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Posts Tagged ‘discriminação’

::Vale a pena ser feminista na Alemanha?::

03/12/2017

Eu sempre responderia a essa pergunta com um claro SIM! Mas por que, ainda nos dias de hoje, alguns certamente perguntariam.

Que tipo de discriminação uma mulher sofre nos dias atuais na Alemanha? Vou citar algumas delas: há discriminação salarial, discriminação em relação a postos de poder/liderança e recentemente a Alemanha só conseguiu colocar mulheres em grande quantidade dentro de conselhos administrativos de empresas que fazem parte do índice DAX porque impôs isso como cota prevista por lei. A maior parte dos estudantes são mulheres, mas elas não estão representadas da mesma maneira no mercado de trabalho, por várias razões, como os homens. Só o fato de uma mulher ter que trabalhar pouco ou meio período pra cuidar de filhos e familiares, só isso já é um tipo indireto de discriminação. Durante esse tempo, ela poderia estar atuando no mercado e galgando promoções e aumentos salariais. Uma mulher que busca um posto de trabalho enquanto pode casar e ter filhos, pode ser descartada somente por essa suposição, que logicamente não será alegada porque discriminação de gênero é algo proibido aqui na Alemanha (AGG). Se uma mulher tem filhos e descobrem que eles são pequenos, ela pode perder a oportunidade de conseguir um emprego ou uma promoção pelo mesmo motivo, pois a suposição de que o cuidado com os filhos é algo estritamente ligado à mulher, ainda está muito enraizada aqui e em muitas outras culturas. Ainda há razões para ser feminista aqui, no Brasil e em qualquer lugar no mundo! Observem cada foto que é tirada de empresas, de políticos, etc. Quantas mulheres aparecem por lá? Somos a metade da população e deveríamos ter metade da representação, ou próximo a esse patamar!

Inconscientemente, muitas vezes, ainda contribuímos para esse viés, não confiando no nosso taco, negociando pouco os salários, deixando de nos vender de forma positiva em uma entrevista, etc. Vou a fundo nessas questões no meu livro, o (Re)descobrindo Quem é Você.

Mesmo reconhecendo o avanço dos últimos anos em terras germânicas, os muitos homens que empurram carrinho de bebê nas ruas, que tiram licença paternidade, as mulheres que pilotam ônibus, trens e aviões, ainda há muito por ser feito. Um pequeno exemplo: a Alemanha prevê por lei o direito a trabalho em período parcial (Teilzeitgesetz), direito esse que é usado mais por mulheres, que acabam por reduzir seus salários e diminuir suas contribuições para a aposentadoria. Mesmo assim, inegavelmente é um direito que contribui para que muitas mulheres continuem trabalhando, mesmo que estejam arcando com as consequências.

Vivemos em um mundo onde o peso da educação dos filhos e os cuidados com a casa pesam sobre os ombros das mulheres, sendo que dividimos o mesmo teto com nosso parceiro, pai de nossos filhos, que pode e deve assumir 50% das responsabilidades dentro e fora de casa, como um time que funciona junto para ganhar junto.

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::361°C de Tolerância / 361°C Toleranz::

29/08/2009

O Youtube lançou uma campanha junto do movimento “Laut Gegen Nazis” (Falando alto contra os nazistas) para que estudantes aqui na Alemanha façam vídeos a favor da diversidade, da tolerância e contra o racismo.

A campanha conta com o apoio da chanceler Angela Merkel e de muitos artistas e personalidades, dentre eles a banda de rock alemã Silbermond. Os prêmios são atrativos: um concerto da banda na escola do grupo ganhador da campanha, uma viagem a Berlim e distribuição de câmeras para produção de vídeos entre os participantes ganhadores. Mas o mais bonito é o sentido da campanha. Ela afirma o seguinte:

Façam seu filme a favor da tolerância – contra a discriminação e o racismo!

Como pode ser que a intolerância e a discriminação, também entre jovens e nas escolas, estejam crescendo na Alemanha?

Com a campanha “361°C de Tolerância” vocês podem mostrar que são contra este desenvolvimento e que não querem apoiá-lo. Façam seu filme a favor da tolerância e o entreguem para o concurso. Podem ser feitos filmes de curta duração, uma reportagem ou um vídeo de música relacionado ao tema. O grupo Silbermond vai cantar na escola do grupo vencedor em novembro!

Dêem uma olhada nos vídeos da campanha aqui. Principalmente o vídeo com várias personalidades comentando o que significa a campanha “361°C de Tolerância” e o que significa ser tolerante vale muito a pena ser visto!

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Dreht euren Film für Toleranz – gegen Ausgrenzung und Rassismus!

Wie kann es sein, dass Intoleranz und Diskriminierung in Deutschland auch unter Jugendlichen und an Schulen wieder zunehmen?

Bei „361° Toleranz” könnt ihr ein Zeichen dafür setzen, dass ihr diese Entwicklung nicht hinnehmen wollt und anders seid. Dreht euren eigenen Film zum Thema „Toleranz” und reicht ihn hier beim Videowettbewerb für Schüler ein. Schnappt euch eine Kamera, motiviert eure Freunde und Mitschüler und produziert einen Kurzfilm, eine Reportage oder ein Musikvideo zum Thema. Für die Gewinner des Wettbewerbs spielen SILBERMOND im November exklusiv an deren Schule!

::Discriminação nas universidades alemãs::

04/12/2008

Estou lendo um artigo praticamente inacreditável com relação ao racismo, à discriminação e à solidão, além de dificuldades com a burocracia que os estudantes estrangeiros sofrem aqui na Alemanha. Parei no meio para vir comentar aqui. Isso me deixou muito triste, pois como o próprio artigo diz, a Alemanha depende de estudantes estrangeiros não somente pelo interesse de promover o melhor entendimento entre as culturas ou para que exista uma troca internacional nas universidades, mas acima de tudo por interesses próprios, para que os estudantes talvez se decidam ficar por aqui e trabalhar na Alemanha, pois o país precisa urgente de pessoal qualificado em várias ramificações da engenharia, dentre outras áreas. Um estudante negro teve que ir à justiça para ter direito de entrar numa discoteca de sua cidade que tinha colocado um aviso na entrada “Proibida a entrada de estrangeiros”. A tal discoteca teve que pagar 500 euros de multa pelo ato de racismo ao estudante. Outra estudante chinesa foi xingada no meio da universidade por um estudante alemão, mandando ela voltar para o país de onde veio. O mesmo estudante africano apresentou um excelente trabalho e recebeu como pergunta: “Que alemão o ajudou a fazer o seu trabalho?”. O texto, da revista alemãUniSpiegel” comenta, com razão, que o ambiente universitário é um espelho da sociedade onde está inserido e que o número de estudantes estrangeiros vem decaindo na Alemanha desde 2003.

Thiago Guimarães, 30 anos, Brasil, está cursando o curso de mestrado em Planejamento de Cidades na Universidade HafenCity de Hamburgo.

Por fim, o caso de um brasileiro, Thiago Guimarães, que veio para estudar em Hamburgo:

“Se eu pudesse decidir novamente, não teria vindo estudar em Hamburgo. Sete dias antes do início do semestre ninguém da universidade sabia me informar se eu tinha conseguido a vaga ou não. Eles nem entenderam como é difícil um estudo no exterior: visto, organização da viagem de avião, despedida de casa. Eu tive que escrever muitos E-Mails até que a confirmação da vaga na universidade chegasse. Na Alemanha fui recepcionado por uma funcionária da universidade com as seguintes palavras: “Você então é o brasileiro que nos deu tanto trabalho”.

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Eu particularmente tive poucos problemas na universidade. Claro que uma vez ou outra notei não ser bem quista por uma ou outra pessoa, mas atribuí esses problemas a dificuldades normais de relacionamento e não perdi tempo “batendo como água em pedra dura”, sempre busquei relacionamentos frutíferos, independentemente da nacionalidade das pessoas. Quanto à burocracia e solidão eu concordo com o que foi colocado, mas os sinais de racismo e discriminação aberta me deixaram perplexa!


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