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Posts Tagged ‘homem’

::Por que ser feminista?::

12/03/2017

Quando eu era criança, queria falar tantas línguas quanto o Papa João Paulo II, que falava 40 línguas, e visitar todos os países do mundo, como ele visitava. Com o tempo, descobri que o Papa da minha infância lia o som dos idiomas, mas não falava tantas línguas, e decidi também que não quero visitar países onde mulheres tenham menos direitos do que homens. Alguns poderiam argumentar que esses países são poucos, outros poderiam dizer que são “só” os países muçulmanos, mas acabo de achar uma lista enorme de países onde a mulher vale bem menos do que o homem… Assim fica difícil viajar!… Pensando pelo lado positivo, espero que essas discrepâncias diminuam com o tempo e que a igualdade entre os sexos seja cada vez mais alcançada! A verdade é que em pleno século 21, onde os homens querem conquistar o espaço e estabelecer vida em Marte, muit@s ainda questionam e perguntam sobre o sentido do feminismo, e ainda há muito por conquistar para nós, mulheres.

Muito do que podemos hoje e consideramos claros direitos adquiridos do sexo feminino, foram direitos conquistados com o passar do tempo, frutos de muitas discussões e lutas, como por exemplo: o direito ao voto, ao divórcio, a frequentar uma universidade, trabalhar, ter conta própria no banco, dirigir, decidir se queremos ou não fazer sexo (também dentro do casamento)… a lista seria interminável se contássemos as desigualdades que ainda existem nos dias de hoje, nos quatro cantos do mundo: desigualdade de gênero, de salários, na divisão do trabalho doméstico, no tempo investido (e não remunerado) com o cuidado de familiares, a dependência feminina até a aposentadoria, para aquelas que não têm um salário próprio…

Enquanto isso, na Suíça, li recentemente um artigo dizendo que a atuação feminista das mulheres, como p.ex. as ações durante o Dia Internacional da Mulher, deixa os homens inseguros. Muitos deles, por não saberem direito mais como se portar perante uma mulher, preferem assistir filmes pornográficos no lugar de manter um relacionamento!… Mas a resposta, na realidade, é bem simples: um “não” significa um “não”!… Como dizia a minha avó: “quando um não quer, dois não brigam (ou brincam)”!… Cada par define o que está bem para eles  e os deixa felizes, definindo suas regras e compromissos aceitos entre as partes.

Vamos às leis absurdas que ainda imperam no mundo contra as mulheres:

– Uma mulher tem que permitir “sexo ilimitado” ao marido, assim que ela completar 15 anos na Índia e 13 anos em Singapura! No Yemen, onde o casamento entre crianças é algo muito comum, não existe nem uma idade mínima para tanto. Isso quer dizer que se um homem violentar sua mulher nesses países, ele não cometeu nenhum crime perante a lei;

– Na Tansânia, uma menina de 15 anos pode se casar com o consentimento de seus pais, ou até com 14 anos através de decisão judicial, se “razões importantes “ puderem ser consideradas, enquanto que meninos  só podem se casar aos 18 anos;

– Na Jordânia ou no Líbano, só é dada a nacionalidade automática destes países a filhos cujo pai seja jordaniano ou libanês. A nacionalidade da mãe não é levada em conta e não é transferida automaticamente ao seu filho. Se uma mãe jordaniana for casada com um homem de outra nacionalidade, seus filhos não terão o direito de receber a nacionalidade da mãe e perderão direitos como o de concorrer a empregos públicos ou ligados ao sistema de saúde e escolar;

– Em Malta, se uma mulher for raptada e decidir se casar com o agressor, este não precisará ser julgado perante a lei e não irá cumprir pena de prisão;

–  No Líbano, se uma mulher for raptada ou estuprada e o agressor se casar com ela em seguida, ele também estará livre de julgamento;

– Ainda há 46 países do mundo que consideram que a mulher é um acessório masculino e que só pode agir na esfera do seu consentimento, não lhes oferecendo proteção contra a violência doméstica. Na Nigéria um homem tem até o direito de bater em sua esposa, com o objetivo de castigo e repreensão, desde que desse castigo não resultem “danos irreparáveis e permanentes”. Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa (estudo de 2010 feito pela Asociación de la Encuesta Mundial de Valores). Atualmente, a violência doméstica mata cinco mulheres por hora (!) diariamente em todo o mundo;

– No Chile, na Tunísia e na Inglaterra, em caso de herança, o homem recebe mais do que a mulher. Na Tunísia, uma lei de 1956 prevê que um filho homem recebe o dobro da herança de uma filha mulher. Na Inglaterra, a casa da família será passada para o primeiro filho homem do casal, independente do número de filhas mulheres que tiverem nascido antes. Somente em 2012 (!) houve uma alteração na sucessão ao trono, que será dada ao primeiro filho do casal, independente de seu sexo;

– Na República dos Camarões, dentro um total de 18 países, um homem pode impedir que uma mulher trabalhe se ele for da opinião de que a atividade dela não irá contribuir para o bem da família. Uma lei como essa não é só discriminatória, mas impede que a mulher tenha renda independente e fuja da espiral da dependência e pobreza;

– Em 29 países do mundo, na Ásia e na África, o clítoris de meninas e mulheres é cortado como costume ancestral. Mais de 125 milhões de mulheres já foram vítimas dessa prática;

– A Arábia Saudita é o único país do mundo onde mulheres não podem dirigir carros!

O feminicídio é o ato máximo da violência contra a mulher, que não está só relacionado a violências externas (agressão, espancamento, estupro, assassinato, etc.) mas também a violências psicológicas (humilhação, coação, manipulação, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir, etc.). No ano de 2015, o Brasil foi classificado como o quinto país com maior taxa de homicídio de mulheres. Segundo pesquisa da Datafolha, 33% da população brasileira diz acreditar que a vítima tem culpa em casos de estupro. Uma tristeza mundial: uma em cada cinco mulheres de até 18 anos já foi vítima de violência. Veja todas as formas de violência contra a mulher aqui.

Se você conhecer mais alguma lei ou proibição absurda contra mulheres, não deixe de incluí-la nos comentários. Se tiver algo a completar ou corrigir, agradeço por sua contribuição! Repasse este post, para que mais e mais mulheres entendam que precisamos ser amigas e irmãs umas das outras, lutando e defendendo o feminismo e a sororidade (irmadade entre mulheres). Muito obrigada!

Fontes: Jornal 20 Minutos da Suíça de 10/03/17, artigoTreibt Feminismus-Hype Männer in die Porno-Falle?”; website Global Citizen, artigo10 völlig absurde, frauenverachtende Gesetze, die auch heute noch existieren”, website La Informacion, artigo “La ablacion del clítoris se practica en 29 países de Asia y África”; website http://www.compromissoeatitude.org.br, artigo “Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa”; website http://www.agenciabrasil.ebc.com.br, artigo “Violência doméstica mata cinco mulheres por hora diariamente em todo o mundo”; página www.ultimosegundo.ig.com.br, artigo “Meus pais me ameaçavam com motossera”: veja casos de violência contra a mulher”, página www.cnj.jus.br, artigo “Formas de violência”.

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::I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira::

31/05/2015

Entre os dias 24 e 26 de junho de 2015 acontecerá em Brasília a

I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.

O objetivo desta conferência será tratar e discutir os temas de gênero que abrangem as comunidades brasileiras no exterior.

Alguns dos pontos a serem tratados:
– violência doméstica;
– imagem estereotipada da mulher brasileira;
– guarda de menores;
– saúde feminina;
– tráfico de seres humanos…

A Alemanha vai participar desta conferência através do Conselho de Cidadania, por ser uma comunidade significativa em relação a todos estes temas. Espera-se que com a conferência sejam implementadas iniciativas que beneficiem a vida do brasileiro no exterior e fomentem sua integração.

Todos os brasileiros residentes na Alemanha poderão dar a sua opinião através da pesquisa a seguir, bem como sugerir temas a serem tratados na I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.
Para participar da pesquisa, clique no seguinte link.

Agradecemos por sua participação!

::O poder das Amazonas::

03/02/2012

Abaixo a tradução para o português de pequeno parte do artigo que saiu na revista alemã “Der Spiegel” de 16.01.12:

Dilma Rousseff é a primeira mulher na presidência de um país sul-americano, ela preencheu postos importantes de seu governo com mulheres. Dez delas fazem parte do seu círculo de governo, que conta com um homem como exceção. E isso sem um regulamento de quotas. “Se Dilma fica entre um homem e uma mulher com a mesma qualificação, ela escolhe uma mulher”, diz Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

Não é difícil achar mulheres competentes: as brasileiras frequentam por mais tempo as escolas e chegam à universidade com maior frequência que os brasileiros. O país é caracterizado pelo machismo, mas a sociedade também demonstra ter traços matriarcais: o homem manda nas ruas, nos outros lugares quem manda é a mulher.

Um terço das famílias é dirigido por mulheres, enquanto os homens ficam com o papel de genitores. A ajuda social “Bolsa Família” é dada prioritariamente a mulheres, pois elas demonstram ter mais senso de responsabilidade. Ainda assim, as mulheres que trabalham têm salários um terço menor que os dos homens. Só há um sistema de quotas na política: 30% de todos os candidatos para vários postos devem ser mulheres, o que ainda não funciona bem na prática.

Fonte: Der Spiegel, reportagem “Herrschaft der Amazonen” de 16.01.12, autoria de Jens Glüsing

::Copa do Mundo de Futebol Feminino na Alemanha::

05/07/2011

Hoje foi a 1a. vez que assisti um jogo do atual campeonato e gostei do que vi! A Alemanha ganhou da França de 4 x 2, e jogou bem. Nos últimos dias a equipe alemã estava sendo muito criticada e este parece ter sido o jogo da virada. O futebol feminino parece ganhar um pouco mais de espaço, mas muitos repórteres ainda parecem não saber como lidar com a “coisa”. Depois de ter dado uma olhada no Portal UOL e na página da revista alemã Der Spiegel, parece que a “coisa” tem mais valor aqui na Alemanha, pois o noticiário sobre o atual campeonato mundial feminino de futebol está meio escondido na 1a. página do portal brasileiro. A revista alemã, por sua vez, resume aqui o problema do futebol feminino:

“Frau zu sein ist schwer:
man muss denken wie ein Mann,
sich benehmen wie eine Dame,
aussehen wie ein Mädchen
und schuften wie ein Pferd.
Und für die gleiche Arbeit
ein deutlich niedrigeres Gehalt akzeptieren
wie die männliche Konkurrenz”.

“É difícil ser mulher:
temos que pensar como um homem,
nos comportar como uma dama,
ter o aspecto físico de uma garota
e trabalhar como um cavalo.
E temos que aceitar que para o mesmo trabalho
podemos receber um salário bem mais baixo
que o da concorrência masculina.”

Ainda bem que a diferença de salários encontrada no futebol não se repete em todos os outros campos profissionais! O que seria de nós, não é mesmo? Mas fica uma pergunta no ar: quando será que os esportes femininos terão a mesma importância na mídia quanto os masculinos?

Enquanto isso, os repórteres brasileiros vão descobrindo com a cobertura do atual campeonato que a Alemanha é composta de várias cidades médias e pequenas, existindo poucas cidades cuja concentração de habitantes seja tão grande como nas grandes cidades do Brasil. Leia o artigo aqui (“Brasil deixa o interior, chega à cidade grande e reencontra o verão europeu”).

Aqui outra reportagem da Deutsche Welle sobre a repercussão do time brasileiro na mídia alemã.

Fonte: Der Spiegel, Portal UOL e Deutsche Welle, vários artigos de junho de 2011

::Até que enfim posso ser eu::

17/05/2010

Vi no último final de semana o documentário “Até que enfim posso ser eu – o longo caminho até chegar a mim mesmo” que me ensinou muito em termos de sexualidade feminina e masculina. Existem no mínimo 50.0000 transexuais (em alemão: transexuelle / transgender) na Alemanha. A transexualidade caracteriza pessoas que nasceram biologicamente com um sexo, mas se sentem e querem viver no sexo oposto. Este número pode ser ainda maior, pois o fato não é tratado de forma aberta pela sociedade e várias pessoas afetadas temem a reação de suas famílias e amigos.

Eu não sabia que isso era possível. Da mesma forma não sabia que os travestis só querem se vestir como uma mulher, mas não querem passar a viver como uma mulher, do contrário dos transexuais, que se tiverem o desejo íntimo e o ímpeto de viver como uma mulher, farão de tudo para ser aquilo que consideram ser. Vi no documentário vários homens que se transformaram em mulheres e o contrário, sendo que a transformação de mulher para homem é a que mais envolve cirurgias. Uma moça teve que passar por 14 operações para deixar de ter seios, vagina e útero, e no lugar deles recebeu um órgão masculino capaz até de ereção mecânica, usando para tanto parte da pele/tecido dos seios e do braço.

Do contrário, apresentaram três casos de homens casados com desejos femininos. Um deles vivia uma vida de sucesso, era casado e tinha uma filha. Ele(a) fez todas as operações necessárias para se tornar uma mulher, recebeu apoio da mãe, mas perdeu o contato físico com a ex-esposa e a filha, que só querem manter contato por telefone e só a tratam pelo nome masculino. Ela se tornou uma mulher, encontrou um namorado e se casou alguns anos mais tarde, realizando seu sonho, de ser princesa por um dia. O outro também era casado e tinha uma filha, trabalhava como elétrico e um belo dia também resolveu dizer a verdade para sua esposa. Para ela o mundo caiu a princípio, mas com o tempo a esposa passou a aceitar o lado feminino do marido, que foi se transformando em mulher, e foi aceito também pela filha. Hoje eles continuam juntos, casaram-se novamente há alguns anos atrás como prova de seu amor, consideram que o amor ficou até mais forte e a elétrica, agora em corpo feminino, conseguiu manter seu emprego e sua vida intactos. Mostraram ainda um terceiro caso, o de um homem casado que um dia contou para sua esposa que adorava andar vestido como mulher. Esta resolveu aceitá-lo como ele era e hoje ele vive feliz, homem no dia-a-dia, e mulher durante parte de suas horas de lazer.


A transformação de mulher para homem não é menos fantástica. Quem aí ousaria dizer que este homem lindo acima, Bastian Buschbaum (mais fotos aqui), um dia já foi mulher e se chamava Yvonne?!? Ele escreveu um livro contando como foi o processo de deixar de ser uma atleta famosa e passar a ser um homem, intitulado Blaue Augen bleiben blau: Mein Leben (Olhos azuis continuam azuis: minha vida). No documentário foram mostrados vários outros casos, até o de um garoto de 13 anos, que desde há pouco tempo está podendo viver como menino apesar de ter nascido como uma menina, recebendo o apoio dos pais depois de um longo caminho de desencontros e desentendimentos e muita agressão para consigo próprio e para com a sociedade.

Por último, o documentário mostrou uma combinação que eu não sabia que existia: a de pessoas que vem ao mundo literalmente com ambos os sexos. No passado a família ou os médicos definiam qual seria o sexo da pessoa, na esperança de que ela se identificasse com a escolha. Mostraram alguns casos de pessoas que não puderam se identificar com a decisão feita por ocasião de seu nascimento, tendo passado a viver como homens ou mulheres, literalmente renascendo para o mundo no sexo oposto. O documentário procurou mostrar como a sociedade e a medicina estão mudando com o passar das décadas, se abrindo, aceitando casos diferentes e que a medicina vem se especializando para proporcionar a essas pessoas a possiblidade de viver com o corpo que consideram ser seus, tal como desejam.

Um caso chocante é mostrado no final: um homem hoje com 48 anos, Thomas, que nasceu com os dois sexos mas os pais nunca lhe contaram do acontecido. Ele foi obrigado a tomar hormônios sem saber o que estava tomando, e aos 19 anos fez uma operação para retirar seu útero, e só foi descobrir isso anos depois. Agora ele está movendo um processo contra o médico que fez a operação na época, entrou com um outro processo para poder alterar seu nome para Christiane, toma hormônios femininos mas mesmo assim não se sente feliz com seu corpo, por parecer um homem, resultado do tratamento de hormônios masculinos do passado. Ele disse não saber o que é um relacionamento, não tem amigos e se sente sozinho, mas finalmente descobriu quem é: uma mulher.

O documentário mostrou que a onda de pessoas que passaram a viver como gostariam aumentou com a advinda da internet. Foi através da internet que várias destas pessoas buscaram ajuda para se encontrarem com outros que passavam pela mesma situação e poderem entender melhor o que se passava com elas próprias. O documentário mostra que há mais verdades na Terra do que aquilo que conseguimos enxergar com nossos próprios olhos, que o Universo é mais complexo e diversificado do que imaginamos. Todos os exemplos apresentados servem para esclarecer, ensinar e apelar pela compreensão da sociedade, contribuindo para a diminuição do preconceito e da discriminação, pois a pessoa que nasce em outro corpo quer afinal aquilo que todos nós queremos: ser felizes e sentir que chegaram onde queriam ter chegado.

Para ver um pequeno resumo do documentário, clique aqui. Para ler mais sobre o documentário em alemão, clique aqui.

Fonte: documentário de 15/05/10 “Endlich ich – der richtige Körper für mein Leben” (Até que enfim posso ser eu – o corpo certo para minha vida), produção da Vox/Spiegel TV.

::Feminino e masculino::

26/02/2010

Semana passada li um artigo na revista alemã “Der Spiegel” argumentando que as mulheres já chegaram longe demais em suas conquistas e que hoje em dia os homens estão em desvantagem em todos os sentidos, fugindo da realidade sempre que podem, com dificuldade de encontrar seu papel, que antes era de “sustentar a família”, enquanto a mulher ficava em casa cuidando dos filhos. Não concordo em 100% com esta argumentação, vez que acho que nós mulheres já avançamos em muitos pontos, mas o caminho até a igualdade de chances e oportunidades para ambos os sexos ainda não foi atingido. O único ponto que concordo é a questão escolar. A escola tal como é hoje em dia é feminina, ela é comandada em sua grande maioria por mulheres, as meninas se adaptam mais ao sistema e se saem melhor, tiram melhores notas, e aqui na Alemanha a participação feminina nas universidades já e maior do que a masculina. É provado que com tudo isso os meninos acabam ficando em desvantagem dentro do sistema escolar. Por outro lado, sei que no campo do trabalho, as mulheres aqui recebem em média menos do que os homens, prestando o mesmo serviço. Qual é a opinião de vocês quanto à questão da igualdade de direitos? Quais são as maiores diferenças para vocês em relação ao Brasil e à Alemanha? Seria a questão do machismo?

Para ilustrar esta discussão, aqui um poema que acabo de receber de minha mãe por e-mail. Obrigada, mamãe!:

Meu nome é MULHER!

Eu era a Eva
Criada para a felicidade de Adão
Mais tarde fui Maria
Dando à luz aquele
Que traria a salvação
Mas isso não bastaria
Para eu encontrar perdão.
Passei a ser Amélia
A mulher de verdade
Para a sociedade
Não tinha a menor vaidade
Mas sonhava com a igualdade.
Muito tempo depois decidi:
Não dá mais!
Quero minha dignidade
Tenho meus ideais!
Hoje não sou só esposa ou filha
Sou pai, mãe, arrimo de família
Sou caminhoneira, taxista,
Piloto de avião, policial feminina,
Operária em construção…
Ao mundo peço licença
Para atuar onde quiser
Meu sobrenome é COMPETÊNCIA
E meu nome é MULHER..!!!!
(O Autor é desconhecido, mas um verdadeiro sábio…)

::O próximo campeão do campeonato europeu de futebol…::

13/06/2008

Wesley Sneijder…será a Holanda, a menos que aconteça algo de extraordinário durante o campeonato. Acabo de assistir o jogo da Holanda x França e pra quem gosta de futebol (e pra quem não gosta tanto também) foi um prato cheio: 4 x 1 para a Holanda, com gols de 4 jogadores diferentes, o último deles feito pelo Wesley Sneijder – foto ao lado. Os holandeses têm técnica, força, atitude, presença, funcionam muito bem como grupo e são muito, muito bons. Eles venceram, em menos de uma semana, o campeão (Itália) e o vice (França) da Copa do Mundo de 2006. Quero ver algum time ganhando deste time!

Adrian MutuP.S.1-Achei outro homem “mutu” bonito no time romeno: o jogador Adrian Mutu, que perdeu a chance de ganhar da Itália no jogo de hoje.

P.S.2- Enquanto isso, no Brasil, prendem sargentos gays que assumiram publicamente sua homossexualidade. Minha pergunta direta seria a seguinte: qual é o problema do exército? Não há como punir a homossexualidade em si, então pune-se a pessoa de outras formas? E quem pune os que agem em nome do preconceito?

::Meio a meio::

09/06/2008

Meu coração é metade verde e amarelo e a outra metade é preta, vermelha e dourada. Falo isso sem querer ser arrogante ou por outro lado sem me sentir traidora das minhas origens. Moro aqui há 15 anos e sou orgulhosa tanto do Brasil quanto da Alemanha, considero ambas as nações dignas de respeito e de amor e sinto que as duas são diferentes, mas não superiores ou inferiores entre si. Há pontos bons e ruins aqui e lá, não há um país perfeito neste mundo.

GuerreiroDá pra perceber quando assisto a um jogo de futebol, como o que acabou de acontecer hoje da Alemanha contra a Polônia: vibro como se fosse o time brasileiro que estivesse jogando, e tenho orgulho dos jogadores, torço para que eles cheguem a uma boa colocação e, se possível, ganhem o campeonato europeu de futebol, que começou ontem na Suíça e na Áustria. Só quando a Alemanha joga contra o Brasil, nas copas mundiais, é que “mudo de time” e torço de coração para o Brasil, minha pátria amada, lugar onde nasci e de onde vêm minhas raízes e minha cultura, minha visão de mundo. Mas como desta vez a competição é européia, estou torcendo 100% pela Alemanha. Detalhe: No jogo de hoje contra a Polônia havia um brasileiro recém-naturalizado polonês, chamado Roger Guerreiro. Alguém o conhece? Disseram que ele joga há 2 anos e meio em Warschau. Há mais brasileiros no campeonato: jogando no time da Turquia “Mehmet” Marco Aurelio e no time espanhol Marcos Senna. E no time alemão há dois dos melhores jogadores, Klose e Podolski, que nasceram na Polônia e o Podolski foi quem fez os dois gols da vitória do jogo de hoje. Mundo globalizado esse, nao é mesmo?

Mas eu só assisto jogos de futebol de grandes campeonatos. Fora deles, futebol não me interessa nem um pouco. Daí passam a ser 22 bobos correndo atrás de uma bola, pois pra mim futebol está ligado a festa e confraternização entre os povos e um joguinho de campeonato alemão ou brasileiro não chega a tamanha importância, pelo menos no meu modo subjetivo de ver este esporte.

Li nos jornais que fizeram um estudo aqui na Europa, dentre os países participantes do campeonato europeu de futebol, para analisar as preferências entre sexo e futebol. Somente na Itália e em Portugal as pessoas se dizem mais interessadas por sexo, nos demais países ganha o futebol. Será que é porque ele dura mais? Hehehehe… O futebol, desde a última copa mundial, deu ao torcedor alemão o direito de sentir orgulho do país, desde então ele tem a liberdade de poder ter um sentimento nacionalista saudável, o que é muito bom para o país. Todos falam aqui da “fábula do verão de 2006” e querem que ela se repita este ano. E enquanto o número de torcedores do sexo masculino continua mais ou menos o mesmo, o número de torcedoras do sexo feminino aumenta. Será que é porque tem realmente uns homens muito bonitos jogando futebol, vide o goleiro Artur Boruc da Polônia? Mesmo assim, contino não entendendo por que alguns esportes são quase que totalmente masculinos, por que os campeonatos femininos de alguns esportes não recebem a mesma pompa que os campeonatos dos homens. Para mim, tinha que ser tudo meio a meio, fifty-fifty para tudo entre homens e mulheres, em todos os campos possíveis e imagináveis, respeitando naturalmente a constituição física de cada sexo.

Aliás pulando pra este assunto, começaram a surgir alguns livros por aqui que tentam resgatar o nome de mulheres importantes ao longo da história, pois também a História tenta fazer acreditar que só homens ocuparam papéis importantes ao longo dos séculos. Acho isso de resgatar a história feminina super importante, pois a repetição de grandes atos depende também de bons exemplos, que teimam em não nos mostrar. E também com o fim de mostrar que, na realidade, o yin-yang, a convivência construtiva e positiva entre homens e mulheres é que tende a ser boa para ambas as partes. A solução está no meio do caminho. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.


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