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Posts Tagged ‘futebol’

::A Alemanha é o país mais popular do mundo::

12/11/2014

Pela segunda vez consecutiva a Alemanha deixou os EUA para trás e foi escolhida como o país mais popular do mundo. A pesquisa, feita pela empresa GfK (Gesellschaft für Konsumforschung), foi feita envolvendo 50 países, a opinião de 20.000 pessoas de 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento. Além do sucesso no futebol, a Alemanha ganha pontos nos quesito “governo competente e honesto”. Nos quesitos “clima de investimento” e “igualdade social” a Alemanha atingiu os pontos máximos existentes nesta pesquisa. Outros fatores que contaram pontos para a Alemanha foram o sucesso no futebol, a liderança política na Europa, a responsabilidade política reconhecida internacionalmente e a economia forte do país.

Os 10 primeiros lugares na pesquisa foram ocupados pelos seguintes países: Alemanha, USA, Inglaterra, França, Canadá, Japão, Itália, Suíça, Austrália e Suécia.

Leia aqui neste artigo mais alguns pontos positivos da Alemanha, quando comparada ao Brasil. Eu só não concordo com o seguinte: acho que brasileiros são persistentes, flexíveis e demonstram constantemente ser capazes de se reerguer. Esta é uma característica nossa que pode sim contribuir positivamente para alavancar nossa economia, dentre tantos outros fatores pelos quais temos que trabalhar de forma bem árdua. Mas a proposta do artigo continua valendo, e muito, como citou a autora nos comentários: serve de inspiração para nosso crescimento.

Fonte: artigo da revista Stern de 12/11/14, artigo da Folha de São Paulo de 09/07/14.

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::Divisor de águas::

06/07/2014

brasil

Ai Jesus, morar na Alemanha e passar por uma Copa onde a Alemanha está prestes a jogar contra o Brasil é algo bastante complicado! Eu levo comigo um amor condicional à minha pátria, acompanhado de um profundo respeito pelo país onde vivo já há quase metade de minha vida. Portanto, fica difícil puxar sardinha pra um lado só. Aqui em casa vamos, eu e meu marido, vestir cada um a camisa de seu time, levando também um acessório do outro país. Paz total dentro das quarto paredes. Mas… desde que o Neymar se machucou, e que perdemos nosso capitão, eu tive um instinto muito parecido com o que depois andei lendo na mídia brasileira: tive vontade de que ganhemos este título pelo Neymar, que não pode mais jogar na Copa tão sonhada por ele… Mesmo declarando abertamente de que ficaria feliz também se a Alemanha levasse o título, porque são uma seleção idônea, fazem um bom trabalho, não são arrogantes e querem muito levar o título desta vez, fugindo do padrão mostrado nos últimos anos de chegar sempre tão pertinho do título e sair de mãos abanando…

Mas pra dizer a verdade verdadeira, eu queria que o Brasil ganhasse na Copa e também nas urnas… Que saiba separar uma coisa da outra e não se deixe ser levado pelo Sistema de pão e circo institucionalizado no nosso país, de dar entretenimento ao povo e esperar que ele fique caladinho, agüentando todas as mazelas. Quando me dizem que acham que a Dilma vai ganhar nas próximas eleições, quase tenho um troço. Achava que o Aécio seria um bom candidato, mas desde que fiquei sabendo que ele bateu na namorada e parece ser dependente de drogas, pensei comigo que este não pode ser o neto de um homem que me impressionou como o seu avô, o Tancredo Neves. Não vou votar, porque moro longe do consulado brasileiro, mas há muitos milhões de pessoas que vão ter esta oportunidade dentro e for a do Brasil, e eu espero que eles usem o seu poder para alavancar mudanças altamente necessárias. E depois que fiquei sabendo que o ministro Joaquim Barbosa deixou seu cargo para se “aposentar”…

E é como naquela música do Zé do Caroço: e na hora que a televisão brasileira destrói toda a gente com sua novela… É que o Zé bota a boca no mundo, ele faz um discurso profundo, ele quer ver o bem da favela… Está nascendo um novo lider!…
Eu creio fortemente que o nosso país tem gente de todo tipo, inclusive correta e que realmente quer fazer algo pela população, mesmo que no momento eu não saiba direito quem é (ou são) esse(s) político(s). Nego-me a concordar com a opinião do escritor Luiz Ruffato de que no Brasil todo mundo é corrupto… Veja o texto dele aqui. Dar boas gorjetas é sinônimo de agradecimento por um serviço bem feito, o que é prática normal aqui na Alemanha. Acho necessário saber distinguir entre atos explícitos de corrupção e atos de gentileza e/ou agradecimento. E olha que a Alemanha é minimamente corrupta! E negócios sempre foram e são feitos entre pessoas – e não entre órgãos e/ou empresas. Se duas pessoas se entendem, a sintonia gera negócios. O que não está diretamente ligado a um ato de corrupção. Acho importante aniquilar aquilo que entendo por corrupção: o uso indevido do dinheiro público para suprir interesses próprios. O uso indevido de vantagens individuais para atingir objetivos egoístas… Temos muitos exemplos disso. Aquele viaduto em Beagá onde duas pessoas morreram, e que foi exemplo de dinheiro público mal investido, da falta de atenção com o trabalhador, o não seguimento explícito de medidas de segurança básica – e por aí vai…

E, voltando a falar de futebol (sem o mínimo conhecimento de causa), acredito que, mesmo que todos afirmem que não há substituto para o Neymar, que o Scolari ainda há de tirar um coelho da cartola. O alemão geralmente gosta de se preparar para o desconhecido, e agora temos a vantagem do desconhecido, temos que dar o famoso “jeitinho”. E é exatamente daí que temos que tirar nossa vantagem, mostrando nosso jogo de cintura – e gols vindos de outras pernas, inspiradas pelo Neymar.

Pessoalmente falando, é uma coincidência muito grande que o Brasil esteja jogando contra a Alemanha na minha cidade natal, perto do meu aniversário de 21 anos de Alemanha, quase a metadde da minha idade atual. É como o fechamento de um ciclo pessoal pra mim, um divisor de águas. Espero que o resultado seja favorável pra nós. Se não for, é porque não tinha que ser mesmo – sairemos de todo jeito de cabeça erguida, porque eu tenho certeza que nosso time vai dar tudo o que tiver pra dar. Será que vão colocar o mineirinho Bernard pra jogar? E, mais importante que futebol, espero atentamente que o resultado das urnas mostre que o brasileiro está apostando naquele que tem capacidade de fazer o bem pelo nosso país, tão carente de mudanças substanciais.

Brasil mostra a tua cara, quero ver quem paga, pra gente ficar assim! Brasil, qual é o teu negócio, o nome do teu sócio? Confie em mim, Brasil! Já dizia o bom Cazuza!…

P.S. em 09/07/14: Este foi o jogo em que o Brasil perdeu de 7×1 para a Alemanha… Este jogo vai entrar pra história!… Mas fui surpreendida pelo carinho e/ou respeito do povo daqui, perguntando como eu estava no dia seguinte ao jogo e dizendo que sente muito pelo resultado, que não precisava de tanto! Bom, mas venhamos e convenhamos, eles jogaram muito bem e, além do apagão dos brasileiros entre os 11 e os 35 min. do 1° tempo, não soubemos mostrar nem jogo nem defesa. Será que a Alemanha vai levar o título? Será que vamos jogar pelo 3° lugar contra a Argentina? Ah, que venham as urnas!…

::O Brasil já ganhou com a Copa::

01/07/2014

A contar pelas inúmeras reportagens que aparecem o tempo todo na tevê alemã, o Brasil já ganhou com a Copa. Mostram um país tão diverso, tão alegre e tão apaixonante, com paisagens tão lindas, exploram cada canto do nosso Brasil e colocam tanto mel na boca dos telespectadores, que fica difícil deixar de associar o país a um destino dos sonhos. A cada reportagem, fico feliz pelo rumo que a Copa tomou e um tiquinho mais orgulhosa do meu país.

Sim, temos agora a oportunidade de festejar a diversidade junto de metade do planeta que assiste esta festa. Apostando no(s) nosso(s) time(s) do coração, podemos comemorar com o outro e conosco mesmos toda a beleza do mundo, a começar, claro, pela beleza de alguns jogadores, porque ninguém é de ferro. 🙂 Continuando com o rumo inesperado que esta Copa tomou, dando chances a times nunca antes respeitados ou conhecidos internacionalmente, asssentando o futebol como um esporte popular para o povo americano, que hoje se concentra em 20 mil pessoas na cidade de Salvador para acompanhar de perto a disputa contra a Bélgica.

A cada vez que ouço nosso hino, luto comigo mesma pra não cair nas lágrimas, tamanha a beleza de seu texto, gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso. E se o teu futuro espelha esta grandeza. Terra adorada, entre outras mil és tu, Brasil, ó patria amada. Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil.

Sim, nascemos neste canto do mundo, resultado da peregrinação e miscigenação de muitas outras nacionalidades pelo mundo. Temos uma ascendência tão diversa e ao mesmo tempo tão desconhecida. Temos a oportunidade de nos reconhecer como brasileiros, e, ao mesmo tempo, também como cidadãos do mundo. Respeitando a nós próprios, e valorizando aquilo que temos de melhor, valorizamos o outro e nos reconhecemos em conjunto, pois somos todos UM. O ar que eu expiro é aquele que você inspira, e vice-versa.

Hoje estou escrevendo no comecinho da partida Bélgica x USA, usando o laptop do meu marido porque o meu, infelizmente, pifou de uma hora pra outra. Agora ele vai ter que ir para o conserto para tentar salvar muita coisa importante que está no momento entre bits e bytes do disco rígido dessa maquininha louca e mágica, que nos permite produzir, ganhar e correr o risco de perder tanta coisa neste mundo digital… Posso tomar como base de comparação o exemplo da Alemanha depois da Copa que aconteceu aqui em 2006, depois do qual o país se tornou um dos mais cobiçados destinos turísticos no mundo – e com razão. Acabo de terminar uma sessão de coaching de carreira bem sucedida, e volto a afirmar, com grande certeza do significado econômico, social e cultural de minhas palavras: o Brasil já ganhou – e muito – com esta Copa! O mundo também! 🙂

P.S.-Se tiver curiosidade, leia o texto que escrevi sobre a Copa na Alemanha em 2006 aqui. Aqui outra visão de fora da Eve, do blog “Rindo de Mim Comigo”, também sobre a Copa vista de Berlim.

::Pixel-Arte de Belo Horizonte::

30/06/2014

Acaba de passar aqui na Alemanha uma reportagem sobre um belohorizontino que adora retratar cenas do futebol e da Copa em pixels bem grandes. Se nao me engano, o nome dele era Matheos Toscano. Alguém pode confirmar? Nao tenho certeza se achei o site dele… Mas olhem só que original! 🙂 Diretamente de Belo Horizonte, uai!

A mordida do Suarez:

A cambalhota do Klose:

O Pepe dando uma cabecada no Müller:

E agora no jogo Alemanha x Algéria, quem vai ser o vencedor?
Deutschland_Algerien

::Que brasileiro que nada – já estou curiosa agora pra saber sua opinião::

28/04/2014

Para quem tem interesse de ler um exemplo de como os jornais estrangeiros noticiam no momento sobre o Brasil, li ontem e traduzo aqui um artigo um pouco controverso, polêmico e um tanto quanto equivocado da jornalista esportiva alemã Cathrin Gilbert, publicado no jornal Die Zeit de 24.04.14. Ainda que ela tenha tido um objetivo positivo de incentivar as pessoas a visitarem o Brasil durante a Copa e de apoiar os brasileiros quanto às suas reivindicações muito além do futebol, acho que sua argumentação está um tanto quanto equivocada e interpreta de forma desajeitada o momento atual brasileiro. Ainda assim, a vontade de que todos voltem bem pra casa impera no meu íntimo. Já estou curiosa agora pra saber sua opinião:

Que brasileiro que nada

Perto da Copa do Mundo, o país está finalmente parando de se superestimar

São poucas as coisas que incomodam mais do que a mania de acabar com a imagem de um país prestes a receber um grande evento internacional. Podemos citar as reações com relação à Grécia antes das Olimpíadas de verão há 10 anos atrás. Meu Deus! O que se acreditava naquela época era que os gregos não teriam nada pronto para o início do evento. O que aconteceu? O evento começou pontualmente e a admiração foi geral. Da mesma forma, ninguém tinha muita certeza de os sul-africanos teriam condições de receber uma Copa do Mundo no país. Cenários de horror com relação a bandas carniceiras foram então publicados, e foi dito que estas iriam atacar os torcedores que ali estivessem. E o que aconteceu? Todos os turistas voltaram bem para casa.

Agora estamos prestes a presenciar o próximo grande evento mundial: a Copa do Mundo no Brasil. Será que há um país que possa se qualificar mais para a apresentação de um evento como este? Até há pouco ninguém ousaria duvidar disto. Entretanto desde há algumas semanas o entusiasmo está diminuindo – também na Alemanha. Os primeiros fãs estão revendendo pela internet os tíquetes que compraram com tanta dificuldade, por um preço bem abaixo do de compra. O Brasil não vai conseguir acabar de construir os estádios, aeroportos e nem vai conseguir domar a criminalidade. E desta vez os rumores têm mesmo ligação com a realidade. O aeroporto de São Paulo realmente não vai ficar pronto.

Em poucos meses uma onda de felicidade se transformou em medo profundo. O que aconteceu? Será que a culpa com relação ao país hospitaleiro é da mídia?

Ao contrário das qualidades futebolísticas do Brasil (que nunca deveriam ser colocadas em dúvida), o desenvolvimento econômico e político foi superestimado por vários anos. A superestimação externa foi adicionada à interna.

Ao lado da Rússia, Índia e China, o Brasil era considerado como um país em desenvolvimento com grandes chances de sucesso. Entre os anos de 2000 e 2010 o crescimento no país foi de em média 5%. Orgulhoso, o Brasil tomou seu lugar dentre os países do grupo BRIC. O Brasil gostou de ser elogiado internacionalmente. Parecia que a quinta economia mundial tinha deixado seus problemas para trás. Quem haveria de sentir fome em um país com uma das maiores áreas cultivadas e com condições climáticas perfeitas? O governo estava surfando de forma deslumbrante na onda da euforia, liderado pela presidente Dilma Rousseff, enquanto fingia não se lembrar que apesar do Brasil ter renda per capita de 8.000 dólares, se encontrava só no 61° lugar mundial (nota minha: a autora não explicou do quê…Alguém sabe?). Ou que a economia começou há pouco a se enfraquecer.

Quem já viveu no Brasil sabe que os brasileiros dariam de tudo para um dia serem respeitados pelos americanos e europeus. Não há nada – e entende-se isso perfeitamente – que os façam se sentir mais diminuídos do que pela arrogância do norte. Daí saiu o processo de auto-enganação dos brasileiros, aliado ao talento único de saber se vender.

Mas mesmo agora que a auto-enganação está ficando visível, os brasileiros conseguem continuar a se promover: eles usam os principais palcos do mundo de forma sistemática, com o objetivo de chamar a atenção para o que não vai bem em seu país, muito causado pela política local. Semana passada os policiais de Salvador, onde vão acontecer jogos da Copa do Mundo, entraram de greve para denunciar as más condições de trabalho – 39 pessoas morreram durante os protestos. Mesmo o ex-capitão da Seleção Nacional, Rai Souza, declarou em uma entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung: “Temos que solucionar muito do que vai além do futebol e que, em parte, ficou à mostra desde os preparativos para a Copa do Mundo.”

A coragem dos brasileiros merece admiração. Eles se posicionam contra a cegueira causada pela política brasileira. Nós deveríamos apoiá-los, mostrar alegria pela chegada da Copa do Mundo e nos preparar para a viagem.

Fonte: Reportagem no jornal http://www.zeit.de/index de 24.04.14 de autoria de Cathrin Gilbert.

::Jornais alemães se enganam com o nome do mascote da Copa::

11/04/2014

Na realidade uma piada e um exemplo de como uma notícia errada pode se espalhar de forma rápida na era da internet:

Uma definição totalmente descabível do que o nome do mascote da Copa do Mundo no Brasil significa na realidade causa confusão na imprensa alemã. O tatu-bola bonitinho, cujo nome é Fuleco, mistura de “futebol” com “ecologia”, foi confundido com outra palavra bem menos honrosa em português. Tudo bem que o nome deixou a desejar, e que possa ser facilmente ligado a outras palavras nem tão simpáticas como “fuleiro”, mas a intenção com certeza foi nobre. Teria sido mais fácil se tivessem dado ao bichinho o nome singelo de “tatu-bola”, não é mesmo?

O jornal alemão Die Welt, um dos mais conhecidos da Alemanha, afirmou há algumas semanas atrás que Fuleco é sinônimo de “ânus” na “linguagem popular do Brasil”. Logo a notícia se alastrou e vários outros jornais, dentro e fora da Alemanha, reproduziram a reportagem sem verificar se era verdade ou não…

Achei que esta frase disse tudo e dá exemplos de muito do que se pode expressar com a dita palavra em alemão: “Ist das Maskottchen der Fußball-Weltmeisterschaft 2014 tatsächlich am, im oder ein “Arsch”, wie so manche deutsche Medien heute behaupten?” (O mascote da Copa Mundial de Futebol 2014 está perdido, dentro do ânus ou é um completo idiota, como a mídia alemã tem sugerido?)…

Fontes: Site “Brasilien WM 2014” e DW Notícias de 01.04.14.

::Processo judicial contra o presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeneß::

13/03/2014

No momento o presidente do time Bayern de Munique está sendo julgado por ter sonegado impostos. Antes do julgamento a opinião pública sabia que ele tinha enviado uma carta para o Leão alemão (Finanzamt). Isso aconteceu logo depois de ter sido avisado por parte de seu banco na Suíça de que um repórter de uma grande revista alemã estava pesquisando sobre a sonegação de impostos de um grande nome do esporte da Baviera. Todos ficaram sabendo então que aquele que tinha um lugar tão importante na sociedade alemã, que doava bastante dinheiro para organizações sociais e que era conhecido como alguém respeitado e admirado, sonegava impostos e era viciado por jogos na Bolsa de Valores. Durante a primeira metade do ano de 2013 mais de 8.000 pessoas resolveram se entregar ao Leão alemão, mais do que durante todo o ano interior, o que ficou conhecido na Alemanha como “efeito Hoeneß”.

A grande pergunta no momento é se o fato dele ter enviado a tal carta o aliviará da prisão iminente de até 10 anos. O processo começou esta semana e nesse meio tempo a opinião pública já tomou conhecimento do valor exato que Hoeneß deve: 27,2 milhões de euros. Agora mesmo estou assistindo um programa de televisão que discute sobre o caso e que enumerou o que significa este valor:
– equivalente ao pagamento anual de impostos de aproximadamente 3.500 pessoas na Alemanha
– com este dinheiro, 782 idosos poderiam ser cuidados durante um ano ou poderiam ser construídos 5 asilos
– outra opção seria que 2.600 crianças tivessem um lugar no jardim de infância ou que 27 jardins de infância fossem construídos.
– por último, cita-se que com o dinheiro poderia ser construída uma prisão.

Depois da primeira carta, Hoeneß enviou uma nova carta para detalhar seu delito. Alguns dizem que pelo fato da primeira carta não ter sido completa, que não deveria ser considerada como um ato de auto-denúncia.
O certo é que o fato de um peixão como o Hoeneß estar prestes da prisão faz todos pensarem sobre a necessidade de uma pessoa já rica que não consegue controlar sua cobiça, não consegue parar de querer ganhar e ter cada vez mais poder, e com isso se acostuma com o fato de que está agindo fora da lei e passa a achar tudo normal.

Até o final da semana todos saberão o destino de Hoeneß. O programa de TV de hoje à noite está chegando ao fim e foi feita uma enquete perguntando se uma pessoa que se auto-denuncia deveria poder se livrar da prisão: 74% das pessoas disseram que todos que sonegam impostos e se entregam para o Leão deveriam sim ir para a prisão. Gostei. Moral da história? A grande maioria dos alemães pensa que todos são iguais perante a lei. Os que são de outra opinião são loucos por futebol, acham que o Hoeneß não errou tanto assim porque é um bom homem público, um santo do futebol.

Fontes: Stern TV e Wikipedia.de

Nota de 15/03/15: Uli Hoeneß foi condenado no prazo de 4 dias de processo a 3,5 anos de prisão e anunciou um dia mais tarde que se retiraria da direção de todos os cargos públicos e que não iria apelar para a revisão da sentença. Dentro de alguns dias ele deverá ser contactado pela Justiça para se apresentar na prisão, com o fim de iniciar o pagamento de sua pena. Um bom artigo sobre o caso aqui.

::Copa do Mundo de Futebol Feminino na Alemanha::

05/07/2011

Hoje foi a 1a. vez que assisti um jogo do atual campeonato e gostei do que vi! A Alemanha ganhou da França de 4 x 2, e jogou bem. Nos últimos dias a equipe alemã estava sendo muito criticada e este parece ter sido o jogo da virada. O futebol feminino parece ganhar um pouco mais de espaço, mas muitos repórteres ainda parecem não saber como lidar com a “coisa”. Depois de ter dado uma olhada no Portal UOL e na página da revista alemã Der Spiegel, parece que a “coisa” tem mais valor aqui na Alemanha, pois o noticiário sobre o atual campeonato mundial feminino de futebol está meio escondido na 1a. página do portal brasileiro. A revista alemã, por sua vez, resume aqui o problema do futebol feminino:

“Frau zu sein ist schwer:
man muss denken wie ein Mann,
sich benehmen wie eine Dame,
aussehen wie ein Mädchen
und schuften wie ein Pferd.
Und für die gleiche Arbeit
ein deutlich niedrigeres Gehalt akzeptieren
wie die männliche Konkurrenz”.

“É difícil ser mulher:
temos que pensar como um homem,
nos comportar como uma dama,
ter o aspecto físico de uma garota
e trabalhar como um cavalo.
E temos que aceitar que para o mesmo trabalho
podemos receber um salário bem mais baixo
que o da concorrência masculina.”

Ainda bem que a diferença de salários encontrada no futebol não se repete em todos os outros campos profissionais! O que seria de nós, não é mesmo? Mas fica uma pergunta no ar: quando será que os esportes femininos terão a mesma importância na mídia quanto os masculinos?

Enquanto isso, os repórteres brasileiros vão descobrindo com a cobertura do atual campeonato que a Alemanha é composta de várias cidades médias e pequenas, existindo poucas cidades cuja concentração de habitantes seja tão grande como nas grandes cidades do Brasil. Leia o artigo aqui (“Brasil deixa o interior, chega à cidade grande e reencontra o verão europeu”).

Aqui outra reportagem da Deutsche Welle sobre a repercussão do time brasileiro na mídia alemã.

Fonte: Der Spiegel, Portal UOL e Deutsche Welle, vários artigos de junho de 2011

::Integração que faz gols::

03/07/2010

No futebol o esforço vale a pena – uma vantagem para imigrantes – por Bernd Ulrich, jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10

Muitos reclamam na Alemanha que os imigrantes têm pouca vontade de se integrar no país e que têm pouca ambição. Com certeza com razão, talvez com muita frequência.

No momento os jovens imigrantes são o tema número 1 do país. Eles se chamam Sami, Mesur, Miroslav, Marco ou Mario. Vamos fazer uma pergunta bem simples: por que a metade da seleção alemã (11 de 23 jogadores) têm origem estrangeira, apesar de que o número de estrangeiros ou descendentes de estrangeiros é cerca de três vezes menor (mais exatamente: 1,125 milhões contra 3,754 milhões de alemães)?

Digamos que pode ser encontrada uma resposta socio-racista para a pergunta: futebol é um esporte para burros, os imigrantes têm em média um nível mais baixo de educação e por consequência têm sucesso nos campos de futebol. Aqui há um erro de interpretação – na verdade esportivo. O futebol só se tornou um esporte capaz de encantar os quatro cantos do mundo porque ele é ao mesmo tempo individual e coletivo, super simples e incrivelmente complexo. Ele sempre foi assim, mas muitos intelectuais e pessoas com alto nível de educação precisaram de muito tempo para aceitar este fato. Uma variante nova é o fato de que as exigências da sistemática de jogo de hoje em dia, além dos negócios relacionados ao esporte, exige jogadores cada vez mais inteligentes. Inteligência e inteligência de jogo se tornaram, cada vez mais, algo bem similar.

A segunda resposta é mais simpática, vamos chamá-la de patriarcal-condescendente: uma vez que os imigrantes têm poucas chances de sucesso na sociedade, eles se concentram no futebol. Isto com certeza é verdade, apesar de que o argumento não condiz com os dos imigrantes que têm pouca ambição e que não querem se integrar. Principalmente quando se considera o que significa tornar-se jogador profissional de futebol. Se tudo dá certo, isto acontece aos 18 ou 19 anos. Até este ponto estes jovens já sentiram mais pressão de desempenho ou devido à concorrência do que a maioria das pessoas no final de suas carreiras. E isto vale mesmo para os jogadores que não chegam à seleção. Os 11 imigrantes, que agora estão jogando pela Alemanha na África do Sul, representam portanto o ápice de uma grande disposição pelo desempenho.

A resposta correta para a pergunta do começo do texto é portanto: o futebol é um negócio que gera bilhões de lucros. Os clubes e treinadores, que se deixam dominar pela discriminação ou que ainda não desenvolveram suficientemente suas habilidades de integração perante imigrantes talentosos, acabam saindo perdendo. (Só para citar um exemplo: até há pouco tempo os treinadores alemães não aceitavam que jovens muçulmanos tomassem banho de shorts depois dos treinos por questões religiosas. Neste meio tempo os treinadores já mudaram sua opinião, e os jovens são deixados em paz).

Para encurtar a história: no futebol o desempenho é analisado de maneira relativamente objetiva e a alta capacidade de integração dos imigrantes é compensada com muito dinheiro.

Por que há 11 imigrantes na seleção alemã de futebol? Porque eles são bons.

Fonte: jornal “Die Zeit” (O Tempo), edição de 24.06.10, tradução: Sandra Santos.

::Pois é, né?::

29/06/2008

Perdemos e ficamos com o 2° lugar, a Espanha ganhou com razão. Quando a perda é inevitável, comecei, como qualquer outro ser humano, a relativizar: minhas raízes também vêm da Espanha, a metade da família do Matthias também mora lá, o Senna como brasileiro faz parte do time campeão e afinal de contas tudo não passa de um jogo de futebol.

Hoje foi também a festinha de aniversário no jardim do meu prédio. Inauguramos uma caixa de areia onde a criançada fez a festa, montamos uma piscininha de plástico, tinha também trampolim, balanço, corda, bola e muito, muito sol, céu azul e calor. Os adultos se deliciaram com café com sorvete de baunilha, café e bolo. Além da família e dos amigos, contamos com a presença de parte dos vizinhos e agora temos tudo para construir uma boa vizinhança no prédio. O Daniel adorou, cantamos parabéns pra ele em inglês, alemão, português e espanhol, ele soprou as velinhas e voltou a brincar, pois ganhou muitos presentes. Adorei mesmo a tarde, que transcorreu na mais perfeita harmonia.

Antes de ontem aconteceu finalmente a festa de 25 anos da minha empresa, já estava cansada através dos preparativos, que me custaram muito esforço. No fim fui embora antes de estar bêbada e antes da festa começar a desandar. Como meu sogro foi o chofer, hoje ele nos colocou a par de todos os deslizes do final da festa…

A partir de agora, os assuntos aqui no blog voltarão a ficar mais variados, pois a Eurocopa virou parte do passado.


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