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Posts Tagged ‘preconceito’

::Resultados da Pesquisa para a I Conferência do Gênero::

22/06/2015

Há algumas semanas atrás tinha indicado uma pesquisa aqui no blog relacionada aos temas que mais afetam a comunidade brasileira na Alemanha. Agora queria dividir o resultado com vocês. Os dois principais temas, que serão discutidos na I Conferência do Gênero em Brasília, são os seguintes:

– Preconceito e visão estereotipada da mulher brasileira, reforçada por campanhas publicitárias. A imagem da mulher brasileira sempre está ligada a sexo.

– Separação dos filhos em função de decisões judiciais locais contrárias à parte brasileira. Por falta de conhecimento das leis locais pode haver perda da guarda de menores pelos cônjuges brasileiros

Os seguintes temas ficaram em 3° e 4° lugar com a mesma percentagem:

– Doenças psicológicas, como resultado de violência física, psicológica, preconceito, isolamento social, falta de perspectiva, desamparo, desprezo

– Dificuldades financeiras em função de desavenças e/ou descaso/desamparo por parte do(a) parceiro(a)

O 5° tema também chama a atenção:

– Coerção para aceitar condições de trabalho fora da lei, abdicando de direitos trabalhistas existentes por medo de perder o emprego

O que acha dos resultados? Claro que os brasileiros que moram na Alemanha são bastante multifacetados e a pesquisa não pode ser considerada um retrato fiel da realidade, mas você considera que os principais temas foram capturados através desta pesquisa? Aguardo seu comentário abaixo!

Abaixo o resultado total:

Conferencia do Genero

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::Como eu mudei depois de mudar para a Alemanha::

19/04/2015

Inspirada no texto que republiquei no meu mural do Facebook, pensei que seria uma boa ideia escrever um texto meu sobre como eu mudei depois de morar na Alemanha. Claro que esta avaliação será só pela metade, porque depois de meia vida aqui talvez já tenha incorporado tanta coisa que já me parece normal, que não a notaria sem que me alertassem deste fato, tirando claro os cabelos grisalhos, as rugas e o ganho de peso com a idade. Portanto, se me conhece e quer me lembrar de algum aspecto que porventura não tenha comentado aqui, deixe seu comentário abaixo, ok? Pois então vamos lá!

Beijinhos e cumprimentos

Com certeza eu beijo menos no rosto e cumprimento muito mais falando do que pegando nas pessoas. Deixei também de encostar nas pessoas ao falar com elas, o que logo de princípio irritava muito meu namorado na época.

Lanches e usados

Fazer “farofa”, levando comida ou lanches ao sair de casa, era inaceitável lá em casa. Vivendo na Alemanha passei a ver que esta atitude é louvável, economiza dinheiro, faz com que nos alimentemos de coisas mais saudáveis e na hora que bem quisermos.

Não cresci em um meio onde a compra ou troca de usados fosse normal. Hoje em dia já participei de várias festinhas onde o único objetivo era a troca entre amigas de roupas e acessórios, sem gastar dinheiro nenhum. Acostumei-me a vender e comprar roupas usadas para meus filhos. Faço também muitas doações aqui, o que já era normal no Brasil, mas aqui às vezes é mais difícil achar pra quem doar.

Espiritualidade

Cresci como católica, mas aqui aprendi a conhecer e respeitar todas as religiões. Aprendi que um ateu que age com civilidade e respeito é mais religioso do que um evangélico ou católico que cumpre o que sua religião exige, mas desrespeita o próximo na primeira oportunidade possível.

Origens e nacionalidades

No Brasil nunca ficamos refletindo sobre a origem das pessoas, sobre a nacionalidade de suas famílias, mas isto aqui na Alemanha é imperativo, pois todos querem saber. Também porque o método de tratamento formal é feito só pelo sobrenome, o que leva as pessoas a colocarem perguntas sobre as origens, o marido (se se tratar de uma mulher casada que tenha trocado o nome) e até se a pessoa for alemã, querem saber de que parte da Alemanha a pessoa vem.

Cidade grande x bicho do mato

Morava em uma cidade com 3,5 milhões de habitantes e para mim era impossível pensar em viver no interior. Hoje moro em uma pequena cidade pertinho de um lago lindo no sul da Alemanha e gosto das vantagens de morar assim, porque tudo é pertinho, gasto pouco tempo me locomovendo para a escola, trabalho, etc., vivo mais próxima à natureza, respiro um ar mais puro e tenho acesso a tudo o que preciso para viver, mesmo tendo feito a opção ser “bicho de mato”.

Preconceitos

Eu não sou livre de preconceitos (quem me dera!), mas no Brasil era definitivamente mais preconceituosa do que aqui. Com certeza porque aqui tenho a oportunidade de conviver e interagir com pessoas de muitas partes do mundo, provar de comidas diferentes e refletir sobre meus preconceitos e os preconceitos de outras pessoas.

Introspecção e (in)tolerância ao barulho

A Alemanha é muito silenciosa, com pouquíssimos barulhos em locais públicos, as pessoas falam mais baixo, a buzina só pode ser usada em caso de emergência… Tudo isso pode incomodar demais um brasileiro em busca de agitação. Eu, da minha parte, faço uso do meu lado introspectivo e aprendi a gostar do silêncio. Mas quando uma festinha boa aparece por aí, com ou sem música, eu adoro também!

Direitos do cidadão e conceito de cidadania

Lembro de andar em Belo Horizonte com o direito do consumidor debaixo dos braços para tentar fazer valer meus direitos em uma loja de sapatos, sendo quase vista como uma ET por agir assim. Aqui todos conhecem seus direitos e costumam fazer uso deles com frequência.

O conceito de cidadania é bem visível aqui. Os bens públicos são conservados e ninguém costuma deixar lixo em lugares públicos. Acho isso o máximo!

Brasil e o valor dos mais simples

Morando na Alemanha, passei a conhecer mais do Brasil além do que conhecia. Vi e li muita coisa que me fez repensar sobre vários conceitos antes ganhos sobre meu país. Passei a ver coisas que para mim antes eram normais, desde que moro aqui como equivocadas, como p.ex. o tratamento às empregadas (almoço em mesas separadas, elevador de empregada, etc.). Sendo obrigada a colocar a mão na massa, cuidar da casa e fazer tudo sozinha, aprendi a ter respeito com cada ser humano e pela função que ele exerce na sociedade. Voltando ao quesito preconceito, aprendi que muitas vezes os mais simples podem ter melhor caráter do que os mais cultos.

Simplicidade

Na Alemanha o esbanjamento é bem diferente do visto no Brasil. Praticamente não há casas planejadas por decoradores, as festas são simples (e ainda assim muito caras), mas investe-se p.ex. em bons carros e em viagens. Mesmo assim, há uma tendência grande da nova geração de consumidores alemães de optar conscientemente contra a compra de um carro, e se for possível de usar os meios de transportes públicos. Isto menos pela falta de recursos, mas mais pela consciência ecológica.

Animais

Eu não tinha ligação nenhuma com animais no Brasil. Hoje vivo com dois gatos em casa e respeito aqueles que cuidam e lutam pelos direitos dos animais. Aprendi com uma amiga minha que disse que se só houvessem pessoas que se importam com pessoas, quem cuidaria dos bichinhos e bichanos? É bom que cada um tenha interesses diferentes, assim todos são considerados. Vivendo e aprendendo!

::Mensagem de otimismo – O divino está em toda parte::

29/11/2011

Este pensamento eu recebi de uma outra prima linda, desta vez vindo dos EUA, da Ciléia. Obrigada por dividi-lo conosco, Ciléia!


Lembre-se que Deus é amor e o seu oposto é o medo. O medo manipula, controla, limita e instiga em seus seguidores sentimentos arrogantes de que sua crença é a mais correta, ou a única. Pense bem, se Deus criou um planeta tão diverso com tantas culturas que expressam várias maneiras de explicar o Divino, porque a sua, ou a minha maneira de interpretar a Vida, O Divino, é a única correta? Não seria isso a prova de egoísmo e um pensamento limitado? Teremos a oportunidade de aprender com outros pontos de vistas caso coloquemos nossos preconceitos e intolerância de lado. Ao invés de tentar converter os outros, porque não nos unimos a eles para que possamos ampliar nossa consciência, humildade, tolerância e amor? Podemos criar um mundo maravilhoso caso cada um de nós sinceramente tenha a coragem de colocar nossas certezas de lado, e passemos a abrir nosso coração para o que nos parece distinto, principalmente com relação a como o Divino é percebido e expresso em outras culturas ou sistemas de crenças.
Quando percebermos que a única coisa que separa um Ser Humano de outro é o sistema de crença aprendido ou assumido e que crenças podem ser criadas ou descriadas de acordo com a vontade individual, com certeza brigas e guerras darão lugar para compreensão, amizade e amor.

Pense nisso com seu coração.

Que você encontre paz e…. seja um SER HUMANO POR INTEIRO

Ciléia

::Do preconceito::

03/01/2011

::Reportagem da Veja sobre o Sarrazin::

24/10/2010

Em anexo uma reportagem da Veja sobre o livro do Thilo Sarrazin que a leitora Talia teve a bondade de escanear e me enviar por e-mail. Obrigada, Talia! Notem bem no finalzinho um detalhe interessante sobre a ironia do significado do sobrenome Sarrazin, que vem do árabe e significa “muçulmano”…. E quem é que ele combate mesmo? Isso está me cheirando a Hitler!…

Boa semana!

Fonte: reportagem “Uma tese perigosa”, edição da Veja de 15/09/10.

::Migração na Alemanha e Preconceito contra Estrangeiros::

17/10/2010

As últimas afirmativas do Sarrazin, Seehofer e até da Angela Merkel têm me deixado preocupada. Resolveram colocar a grande ovelha negra da nação, os estrangeiros, novamente em debate, depois do lançamento do livro Deutschland schafft sich ab: Wie wir unser Land aufs Spiel setzen(A Alemanha está acabando consigo própria: como estamos colocando nosso país em risco) e visivelmente pra voltar a atenção da população pra um assunto comum, incomodante, e tirá-la de outros assuntos que significariam uma crítica direta ao governo (p.ex. Stuttgart 21, insatisfação com relação às decisões tomadas pelo governo, etc.). Enquanto o Sarrazin defende que as diferentes “raças” têm, segundo ele, um nível diferente de inteligência e mete o pau nos muçulmanos por seu QI, em sua opinião, inferior, o Seehofer e a Merkel afirmam que a multiculturalidade na Alemanha está falida. Que decepção! Enquanto muitas pessoas participam da discussão sem conhecer fatos, separei aqui e aqui dois grupos de informação importantes e atuais reunidos pela revista “Der Spiegel” pra quem quiser opinar com base na realidade atual: dados sobre o estudo do “Friedrich-Ebert-Stiftung” (que mostra, dentre outros resultados assustadores, que 1/4 da população é contra estrangeiros no país e uma a cada 10 pessoas queria novamente um “Führer” que colocasse a casa em ordem), além de dados sobre a migração na Alemanha, que comprova que atualmente o país está perdendo mais pessoas para o exterior do que recebendo estrangeiros aqui, considerando-se os valores totais de emigração e imigração, o que é um fato alarmante para as empresas daqui em busca de pessoal qualificado… Aguardo seus comentários!

::Ebony & ivory – Preto e branco::

24/06/2010


Ontem durante o jogo da Alemanha o visual estava super interessante: era branco vestido de preto (os alemães, desta vez com uniformes pretos) e branco vestido de preto (o time da Gana de branco). Tinha uma música que estava na minha cabeça o tempo todo: “Ebony and Ivory“, do Paul McCartney… Como seria bom um mundo onde todas as cores vivessem em harmonia, não é mesmo?

Ebony and ivory live together in perfect harmony
side by side on my piano keyboard, oh lord, why don’t we
We all know that people are the same wherever you go
there is good and bad in everyone
and we learn to live we learn to give each other
what we need to survive together alive

°°°

O preto e o branco vivem juntos em perfeita harmonia,
lado a lado nas minhas teclas de piano, ó Deus, por que nós não conseguimos viver assim?
Todos sabemos que as pessoas são as mesmas, não importa onde quer que vamos
Há um lado bom e outro mau em todo ser humano
E nós aprendemos a viver, aprendemos a dar para cada um
o que precisamos para sobreviver, para ficarmos juntos vivos

::Preconceito no mercado de trabalho::

12/06/2010

Aqui na Alemanha há, em geral, muito preconceito no mercado de trabalho. As empresas geralmente querem empregados prontos, com bons estudos, muitos anos de experiência profissional, de preferência também no exterior, que sejam jovens, saudáveis, versáteis… a lista não acaba! Uma verade: elas preferem sim contratar alemães. Mas é claro que num ambiente empresarial as decisões são tomadas por pessoas, que vão se guiar por suas crenças e exigências organizacionais. Se a exigência for encontrar um profissional com determinado perfil, e a pessoa escolhida for um estrangeiro, lógico que a empresa não vai pensar duas vezes para contratá-lo.

O que resta aos que estão tentando um lugar ao sol é sempre tentar perguntar o que não foi do agrado do entrevistador em uma entrevista pessoal, nunca deixar a peteca cair, não perder a auto-estima jamais e sempre acreditar em si próprio. É preciso lembrar também que o mercado de trabalho está passando por uma transformação imensa no momento, e a tendência é vivermos de projeto para projeto e cada vez menos empregados com carteira assinada. Então é necessário ser flexível nesta hora, encontrar sua marca pessoal (que pode ser desenvolvida juntamente comigo) e acreditar nela.

A questão da diversidade, inserida no contexto empresarial, também é realidade também no Brasil, conforme texto a seguir:

°°°

Barrados por terem idade demais, barrados por não terem experiência, recusados pelo critério burocrático de idade máxima de 35 anos, milhões de brasileiros estão neste momento cumprindo a mesma rotina: acordar de manhã, pesquisar os empregos, mandar currículos, aguardar ansiosamente resposta, se animar com alguma possibilidade de entrevista e ouvir do recrutador que seu perfil não é o que a empresa quer. Isso vai demolindo a autoconfiança e eles começam a achar que fizeram a escolha errada, ou têm algum problema que não perceberam.

Não há nada de errado com esses brasileiros. Nas muitas respostas que recebemos o que fica claro é que a empresa faz exigências descabidas, constrói barreiras desprovidas de sentido.
Conversamos com os departamentos de pessoal de algumas empresas. O grupo Randon disse que tem 500 vagas em diversas áreas, 5% de engenharia e nível técnico que estão há 80 dias sem preenchimento. O cenário é o mesmo na Atlas Schindler, onde a convicção é que faltam técnicos no Brasil. A mesma queixa ouvimos na Fosfértil. Um mês atrás fizemos a mesma busca em vários setores e ouvimos as mesmas queixas.
O país está crescendo, o mercado de trabalho está dinâmico, essa é a hora de as empresas abrirem suas portas, sem preconceitos. Hoje, já se sabe que a diversidade é elemento essencial para a formação de uma boa equipe. O Brasil está reclamando de apagão de mão de obra com oito milhões de desempregados.

Fonte: Coluna no Globo de 30/05/10, artigo “Barrados na Porta” de autoria de Míriam Leitão.

::Dignidade::

10/03/2009

::Discriminação nas universidades alemãs::

04/12/2008

Estou lendo um artigo praticamente inacreditável com relação ao racismo, à discriminação e à solidão, além de dificuldades com a burocracia que os estudantes estrangeiros sofrem aqui na Alemanha. Parei no meio para vir comentar aqui. Isso me deixou muito triste, pois como o próprio artigo diz, a Alemanha depende de estudantes estrangeiros não somente pelo interesse de promover o melhor entendimento entre as culturas ou para que exista uma troca internacional nas universidades, mas acima de tudo por interesses próprios, para que os estudantes talvez se decidam ficar por aqui e trabalhar na Alemanha, pois o país precisa urgente de pessoal qualificado em várias ramificações da engenharia, dentre outras áreas. Um estudante negro teve que ir à justiça para ter direito de entrar numa discoteca de sua cidade que tinha colocado um aviso na entrada “Proibida a entrada de estrangeiros”. A tal discoteca teve que pagar 500 euros de multa pelo ato de racismo ao estudante. Outra estudante chinesa foi xingada no meio da universidade por um estudante alemão, mandando ela voltar para o país de onde veio. O mesmo estudante africano apresentou um excelente trabalho e recebeu como pergunta: “Que alemão o ajudou a fazer o seu trabalho?”. O texto, da revista alemãUniSpiegel” comenta, com razão, que o ambiente universitário é um espelho da sociedade onde está inserido e que o número de estudantes estrangeiros vem decaindo na Alemanha desde 2003.

Thiago Guimarães, 30 anos, Brasil, está cursando o curso de mestrado em Planejamento de Cidades na Universidade HafenCity de Hamburgo.

Por fim, o caso de um brasileiro, Thiago Guimarães, que veio para estudar em Hamburgo:

“Se eu pudesse decidir novamente, não teria vindo estudar em Hamburgo. Sete dias antes do início do semestre ninguém da universidade sabia me informar se eu tinha conseguido a vaga ou não. Eles nem entenderam como é difícil um estudo no exterior: visto, organização da viagem de avião, despedida de casa. Eu tive que escrever muitos E-Mails até que a confirmação da vaga na universidade chegasse. Na Alemanha fui recepcionado por uma funcionária da universidade com as seguintes palavras: “Você então é o brasileiro que nos deu tanto trabalho”.

***

Eu particularmente tive poucos problemas na universidade. Claro que uma vez ou outra notei não ser bem quista por uma ou outra pessoa, mas atribuí esses problemas a dificuldades normais de relacionamento e não perdi tempo “batendo como água em pedra dura”, sempre busquei relacionamentos frutíferos, independentemente da nacionalidade das pessoas. Quanto à burocracia e solidão eu concordo com o que foi colocado, mas os sinais de racismo e discriminação aberta me deixaram perplexa!


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