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Posts Tagged ‘imigrante’

::Imigração e mercado de trabalho na Alemanha – dados de 2015::

05/10/2016

Aqui um artigo super atual sobre a imigração e a prognose do nível de mão de obra para o futuro da Alemanha. Abaixo um resumo do artigo – tradução minha:

Em 2015, 2,1 milhões de pessoas imigraram para a Alemamha. Destes, quase um milhão de pessoas vieram da Comunidade Europeia e/ou solicitaram asilo. Somente 82.000 pessoas vieram de fora da Europa e destas, somente 5.867 através do Blue Card, por terem um alto nível de qualificação. Destas, somente 192 usaram a possibilidade de pedir um visto de 6 meses para a busca de emprego.

Em contrapartida, um milhão de alemães deixaram o país no mesmo ano. E o país volta a discutir sobre a possibilidade de instituir quotas para a imigração de mão de obra qualificada, baseadas em diplomas, conhecimento do idioma e experiência profissional. A proposta seria de que os selecionados recebessem um visto de um ano para a busca de emprego.

Está claro que a Alemanha precisa de pessoal qualificado, ainda mais quando se analisa o desenvolvimento demográfico do país. Mesmo que 200.000 pessoas imigrassem para a Alemanha por ano até 2030, o nível de mão de obra cairia ainda assim em 5 milhões ou ficaria 10% menor. Mesmo que o país consiga qualificar os asilados que acabam de chegar no país, ainda assim faltaria mão de obra para as empresas na Alemanha.

Fonte: artigo “Deutschland zieht kaum Fachkräfte an“ do jornal FAZ de 04.10.16

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::Sinais, refugiados & poemas::

11/09/2015

Talvez estejam se perguntando o que um tema tem a ver com o outro?!? Pasmem: acreditem ou não, por um grande acaso do universo, reencontrei o anjo sobre o qual comentei no meu livro Mineirinha n’Alemanha, bem no finalzinho, que salvou meu filho depois de uma parada respiratória. Fui até o meu anjo feminino e disse que a conhecia, mas não lembrava bem de onde… Ela disse que tinha sido a pessoa que me ajudou, quando meu fiho parou de respirar… Eu a abraçei imediatamente! Disse que mantenho minha promessa até hoje, pois continuo sendo socorrista. E disse que aquela história, naturalmente, me marcou muito, porque eu só a vi em minha vida no dia que ela me ajudou, um dia depois para poder agradecê-la pela ajuda, e depois nunca mais voltei a vê-la. Acreditem se quiser, isso aconteceu quando o Daniel tinha uns 3 anos, e fiquei sabendo essa semana que ela mora no meu bairro, mas nunca mais tínhamos nos visto novamente. Conversamos um pouco, eu disse que acredito firmemente em sinais e que semana passada recebi um grande sinal, pelo que estava pedindo e orando muito, com a ajuda dos meus amigos e familiares. E sei que ela foi um sinal para mim, um anjo no lugar certo e na hora certa, que salvou meu filho, pelo que sou muitíssimo agradecida! E que lugar teria sido mais propício e mais simbólico para esse reencontro que não em um curso de meditação budista? 🙂 Eu disse pra ela que hoje o Daniel é um menino enorme, quase do meu tamanho, com ótimas notas e muito inteligente. E que eu sei que naquele dia fatídico tínhamos só dois minutos para reagir depois da parada cardíaca, e não posso parar de agradecer a ela e ao universo por essa dádiva. Ela comentou sobre a filha dela, começamos a falar da volta às aulas na semana que vem. Mais uma coincidência: a filha dela é da mesma idade do Daniel e vai estudar na mesma escola, porém em uma classe paralela à dele. Vamos nos rever a partir de agora várias vezes! Que grande presente do universo!…

Vira e mexe vejo vídeos e leio mais artigos sobre a atual crise de imigração. Existem no momento ao todo 50 milhões de pessoas no mundo envolvidas em movimentos migratórios! Este é o maior número desde a 2ª. Guerra Mundial!

Dos refugidados da Síria, até o final de janeiro de 2015, somente 4% tinham vindo para a Europa. Em termos relativos, se comparado ao tamanho da população de cada país, os países que mais recebem refugiados em 2013 foram a Suécia, a Áustria e a Hungria. Está provado que os imigrantes podem ser uma força propulsora para as economias locais. No caso da Alemanha, em 2012 os estrangeiros contribuíram em em média com 3.300 euros de impostos e contribuições sociais, ainda levando em conta o que havia sido gasto com a ajuda ao imigrante. Conclusão: eles geram mais recursos do que custam, a contrário do que todo mundo pensa. Esses dados aqui são muito valiosos, claro que terão que ser atualizados com as mudanças atuais, mas devem ser mostrados a todos aqueles que têm muito preconceito e receio com relação aos refugiados. Tinha lido também que dos asilados, 15% tem ginásio completo e outros 15% tem um curso superior, o que vale ouro para um país feito a Alemanha que precisa urgente de mão de obra qualificada em várias áreas de conhecimento. Segundo uma pesquisa atual 18% da população alemã já ajudou diretamente os refugiados, outros 23% pretendem prestar ajuda concreta dentro em breve.

Outra comparação: o Obama anunciou ontem que vai receber 10.000 refugiados no próximo ano, depois de ter sido fortemente criticado nos últimos dias. A estimativa é de que a Alemanha estará recebendo este ano 800.000 refugiados (o maior número de pedidos de asilo tinha sio até agora em 1992, de aproximadamente 440.000). Comparado a população da Alemanha com a dos EUA, ele teria que receber 3,2 milhões de refugiados, o que daria aproximadamente 10.000 pessoas, mas por dia.

Tenho escrito muitos poemas no momento. São tantos, que estou até pensando em lançar um livrinho só com poesias e pensamentos, sinais que ando recebendo nos últimos meses. Fecho o post de hoje com um poema, aquele que usei como fechamento do meu livro Mineirinha n’Alemanha, que não poderia ser mais atual para os dias de hoje (tradução para o português logo abaixo). Bom final de semana para todos! Agora que o sol está nos deixando, chegamos novamente à fase introspectiva do ano, hora de fazer altas viagens mentais. Bons pensamentos!

Wir sind alle Ausländer – Somos todos estrangeiros


Wir sind alle Ausländer
Heute ich
Weit weg von zu Hause
Nehme eine andere Kultur an
Wohne,
Bewege mich,
Esse,
Trinke:
Alles ist anders.

Morgen DU
Kannst eine andere Kultur annehmen
Aus eigener Entscheidung oder unfreiwillig
Dann wirst DU
Wohnen,
Dich bewegen,
Essen,
Trinken:
Alles wird anders sein.

Wir sind alle Ausländer
Heute ich, gestern ein anderer, morgen du, vielleicht:
Bürger dieser Welt.

°°°

Hoje EU
Muito longe de casa
Abraço outra cultura
Vivo,
Me movimento,
Como,
Bebo:
Tudo é diferente.

Amanhã VOCÊ
Pode abraçar outra cultura
Por decisão própria ou por falta de escolha
Então você irá
Viver,
Se movimentar,
Comer,
Beber:
Tudo vai ser diferente.

Somos todos estrangeiros
Hoje eu, ontem outro, amanhã você, talvez:
Cidadãos deste mundo

Fontes: Handelsblatt Morning Brief de 11.09.15, artigos do jornal Süddeutsche ZeitungFakten gegen Vorurteile” (Fatos contra o Preconceito) de 21.01.15 e “Was hinter der Bereitschaft der Deutschen Steckt” (O que está atrás da solidariedade dos alemães) de 11.09.15.

::Por que saí do Brasil::

22/06/2015

Um resumo à queima roupa: eu saí do Brasil porque era meu sonho de longas datas viver uma experiência internacional, mas fiquei aqui porque me casei, consegui emprego e porque vi que teria mais condições de conseguir uma vida de qualidade, da maneira que eu interpretava essa qualidade, do outro lado do mundo. Vim pra ficar um ano e já tenho 22 na bagagem!

Na época tinha acabado duas universidades e lutava para conseguir um empreguinho no Brasil, enquanto os filhinhos de papai, que sentavam no fundo da sala, não tinham aprendido nada naqueles quatro anos e colavam tudo o que podiam nas provas, estavam conseguindo ótimos empregos, indicados por seus pais para belas posições. Hoje, apesar de eu sentir muuuuuita falta da família e dos amigos, eu prezo o ar puro, a liberdade de ir e vir, o contato com a natureza, além da bem menor desigualdade social e da boa qualidade de vida para grande parte da população.

No momento muitos textos estão circulando na internet sobre “porque deixei o Brasil” e “porque vou voltar ao Brasil”. Acho que a consciência coletiva está fervendo pois o momento atual brasileiro está bastante explosivo, os nervos estão à flor da pele.

Aqui um dos textos que li sobre o tema nos últimos dias, gentilmente repassado pelo leitor Wagner. Esse artigo dá muito a pensar. Opiniões? Críticas? Sugestões? Quem quiser deixar a dica de outros textos nesta linha, fique à vontade logo aqui abaixo nos comentários.

::Dago & Rosas Heft::

22/03/2015


O Dago Schelin, leitor da Mineirinha, sobre quem falei aqui e aqui, é um brasilemão. Seus antepassados emigraram da Alemanha para o Brasil nos anos 1920. E ele fez o caminho inverso, morando desde 2013 em Marburg e, com o relembrar da língua alemã, voltam também à lembrança as canções alemãs da infância. São canções que a mãe e a avó delem cantavam. Algumas são conhecidas como Guten Abend, Gute Nacht de Brahms. Boa parte das músicas já nem são mais lembradas pelo povo alemão. Mas foram guardadas, como numa cápsula do tempo, por gerações de imigrantes no Brasil. Ele as misturou com Bossa Nova e está divulgando um projeto verdadeiramente binacional Brasil-Alemanha! Segundo o Dago, a previsão do lançamento do CD é junho. As gravações estão sendo feitas na Alemanha e no Brasil (o samba na Alemanha e o clássico no Brasil) 🙂

Leia mais sobre o projeto do Dago aqui, dê um like aqui na página do Facebook do projeto dele. O resgate cultural, ainda mais praticado por um brasiemão como ele, merece todo o nosso apoio! Em tempo: aqui tem mais um outro projeto do Dago, o Living Room.

Aqui uma pequena amostra do Rosas Heft, comparado com a música tradicionalmente conhecida aqui na Alemanha:

::Os países mais procurados por imigrantes::

03/01/2015

Veja aqui um infográfico onde a Alemanha parece como o segundo país mais procurado mundialmente por imigrantes:

Pra contrabalancear, aqui um infográfico com os maiores medos dos europeus:

Fonte: infográficos do jornal Die Welt (fontes OECD e Comissão Européia).

::Bülent Ceylan: Der Migrutant::

19/02/2011

::Charada::

29/04/2009

Quem sabe o que significa aqui na Alemanha “imigrante sem histórico migratório”? Em alemão “Migrant ohne Migrationshintergrund”.

::Brasileira grávida é torturada na Suíça::

12/02/2009

Na segunda-feira passada, dia 09.02.2009, em uma estação de trem nos arredores de Zurique, a advogada brasileira Paula de Oliveira de 26 anos estava falando ao celular com sua mãe no Brasil quando foi abordada por 3 homens aparentemente neonazistas, um deles com uma suástica tatuada na cabeça, e sofreu por 10 minutos uma série de torturas tais como chutes e socos, além de centenas de cortes de estilete em todo o corpo. O corpo da brasileira foi coberto pelas iniciais SVP, que é a sigla de um dos principais partidos políticos suíços (Schweizerische Volkspartei, Partido do Povo Suíço, de tendência nacional-conservativa). Não roubaram nada dela. Como consequência da agressão, a brasileira, que estava grávida de gêmeas, perdeu os bebês em seguida.

No domingo anterior ao ocorrido, quase 60% da população decidiu ser favorável à abertura do país para mais dois países. Antes estrangeiros de 25 países já podiam trabalhar no país e agora romenos e búlgaros também terão livre acesso na Suíça como integrantes da comunidade européia.

A consul-geral brasileira em Zurique, Vitoria Cleaver, explicou que “uma facção do partido SVP tem uma posição muito dura em relação à questão da imigração. Um grupo era contrário ao referendo do domingo”. Em eleição parlamentar de 2007, um cartaz do SVP exibia uma ovelha negra sendo expulsa da bandeira Suíça por três brancas, com os dizeres “Por mais segurança”.

Acabo de ler no jornal “Die Welt” (O Mundo) que a polícia suíça afirmou que a vítima sofreu “cortes leves” no corpo. Pergunta-se como eles devem avaliar os cortes profundos que os agressores deixaram na alma da vítima! Segundo o artigo, a polícia está à procura de testemunhas do crime. Questiona-se por que a polícia ainda nao deu prosseguimento ao interrogatório da vítima e é, no mínimo, revoltante que tenham duvidado da versão da brasileira e tenham perguntado se ela teria feito ela mesma os cortes em seu corpo, e que tenha sido avisada de que se estivesse cometendo falso testemunho, que iria sofrer as consequências cabíveis!!!…

Por enquanto o ocorrido não está sendo tratado de acordo com sua importância. Da última vez que houve um ataque neonazista a um estrangeiro aqui na Alemanha, e que ganhou projeção nacional, os políticos e a polícia alemã elevaram o caso a um “caso de importância nacional” e ele foi amplamente discutido na opinião pública, até o julgamento dos culpados. O governo brasileiro, através de sua consul-geral, juntamente com as associações de brasileiros na Suíça, que são aliás muito bem organizadas, devem se unir no sentido de exigir da polícia e dos políticos suíços uma posição firme perante o caso, fazendo o possível para identificar os culpados, além de ampla cobertura da mídia suíça, européia e mundial, no sentido de abominar um caso de racismo declarado, infelizmente ocorrido no coração da Europa.

Leia mais sobre a notícia, veja vídeos e fotos da agressão na Globo, no Blog do Noblat e na Folha de São Paulo (acesso para assinantes).

::A Alemanha depende dos imigrantes::

26/01/2004

Talvez muitos não saibam, até mesmo muitos imigrantes que moram aqui na Alemanha, mas este país precisa também de nós, imigrantes com boa qualificação profissional, assim como nós precisamos dele.

O sistema social alemão está passando por uma forte crise, baseada no problema de que a população alemã está cada vez mais velha e as famílias estão se tornando cada vez menores (baixa taxa de natalidade). Em consequência disso, há menos trabalhadores contribuindo para manter o sistema social e garantir que ele possa funcionar.

Em época de vacas magras como a de agora, de crise econômica e altas taxas de desemprego, uma das válvulas de escape mais fácil é a de colocar a culpa nos estrangeiros, acusando-os de que eles se aproveitam do sistema social e de que tomam empregos dos alemães, o que não é a verdade. A verdade é que existem muitas vagas qualificadas que não podem ser preenchidas, porque não existem alemães qualificados para tanto. Como exemplo, uma ferramenta de suprir a necessidade de pessoal qualificado na área de informática foi a que o governo alemão lançou há alguns anos: um sistema de “green card” para estrangeiros vindos de fora da Comunidade Européia.

O programa não deu lá muito certo porque a crise do setor afetou também o número de vagas em aberto, além disso ele envolve muita burocracia, leis complicadas, sem falar nas dificuldades de adaptação comumente enfrentadas pelos estrangeiros aqui. O saldo foi de 13.500 contratações para uma oferta incial de 20.000 “green cards”. Além deste setor, ainda há vários aonde a mão-de-obra alemã não consegue cobrir o número de vagas em aberto. Dado importante: para conseguir manter o sistema social vigente, a Alemanha precisaria de pelo menos 4 milhões de novos imigrantes por ano.

Ao mesmo tempo em que os empresários alemães lutam para conseguir empregar estrangeiros, muitos alemães jovens deixam o seu país rumo aos EUA, Canadá ou Austrália, por acreditarem que lá encontrarão menos crise e melhor qualidade de vida.

A receita é simples: se fosse possível o aumento da taxa economicamente ativa com imigrantes jovens e qualificados, seria mais provável a diminuição dos encargos sociais no país, o que seria bom pra todos.

°°°
01.08.12 – Veja também uma nota atual sobre o cartão azul UE e oportunidade de headhunting agenciado por mim neste post.


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