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Posts Tagged ‘emigrante’

::Por que saí do Brasil::

22/06/2015

Um resumo à queima roupa: eu saí do Brasil porque era meu sonho de longas datas viver uma experiência internacional, mas fiquei aqui porque me casei, consegui emprego e porque vi que teria mais condições de conseguir uma vida de qualidade, da maneira que eu interpretava essa qualidade, do outro lado do mundo. Vim pra ficar um ano e já tenho 22 na bagagem!

Na época tinha acabado duas universidades e lutava para conseguir um empreguinho no Brasil, enquanto os filhinhos de papai, que sentavam no fundo da sala, não tinham aprendido nada naqueles quatro anos e colavam tudo o que podiam nas provas, estavam conseguindo ótimos empregos, indicados por seus pais para belas posições. Hoje, apesar de eu sentir muuuuuita falta da família e dos amigos, eu prezo o ar puro, a liberdade de ir e vir, o contato com a natureza, além da bem menor desigualdade social e da boa qualidade de vida para grande parte da população.

No momento muitos textos estão circulando na internet sobre “porque deixei o Brasil” e “porque vou voltar ao Brasil”. Acho que a consciência coletiva está fervendo pois o momento atual brasileiro está bastante explosivo, os nervos estão à flor da pele.

Aqui um dos textos que li sobre o tema nos últimos dias, gentilmente repassado pelo leitor Wagner. Esse artigo dá muito a pensar. Opiniões? Críticas? Sugestões? Quem quiser deixar a dica de outros textos nesta linha, fique à vontade logo aqui abaixo nos comentários.

::Dago & Rosas Heft::

22/03/2015


O Dago Schelin, leitor da Mineirinha, sobre quem falei aqui e aqui, é um brasilemão. Seus antepassados emigraram da Alemanha para o Brasil nos anos 1920. E ele fez o caminho inverso, morando desde 2013 em Marburg e, com o relembrar da língua alemã, voltam também à lembrança as canções alemãs da infância. São canções que a mãe e a avó delem cantavam. Algumas são conhecidas como Guten Abend, Gute Nacht de Brahms. Boa parte das músicas já nem são mais lembradas pelo povo alemão. Mas foram guardadas, como numa cápsula do tempo, por gerações de imigrantes no Brasil. Ele as misturou com Bossa Nova e está divulgando um projeto verdadeiramente binacional Brasil-Alemanha! Segundo o Dago, a previsão do lançamento do CD é junho. As gravações estão sendo feitas na Alemanha e no Brasil (o samba na Alemanha e o clássico no Brasil) 🙂

Leia mais sobre o projeto do Dago aqui, dê um like aqui na página do Facebook do projeto dele. O resgate cultural, ainda mais praticado por um brasiemão como ele, merece todo o nosso apoio! Em tempo: aqui tem mais um outro projeto do Dago, o Living Room.

Aqui uma pequena amostra do Rosas Heft, comparado com a música tradicionalmente conhecida aqui na Alemanha:

::12 coisas que aprendi sendo mãe fora do Brasil::

06/04/2014

Acabo de achar a dica deste texto do blog “Tudo sobre minha mãe” no mural do Facebook da minha amiga Chris.

O texto é de autoria de Camila Furtado, uma mãe brasileira que também mora aqui na Alemanha. Li, gostei e compartilho com vocês. A frase da qual mais gostei foi a seguinte: “É necessário fazer muito ajuste mental para rodar a maternidade em um software gringo.” Isso é pura verdade. A Camila, como eu, vamos constatando isso cada vez mais, enquanto nossos filhos vão crescendo em território estrangeiro. Eu que o diga com filha adolescente! 😉

:: Como se sente uma pessoa que muda de país?::

28/01/2005

Peguei no Fórum do Viver um pensamento da Lulu que diz o seguinte: “Mudar de pais é nascer de novo, temos tudo a construir e muitas barreiras a pular, depois de escalarmos as montanhas seremos vitoriosos”. Isso é verdade absoluta.

Lembrei-me imediatamente do meu poeminha intitulado “Cabral Moderna”, também parte desta coluna, que expressa o sentimento de quando cheguei aqui. Ao mesmo tempo em que estamos maravilhados com o novo, estamos perdidos como um peixe fora d’água: nos sentimos inseguros, dependentes, sem saber direito como o mundo lá fora funciona e só querendo “colo”.

Para animar aqueles que estão em processo de adaptação ou aqueles que ainda estão planejando ou pensando numa mudança, adaptar-se a um país hoje em dia pode ser muito mais fácil do que há 10 anos atrás, por exemplo, quando não havia ainda a internet e a globalização não tinha avançado tanto ainda como hoje.

Para vocês terem uma idéia, há 10 anos atrás tudo aqui era diferente do Brasil, as músicas que passavam no rádio eram outras, a moda, nada era tão igual, em sentido geral, quanto é hoje. E pior, eu dependia totalmente das cartas e da bondade dos Correios de transportá-las o mais rápido possível, pra não murchar de saudade nesse meio tempo. Mesmo assim, às vezes uma resposta chegava, me consolando, por exemplo, e meu estado de espírito já era outro completamente diferente. Obter informações do Brasil, em geral, também era muito difícil. Lembro-me de uma vez que recebi uma Folha de São Paulo ou Estado de Minas, não sei mais bem ao certo, e apesar das notícias estarem todas fora de época, eu li o jornal do começo ao fim com a avidez de tentar matar um pouquinho a minha fome de notícias do país…

Pois é, apesar de todas essas facilidades de hoje em dia, os quilômetros que separam o Brasil da Alemanha infelizmente não mudam e o fato é que a distância – e a saudade – doem! As quatro estações do ano, por mais bonitas que sejam, também continuam indo e vindo, e dentre elas o inverrrrrrrrrrno, nosso querido amigo. Os costumes e tradições daqui são, como não poderia deixar de ser, totalmente diferentes dos nossos e no começo a pessoa fica meio que decifrando os sinais externos e os codificando, pra aprender a viver (primeiro sobreviver) do lado de cá.

A pior barreira de todas, muito acima de todas as nossas diferenças culturais ou climáticas, foi e continuará a ser o idioma. Portanto, a dica que posso dar é que a pessoa invista de corpo e alma no aprendizado da língua alemã. Como todos sabemos, não é um idioma fácil, mas não deixa de ser bonito, rico, muito certinho e passa até a ter um som mais agradável para nossos ouvidos acostumados com a maciez do português. Uma curiosidade: se você souber inglês, no começo do aprendizado mais intenso do alemão, vai praticamente esquecer este idioma. Mas com tempo e calma, ele volta aos seus neurônios!

Por último, preservar as raízes e manter contatos com outros brasileiros aqui e no Brasil é super importante, mas a pessoa deve procurar também manter contato com muitos alemães, até por interesse próprio, pois isso ajuda muito na adaptação e no aprendizado do idioma. É melhor também pedir para os amigos corrigirem os erros, pois muitos alemães acham, muitas vezes, falta de educação corrigir outra pessoa e ficamos achando, erroneamente, que os erros estão diminuindo, quando na verdade não estão sendo corrigidos.

As comparações persistirão por toda a caminhada (tipo “aqui isso é assim, no Brasil é diferente”), mas não vale mesmo a pena ficar emperrado no por quê das coisas e insistir no fato de que o mundo externo se adapte à mim, quando quem tem que se adaptar sou eu em relação ao mundo externo. O melhor é aceitar nosso novo ambiente como ele é, não lutar contra ele, mas seguir com ele, acompanhá-lo e não virar as costas para ele.

Um último toque sobre a solidão, nossa velha conhecida: todos se sentem sozinhos, mesmo uma pessoa que já mora aqui há anos sente-se sozinha às vezes, pois ela não está mais em seu país, em seu meio. Mas lembre-se que tudo depende de você: invista em contatos, faça amizades, inscreva-se em cursos, faça a sua parte e com certeza a recompensa vai ser satisfatória.


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