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Posts Tagged ‘portuguesa’

::Resumo do ESC – Eurovision Song Contest 2018::

13/05/2018

Que alegria viver na era da internet e, depois de ficar sabendo que o ESC (Eurovision Song Contest) foi ontem à noite, poder ver o resumo e as melhores parte do show um dia depois!

Vamos à eles:

1. A ganhadora da noite, de Israel, que cantou uma música bem no ritmo da diversidade e da onda #metoo: Netta cantando Toy. A mensagem principal: I’m not your toy (não sou o seu brinquedo). Claro que gostei! E a Europa também!

2. A proposta oposta da cantora acima, Eleni Foureira do Chipre, mas que na realidade vem da Albânia e cresceu na Grécia, que vende-se como objeto de sexo e de prazer, muito bonita aliás. Interessante o fato da proposta de Israel ficar em primeiro lugar no ESC. Sinal dos tempos!

3. Os gatinhos da noite vêm da Suécia – Benjamin Ingrosso (esse menino tem só 20 anos!)…

4. …e da República Tcheca – Mikolas Josef:

5. A Alemanha ganhou o merecido 4. lugar esse ano, com uma música emocional de Michael Schulte, que cantou em homenagem a seu pai:

6. O ganhador do ano passado, Salvador Sobral, nos deu a honra de sua apresentação, trazendo consigo seu cantor predileto, ninguém mais nem menos do que Caetano Veloso. Que noite!

::Depoimento de uma portuguesa no abrigo para mulheres na Alemanha – Frauenhaus::

16/03/2014

No dia 11.03.14 fui contactada por uma leitora do blog:

“Sou uma portuguesa a viver na Alemanha e gostaria de lhe dar o meu testemunho da minha vida neste país. Amanhã vou começar a viver num abrigo de mulheres e gostaria de partilhar consigo e com o seu site dado que pouco ou nada encontro na internet sobre testemunhos reais”.

°°
Concordei com a ideia dela e transformei o testemunho em uma entrevista. Vamos a ela:

Por que você quer dividir sua experiência com outras mulheres?

Eu quero escrever para poder guiar as milhares de mulheres que têm receio de dar este passo.

Como foram seus primeiros passos na Alemanha?

Vim para cá e comecei a trabalhar numa empresa de controle de qualidade onde permaneci um ano e meio. Nessa empresa o meu inglês era suficiente. Infelizmente essa empresa fechou e vi-me sem alemão à procura de trabalho. Recebi o seguro-desemprego apenas durante 6 meses.

O que aconteceu durante o tempo em que esteve desempregada?

No decorrer desse período conheci o meu namorado que depois de um mês de namoro me pediu em casamento e como eu aceitei decidimos dar início a uma vida em conjunto. O seguro-desemprego terminou em abril e nós começamos nesse mês a viver juntos. Ele não é alemão mas pertence à União europeia. Trabalhava e continua a trabalhar numa empresa de trabalho temporário (trabalho terceirizado).

O Arbeitsamt (Agentur für Arbeit, depto. de ajuda a desempregados) informou-me entretanto que deixei de obter qualquer tipo d ajuda social e que só poderia reavê-la se encontrasse um Nebenjob (um trabalho além da ajuda social pago por horas, onde o bruto é igual ao salário neto, no máximo 450 euros, chamado de Minijob ou 450,00€-Job). A razão não foi por eu ter meu companheiro a trabalhar mas sim porque disseram que eu tinha necessidade de encontrar esse trabalho para obter novamente ajuda social. Ocorre que sem alemão conseguir arranjar um trabalho foi missão quase impossível.

E como isso influenciou no seu relacionamento com seu marido?

O nosso relacionamento devido a esta situação começou a andar mal. O dinheiro ajuda qualquer relação e nós não o tínhamos. A grande parte do nosso dinheiro ia para o pagamento de aluguel e eletricidade. Os problemas começaram. Descobri que meu companheiro com a aflição de não ter dinheiro começou a jogar em casinos. Ele jogava de forma tão desesperante que gastava e continuava a gastar o que nos restava.

E você conseguiu encontrar um trabalho?

Profissionalmente em setembro encontrei um Nebenjob e assim voltei a receber uma pequeno apoio social, abaixo do valor do Minijob. Comecei a ver uma luz no fim do túnel para meu relacionamento mas logo percebi que nada tinha mudado.

Em dezembro minha chefe me despediu porque alegou que meu alemão não era suficiente. Voltei a viver de ajuda social novamente.

E o que aconteceu no seu relacionamento depois de ficar desempregada pela segunda vez?

Depois de muita briga, com maus tratos físicos e psicológicos, decidi no início de março sair de casa pois sei que ele é viciado em jogo. Talvez já era antes, mas como namoramos pouco tempo não tinha percebido antes.

Comecei então a procurar uma WG (Wohngemeinschaft, um apartamento mobiliado onde cada um tem seu quarto mas divide a sala, cozinha e banheiro – fala-se “WêGê”). Foi assim que percebi que ninguém aluga porque não querem pessoas que vivam de ajuda social. Vi-me à procura de uma luz na internet e foi assim que encontrei o seu site! Frauenhaus (abrigo para mulheres)! Natürlich (claro)!

No começo desta semana visitei a Frauenhaus e contei sobre minha situação. Disseram-me que não tinham vagas mas um dia depois ligaram e disseram que já podia me mudar!

Que bom, e você já começou a estudar alemão?

Sim, desde janeiro deste ano estou fazendo um curso de alemão na AWO (Arbeiterwohlfahrt) apoiado pelo Job Center! Ele vai terminar em julho de 2015. Somos aproximadamente 22 alunos de todos os cantos do mundo: Vietnã, Colômbia, Peru, Itália, Romênia, Bulgária, Marrocos, Kosovo, Grécia, Irã e Turquia. Eu continuo a procura de um emprego, mas sem alemão fica mesmo tudo muito difícil!

E como era para você viver com um viciado em jogos?

Sempre tive muitos problemas com violência doméstica pois meu pai bebia e batia na minha mãe. Aos 19 anos saí de casa pois não aguentava mais ver minha mãe ser maltratada. Saí como saí hoje do meu casamento, somente com minhas roupas e sem um centavo.

Já encontrou uma moral da história pra sua própria história de vida?

Sempre tive bons empregos mas pouca sorte com os homens. Sempre tive queda por homens problemáticos que acabavam quase sempre me traindo.

E quais são as diferenças principais entre Portugal e a Alemanha, na sua opinião?

Portugal vai bem em termos de mentalidade, serviços, tecnologia. Mas agora com a crise os salários caíram pela metade e por isso decidi vir pra cá.
Quanto à burocracia, a única coisa que posso dizer é que tecnologicamente as repartições públicas são mais avançadas. Através de um número o atendente tem acesso a todo o seu histórico e quando alguma coisa modifica, é só inserir os novos dados no computador e pronto.
Aqui neste país tão à frente o processo é tratado como se fosse um novo atendente, como se ele não tivesse nenhuma informação a meu respeito…

(Nota da Mineirinha: a burocracia é proposital para dificultar o processo.)

Quais foram suas primeiras impressões no abrigo de mulheres?

Hoje fui muito bem recebida mas fiquei sabendo que ninguém me ajudará a procurar um apartamento. Eu vou ter que fazer isso sozinha. Meu quarto está equipado, somente necessito da minha roupa. Temos televisão em uma sala, mas não temos internet. É proibida a entrada de homens de mais de 16 anos nas instalações do abrigo e nos jardins que circundam a casa. Isso quer dizer que meu irmão não vai poder vir me visitar aqui.

Como conseguiu encontrar forças para terminar tudo com meu ex-companheiro?

Não sei muito bem! Acho que gosto mais de mim do que dele. Essa é a razão. Quando temos baixa auto-estima é dificil deixar. Sabendo o nosso valor tudo é bem mais fácil. E também porque acredito que um relacionamento tem que ter mais coisas boas do que más e no meu não tinha. Isso quer dizer que não tinha nada bom a que me agarrar.
Por mais mal que uma pessoa esteja, ninguém tem o direito de nos tratar como objeto adquirido. Ninguém pertence a ninguém. Somos todos livres! Ninguém merece nascer de mães escravas! Ninguém quer isso!!

E como vai a procura a um novo emprego?

Fui ao Job Center informar que estava morando no Frauenhaus. Tive dificuldade de explicar o óbvio porque parecia que não me entendiam. Fiquei toda envergonhada e comecei logo a suar de nervoso! Foi difícil tornar claro que acabo de me separar e que agora vivo em um abrigo para mulheres. Todos os documentos que havia preparado há 4 meses não têm mais validade, vou ter que preencher tudo de novo.
Vou receber a partir de agora uma pequena ajuda mensal, abaixo do valor um Minijob, e quando conseguir um apartamento praticamente o valor dobrado se morar dentro da cidade. Fora da cidade o valor é menor.

E o seu ex, já voltou a fazer contato com você?

Sim, ele não pára de me escrever e tenta fazer alguma chantagem psicológica…. Não me toca minimamente porque me lembro de quantas lágrimas eu já derramei sem ter o mínimo apoio dele.

E o que você gostaria de deixar aqui como dica para outras portuguesas e mulheres em geral de língua portuguesa que pensam em vir tentar a vida na Alemanha?

Aconselho às mulheres a virem preparadas para encontrar muitas dificuldades se vêm sem alemão. Sugiro que tragam uma boa quantidade de dinheiro para pagar o aluguel e as despesas básicas nos primeiros meses. Se vierem para viver com familiares, que se preparem, porque isso tende a não funcionar.
Aconselho às mulheres a nunca se inibirem de dar sua opinião por mais contraditória que seja. Vivemos em sociedade livre!

::Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão – Fernando Pessoa::

29/09/2012

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu…. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora…

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração… e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és…

E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

::Livro da Mineirinha também na Suíça::

17/09/2011

A partir de agora, o livro Mineirinha n’Alemanha está sendo vendido também na Suíça através da Livraria Varal. É só clicar aqui.

Com certeza, os leitores em língua portuguesa da Suíça ficaram felizes com a abertura de uma livraria centrada na divulgação da literatura e cultura do nosso país por lá! Desejo bastante sucesso à Livraria Varal do Brasil!!! 🙂

::Novidade para 2011: publique seu texto no “Mineirinha n’Alemanha”!::

25/12/2010

Como foi o Natal de vocês? O meu foi jóia, passamos o Natal na casa da minha cunhada junto de seus filhos, meu sogro e mais uma outra cunhada e seu filho que tinha acabado de chegar da Espanha. As crianças (e os adultos) curtiram seus presentes, a comida estava ótima, voltamos felizes pra casa. Hoje fomos fazer um passeio na floresta tomada pela neve, é frio, é cansativo, mas é gratificante admirar a natureza, ouvir a falta de barulho do inverno e agradecer pelo dia, pela vida. Fechamos o dia num café da cidade, comendo bolos típicos e tomando café/cappuccino/Lumumba (chocolate quente com bebida alcóolica) pra esquentar. Espero que vocês tenham aproveitado o Natal tanto quanto nós!

Queria oferecer meu espaço para outras pessoas e meus leitores, pra caso tenham algum texto que gostariam de publicar aqui no “Mineirinha n’Alemanha” a partir de 2011. Este espaço tem aproximadamente 10.000 visitas por mês e é um bom local para divulgar ideias e novidades para o público de língua portuguesa espalhado pelo mundo, principalmente no eixo Brasil-Europa. Se quiser enviar algo para publicação, é só deixar um comentário neste ou noutro post qualquer e entrar em contato. Claro que a decisão final quanto à publicação fica ao meu encargo, ok?

Além desta ideia, também queria criar um espaço para pessoas apresentarem seus CVs e a pedido receberem ofertas de emprego para pessoas de língua portuguesa dentro da Alemanha pesquisados por mim. O mesmo poderia ser criado no Brasil para estrangeiros e/ou brasileiros vivendo no exterior querendo voltar pra Terrinha. Aceito comentários/sugestões/ideias a respeito!

Desde já, desejo Feliz Ano Novo e muitas realizações, saúde e solidariedade no ano que se aproxima!

::Homenagem a José Saramago::

19/06/2010

Morreu ontem, aos 87 anos, José Saramago.

O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguesa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles,  infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro, resumo do Newsletter de 18.06.10.

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma”.

Fonte: Revista do Expresso, Portugal, entrevista de José Saramago,11 de outubro de 2008

°°°
Como homenagem ao José Saramago, por seu espírito indagador e eternamente pensativo, coloco aqui o vídeo chamado “O Paradoxo do Tempo”, falando da missão da AIESEC, associação estudantil com 40 anos de Brasil, da qual participei por 4 anos e através da qual vim para a Alemanha:

A tradução do texto foi feita por mim:

O Paradoxo do Tempo
Através da História
É que temos prédios mais altos,
Mas menos humor;
Rodovias mais largas,
mas visões mais estreitas;
Gastamos mais,
Mas temos menos;
Compramos mais,
Mas aproveitamos menos;
Temos casas maiores,
Mas famílias menores;
Temos mais facilidades,
Mas menos tempo;
Temos mais especialistas,
Mas mais problemas;
Mais medicina,
Mas menos bem-estar;
Multiplicamos o que possuímos,
Mas reduzimos nossos valores;
Falamos muito,
Amamos muito pouco,
E odiamos com frequência;
Adicionamos anos à vida,
Mas não vida aos nossos anos;
Fomos à lua e voltamos,
Mas temos medo de cruzar a rua e encontrar nosso novo vizinho;
Dividimos o átomo,
Mas não conseguimos eliminar o preconceito;
Aumentamos a quantidade,
Mas nos falta a qualidade;
Estes são tempos de homens altos,
De baixo caráter;
Altos lucros,
E relacionamentos superficiais;
Este é um tempo de paz no mundo,
Mas violência dentro de casa;
Mais lazer,
Mas menos prazer;
Mais tipos de comida,
Mas menos nutrição;
Este é o tempo de casas mais bonitas,
Mas de lares destruídos
(…)

::”Mineirinha n’Alemanha” na mídia alemã::

20/04/2009

Uma opção alternativa de compra do livro “Mineirinha n’Alemanha” (que pode naturalmente ser adquirido diretamente comigo) é a livraria virtual LiBrasil, que é especializada em literatura na língua portuguesa aqui na Alemanha. Ela noticiou sobre meu livro aqui.

KultBrasil é um portal online sobre o Brasil para o público alemão. Ele se propõe a mostrar que o Brasil é muito, muito mais do que samba, carnaval e futebol, mostra muito da nossa cultura e procura intensificar o relacionamento Brasil-Alemanha de forma positiva. Nele acaba de sair uma reportagem sobre o meu livro. Leiam a reportagem (em alemão) aqui. Abaixo a tradução de parte da reportagem em português:

Você teve algum choque cultural no ínicio, quando veio morar na Alemanha?

Claro, tive bilhões! Eu vim para a Alemanha antes da era da internet, e além do frio e da saudade, só sabia falar alemão no presente e não podia me expressar no passado ou no futuro, só entendia a conversa com uma só pessoa, não conseguia ler e me informar como estava acostumada porque não conseguia ler jornais e revistas nem assistir televisão. Eu misturava o alemão constantemente com o inglês e o pior: não entendia os códigos de conduta e comportamento da cultura alemã.

Por exemplo lembro-me do dia do meu aniversário na empresa onde fazia o meu estágio: enquanto eu esperava uma pequena festa surpresa, como no Brasil, os meus colegas de trabalho certamente esperaram que eu trouxesse um bolo ou oferecesse algo pela passagem da data, como é comum aqui na Alemanha. Só fui entender isso meses depois!

Ou a primeira vez em que tive uma discussão com um colega de trabalho. Ele levantou o dedo pra mim, eu pedi que o tirasse e impus respeito. No outro dia ele chegou no trabalho com presentes para mim. Aprendi que o alemão, muitas vezes, gosta de testar seu espaço, mas se você souber impor respeito, ele passará a reconhecer seu limite.

No começo eu tinha uma enorme dificuldade entre saber usar o “du” e o “Sie” e para falar a verdade não entendia a importância dessa diferença. Tratava o motorista de ônibus ou a vendedora de uma loja todos por “du” e não entendia como as pessoas podiam reagir de uma forma tão estranha com relação a este “pequeno” detalhe. Olhando para trás, acho que entender esta diferença faz parte do processo de integração.

Posso dizer que tudo no começo foi um choque, mas também um grande aprendizado. Hoje tenho dupla nacionalidade (brasileira e alemã) e me sinto parte integrante das duas culturas.

Seu livro ainda não tem tradução em alemão. Você pretende traduzi-lo?

Sim, eu quero muito traduzi-lo e para tanto estou procurando um patrocinador, uma editora ou um agente literário. Mas o livro seria adaptado e não seria uma tradução direta de todos os textos.

O que um alemão poderia aprender com seu livro?

Nos últimos anos têm surgido vários livros na Alemanha onde estrangeiros descrevem suas experiências em solo alemão. Isso mostra uma abertura e interesse pela visão do outro. Acredito que meu livro possa contribuir no processo de integração do país (onde mais de 20% da população já é estrangeira ou descendente de estrangeiros), informar sobre o relacionamento Brasil-Alemanha e exemplificar, através de minhas observações pessoais, como uma estrangeira vê a Alemanha e os relacionamentos interculturais no país.


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