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Posts Tagged ‘notícias’

::Como notícias inventadas – vulgo “fake news” – ganham o mundo…::

15/11/2017

Quem se lembra de ir à caixa dos Correios no Brasil, nos idos de 1900 e lá vai pedrinha, e buscar cartas mas encontrar… correntes?!? Eu me lembro disso nitidamente. A caixa de Correios lá de casa era na descida da rampa e eu tinha desenvolvido estratégias especiais pra ter certeza de que tinha mesmo algo lá antes de descer pra buscar. E quando chegava lá e só achava correntes… eu ficava p. da vida!

O tempo passou e as correntes ganharam o Brasil e assim o mundo através da internet. Infeliz combinação essa, viu? Pior ainda misturada à nossa mania de enaltecer outros países e falar/pensar mal do Brasil, daí a notícia vira prato cheio.

Dessa vez a notícia inventada que já estou até cansando de ver repetidamente na internet é sobre a chanceler alemã Angela Merkel. A notícia não pode ser verdadeira por várias razões:
a) já pesquisei duas vezes e não acho nada parecido na internet em alemão
b) professores não fazem parte das profissões mais bem pagas na Alemanha
c) a Merkel gosta conhecidamente de ficar em cima do muro com relação a várias questões e dificilmente defenderia um grupo profissional da forma referida no artigo, muito menos denegrindo assim outros profissionais. Não faz o estilo dela. Além de gostar de ficar em cima do muro por questões estratégicas, ela é integrativa e procura zelar pelo respeito na sua comunicação.

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Bom, vamos fazer uma coisa? Antes de repassar uma corrente, pense:
a) pra quê?
b) vai fazer diferença pro mundo?
c) se fizer, dê uma pesquisadinha básica na internet antes de propagar a notícia. A listinha das notícias falsas, hoax, fake news, etc. agradece!

Já comentei que gosto da democracia da internet, onde qualquer um pode emitir sua opinião, mas notícias falsas são definitivamente o revés dessa liberdade!…

::Um dia qualquer, um dia desses::

12/10/2017

Ela se levanta e vai cuidar da vida. Antes, dá uma enroladinha de 5 minutos na cama. Em pouco tempo, depois de pular da cama, ela e o filho estão prontos para o novo dia. Dependuram bolsas, mochilas e tudo o mais que precisam em seus corpos e dão no pé para não perderem o ônibus. Já dentro dele, dão o primeiro “bom dia” do dia para o motorista, conversam um pouco, se ajudam com o que levam, trocam umas ideias sobre o dia e sobre o que está por vir e se despedem a certa altura, quando o filho desce do ônibus.

Ela segue na rotina diária de dar uma lida nas manchetes dos jornais, e constata a cada vez mais como os jornais sofrem com esse mundo digitalizado! Muitas vezes, as manchetes não refletem mais os últimos acontecimentos… Ela agradece em carreira pelo transporte público que a leva até o trabalho, mas inicia uma cadeia de reclamações quando algo sai fora do planejado e as expectativas de chegar no trabalho em determinado horário vão pro espaço.

Um pouco de Facebook, mais leitura. Ah sim, agora as mulheres podem dirigir na Arábia Saudita?!? Quer dizer, a partir do meio do ano que vem??? Ah, e elas iam tirar carteira em outros países, se por ventura achassem quem as liberasse para tal, e agora estão felizes que vão poder tirar suas carteiras do esconderijo? Nossa, elas não podiam ir a um estádio e agora podem fazer parte das festividades nacionais??? Elas não podiam tanta coisa, quer dizer, não podem ainda, isso tudo tem que ser organizado ainda. Vão ter que abrir mais auto-escolas, preparar o país para uma mudança grande dessas… Ah, e tudo isso depois de um clérigo ter anunciado lá “que as mulheres não merecem dirigir porque só têm um quarto do cérebro de um homem!” Ah sim, com certeza esse rei que anunciou essas novidades tão “bondoso” não está sendo movido a dinheiro, obrigado a modernizar o país 100% dependente do petróleo, e os homens não estão cansados de ficar dirigindo as mulheres para cima e para baixo e pagar motoristas para elas, que bem poderiam estar dirigindo seus próprios carros e movimentando a economia com as próprias pernas!… Money makes the world go round!… Muito bem.

Ela chega no trabalho e o dia passa, como sempre, voando… Se não prestar atenção, nem um café ela toma, porque já chegou a hora do almoço. Ah, perdeu o horário de ir almoçar com os colegas por causa de outro compromisso. Não faz mal, ela resolve comprar algo pra comer e vai pra beirada do rio, aproveitar o sol e as árvores de mil cores do outono. Encontra por acaso um jovem de 20 e poucos anos, colega de trabalho dela, e diz pra ele aproveitar a vida como estudante de Mestrado, que ele vai começar no começo do ano que vem. “Estudantes vivem definitivamente uns dos melhores anos de suas vidas! “, diz ela… Não comenta que se refere às preocupações do dia a dia do adulto, às decepções que a vida vai apresentando, às correrias, às expectativas de tudo e todos que nem sempre podem ser cumpridas…  Money makes the world go round!… Muito bem.

Já tinha a firme intenção de voltar para casa quando é pega, antes de conseguir se levantar da cadeira, por uma das pessoas importantes com quem ela lida. Ele reclama e descarrega sua frustração enquanto ela procura opções e argumenta. Ele se vai… e ela descobre que por 5 minutos perdeu o trem e terá que ficar mais meia hora no trabalho até que chegue o próximo trem…. Vai acabar chegando em casa à noite…. Money makes the world go round!… Muito bem.

No caminho pra casa, umas florzinhas lindas no caminho, um passo firme para ter certeza de que vai chegar na hora que o trem vai passar, um pouco de WhatsApp, algumas mensagens, umas novidades do Facebook… e mais notícias do dia. E esse tal de Weinstein sobre quem todos estão escrevendo nas manchetes das revistas, quem é ele? Ah… que cara nojento, esse chefão e magnata da Miramax, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, usando seu poder para comer as menininhas e mulheres de Hollywood, ameaçando destruir as carreiras delas e ao mesmo tempo saindo do banheiro pelado pronto “pr’aquilo” sem querer nem saber se a pessoa está interessada ou não… Casado e com mulher em casa, mas quem importa com isso? “Ah, e não tem problema nenhum, se alguém ousar abrir a boca, eu dou uma desculpa esfarrapada e ofereço uma grana para que ela fique calada! ” (Parêntesis para as vezes que eu mesma sofri ataques mínimos e não tão mínimos de homens nos ônibus, no primeiro emprego, do chefe, do colega de trabalho, do namoradinho… Fiz por bem esquecer da maioria deles, mas quando começo a ler as descrições detalhadas de algumas das mulheres atacadas pelo Weinstein, as lembranças colocadas no cantinho da memória afloram…) Money makes the world go round!… Muito bem. Mas, pensa ela, há algo positivo nessa meleca toda: as mulheres estão tomando coragem de denunciar o que é antes sofriam caladas!

Ela olha pra fora no trem e vê um céu indescritivelmente lindo! Vermelho, alaranjado, todo pintado, parece até pintura! Ela tira o celular da bolsa pra fotograr aquele espetáculo! Ao invés de ir direto para a casa, ela vai na direção da água para tirar mais fotos, observar o pôr do sol, lindo de um jeito diferente a cada segundo que passa. Que momento mágico! Há muito, muito a agradecer. E muita beleza que muitos não têm tempo de ver, mas que ela agradece por ter a oportunidade e realmente presenciar aquilo, poder estar PRESENTE. A vida é um presente.

::Quanta alienação e quanto egoísmo são necessários para sermos felizes?::

17/01/2012

Semana passada fui num encontro de mulheres (a maioria delas alemã) que me fez pensar muito. Deparei-me com um grupo altamente qualificado, altamente alienado, altamente feliz. Pelo menos aparentemente. Com o andar da conversa, uma delas comentou que vê de longe quem assiste muita televisão, pois a pessoa é medrosa, muitas vezes paranóica. Criticaram o nível da tevê alemã, que é aliás um assunto super crítico aqui na Alemanha, pois parece ser parte da origem de todos os problemas, sendo vista quase que 100% negativamente. Argumentei que aquilo que vimos é um reflexo do nosso interior, e que tenho o livre arbítrio pra escolher na tevê excelentes documentários, bons filmes, bate-papos, noticiários, disse que tem muita coisa ruim, mas muita coisa boa também. Como tudo na vida, depende de encontrar um meio-termo. Esta não era a opinião da maioria, que evita não só tevê, como também todo e qualquer tipo de noticiário. No meio da discussão, quando eu comentei que tenho me informado muito no momento sobre p.ex. o Wulff, uma delas me perguntou quem era ele. Minha resposta foi placativa:
– O seu presidente!
E a resposta, impressionante:
– E do que me adiantaria saber sobre o que ele fez ou deixou de fazer? Eu não votei nele! E para que essa informação vai adiantar na minha vida? Só pra poder falar alguma coisa numa roda de bate-papo como esta?
Sinceramente, fiquei chocada. Eu argumentei, junto de outra amiga não-alienada, que devemos nos informar para tomar decisões, que o ideal seria uma democracia participativa, como no caso do Stuttgart 21, pras pessoas poderem participar de decisões que influenciam suas vidas. A contra-argumentação também me deixou perplexa:
– Eu não fui votar no plebiscito do Stuttgart 21, pois não sei nada deste projeto. Não sei e não quero saber. Ele não me importa. E como não me importa, não quis participar.

Saí de lá pensativa e perplexa. Já passei por uma fase bem enorme na minha vida onde me importava e me doía toda a pobreza e toda a injustiça do mundo. Mais tarde, compreendi que não há justiça absoluta e não posso sofrer as dores do mundo. Mesmo assim, continuei antenada. Praticamente não passo um dia sem me informar sobre o que está acontecendo no mundo. Por um lado, as transformações, acidentes (p.ex. o acidente do Cruzeiro na costa italiana) e tsunamis da vida me assustam muito. Por outro, vejo tanta coisa mudando pra melhor, como a caída dos ditadores, o avanço da democracia, a luta pelos direitos humanos…. Vejo com expectativa e grande interesse o mundo à nossa volta e quero fazer parte de uma transformação positiva, mesmo que minha participação direta seja pequena. Sim, o mundo atual é pesado. Mas só consigo “tirar férias dele” quando saio, eu mesma, de férias.

A atitude daquelas mulheres me fez ficar pensando sobre quanto de alienação e egoísmo seriam necessários pra eu me sentir feliz. Eu me importo demais, penso demais, raciocino, leio, troco, falo, penso, repenso, leio até no último minuto antes de ir dormir. Falando sobre o assunto, perguntamos pra alguns alemães o que significa “alienado” em alemão. Ambos responderam “Eremit” (eremita), mas esta não era naturalmente o sentido da palavra. Pesquisando um pouco mais, achei as traduções: “entfremdet” e, ainda mais forte, “geisteskrank” (louco, dentre outros significados). Não, eu não quero ser nada disso. Vou continuar lendo como sempre.

“A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesma, tornando-se sua própria negação. Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprios”.

Fonte: Wikipedia


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