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Posts Tagged ‘capitalismo’

::Backwerk: Como ganhar – e perder – um cliente em menos de 24 horas::

31/10/2017

Há umas semanas atrás assisti um documentário sobre o fato de que muitas padarias não são mais padarias, mas mantêm meros fornos para esquentar massa de pão feito muito longe, muitas vezes em outros países, p.ex. na Polônia. Elas conseguem vender pães a preços mais baratos, mas a custo da qualidade e da falta de ética por todo o processo econômico, pois quem compra barato também quer ter baixos gastos, p.ex. com pessoal, para maximizar seu lucro. Assim todo mundo sai perdendo, mas os bolsos dos donos dessas grandes cadeias acabam crescendo e eliminando as pequenas padarias espalhadas pelo país. Capitalismo no nível hard core.

A Backwerk é uma dessas empresas. Compro pouco lá, mas ontem estava voltando do trabalho, ia direto pra ioga e tinha só uns minutos em uma estação de trem, e corri lá pra comprar um pão. Quando ia pagar, vi que me faltava um euro e não poderia levar o pão. Quis devolver, mas não me permitiram. O gerente me passou um sabão, mas pediu que a empregada anotasse o valor que faltava na nota de compra e eu deveria voltar lá para pagar o valor devido. Comentei com meu marido que a empresa me vendeu fiado, como antigamente.

Em praticamente 12 horas voltei lá pra pagar minha dívida, pois não gosto de ter dívidas. A funcionária não sabia falar alemão direito e chamou a gerente  do dia. Essa, não gostou da novidade e começou a reclamar, que não poderia aceitar o dinheiro, que eu voltasse outra hora. Disse que não faria isso e pedi que me cobrasse o valor. Ela deu ordens à sua empregada que nunca faça coisa parecida, disse que não seria tão fácil assim, seu caixa não fecharia no final do dia. Eu disse que o gerente do dia anterior tomou essa decisão, que pelo jeito ele tinha mais a mandar do que ela e que agora eu queria pagar minha dívida, e que afinal de contas se em um dia falta um euro e no outro sobra um euro, o caixa dos dois dias irá fechar porque um euro positivo com um euro negativo daria zero. Mesmo assim ela relutava e eu pedi que a funcionária cobrasse o dinheiro e deixasse o valor separado ao lado do caixa, para poder resolver como colocá-lo no sistema mais tarde, porque eu não poderia perder meu trem. Ela cobra o valor devido, enquanto a gerente desaparece esbravejando para o fundo da loja. Isso bastou para que eu comentasse com ela: “Sua chefe é muito sem educação. Hoje foi o último dia que compro alguma coisa nesta loja. Não volto aqui nunca mais!”

Li que as marcas e empresas das quais gostamos e onde gastamos nosso dinheiro têm muita ligação conosco mesmo e com nossos valores. Quais são as marcas às quais você é fiel e por que, o que elas dizem sobre você mesmo?

P.S.-Se quiser responder mais perguntas sobre você e fazer uma viagem dentro de si mesmo, dê uma olhada no meu novo livro aqui.

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::25 anos da queda do muro de Berlim::

05/11/2014

No próximo domingo, dia 09.11.14, comemora-se os 25 anos da queda do muro de Berlim na Alemanha, a derrocada do marco da Guerra Fria e da separação dos sistemas socialista e capitalista. O muro de Berlim era uma parte da divisão extensa que existia naquela época entre o oriente e o ocidente, já que o país inteiro estava dividido entre os dois sistemas. Para entender como era a Alemanha dividida, veja este infográfico da Folha de São Paulo de 02.11.14.

O muro existiu durante 28 anos, entre 1961 e 1989. De um dia para o outro foi iniciada a divisão de um país, dois sistemas, várias famílias. Mais de 1.000 km de muro e mais de 3.000 policiais cuidavam para que ninguém conseguisse passar do lado oriental para o ocidental, ninguém saía, ninguém entrava. Haviam minas no chão que representavam uma dificuldade extra para aqueles que tentassem fugir. Os soldados tinham licença para atirar se alguém fosse identificado como fugitivo. Só com a licença do governo era possível conseguir um visto para sair temporariamente da Alemanha Oriental, em situações especiais como p.ex. no caso de atletas, pessoas de destaque ou com visto para visita de familiares.

Assisti hoje na TV um programa através do qual alemães orientais comentavam parte do que viam de mais diferente do lado de lá e de cá:
– no oriente reinava o controle e a censura, no ocidente a liberdade;
– no oriente o mundo era cinza, no ocidente abria-se um leque de cores, a vida passava a ser colorida;
– no oriente haviam poucos produtos, pouca oferta. A ida ao supermercado do lado ocidental, depois da queda do muro, foi um marco para eles pela variedade e pela oferta existente.

Nem tudo era ruim do lado oriental. Muitos comentam que havia mais solidariedade entre as pessoas do lado oriental, as alemãas orientais faziam mais parte da mão-de-obra do país sem muita discussão ou pressão da sociedade, as creches eram mais comuns. Com o passar dos anos, hoje em dia esta diferença anteriormente notada entre oriente e ocidente tem diminuído, já que a mulher na Alemanha tem aumentado sua presença no mercado de trabalho, ao mesmo tempo que o governo busca aumentar a oferta de jardins de infância e creches, principalmente a partir de 2 anos de idade.

Muitos tentaram fugir durante os anos de repressão. Uma das visitas que mais me marcaram foi ir a Berlim, ver parte do muro, através do qual uma cidade inteira, localizada geograficamente dentro da Alemanha oriental, era dividida entre os setors socialista e o capitalista e ter tido a oportunidade de visitar o museu do Checkpoint Charlie, onde várias formas criativas e curiosas de fuga, feitas com sucesso por várias centenas de alemães orientais que conseguiram atravessar o muro de Berlim em ser mortos.

1989 foi o marco do fim do muro e do começo do fim da divisão de um país, que foi oficialmente reunificado em 03.10.90. Várias famílias antes divididas por forças políticas podiam se reencontrar, pessoas que tinham fugido da ex-Alemanha Oriental ou tinham sido divididas pelo muro puderam finalmente e inesperadamente rever seus familiares (ao fugir elas assumiram que nunca mais as veriam), pessoas dois dois lados da Alemanha, que nunca tinham se visto antes festejaram, se abraçaram e se reconheceram como um só povo. Muitos achavam que iriam morrer sem ver uma Alemanha reunificada, que foi reconquistada sem guerra, sem tiros, de forma totalmente pacífica, ainda que não de forma voluntária, forçada pela pressão política, resultado da grande pressão popular, marco do fim de uma era histórica.

Em 1991, vim à Alemanha pela primeira vez. A internet só começou a se expandir depois de 1993, quando eu já morava aqui. Antes dela, a comunicação a longa distância se fazia possível por telefone, fax e telex (foto abaixo). Naqueles primeiros anos depois da queda do muro vi os primeiros Trabants, os carrinhos da Alemanha oriental, fiquei sabendo um pouco mais sobre “Ossis” e “Wessis” e conheci alguns estudantes de lá, do outro lado do país.

Por muitos e muitos anos o muro continuou na cabeça das pessoas, para alguns o muro ainda continua a existir. Este ano li uma nova maneira de enxergar o muro ou a divisão que rege na cabeça das pessoas, a minha inclusive, em muitos pontos ainda: a divisão criada ao se falar sobre “nós” e “eles”, o fato de várias pessoas se reconhecerem como parte de um grupo, e reconhecerem outros como aqueles que não participam do seu grupo, seja lá qual ele for. Que o muro imaginário possa cair em nossas cabeças, cada dia um pouquinho mais. Que um sistema político misto, entre o capitalismo selvagem e o neo-socialismo, possa surgir e superar o capitalismo, mantendo a democracia e a liberdade de expressão.

Fontes: Wikipedia, Folha de São Paulo de 02.11.14, reportagem da TV alemã (canal Bayern) de 04.11.14.

::Missão: fazer compras de supermercado na Alemanha::

19/01/2011

Sabem que eu achei que há muito já tinha comentado sobre a rapidez dos caixas de supermercado aqui na Alemanha? Eles são tão rápidos, que muitos clientes não conseguem equiparar seu “nível de atendimento” e deixam, coitados dos clientes, a desejar. E olha que hoje em dia eles, ou elas, na maioria mulheres, por fora padronizadas como simpáticas dando “bom dia” e “espero que a senhora tenha ficado satisfeita com o atendimento”, ou algo como “até a próxima”, por dentro são geralmente mal educadas e rudes. Elas, hoje em dia, “só” escaneiam as mercadorias, enquanto que as “feras” do passado sabiam de cor um código de uns 4 dígitos de cada produto do Aldi, e digitavam aquilo em um ritmo alucinante… E quando menos esperamos, lá estamos nós, “empacando” a fila sem querer e colhendo olhares não muito gentis… Reclamar? E quem gosta de ficar perdendo tempo em fila? Mesmo porque eu mesma já dei entrada em uma reclamação direta por escrito, direcionada ao supervisor da minha região da rede de supermercados Aldi, isso depois de terem gritado comigo e com meu marido por não termos sido rápidos o suficiente para passar nossas mercadorias no caixa. Isso aconteceu quando o Daniel, nosso filho, era pequeno e dava mais trabalho na fila, ocasião quando nos desdobrávamos, até eu, Matthias e Taísa ao mesmo tempo, pra darmos conta do recado da missão de “fazer compras no supermercado na Alemanha”… A resposta do supervisor foi decepcionante:
– Ele queria que eu descrevesse a funcionária, para poder chamar a atenção dela diretamente. Respondi que nao se trata de uma só funcionária, trata-se do sistema;
– Ele disse que o sistema é assim e que não vai mudar. Se mudasse, isso significaria que seria mais lento, o que faria com que o preço dos produtos tivesse que ser corrigido pra cima.

Imaginem bem: segundo a lógica do sistema, pagamos também, ou economizamos, em cima do mau humor e do mau tratamento que é direcionado a nós mesmos! Viva o capitalismo!

::Nasce um “afilhado” da Mineirinha…::

29/04/2010

A minha leitora Neusa tinha me procurado no ano passado perguntando alguns detalhes sobre como lançar um livro, o que é necessário, quais eram meus contatos, etc. Ela me mostrou o material que tinha e eu fiquei empolgada com o projeto dela, a incentivando e dando dicas em torno do tema.

Eis que para meu orgulho a Neusa também virou escritora e lançou seu livro há pouco tempo no Brasil, como eu havia feito anteriormente. O tema dela é super interessante e combina até com os meus, pois ela fala da Alemanha oriental, que pôde retratar através das experiências de vida de pessoas com as quais fez amizade, que nasceram e viveram lá antes da queda do Muro. O tema combina com a Neusa, pois ela era professora de História no Brasil. E combina com a Mineirinha, porque virou meu “afilhado”, nasceu também com a ajuda da designer brasileira Cecília Palmer, que fez a capa do livro, tem um prefácio escrito por mim e agora tomou voo próprio!

Parabéns, Neusa, por ter acreditado em você, nos seu potencial e nos seus escritos! Obrigada por nos passar tanto ensinamento e história de vida, enriquecendo nossos conhecimentos sobre a Alemanha! Pra quem tiver ficado curioso e quiser pedir um livro, cujo nome aliás é “O Paraíso sem Bananas”, é só visitar o blog da Neusa e fazer o pedido diretamente com ela. Boa leitura!

::20 anos depois da Queda do Muro de Berlim::

09/11/2009


A música “Wind of Change”, da banda alemã The Scorpions, virou símbolo da reunificação alemã.

A primeira vez que fiquei sabendo que havia um muro dividindo a Alemanha, ainda mais com Berlim fazendo o papel de uma “ilha” meio socialista e meio capitalista bem no meio do lado socialista, foi no 1° grau, acho que na 8a. série, lá pelos idos de 1982. Era difícil de imaginar que isso fosse possível existir. Na época, numa aula de história ou geografia, deveríamos escolher entre o sistema socialista e o capitalista para formarmos grupos para uma discussão na aula, e meu irmão, que é 2 anos mais velho do que eu, e percebendo que eu tinha me interessado pela ideia de um sistema onde as pessoas tivessem as mesmas oportunidades, me alertou: “Escolha o capitalismo, pois ele sempre ganha!”. Ele teve razão. Em parte digo: infelizmente.

Anos mais tarde, já na Alemanha “não” mais dividida, visitei Berlim, vi como o muro era de verdade (na realidade chegava a ser composto de 2 muros com um espaço vago entre eles) e vi casas na fronteira onde não podiam existir janelas, pois os dois mundos deveriam ficar incomunicáveis por muito tempo. No Museu do Checkpoint Charlie fiquei conhecendo várias tentativas frustradas de alemães do lado oriental que tentaram de tudo, de várias formas altamente criativas, para conseguir fugir para o lado ocidental. Uma das maneiras de punir os “desertores” do sistema era tirar deles os filhos, se fossem famílias, e estas crianças eram repassadas para famílias mais quietinhas e conformadas, “adotadas” por elas. Os adultos, os desertores, eram então “expulsos” para o lado ocidental. Assim muitas famílias na Alemanha Oriental foram separadas para sempre – ou por muito tempo – pelo sistema totalitário, que só aceitava o conformismo.

Uma pesquisa recente do Leipziger Insitut mostra que 12% dos alemães sentem falta do tempo antes da Queda do Muro, na parte oriental da Alemanha 50% das pessoas reclamam que hoje há mais desigualdade social do que antes. Eu acho que deve ser provavelmente porque, apesar dos pesares, o nível de vida até a década de 80 aqui era melhor: Na Alemanha ocidental ele era altíssimo, enquanto que na Alemanha oriental não era alto, mas ainda assim era “igual” pra todo mundo. “Igual” entre aspas porque todos os que faziam parte da cúpula do sistema ou tinham relacionamento constante com o ocidente dispunham de regalias que o resto da população não tinha acesso. E lá não havia desempregados. O sistema de creche era bem instalado e até a população feminina estava bem integrada como mão-de-obra, parte da população economicamente ativa. Em troca, este povo não tinha liberdade. Mas como não existe só certo e errado, só preto e branco, mas sim mil tons de cinza neste meio, e como o sistema capitalista também demonstra não ser o ideal, ninguém pode argumentar que o sistema socialista era só ruim e negativo. Apesar de toda a loucura de colocar um muro dividindo um país, famílias e amigos, em troca de uma ideologia…

Segundo a pesquisa acima, 8 em cada 10 alemães associam hoje a Queda do Muro como tendo sido um acontecimento positivo. 2/3 dos alemães acham que o processo de reunificação foi bem sucedido. Até hoje todo trabalhador do lado ocidental paga impostos para apoiar o lado oriental (Solidaritätszuschlag, descontado na fonte, na folha de pagamento), na realidade todo cidadão alemão contribui através de impostos que são transformados em ajudas sociais para o lado oriental, mas as discrepâncias entre os dois lados, principalmente com relação a desenvolvimento industrial e ao número de desempregados, continua grande. No lado oriental, os partidos mais extremistas têm mais facilidades de avançar frente a dificuldades econonômicas. O mesmo acontece com a tolerância para com estrangeiros – ou a falta dela.

Durante os anos que moro na Alemanha percebi que tanto a construção quanto a queda do Muro se deu em um determinado espaço de tempo, mas na cabeça dos alemães (e de outras nacionalidades também, claro) o “muro” tem demorado décadas para cair. Li por exemplo no jornal da minha cidade que uma menina de 14 anos, filha de pais da Alemanha oriental, é comumente tratada na escola pelos “Wessis” (os que nasceram do lado ocidental da Alemanha) como sendo a “Ossi” (originária da Alemanha Oriental, apesar dela nem ter nascido lá!…). Pode parecer absurdo, mas talvez seja um reflexo das desiguldades do mundo capitalista “moderno”: a pesquisa do Leipiziger Institut mostrou que 12% dos alemães (dentre eles em grande maioria desempregados, trabalhadores braçais e eleitores de esquerda), gostariam que o Muro fosse construído novamente.

A Queda do Muro tem um valor histórico, prático pra quem “renasceu” lá ou do outro lado da Alemanha e, muito mais importante, simbólico para todo e qualquer ser humano na Terra. O lado triste da coisa é que HOJE existem outros muros em outros cantos do mundo, já construídos ou em fase de construção. A comemoração dos 20 anos da Queda do Muro de Berlim mostra que o mundo tem que se aproximar, as pessoas têm que chegar perto uma das outras e parar com essa classificação e divisão desenfreadas, buscando por um mundo mais solidário e humano. Somos todos UM e só funcionamos de forma interdependente. Não importa de que lado viemos, o que importa é para onde vamos. Irgendwann fällt jede Mauer (em algum momento todos os muros vão cair).

Fontes: Revista “Der Spiegel”, jornal “Südkurier”, BBC News, YouTube.

***

Deixo a dica do blog “The Wall Memories“, escrito por uma jornalista brasilera, que estará comemorando hoje o dia inteiro a Queda do Muro de Berlim. Passem por lá! Leiam também na página da Deutsche Welle (em português) “Tudo sobre o Muro de Berlim”.

::Nova Era::

03/03/2009

Nesses últimos dias eu tenho lido alguns artigos muito bons sobre a Era de Aquário, a Nova Era, ou pelo menos que estamos no Ano 1 do Novo Capitalismo (o que já é uma boa notícia, pois o sistema atual está quebrado e literalmente quebrando todo mundo), o fato de que não existem raças no mundo (pura invenção da história).

Se eu tivesse uma bola de cristal, mas só porque eu sou altamente curiosa, eu iria querer ver como será o mundo daqui a 10 anos, ou pelo menos daqui a 5… No final das contas, o que me deixa mais feliz é perceber que a tendência é que a humanidade caminhe para mais fraternidade e mais compreensão mútua, pois somos altamente interdependentes uns dos outros e do jeito que está não vai mais, e isso me acalma (um pouco).

::Nada será como era antes::

12/10/2008

A crise financeira mundial já atingiu o Brasil. Que pena! Quanto mais eu leio sobre este assunto, mais me pergunto onde iremos parar e quando a crise chegará ao fim. Dizem que é a maior crise financeira desde 1929. Certo é que ela irá custar muitos empregos, não somente na área financeira. Políticos alemães comentaram que há um mal-entendido de fundo moral quando se fala sobre um pacote de até US$ 700 bi dos USA para conter a crise, enquanto que um montante de US$ 70 bi para ajudar a África não foi concedido. O político Lafontaine comentou que esta é uma “crise de orientação moral das sociedades ocidentais”. O ministro das finanças alemão Steinbrück pensa que depois desta crise os USA perderão seu estatus de potência mundial. Bom seria se ela significasse, de alguma forma, o fim do capitalismo selvagem. A primeira ministra alemã Merkel disse “A crise financeira é uma pergunta para nossos países: se conseguiremos organizar o mercado de tal maneira que ele atenda os consumidores e não os levem à ruína”.

Não tinha visto a coisa sob essa perspectiva, mas está mais do que certo: a crise financeira foi criada por pessoas que ganham super bem e o que ganharam nos últimos anos, fazendo muitos negócios altamente arriscados, já está em seus bolsos. Agora que a crise está aí, a sociedade inteira, através de dinheiro pago em impostos, tem que cobrir o rombo!

::Os limites do capitalismo::

04/06/2008

Tenho acompanhado muitas das boas notícias a respeito da diminuição da pobreza no Brasil e do desenvolvimento econômico do país, o que me deixa super feliz. Ainda mais pelo fato das boas notícias estarem ligadas à liderança do Lula, que pode não ser “letrado” como muitos esperavam que fossem, mas parece ter motivos éticos e ser movido pelo seu coração ao ser mola propulsora do nosso país. Eu acompanhava tanta reclamação com relação a ele durante os seus primeiros anos de governo, mas o fato é que a população brasileira está lucrando com suas medidas e o mercado passa a ser cada vez mais interessante para parceiros internacionais. Entre 1992 e 2006 15,85 milhões de brasileiros deixaram de ser miseráveis. Os dados parecem falar por si.miséria

Enquanto isso começo a constatar mais intensamente na Alemanha algumas mudanças que me fazem lembrar a época inflacionária brasileira da década de 80. Desde a alteração da moeda do marco para o euro houve um aumento considerável nos preços do varejo, principalmente, a meu ver, com relação a alimentos e roupas e acessórios. Depois veio o aumento da alíquota do imposto sobre a circulação de mercadorias em 2 pontos, o que deu mais um empurrãozinho nos preços. A atual crise alimentar faz com que os preços aumentem e já chegamos hoje a uma situação onde a classe média alemã economiza onde pode para poder continuar pagando suas contas. O fenômeno de empregados com 2 ou 3 empregos espalhados durante vários horários não é mais incomum, há também uma onda de alemães que decidem deixar tudo para trás e mudam de país em busca de uma vida melhor em outro canto do planeta. Junto do aumento do preço dos alimentos, o preço da energia e de combustíveis levam a acreditar que a inflação deste ano será o dobro da do ano anterior de 2007 e poderá pular de 2,2 para 4,4%. Há até aumentos diários nos postos de gasolina, pelo fato do preço ser alterado todo dia às 6h da tarde. Tenho lido que tudo isso é principalmente influenciado pela especulação no mercado e não por aumentos efetivamente reais. Os salários aumentam enquanto a economia cresce, mas o assalariado é, sem sombra de dúvidas, o grupo perdedor. O irônico é que realmente em geral não se ganha mal na Alemanha, mas as contas a pagar em terras germânicas não são tampouco baixas. O saldo é um cinto bastante apertado, fé em Deus e pé na tábua.

Independentemente de onde quer que você esteja, seria muito interessante para mim ler sua opinião pessoal a respeito desta onda descontrolada do capitalismo, que apesar de mostrar alguns sucessos isolados como atualmente no Brasil no caso da população menos favorecida, parece para mim estar chegando a seu limite.


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