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Posts Tagged ‘jogadores’

::“Gaúchos andam assim”: o mimimi em torno da comemoração da seleção alemã em Berlim::

17/07/2014

Ia escrever um artigo a este respeito, mas acabo de achar este e como concordo com o conteúdo, o divido com vocês.

Fonte: Diário do Centro do Mundo, autor Kiko Nogueira.

::Seleção alemã: entre jogada de marketing e autenticidade::

13/07/2014

Tenho lido desde os últimos dias alguns comentários na internet sobre os presentes do time alemão à região onde esteve e sobre a suposta jogada de marketing bem pensada da seleção alemã durante a Copa no Brasil, que, muitos afirmam, está sendo feita para polir a má imagem no exterior da Alemanha de nazismo, frieza e calculismo. Os jogadores alemães, muitos deles de origem estrangeira (Turquia, Polônia, Gana), foram ao Brasil como representantes da Alemanha e demonstraram ser capazes de se comportar bem, interagindo positivamente com a população local.

Eu moro há 21 anos na Alemanha e posso afirmar que os jogadores não alteraram sua maneira de ser desde que estão no Brasil. Eles sabem que cada jogo é um jogo e que tem que ser vencido, não importando, naquele momento, os resultados do passado. A química entre muitos brasileiros e alemães sempre tendeu a ser boa, como já comentei em vários posts e também no meu livro, o que faz com que o alemão se sinta bem no Brasil, pois em muitos pontos somos antagônicos e em outros muito parecidos, mas a boa mistura é sempre a que prevalece. Tenho visto muitos brasileiros na Alemanha que são esforçados, buscam crescer profissionalmente e demonstram capacidade de integração, mesmo honrando sua pátria e nunca deixando suas raízes de lado, e isso contribui para o fato de que muitos alemães não tenham problemas com brasileiros, pensando muitas vezes em atributos positivos do nosso Brasil, como nossa beleza natural, nosso crescimento econômico dos últimos anos, nossas praias e nosso povo alegre, o Carnaval, mas também vendo coisas negativas que são retratadas sobre nosso país, como a desigualdade social, a corrupção, a pobreza. No final das contas acho que estamos aqui como embaixadores de nosso país e também de nossa cultura, e continuo acreditando que a mistura faz bem a ambos os lados.

Acho também que temos que tomar cuidado com nosso próprio preconceito. Ninguém gosta de ser comparado com opiniões preconceituosas voltadas a seu país. O alemão com certeza também não, o brasileiro muito menos. Aqui, como em qualquer lugar no mundo, existem pessoas frias e calculistas, mas também existem pessoas boas e amorosas. Quando um estrangeiro visita a Alemanha, com certeza ele percebe que não é carregado nas mãos nas lojas e muito dificilmente recebe tratamento diferenciado, além de perceber que muitas vezes é tratado de forma ríspida e/ou impaciente. No princípio, quando isso acontecia comigo, achava que era porque eu era estrangeira. Depois aprendi que o tratamento dos alemães independe da pessoa com quem estão falando, pois, e quem acreditaria nisso, em geral todos são tratados da mesma maneira. E quando o tratamento não condiz com o que eu espero, em geral eu coloco a boca no mundo e lido com minha insatisfação na hora do ocorrido. Com relação a tratamento em lojas, eu já me sinto até meio sem graça quando estou no Brasil, pois não gosto de que todo o estoque de uma loja seja retirado do lugar só pra mim. E, se começo a já ir guardando as roupas depois de desaprová-las, se estiver por exemplo numa loja de vestiário, recebo um comentário da vendedora de que não devo fazer isso, pois este é o serviço dela. Nos EUA, por outro lado, o negócio é ainda mais complicado pro lado do consumidor, pois a vendedora chega a mentir, dizendo que se pudesse, se tivesse dinheiro para comprar, usaria este produto, que aquilo que estamos experimentando está perfeito, lindo, impecável em nós. Assim fica difícil acreditar no que estão dizendo… Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra. Eu prefiro entrar numa loja e olhar tudo por mim mesma, e se precisar da ajuda de um vendedor, espero encontrar algum que tenha competência para me orientar, sem usar de meios indevidos para me vender alguma coisa. Aqui na Alemanha, em grandes lojas de departamento, o que faltam, porém, são vendedores disponíveis. Isso é verdade verdadeira. Mas quando achamos um, temos a atenção que precisamos. Acima de tudo,eu tenho a dizer que o respeito à privacidade na Alemanha é muito grande. Cada espaço individual é sempre muito respeitado. Como há poucos vendedores em grandes lojas, interpretamos logo como se não tivéssemos atenção alguma deles.

Bom, mas tem a parte boa do alemão também. Quando algo acontece, quer seja dentro ou fora do país, como uma catástrofe natural, eles estão lá pra ajudar, pois são conhecidos por participar de vários projetos sociais, dentro e fora da Alemanha. O que não gostam muito, é de ajudar aparecendo, nem o que está sendo ajudado gosta de aparecer. Ambos precisam de uma instituição no meio, que os torne invisíveis. Quando são convidados para visitar alguém, levam em geral um presentinho para o anfitrião. No final do ano então, os alemães são campeões de doações. Portanto, os presentes que a seleção alemã deixou para os anfitriões brasileiros combinam com sua cultura e sua maneira de ser. E não foram poucos, segundo um relato tirado do Facebook (autor desconhecido):

Os alemães vieram ao Brasil e…

– Compraram um terreno,
– Construíram um condomínio,
– Incentivaram a reforma de um centro de saúde,
– Construíram um campo de futebol,
– Doaram uma ambulância,
– Incentivaram a criação de um programa de escola em tempo integral,
– Contrataram as pessoas da cidade, gerando dezenas de empregos,

Mais tarde a seleção alemã chegou e…

– Quando não estavam treinando, estavam socializando com as pessoas na cidade e na praia,
– Participaram de festas com a população,
– Interagiram com os moradores locais e ouviram suas demandas,
– Vestiram a camisa de um time local,

Quando ganharam da nossa seleção…

– Nunca desrespeitaram os brasileiros,
– Supostamente combinaram no intervalo do jogo diminuir o ritmo para não desrespeitar a seleção anfitriã,
– Mostraram que seus ídolos são os nossos jogadores do passado,
– Foram humildes após a goleada e tiveram classe para ganhar,
– Postam nas redes sociais mensagens de incentivo ao povo brasileiro e agradecimento pela hospitalidade,

E vão deixar tudo que construíram no Brasil.

°°°

Complemento meu:

– Um cheque de 10 mil euros (30 mil reais) para os índios da tribo Pataxó de Coroa Vermelha, que será investido na compra de um carro que será usado no transporte de pessoas que precisem de assistência médica;
– Deram de presente as 25 bicicletas que trouxeram da Alemanha e não puderam usar por motive de segurança, cada uma no valor de 1.000 euros
– Parece que vão deixar o Campo Bahia para ser transformado em uma escola.

Realmente, parece que fizeram tudo certo em termos de marketing. Leia aqui o que podemos aprender com eles em termos de técnicas de marketing.
Mas o que seriam as técnicas se eles tivessem sido arrogantes, tivessem se transformado logo após chegar no Brasil, perdendo sua autenticidade, tivessem trazido só profissionais da Alemanha para trabalhar no Campo Bahia para servi-los, tivessem usado de técnicas de marketing sem acreditar nas mensagens que estavam transmitindo, sem nenhum comprometimento com aquilo que estavam fazendo? A Alemanha está mudando muito e as gerações mais jovens não carregam consigo o peso do passado. Houve uma mudança substancial marcada durante a Copa aqui na Alemanha em 2006. Se quiser ler mais sobre este tema, clique aqui.

A última acusação que li foi que por trás do time alemão estão grandes empresas alemãs que patrocinam o time, tais como Adidas e Mercedes Benz, e que elas estão ganhando com o sucesso da seleção alemã, como não poderia deixar de ser. Esta é, afinal, a razão pela qual uma empresa aposta em patrocínio. Apesar de eu não ser fã do capitalismo e reconhecer nele muitas injustiças, acho que não vamos mudar o sistema de um dia pro outro. Então, se todos os times tivessem vindo ao Brasil, se comportado bem e tivessem feito algo pela região onde estiveram, acredito que a Alemanha não teria se sobressaido tanto assim como no momento.

Pessoalmente fiquei muito impressionada com a reação dos alemães logo depois de termos perdido de 7×1 pra eles. Eles perguntaram como eu estava, se já tinha me recuperado do jogo, como eu tinha me sentido, como tinha sido em casa com o marido e os filhos… Ninguém chegou rindo da minha cara nem fazendo brincadeiras de mau gosto. Ganharam meu respeito também com relação a este episódio. E foram muitos brasileiros que moram aqui que dividiram experiências semelhantes.

Por ultimo, por mais que me doa no coração, acho que o time alemão se sobressaiu tanto no Brasil devido à nossa decepção com o time brasileiro. Se nosso time tivesse convencido na competição, não teria deixado muito espaço para os demais. Mas no Brasil se joga bola em cada esquina, e devido à nossa natureza e nossa garra acredito que nos relevantaremos e em breve mostraremos um futebol, que no momento, muitos dos que entendem de futebol afirmam que está sendo jogado pelo time alemão…

Bom, esta é minha opinião, ainda acreditando que presentes são presentes e não se deve ficar analisando o tamanho de cada um, como já dizia um bom ditado alemão. Ainda assim fico curiosa com o que você pensa a respeito de tudo isso. Agora é sua vez de deixar sua opinião nos comentários. Se eu tiver esquecido algo ou deixado algo de fora, tanto com relação aos presentes quanto sobre as argumentaçõoes, agradeço por correções e acréscimos. Um bom domingo e um bom jogo para todos hoje à noite!


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