens mais rápidos e de forma escrita nos mais lentos.

Se eu me lembrar de mais alguma informacao interessante ou se alguém de voces que mora aqui quiser completar mais alguma coisa, pode incluir seu comentário. Eu e os próximos turistas rodando pela Alemanha agradeceremos!


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