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Posts Tagged ‘expatriado’

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke

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::Eterna dor de expatriado::

16/04/2016

Achei esse poema na internet, cujo título na realidade é “Me perdoem por estar tão longe”, mas tomei a liberdade de intitular este post como “Eterna dor de expatriado”, pois foi esse sentimento, nu e cru, que o poema me passou. E que acho que muitos vão sentir o mesmo…

Poema de Ruth Manus

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Me perdoem por estar tão longe

E por tentar estar presente com tão pouco. 

Venho pedir que me desculpem

Por todos os dias em que eu não estou

Por todos aniversário aos quais eu não vou

Pelas tantas vezes em que a ligação falhou

Por ter que ser tão menos do que realmente sou

 

Venho dizer o quanto sinto

Por todos os almoços em que meu lugar sobra

Por ainda não ter visitado a casa nova

Por não ter ajudado com as coisas da obra

Por tantas vezes colocar o amor de vocês à prova

 

Eu juro que queria

Queria ter ajudado a sarar todas as doenças

Queria poder ser verdadeira presença

Queria segurar aquelas sacolas imensas

Queria fazer massagem nas suas costas tão tensas

 

Venho me desculpar

Por todos os copos de água que eu não busquei

Por toda louça suja que eu não lavei

Por todas as piadas que eu não contei

Por todas as dores que eu não abracei

 

Eu juro que queria

Segurar os cabelos de quem vomitava

Segurar o elevador para quem demorava

Segurar a onda de quem tanto chorava

Segurar as mãos sem precisar dizer nada

 

Me perdoem

Por ser uma imagem na tela do celular

Por ser um áudio que eu nunca termino de gravar

Por ser uma história que nunca dá tempo de contar

Por ser uma ausência com a qual vocês aprenderam a lidar

 

Me desculpem

Pelos tropeços dos quais não ri

Pelos pensamentos que eu não li

Me desculpem

Por saber o quanto minha falta dói por aí

E por não saber fingir

Que ela não dói

Igualmente

Sempre

E tanto

Aqui.

 

::I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira::

04/06/2015

Prezada comunidade brasileira,

Entre os dias 24 e 26 de junho de 2015 acontecerá em Brasília a

I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.

O objetivo desta conferência será o de aprofundar a discussão de temas de gênero que afetam as comunidades brasileiras no exterior.

Alguns dos pontos a serem tratados:
– violência doméstica,
– imagem estereotipada da mulher brasileira,
– questões afetas à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros),
– disputa por guarda de menores…

Uma vez que temos na Alemanha uma comunidade significativa em relação a todos estes temas, dois representantes, um membro do Conselho de Cidadãos Brasileiros de Munique e um do Conselho de Berlim, participarão desta conferência. Espera-se que com a conferência sejam implementadas iniciativas que beneficiem a vida do brasileiro no exterior e fomentem sua integração.

Todos os brasileiros residentes na Alemanha poderão dar a sua opinião através da pesquisa a seguir, bem como sugerir temas a serem tratados na I Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira.

Para participar da pesquisa, clique no seguinte link. Contribua com sua opinião pessoal e divulgue a pesquisa entre seus amigos e nas mídias sociais! Obrigada de antemão e um bom feriado!

:: Saudades – Clarice Lispector::

12/11/2013

Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades…

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei…

Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser…

Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro…

Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser…

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!

Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!

Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!

Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.

Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências…

Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!

Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!

Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,

Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que…
não sei onde…
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi…

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês…
mas que minha saudade,
por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados…
para contar dinheiro… fazer amor…
declarar sentimentos fortes…
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples
“I miss you”
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades…
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência…

:: Como se sente uma pessoa que muda de país?::

28/01/2005

Peguei no Fórum do Viver um pensamento da Lulu que diz o seguinte: “Mudar de pais é nascer de novo, temos tudo a construir e muitas barreiras a pular, depois de escalarmos as montanhas seremos vitoriosos”. Isso é verdade absoluta.

Lembrei-me imediatamente do meu poeminha intitulado “Cabral Moderna”, também parte desta coluna, que expressa o sentimento de quando cheguei aqui. Ao mesmo tempo em que estamos maravilhados com o novo, estamos perdidos como um peixe fora d’água: nos sentimos inseguros, dependentes, sem saber direito como o mundo lá fora funciona e só querendo “colo”.

Para animar aqueles que estão em processo de adaptação ou aqueles que ainda estão planejando ou pensando numa mudança, adaptar-se a um país hoje em dia pode ser muito mais fácil do que há 10 anos atrás, por exemplo, quando não havia ainda a internet e a globalização não tinha avançado tanto ainda como hoje.

Para vocês terem uma idéia, há 10 anos atrás tudo aqui era diferente do Brasil, as músicas que passavam no rádio eram outras, a moda, nada era tão igual, em sentido geral, quanto é hoje. E pior, eu dependia totalmente das cartas e da bondade dos Correios de transportá-las o mais rápido possível, pra não murchar de saudade nesse meio tempo. Mesmo assim, às vezes uma resposta chegava, me consolando, por exemplo, e meu estado de espírito já era outro completamente diferente. Obter informações do Brasil, em geral, também era muito difícil. Lembro-me de uma vez que recebi uma Folha de São Paulo ou Estado de Minas, não sei mais bem ao certo, e apesar das notícias estarem todas fora de época, eu li o jornal do começo ao fim com a avidez de tentar matar um pouquinho a minha fome de notícias do país…

Pois é, apesar de todas essas facilidades de hoje em dia, os quilômetros que separam o Brasil da Alemanha infelizmente não mudam e o fato é que a distância – e a saudade – doem! As quatro estações do ano, por mais bonitas que sejam, também continuam indo e vindo, e dentre elas o inverrrrrrrrrrno, nosso querido amigo. Os costumes e tradições daqui são, como não poderia deixar de ser, totalmente diferentes dos nossos e no começo a pessoa fica meio que decifrando os sinais externos e os codificando, pra aprender a viver (primeiro sobreviver) do lado de cá.

A pior barreira de todas, muito acima de todas as nossas diferenças culturais ou climáticas, foi e continuará a ser o idioma. Portanto, a dica que posso dar é que a pessoa invista de corpo e alma no aprendizado da língua alemã. Como todos sabemos, não é um idioma fácil, mas não deixa de ser bonito, rico, muito certinho e passa até a ter um som mais agradável para nossos ouvidos acostumados com a maciez do português. Uma curiosidade: se você souber inglês, no começo do aprendizado mais intenso do alemão, vai praticamente esquecer este idioma. Mas com tempo e calma, ele volta aos seus neurônios!

Por último, preservar as raízes e manter contatos com outros brasileiros aqui e no Brasil é super importante, mas a pessoa deve procurar também manter contato com muitos alemães, até por interesse próprio, pois isso ajuda muito na adaptação e no aprendizado do idioma. É melhor também pedir para os amigos corrigirem os erros, pois muitos alemães acham, muitas vezes, falta de educação corrigir outra pessoa e ficamos achando, erroneamente, que os erros estão diminuindo, quando na verdade não estão sendo corrigidos.

As comparações persistirão por toda a caminhada (tipo “aqui isso é assim, no Brasil é diferente”), mas não vale mesmo a pena ficar emperrado no por quê das coisas e insistir no fato de que o mundo externo se adapte à mim, quando quem tem que se adaptar sou eu em relação ao mundo externo. O melhor é aceitar nosso novo ambiente como ele é, não lutar contra ele, mas seguir com ele, acompanhá-lo e não virar as costas para ele.

Um último toque sobre a solidão, nossa velha conhecida: todos se sentem sozinhos, mesmo uma pessoa que já mora aqui há anos sente-se sozinha às vezes, pois ela não está mais em seu país, em seu meio. Mas lembre-se que tudo depende de você: invista em contatos, faça amizades, inscreva-se em cursos, faça a sua parte e com certeza a recompensa vai ser satisfatória.


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