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Posts Tagged ‘poesia’

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke

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::Despedida – Rainer Maria Rilke::

19/04/2016

 

Rilke

Tradução livre para o português abaixo

Abschied – Rainer Maria Rilke

Wie hab ich das gefühlt was Abschied heißt.
Wie weiß ich’s noch: ein dunkles unverwundnes
grausames Etwas, das ein Schönverbundnes
noch einmal zeigt und hinhält und zerreißt.

Wie war ich ohne Wehr dem zuzuschauen
das, da es mich, mich rufend, gehen ließ,
zurückblieb, so als wären’s alle Frauen
und dennoch klein und weiß und nichts als dies:

Ein Winken, schon nicht mehr auf mich bezogen,

ein leise Weiterwinkendes —, schon kaum
erklärbar mehr: vielleicht ein Pflaumenbaum,
von dem ein Kuckuck hastig abgeflogen.

 

Despedida – Rainer Maria Rilke

Como tenho o sentimento do que significa a despedida

Como eu sei ainda: algo escuro e puro

Cinza, que o que estava unido e era bonito

Desnuda, põe a prova e desata

 

Como foi que eu não reagi quando vi

Quem, me chamando, me deixou ir

Ficou pra trás, como se fossem todas as mulheres

E ainda assim pequena, e não muito menos que isso:

 

Um aceno, não mais dirigido a mim,

Outro aceno mais breve – menos ainda

Outra explicação: talvez um pé de ameixa

De onde um pássaro voa, às pressas

 

Tradução livre de Sandra Santos

::Eterno Pessoa::

10/10/2010

Recebi da minha prima querida Lilian e não posso deixar passar a oportunidade de guardar aqui:

“Há um tempo em que 
é preciso abandonar 
as roupas usadas, que
já tem a forma do nosso
corpo, e esquecer os nossos
caminhos, que nos levam
sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia e,
se nao ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nos mesmos.”  

Fernando Pessoa

::Cinema Paradiso::

22/09/2010

Anos passados
Cabelos grisalhos
Quilos a mais
Histórias pra contar
Amor por outro(a)s – (será que existe mesmo mais de uma alma gêmea?)

Filhos
Dívidas
Dúvidas
Carinho
Admiração

Relembrar os velhos tempos
Reencontrar no outro a si próprio
Quem fui
Como me tornei
Quem hoje sou

Buscar no olhar do outro
Cumplicidade
Explicar decisões
Justificar direções

Vidas paralelas
Que se cruzam uma vez mais
Pra logo voltarem a ser
Paralelas

Pela força do que
As tinha unido outrora:
O tempo e o espaço
O espaço e o tempo

Sandra, 21.08.2010

::Desabafo::

16/12/2009

Amanha é o começo do fim
O fim do começo pra uns
O começo do começo pra outros

A força do poder e do dinheiro
Dilacera sentimentos e famílias
Sem querer deixar vestígios, mas deixa

Deixa amizades, lembranças
Deixa saudades, incertezas
Deixa esperanças, tristezas

Cada um segue sua vida
Sempre pra frente, sem retorno
Olhar pra trás, jamais

Mas com a vida é sábia e alguns nao vêem
Ela segue seu percurso, firme e forte
O que foi feito dela:

Só o futuro dirá!

Man muss das Leben aufwärts leben,
verstehen tut man es aber rückwärts

Tem-que se viver a vida olhando pra frente,
para entendê-la olhando para trás

::Amizade::

11/06/2009

(autor desconhecido – recebido por e-mail da minha primoca Lílian)

Mais que uma mão estendida
mais que um belo sorriso
mais do que a alegria de dividir
mais do que sonhar os mesmos sonhos
ou doer as mesmas dores
muito mais do que o silêncio que fala
ou da voz que cala, para ouvir
é, a amizade, o alimento
que nos sacia a alma
e nos é ofertado por alguém
que crê em nós.

::Diário de um final de semana perfeito::

16/02/2009

Eu tenho pouco costume de fazer do blog um diário, mas desta vez vale a pena. Vamos lá: Fazemos parte de um grupo de 120 pessoas que vivem na região de Constança, que nasceram em várias partes do mundo e falamos, juntos, mais de 50 idiomas. Trabalhamos por pura convicção e sem recompensação monetária ajudando outros estrangeiros que não falam bem o alemão, fazendo para eles tradução e interpretação e os ajudando durante visitas a órgãos do governo e médicos. Esse trabalho se chama Ehrenamtliche Sprachmittler” e é coordenado pelo Landratsamt Konstanz.

No sábado 30 pessoas deste grupo recebeu um presente especial: um seminário sobre como conseguir mais equilíbrio em todas as funções na vida e saber lidar melhor com os nossos e os problemas de outras pessoas, conservando assim maior harmonia e paz de espírito.

Nos foram dados 9 presentes, 9 instrumentos para lidar com o dia-a-dia e o seu potencial estressante. Durante a manhã aprendemos a teoria, à tarde nos dividimos em grupos e colocamos os ensinamentos em prática. No final da tarde os grupos mostraram seus resultados e dividiram suas experiências entre si.

Além dos resultados das discussões de grupo e da troca entre os participantes do seminário, uma parte bonita foi quando alguém do grupo sugeriu que além de nosso trabalho individual, também nos encontremos mais vezes para trocar idéias e passar horas agradáveis juntos. Isso porque somos um grupo de pessoas que se identificam entre si, com um ideal comum, que já passaram pela fase de se sentirem perdidos em um novo país e querem ajudar seus conterrâneos em alguns passos de suas vidas no estrangeiro.

Depois do final do seminário, entrei em um trem e fui para uma festa de brasileiros em Stuttgart, para conhecer a Maira do blog Retratos e Relatos. O dia já tinha se ido e no brilho das luzes da noite eu me perguntei em um momento se não tinha um parafuso a menos pegando trem, metrô e ônibus, enfrentando também o frio de uma noite de inverno para ir ao encontro de um grupo desconhecido. Depois de ter enfrentado meu medo e também a companhia de um senhor de Montenegro, que teimou em andar um tempo ao meu lado depois de eu ter pedido uma informação entre o metrô e o ônibus, cheguei na casa da Maira e felizmente foi tudo ainda melhor do que eu esperava: passei uma noite agradável com a Maira, seu marido (meu conterrâneo) e muitos outros brasileiros, comi uns caldos mineiros deliciosos (quero aprender a fazer!!!), a caipirinha estava no ponto, a boa música brasileira tocava ao fundo e a cama onde dormi também me acolheu muito bem. No outro dia ainda houve tempo para um papo cabeça com a Maira e seu marido, e depois do café da manhã eles me levaram para a estação central de trem de Stuttgart. Transpor a barreira do virtual para o real me mostra que há pessoas fantásticas em todos os cantos do mundo. Dentro em breve vou ficar feliz por receber a visita deles aqui. Hoje agradeço – e muito – pela recepção e pelo convite!!!

A viagem de volta foi fantástica! Um céu azul, um sol, a neve nas montanhas de pinheiro, tudo um show da natureza. Esta é uma das partes mais bonitas de se percorrer de trem dentro da Alemanha: atravessando a Floresta Negra, de Stuttgart até a fronteira com a Suíça. Fiz uma carta para mim (um dos ensinamentos do curso de ontem, como um pedido para o universo), li grande parte de um livro e fiz também minha primeira poesia em alemão dentro do trem:

NATUR IN DEUTSCHLAND / NATUREZA NA ALEMANHA

Der weite Blick

Die Berge voller Geschichten

Die Luft rein, voller Vergangenheit

Respekt für den Mitmensch

Ordnung, Sauberkeit, Ruhe.

Frieden, Freiheit, Freude

Innere Ruhe, Ausgeglichenheit

Die Natur lernt so viel

Gibt viel, verlangt wenig

Passt sich den Veränderungen an

Strahlt göttliche Energie aus

Schenkt Gelassenheit

Blauer Himmel

Unendlicher Raum

Der uns allen, mit der Natur, verbindet

**

O horizonte ao longe

As montanhas cheias de História

O ar limpo, cheio de passado

Respeito pelas pessoas

Organização, limpeza, tudo calmo

Paz, liberdade, alegria

Paz interna, dentro de mim tudo bem

A natureza ensina tanto

Dá tanto, pede pouco

Se adapta às mudanças

Exalta energia divina

Céu azul

Espaço interminável

Que, junto da natureza, nos une

Depois de datilografar o poeminha, percebo, sem que tivesse previsto ou preparado isso, que ele se compõe de duas estrofes de 7 linhas… Presente de hoje da natureza pra mim!

Ao chegar, o Matthias e o Daniel estavam me esperando na estação. O dia estava realmente maravilhoso. Ainda fomos à beirada do lago por alguns minutos antes de voltar pra casa. Mal coloquei o pé em casa e recebi um telefonema da Gláucia, uma amiga do meu querido amigo Fernando que oferece Terapia Craniosacral. Batemos um excelente papo e quase no finalzinho ela fez comigo um exercício de meditação tão fantástico que eu não tive palavras para agradecer por ela ter feito o meu final de semana ficar ainda mais perfeito do que já estava! Fernando, obrigada também por este presente!

Ao desligar o telefone, um almoço delicioso já esperava por mim e pelos meus, feito pelo Matthias. Uma vez em mil anos me dei a permissão para ir tirar uma soneca durante a tarde junto dele e do Daniel, fiz ioga (espero fazer todos os dias agora, com o programa do Nintendo DS) e estou aqui, me despedindo desses dois dias lindos, onde saí de casa de trem e voltei cheia de alegria, paz e gratidão pelo universo, tendo feito novos amigos e aprendido bons ensinamentos.

::Quem sou eu?::

11/02/2009

Sou minha profissão?

Sou meus medos?

Minha função?

Sou filha de fulano?

Prima do beltrano?

Irmã do Fabiano?

Sou aquela que apóia?

Sou a que critica?

Sou mãe, sou filha, sou jóia?

Sou amiga da Silvana?

Namorada de plantão?

A que teme, a que odeia, a que ama de paixão?

Idiota, preconceituosa?

Amiga, cuidadosa?

Largada, bagunçada?

Sou tudo isso e nada disso

Tudo ao mesmo tempo e não só minha função

A cada dia, a cada ano, a cada missão

Mas quem é você? E o que você faz na vida?…

::Cabral Moderna::

19/04/2004

Eu me lembro perfeitamente
Do encantamento do novo
Que a Europa exerceu sobre mim
Nos primeiros tempos

A fascinação
De ter descoberto um mundo novo
A vontade louca
De colonizá-lo
“Cabral” moderna

O mundo novo tinha
Seu cheiro próprio
Sua graça
Sua maneira de ser
Magnetismo puro

E eu lá,
Boquiaberta
Com um sorriso na alma
Pronta para abraçá-lo

Hoje ele está colonizado
estudado
analisado
desfaqueado
desnudado
Já não é meu mundo novo

Mas parte de um dos mundos
Onde habito
É onde estou a maior parte do tempo
Pelo menos fisicamente


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