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Posts Tagged ‘trabalho’

::Balanço de final de ano: dividindo experiência para ajudar no crescimento de outras pessoas::

03/12/2017

Dezembro é um ano em que naturalmente se faz um balanço do ano que se passou, não é mesmo? No meu caso, o balanço é curto e positivo, e espero que no seu caso também!

Posso resumir meu balanço em dois pontos muito significativos para mim, que passam por mim e envolvem muitas pessoas por aí, numa corrente positiva:

a) Lancei o livro “(Re)descobrindo Quem é Você”, que foi muito bem recebido pelo público;

b) Atualizei minha página de consultoria Connex Consulting com os últimos sucessos de consultora, onde divido minha experiência adquirida em mais de 10 anos de trabalho na área de Recursos Humanos para ajudar no crescimento de pessoas que vêm buscar meu auxílio para encontrar uma vaga de estudo ou trabalho na Alemanha e na Suíça. Até agora já foram inúmeros casos de sucesso, dentre eles cinco (!) pessoas que conseguiram o que queriam logo na primeira empresa onde se candidataram! Como um dos meus coachees disse, uma verdadeira “sniper Bewerbung” – candidatura de franco-atirador, com obtenção de 100% de sucesso em uma só tentativa! Confira alguns depoimentos e resultados de algumas pessoas que venho atendendo através da Connex Consulting clicando aqui.

Bom domingo de balanços para todos!

“Frage dich nicht, was die Welt braucht. Frage dich, was dich lebendig werden lässt und dann geh los und tu das. Was die Welt nämlich braucht sind Menschen, die lebendig geworden sind.”
Harold Whitman

“Não se pergunte do que o mundo precisa. Pergunte a você o que o faz se sentir vivo, e vá em busca disso. O mundo precisa de pessoas que se sintam (se tornaram) vivas.”
Harold Whitman

::Vale a pena ser feminista na Alemanha?::

03/12/2017

Eu sempre responderia a essa pergunta com um claro SIM! Mas por que, ainda nos dias de hoje, alguns certamente perguntariam.

Que tipo de discriminação uma mulher sofre nos dias atuais na Alemanha? Vou citar algumas delas: há discriminação salarial, discriminação em relação a postos de poder/liderança e recentemente a Alemanha só conseguiu colocar mulheres em grande quantidade dentro de conselhos administrativos de empresas que fazem parte do índice DAX porque impôs isso como cota prevista por lei. A maior parte dos estudantes são mulheres, mas elas não estão representadas da mesma maneira no mercado de trabalho, por várias razões, como os homens. Só o fato de uma mulher ter que trabalhar pouco ou meio período pra cuidar de filhos e familiares, só isso já é um tipo indireto de discriminação. Durante esse tempo, ela poderia estar atuando no mercado e galgando promoções e aumentos salariais. Uma mulher que busca um posto de trabalho enquanto pode casar e ter filhos, pode ser descartada somente por essa suposição, que logicamente não será alegada porque discriminação de gênero é algo proibido aqui na Alemanha (AGG). Se uma mulher tem filhos e descobrem que eles são pequenos, ela pode perder a oportunidade de conseguir um emprego ou uma promoção pelo mesmo motivo, pois a suposição de que o cuidado com os filhos é algo estritamente ligado à mulher, ainda está muito enraizada aqui e em muitas outras culturas. Ainda há razões para ser feminista aqui, no Brasil e em qualquer lugar no mundo! Observem cada foto que é tirada de empresas, de políticos, etc. Quantas mulheres aparecem por lá? Somos a metade da população e deveríamos ter metade da representação, ou próximo a esse patamar!

Inconscientemente, muitas vezes, ainda contribuímos para esse viés, não confiando no nosso taco, negociando pouco os salários, deixando de nos vender de forma positiva em uma entrevista, etc. Vou a fundo nessas questões no meu livro, o (Re)descobrindo Quem é Você.

Mesmo reconhecendo o avanço dos últimos anos em terras germânicas, os muitos homens que empurram carrinho de bebê nas ruas, que tiram licença paternidade, as mulheres que pilotam ônibus, trens e aviões, ainda há muito por ser feito. Um pequeno exemplo: a Alemanha prevê por lei o direito a trabalho em período parcial (Teilzeitgesetz), direito esse que é usado mais por mulheres, que acabam por reduzir seus salários e diminuir suas contribuições para a aposentadoria. Mesmo assim, inegavelmente é um direito que contribui para que muitas mulheres continuem trabalhando, mesmo que estejam arcando com as consequências.

Vivemos em um mundo onde o peso da educação dos filhos e os cuidados com a casa pesam sobre os ombros das mulheres, sendo que dividimos o mesmo teto com nosso parceiro, pai de nossos filhos, que pode e deve assumir 50% das responsabilidades dentro e fora de casa, como um time que funciona junto para ganhar junto.

::Histórias de sucesso de brasileiros na Alemanha::

29/10/2017

São histórias assim que me enchem de admiração e respeito pelo caminho de cada um. Apesar de todos os pesares, fica a certeza de que vale a pena acreditar em nossos sonhos… Meus sinceros parabéns, Celso!

“Para cada „Adriana” (mentor) em nossas vidas existem meia dúzia de pessoas prontas para nos desanimar. A arte está em não se deixar apavorar.”

::Saiu um novo livro da Mineirinha! Ou o inverso de: como se diz “enrolação” em alemão?::

10/10/2017

Para falar a verdade, eu tinha o projeto de escrever um novo livro já há muito tempo, mas fui – quase – vencida pela famosa enrolação, a em alemão tão famosa, conhecida e respeitada “Aufschieberitis” (vem do verbo “aufschieben”, que significa adiar, diferir, enfim para os mais entendidos e numa boa gíria brasileira: enrolar).

Nós, mulheres, temos 1.001 coisas na cabeça e para nós é muuuuuito fácil fazer de “b” a “z” quando na realidade sabemos claramente que deveríamos estar investindo naquele sonho importante, o “a”. Dizem que se algo nos dá muito medo, é exatamente naquilo que temos que investir, pois medos costumam esconder nossos maiores sonhos! E olha que tem bastante verdade nisso, viu?

Enfrentando meus medos de inúmeras coisas como escritora, mulher, mãe, profissional e expatriada, virava e mexia eu pensava de novo no projeto engavetado, que estava quase pronto… Comentei sobre ele com uma amiga escritora, a Isa Magalhães, e ela foi bem categórica: “lançe-o”. Mas eu sabia que não iria ser tão fácil assim…

Deixando de lado no momento algumas razões centrais da inércia temporária que explico no finalzinho do livro, e falando agora um pouco mais a nível geral, o ato de escrever para mim tem muita ligação com sentimentos. Tem muito de “timing“, de você um dia levantar da cama e afirmar: “hoje é o dia! ” E para mim, para minha satisfação pessoal e, espero, também dos meus leitores, foi no último domingo, 08/10/17, que consegui mesmo colocar a mão na massa de manhã até à noite e o novo livro saiu do forno!

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Sobre o livro:

Este livro é para mulheres, principalmente aquelas em busca delas mesmas e de uma ocupação profissional que faça a diferença em suas vidas.

Simples, concisa, de leitura rápida, mas intensa, o objetivo da obra é que a leitora faça um mergulho profundo dentro de si mesma, voltando à superfície com reflexões importantes para sua vida.

A ideia do livro surgiu da experiência de expatriada da autora, que já acompanhou vários casos de mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente no exterior. A autora espera que possa contribuir na caminhada dessas mulheres para se tornarem quem são de verdade.

°°°

Talvez alguém possa estar se perguntando por que estou sendo tão sincera ao anunciar que meu novo livro demorou pra sair,  muito mais do que eu esperava… É bem simples: minha intenção é motivacional, uma mensagem direta para todos aquel@s que, como eu, já tinham se acostumado com um projeto inacabado.

Uma pergunta direta: você tem um sonho que está bem pertinho do seu coração, que você sabe exatamente qual é, mas tem até certo receio de pensar nele? Já chegou a se acostumar à ideia de deixá-lo inacabado?

Outra pergunta: como você se sente quando pensa nele?

Última pergunta (juro!): como você vai se sentir quando realizar o seu sonho?

Esses pensamentos não me davam paz quando meu projeto me vinha à cabeça…. Ficava decepcionada comigo mesma, depois ia procurar outra coisa para “tapar o buraco”, se é que você entende o que estou querendo dizer.

Dizem que há dois dias importantíssimos na sua vida: o dia em que você nasceu e o dia em que descobriu qual é sua missão nesse mundo. A minha está descrita no livro, e uma dica bem grande da direção que me guia fica no topo da minha página de consultoria Connex Consulting: sharing knowledge to help others to grow – dividindo conhecimento para ajudar outros a crescer. É isso aí, quando aqui não mais estiver, quero ter deixado uma marca no mundo de agregação, solidariedade, persistência, fé, ação, amor… e muito mais. E dei mais um passo em todas essas direções com esse novo projeto! Eu prefiro ser… essa borboleta-metamorfose ambulante!..

Espero que encontre no livro pensamentos e frases, além de muitas perguntas, que lhe levem firmemente a pensar em você mesmo, pois nesse mundo louco e interconectado estamos perdendo a capacidade de refletir sobre nós mesmos enquanto seres humanos e nos traduzir para o mundo externo. E por aí passam as pequenas e grandes alegrias do dia a dia e da nossa existência!

O livro está disponível no mundo inteiro na Amazon, mas em diferentes canais dependendo do país. NOTA IMPORTANTE: como a ideia do livro é de reflexão constante, ele recebeu o título “(Re)descobrindo Quem é Você”. Através da possibilidade da descoberta e da redescoberta, inventei de novo uma palavra dentro de uma palavra, como já tinha feito no primeiro lançamento, o “Mineirinha n’Alemanha”. Portanto,  ao procurar pelo livro na Amazon, lembre-se de adicionar os PARÊNTESIS na sua busca, ok?

Pra facilitar um pouco, abaixo alguns links:

E-book no Brasil * sem fotos pessoais, que aparentemente não puderam ser lidas pelo sistema

E-book na Alemanha * também sem fotos pessoais

Livro na Alemanha * com 9 fotos coloridas e pessoais, capa mais colorida ainda!

Ainda não tenho um canal de distribuição para a versão do livro no Brasil. Quando ele existir, aviso aqui.

Dependendo de onde você estiver no mundo, é mais fácil procurar pelo livro através do seu título, no campo de busca da Amazon, e assim você vai achar a oferta local, certo? Ele está disponível em 13 websites diferentes da Amazon, espalhados como vários canais de venda do Brasil ao Japão.

Estou bastante curiosa para receber comentários, ler e ouvir o que outras pessoas acharam depois da leitura do RQEV (isso, inventei também uma sigla para ele!). Vai lá e depois me conta, vai?!? Minha prima Lílian, que carinhosamente escreveu o prefácio do livro, já começa afirmando: “certamente, se este livro chegou até suas mãos, é porque você precisa dele! “

::A insegurança nossa de cada dia::

24/07/2017

Prometi pra mim mesma que vou voltar a escrever no blog com mais frequência. Logo hoje que comecei a observar que passavam muitos helicópteros na minha cabeça, durante o trabalho, e logo depois um colega veio me contar que um homem tinha invadido uma seguradora com uma motosserra, agredido cinco pessoas, deixando uma delas gravemente ferida. E isso bem perto da cidade onde trabalho.

Em poucos minutos eu já sabia detalhes do acontecido. O tragicômico é que se você busca por notícias em vários idiomas e em vários países, fica sabendo de detalhes diferentes da mesma notícia. Aqui na Alemanha ou na Suíça, por exemplo, muitas vezes não se anuncia o nome de uma pessoa que cometeu um crime, ou somente o nome com uma letra adicional do começo do sobrenome. Agora que estão buscando abertamente pelo foragido, decidiram anunciar o nome completo dele, data de nascimento, o máximo de informação de que dispunham. Mas antes disso na CNN o nome completo dele já estava sendo divulgado. Outra coisa curiosa foi como as primeiras pessoas ficaram sabendo do acontecido, lá no trabalho. Um colega, cuja mãe mora no Canadá, foi contatado por ela perguntando se estava tudo bem. Pouco tempo depois, o marido de uma colega francesa ligava preocupado.

Vi a foto da pessoa que tinha sido a autora daquela loucura, que foi fortemente informada como não ser um ataque terrorista. Ele estava foragido, fiquei sabendo da marca, cor e modelo do carro que dirigia, mostraram umas fotos suas, dizendo que ele tinha cortado os cabelos e estava careca. Ouvi uma representante da polícia dando detalhes do crime, e fiquei até um pouco orgulhosa de entender tudo, pois se tratava de alemão suíço, outro departamento pra quem fala alemão padrão.

Por um milisegundo pensei se poderia ir embora pra casa, se os trens não teriam parado de circular. Antes de sair, a notícia que eu não queria ler: talvez o foragido estivesse indo pra Alemanha… Exatamente pra onde eu estava indo!… Acabei tendo uma sorte danada, pois ao deixar o escritório, me encontrei com um colega, que me acompanhou até a estação de trem. Lá chegando, encontrei com um outro colega, que na realidade é meu vizinho e me acompanhou até eu chegar em casa. As reações, durante o caminho, foram mesmo assim inevitáveis: uma pessoa passou por mim correndo, fazendo esporte como mil e outras pessoas sempre fazem à beira do rio Reno, mas eu me assustei com ela. No caminho, começamos a conversar sobre o meu spray de pimenta e eu não o localizei na minha bolsa, mas imediatamente depois que entrei dentro de casa, e ele voltou pra dentro dela, por precaução. Dentro do trem e ainda na estação, eu observei todos os passageiros. E assim que cruzamos a fronteira, procurei pelos policiais alemães. Ao achá-los, com roupas à prova de bala e armas bem grandes, um alívio interno e um sentimento (falso) de segurança se instalaram. Na Suíça, a decisão da polícia tinha sido de ficar à paisana, para não afugentar o foragido, que era considerado perigoso e já tinha tido problemas por porte de arma ilegal por duas vezes nos últimos anos, mas que ainda não cumpriu pena, pois não tem endereço fixo e mora nas florestas…

Assim que coloquei a chave no cadeado da minha porta e entrei em casa, veio aquele alívio final: lar, doce lar!…

::Recorde no número de vagas em aberto na Alemanha::

12/05/2017

Saiu no jornal FAZ e vou fazer um pequeno resumo da reportagem: no momento há um recorde no número de vagas de emprego a serem preenchidas na Alemanha na área técnica de nível superior, o que aqui é resumido através da sigla MINT – Mathematik, Informatik, Naturwissenschaften und Technik (Matemática, Informática, Ciências Naturais e Técnica. Há um total de 237.500 vagas em aberto, 38,6% a mais do que em 2016. Desde 2013 a participação de mão de obra estrangeira nessa área cresceu 43%. Se não fosse isso, a falta de mão de obra qualificada na Alemanha estaria em patamares muitíssimo mais altos.

Fonte: artigo do jornal FAZ lido em 12/05/17: “Rekordlücke: 237.500 MINT-Arbeitskräfte fehlen”

::Trabalhar ou não trabalhar na Alemanha – eis a questão::

24/02/2017

Um texto escrito para brasileiras na Alemanha

Saiu um estudo recente da OECD mostrando que a Alemanha é um dos países onde as mulheres mais trabalham em período parcial. Na Alemanha, 70% das mulheres trabalham, e dentre elas, 30% em período integral e 40% em período parcial. Uma taxa de trabalho em regime parcial maior do que na Alemanha (dentre os países que fazem parte da OECD) só pode ser encontrada na Holanda e na Áustria. A bem da verdade, em alguns países como nos EUA ou na Suíça esta opção de trabalho parcial, além de muitas outras que facilitam a reinserção da mulher no mercado de trabalho, praticamente não existem, e muitas mulheres acabam parando de trabalhar por não terem condições de encontrar uma maneira de se reequilibrarem na corda bamba da vida como mães e profissionais.

Com relação à possibilidade de trabalho parcial na Alemanha, há muitas observações, a seguir:

– Esse é um direito garantido por lei na Alemanha para empresas acima de 15 empregados (Teilzeitgesetz). Uma mãe (ou pai) que requer, depois do Elternzeit (licença de 1-3 anos que se pode tirar para cuidar do filho), um regime de trabalho parcial, só pode ter seu pedido negado pela empresa por motivo de força maior;

– O mercado de trabalho alemão é realmente muito flexível e existem empregos de todos os tipos e constelações imagináveis, de poucas horas, algumas horas em alguns dias da semana ou no final de semana, com período limitado de duração, etc. – cada um monta seu esquema da maneira que lhe apetece;

– Observe-se que trabalhos em regime parcial são muito concorridos! Há muitas mães, muitas delas altamente qualificadas, buscando o mesmo tipo de trabalho: de preferência 4 horas por dia, durante o período da manhã;

– Como é de se esperar, o salário oferecido para trabalhos em regime de tempo parcial não é significativo e muitas vezes até menor (em termos de salário pago por hora) do que o salário pago para pessoas trabalhando em tempo integral. Portanto, caso apresente sua proposta de redução de carga horária, observe a regra de três!

– A consequência lógica, no caso de um salário baixo, é que as contribuições para a aposentadoria também serão baixas, e aí moram perigos bastante grandes! Há casos de separação onde a mulher fica desamparada no presente e a aposentadoria mais tarde terá um valor reduzido, muitas vezes não sendo suficiente para (sobre)viver. Acompanhei também o caso de uma senhora que sempre trabalhou em período parcial, seu marido faleceu aos 60 anos e ela se viu de um dia para o outro com uma renda bastante reduzida, pois como viúva tinha direito a parte da aposentadoria do marido, que ainda não tinha completado os anos necessários para uma aposentadoria normal, e o que ela recebia como salário em tempo parcial ainda era tomado em consideração para o cálculo de sua aposentadoria como viúva!

– Por último, acrescentaria a lógica de que um trabalho em período parcial ajuda a driblar o dia-a-dia, mas pode impedir o crescimento profissional, pois tarefas mais complexas geralmente exigem mais dedicação do funcionário. E sem o desenvolvimento profissional, o salário tende a ser o mesmo por muitos e muitos anos, com pouquíssima probabilidade de aumento de remuneração.

Mesmo tendo consciência de todos esses pontos, eu trabalhei durante os primeiros anos de vida do meu segundo filho no regime de 80% (de segunda a sexta, de 8 da manhã às 2h da tarde). Considero que foi um período muito bom, que me permitiu acompanhar meu filho de perto, me deu tempo para observar e realmente aprender a acompanhar as mudanças da natureza e me fez aprender a respeitar todas as mães: as que ficam em casa por opção, as que vão trabalhar em tempo parcial e as que, como eu, voltam a trabalhar em período integral.

As dificuldades encontradas por uma mãe que quer voltar ao trabalho, ainda mais em um país estrangeiro, são enormes. O idioma, a cultura, o sentimento de culpa, as dúvidas… A lista seria interminável. Eu diria que há vários pontos que contribuem para a decisão de voltar ao trabalho, mesmo tendo filhos pequenos:

– Você não perderá o contato com seus colegas e se manterá em dia com relação à tecnologia e aos sistemas empregados na empresa;

– Se manterá atualizada na sua área;

– Não terá que explicar um buraco no seu currículo mais tarde;

– Continuará contribuindo para sua aposentadoria;

– Terá chances contínuas de aumentos salariais;

– Manterá (nem que seja em parte) sua independência financeira;

– Encontrará, mesmo que depois de muita procura, paciência e grande antecedência de planejamento, uma rede para dar suporte ao dia-a-dia e aos períodos de emergência, formada por jardim de infância, creche, KiTa, Tagesbetreuung (cuidado diário depois do final das aulas com acompanhamento escolar e almoço), escola, professores, Tagesmütter (mães que se dispõem a cuidar de outros filhos, se formam e se organizam em associações), ajuda governamental nas férias escolares, parentes, amigos, etc. Já dizia um ditado africano que para se cuidar de um filho, precisa-se de um povoado inteiro! E mesmo o governo alemão dá bastante suporte através de programas como o Elterngeld, 10 dias de licença por ano no caso de filhos doentes (comprovadas pelo médico), previstos por lei tanto para mães quanto para pais, além de vários outros programas e leis.

Assim que tiver tomado a decisão do que é melhor para a sua vida, junto do seu parceiro, e de como irá organizar seu dia a dia, como e quando irá trabalhar, terá por certo que ter respostas afiadas e treinadas para todo tipo de pessoa que quiser se intrometer em sua vida e lhe ensinar o jeito «certo» de viver. Quando eu trabalhava em tempo parcial, vivia recebendo comentários de funcionários que queriam também sair mais cedo do trabalho, e me diziam que eu tinha uma «vida boa». Até que eu disse que todo funcionário tinha o direito de solicitar um trabalho em meio período, mas tinha também que aceitar metade do salário. Pronto, os comentários chatos se foram!… E quando trabalhava em tempo integral e meus filhos ainda eram pequenos, recebia comentários do tipo «coitada de você, que tem que trabalhar!» e minha invariável resposta era «coitada por que, se eu trabalho porque gosto?» Terá que organizar seu dia a dia para dias normais e alguns tantos anormais, tais como doenças, imprevistos, etc. Alguns dias não vão dar certo e seus planos vão ir por água abaixo, portanto será necessário aceitar que não há planos sem falha e não há perfeito sem defeito. Terá que relativizar seu sentimento de culpa, crescer na adversidade e descobrirá que todo ser humano tem suas dúvidas, mesmo as mães que ficam em casa, não só as que deixam seus filhos na escola todo dia para ir trabalhar. Terá que se organizar para garantir a comunicação dentro de casa, os momentos qualitativos (e não quantitativos) com seus filhos e a divisão de tarefas com seu parceiro. Não será uma questão dele lhe «ajudar» em casa, pois divide o mesmo chão com você, assim como seus filhos. Juntos, em casa, serão um time cooperativo onde todo mundo tem que ajudar.

Eu tenho plena consciência de que escolhi um caminho árduo, mas que vejo ser recompensado pela independência dos meus filhos e pelo meu desenvolvimento profissional. Tenho plena consciência também de que vários caminhos levam a Roma e não há um jeito único e certo de viver e de educar filhos. Respeito todas as opções, ao mesmo tempo que dou grande força para as mulheres que querem crescer profissionalmente e conquistar seu lugar ao sol como mães e profissionais, pois tempo trabalhado significa maior independência financeira hoje e sempre, além de garantia de aposentadoria mais tarde.

Fonte: Artigo do jornal Die Zeit sobre o estudo da OECD datado de 20/02/17, primeiramente lido e discutido no grupo Mães Brasileiras na Alemanha do Facebook.

::Imigração e mercado de trabalho na Alemanha – dados de 2015::

05/10/2016

Aqui um artigo super atual sobre a imigração e a prognose do nível de mão de obra para o futuro da Alemanha. Abaixo um resumo do artigo – tradução minha:

Em 2015, 2,1 milhões de pessoas imigraram para a Alemamha. Destes, quase um milhão de pessoas vieram da Comunidade Europeia e/ou solicitaram asilo. Somente 82.000 pessoas vieram de fora da Europa e destas, somente 5.867 através do Blue Card, por terem um alto nível de qualificação. Destas, somente 192 usaram a possibilidade de pedir um visto de 6 meses para a busca de emprego.

Em contrapartida, um milhão de alemães deixaram o país no mesmo ano. E o país volta a discutir sobre a possibilidade de instituir quotas para a imigração de mão de obra qualificada, baseadas em diplomas, conhecimento do idioma e experiência profissional. A proposta seria de que os selecionados recebessem um visto de um ano para a busca de emprego.

Está claro que a Alemanha precisa de pessoal qualificado, ainda mais quando se analisa o desenvolvimento demográfico do país. Mesmo que 200.000 pessoas imigrassem para a Alemanha por ano até 2030, o nível de mão de obra cairia ainda assim em 5 milhões ou ficaria 10% menor. Mesmo que o país consiga qualificar os asilados que acabam de chegar no país, ainda assim faltaria mão de obra para as empresas na Alemanha.

Fonte: artigo “Deutschland zieht kaum Fachkräfte an“ do jornal FAZ de 04.10.16

::Re-nasce uma ativista – pelos direitos das mulheres, e pelo fim da cultura mundial do estupro::

14/06/2016

Desde meus tempos de universitária e aieseca não reconhecia um chamado tão claro quanto o de agora. Quanto mais leio e me informo, mais vejo que a situação da mulher no mundo ainda deixa muito a desejar. Ainda somos vítima de MUITA discriminação! Estamos ainda muitíssimo longe de existir de forma igualitária e de dividir a Terra de igual pra igual com os homens. Uma constatação triste, mas 100% verdadeira nos dias atuais, onde há casos de estupro sendo discutidos aos quatro ventos: a cultura do estupro é universal. No Brasil uma moça de 16 anos é estuprada por mais de 30 homens e estes só estão sendo julgados depois que uma delegada assumiu o caso; nos EUA uma moça foi estuprada dentro da universidade de Stanford, inconsciente, e o rapaz, reconhecido como estudante daquela universidade, bom nadador, leva pena leve de apenas seis meses (que poderia ter chegado a seis anos, por lei), porque, segundo o juiz, uma pena pior poderia ter consequências ruins para sua vida futura. Na Alemanha, a modelo Gina-Lisa Lohfink vai à Justiça contra dois estupradores, e de vítima passa a acusada, lutando no momento para não pagar uma multa de 24 mil euros por ter descrito que supõe ter sido dopada antes do estupro. O que aconteceu com ela foi em 2012, e há quatro (!) anos a fio um vídeo que os dois rapazes fizeram do estupro roda a internet e já foi clicado milhões de vezes, destruindo uma pessoa por dentro… E no Qatar uma holandesa foi estuprada, foi à Polícia e está presa no momento, pois no país o sexo é proibido antes do matrimônio… Quantas vezes mais veremos exemplos absurdos como estes???

GC

Portanto, estou buscando formas de agir em nome de minhas convicções. Re-nasce uma ativista, em idade adulta. Achei um grupo com o qual me identifiquei: Global Citizen. Se tiverem mais ideias de como podemos investir em causas atuais, agradeço pela sugestão.

Aqui o manifesto da Global Citizen traduzido agora para o português por mim:

Eu juro atuar contra leis que descriminem meninas e mulheres.

Muito poucas delas podem ir à escola ou têm acesso a um sistema de saúde, encontram um emprego que pague adequadamente ou têm direito a ser donas de terra. Eu me nego a aceitar esta desigualdade.

Uma em cada três mulheres sofrem violência durante suas vidas e milhões de meninas são casadas contra sua vontade. Mas isso não tem que ser assim.

Eu acredito em um mundo, no qual a metade da população não está submetida a leis sexistas e meninas têm a possibilidade de crescerem de forma saudável, podendo estudar e se tornar mulheres fortes.

Descriminação perante a lei é um dos maiores danos contra mulheres e meninas, pois o Estado não lhes oferece a proteção necessária. Em nome de uma igualdade de verdade não pode haver diferença entre homens e mulheres.

Mas leis não mudam sozinhas. Portanto temos que apoiar aqueles que lutam sem cessar por um mundo igualitário entre homens e mulheres, e temos que construir um movimento global. Eu declaro minha participação global ao Global Citizens e me coloco contra as leis que discriminam mulheres.

Vamos participar? Clique aqui.

::Dia Internacional da Mulher::

07/03/2016

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher e muitos dirão que uma data comemorativa como essa já está ultrapassada, mas é aí que muitos se enganam.

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Talvez digamos isso porque não temos consciência completa de que só existe data comemorativa para minorias, e somos claramente uma delas. Apesar de já representarmos na atualidade mais da metade das pessoas que frequentam uma universidade, seja em curso de bacharelado, mestrado ou doutorado, não formamos nem 15% do grupo de liderança das empresas, mesmo que vários estudos já tenham provado e todos saibam que empresas diversas, com mais de 30% de mulheres ocupando cargos de liderança, tendem a ter mais sucesso.

Eu era contras as quotas de toda e qualquer espécie, contra as quotas que foram adotadas no Brasil para a entrada na universidade, e apesar de adotar uma posição feminista, também era contra as quotas que estão sendo discutidas e adotadas aqui na Europa com relação à mulher em cargo de liderança para empresas de capital aberto. Isso porque eu busco Justiça, trabalho na área de recrutamento e seleção e sempre fui a favor de que o melhor candidato ocupe uma vaga em aberto, seja ele homem ou mulher. Esta foi a minha postura até o dia em que troquei ideias com um colega de trabalho, que já acompanha há 30 anos as discussões acerca da mulher no mundo dos negócios e diz que já está cansado de presenciar tanta discussão e tão pouca ação. Ele é a favor das quotas por um determinado período de tempo, pois só uma medida drástica como essa poderá modificar o cenário existente onde as mulheres são responsáveis por 70% das decisões de compra, mas ocupam a maioria dos cargos com menor poder de decisão e chegam a ganhar menos pelo mesmo trabalho desempenhado por um homem. Enquanto nos esforçamos em ser boas funcionárias e em agradar a chefia, admitindo honestamente o que sabemos e o que não sabemos numa entrevista de emprego, muitos homens estão ocupados se catapultando ou se mantendo no auge do poder, mantendo o estatus quo que tão bem conhecemos.

the-intern-200x300Nós, mulheres, temos ainda um defeito horrível de procurar sempre em nós a culpa para tudo o que não anda bem. Como no caso da personagem Jules Ostin do filme “Um Senhor Estagiário” (The Intern), que apesar de ter sucesso como CEO de uma start-up de moda e driblar seus dias entre o sono, escritório, trabalho em casa e os papeis de profissional, esposa e mãe, se dá toda a culpa e começa a buscar um sucessor, propondo-se a se desligar em parte de seu grande sonho e do sucesso empresarial conquistado, quando descobre que o marido a está traindo. Sugiro que o filme seja visto pelo maior número possível de mulheres, pois precisamos de mulheres neste mundo que admitam ter sonhos e que lutem por eles, que não se escondam atrás deles ou o escondam debaixo dos cobertores, se fazendo menores do que são. Precisamos de investir um tempo revendo o que já conquistamos nas últimas décadas mas também precisamos de coragem pra abrir a boca quando algo não vai bem, dentro ou fora do ambiente de trabalho. O preconceito, as tramas do poder, os comentários maliciosos, as “chegadas pra lá” não são uma exceção e não vão parar de existir só porque nós as ignorarmos. E, acima de tudo, temos que admitir que não somos nenhuma Mulher Maravilha, mas sim pessoas de carne e osso com muitos erros e limitações. Não podemos querer ser perfeitas e nos cobrar o impossível como mães, mulheres e profissionais, pois isso só nos levará à amargura. Precisamos dividir os fardos e os prazeres dentro e fora de casa. Que saibamos comemorar o Dia Internacional da Mulher e esperemos que um dia não exista razão para uma data comemorativa como essa, pois a mulher terá alcançado o espaço que lhe é de direito. Que tenhamos coragem pra sonhar… como eu sonhei, por exemplo, em um dia poder ver a Madonna, o Papa Francisco ou a Angela Merkel ao vivo e a cores, e que tenhamos fé, persistência e resiliência pra acreditar que nossos sonhos podem se tornar realidade. Eu, ainda que tenha que admitir que seja um tanto quanto teimosa e fora do normal, vi os três e quero continuar a sonhar.

P.S. – Dicas de mulher pra mulher:

MAKERS – The largest video collection of women´s histories

20 Inspiring TED Talks every woman should watch

Male Champions of Change

Se tiver dicas, deixe-as por favor nos comentários. Eu e as outras mulheres agradecemos!

P.S. 2 – Leia também aqui “Os direitos da mulher” e aqui “A Alemanha é uma sociedade machista?”


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