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Posts Tagged ‘cantor’

::Aprenda alemão cantando – Fliegen (Voar) ::

04/06/2015

O Matthias Schweighöfer é o que se pode chamar de multitalento: ator, pai, produtor, dublador, cineasta, sócio da marca de roupas German Garment e agora cantor.

A música dele, que não pára de tocar nas rádios locais, me surpreendeu e me fez voar em suas linhas, enquanto voltava na segunda-feira passada de carro de Constança pra casa e admirava um céu multicor, com tons do amarelo forte, perto das montanhas ao fundo, passando por tons suaves de rosa e quase chegando ao lilás, espalhados sob uma moldura de nuvens baixas. Eram 9h da noite, mas no verão os dias são bastante longos por aqui e o pôr do sol acontece bem tarde (talvez esta seja uma forma divina de nós recompensar pelo acasulamento dos meses de inverno, muito além da localização geográfica!…). Desta vez me animei até a traduzir o texto da música. Curtam e treinem o alemão com ela:

Und ich helf dir schwimmen,
wenn deine kleinen Arme und Beine schwer wie Blei sind, helf ich dir schwimmen.
Ich helf dir schwimmen, wenn der Schlamm und Schlick so dick wird, dass du denkst du wirst verrückt, helf ich dir schwimmen.
Helf dir schwimmen.
Und egal wie lang, wie qualvoll, fern ob nah, bin immer da und helf dir schwimmen.
Helf dir schwimmen.
Und wenn es untergeht, egal solang mein Ende naht da wo du bist.

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
krieg’ ich das irgendwie hin,
krieg’ ich das irgendwie hin,

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
kriegen wir das irgendwie hin.

Und ich helf dir singen, wenn alle Worte nicht mehr reichen, viel zu leise sind allein,
Helf ich dir singen,
helf dir singen.
Schlag ein Tambourin und stampf mit beiden Beinen auf, auch wenn viel zu schief,
Helf ich dir singen.
Und egal wie laut sie lachen, mit Tomaten werfen nach uns,
ich helf dir singen,
helf dir singen.
Arm in Arm so laut es geht, nichts ist so schön wie das Lied.

Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
krieg’ ich das irgendwie hin,
krieg’ ich das irgendwie hin,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
Und wenn ich für dich fliegen muss,
kriegen wir das irgendwie hin.

Wir kriegen das irgendwie hin

°°

E vou lhe ajudar a nadar,

quando seus braços e pernas estiverem pesados como chumbo, vou lhe ajudar a nadar.

E vou lhe ajudar a nadar, quando a lama e a areia estiverem bem espessas, e você achar que vai ficar doido, vou lhe ajudar a nadar.

Não importa quanto tempo, se vai me desgastar, se for longe ou perto, eu vou estar sempre ao seu lado e lhe ajudar a nadar.

Vou lhe ajudar a nadar.

E se nós afundarmos, não importa, conquanto você esteja ao meu lado quando chegar ao meu fim

E se eu tiver que voar por você

E se eu tiver que voar por você

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Nós vamos dar um jeito.

E eu vou lhe ajudar a cantar, quando as palavras não forem suficientes e forem muito sutis

Vou lhe ajudar a cantar.

Vou lhe ajudar a cantar.

Bato em um tamborim com as duas pernas, mesmo que faça isso de um modo desajeitado,

Vou lhe ajudar a cantar.

E não importa o quão alto eles possam rir de nós, jogar tomates na nossa direção,

Eu vou lhe ajudar a cantar.

Ajudar-lhe a cantar.

Cantar de braços dados, do jeito que for possível, tão lindo quanto a música.

E se eu tiver que voar por você

E se eu tiver que voar por você

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Eu vou, de alguma forma, dar um jeito

Nós vamos dar um jeito.

 

 

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::Joris, diz aí, é fácil expressar sentimentos em alemão?::

20/05/2015

Joris, me diz aí, é fácil expressar sentimentos em alemão? Tem gente que acha que é impossível. Tem homem que não consegue, tem mulher que não consegue, nem em alemão, nem em língua nenhuma. Que bom que vc tem o dom! Queria só fazer uma propaganda básica da sua música que não pára de tocar no rádio, “Herz über Kopf” (tradução minha: quando o coração ganha da razão) e acho, sem querer, essa pérola, sua música “Schneckenhaus” (concha de caracol). Legal ter aprendido o que o seu nome significa (Georg/Gregor em holandês) e saber que vc é um cantor jovem, 25 anos, de Bielefeld! Eu morava aí pertinho! Quem sabe um dia não te vejo ao vivo? Continue cantando, tocando e compondo. O mundo precisa de pessoas sensíveis.

“Wenn es am schönsten ist, und du nichts mehr vermisst, dann mach die Augen auf…”

Quando tudo tiver ficado perfeito e vc não sentir falta de mais nada, abra os olhos.

Observação pra quem estiver no Brasil: um leitor teve a bondade de buscar os links dos vídeos que podem ser vistos aí. É só clicar nos comentários, ok?

E quem tiver gostado, pode ouvir partes do álbum todo dele aqui:

::Aprenda alemão (com um pitada de francês) cantando::

24/09/2014

Esta música, do cantor alemão Mark Forster, filho de mãe polonesa, junto do rapper alemão Sido, filho de mãe cigana e também descendente de iranianos, está tocando bastante em todo canto na Alemanha. Ela traz consigo a vontade de dar no pé que muitos de nós temos, de sair da monotonia, de ter coragem de fazer aquilo “que sempre quisemos fazer”, de realizar nossos sonhos, de nos aventurar pelo mundo. Vale a pena demais decifrá-la e curti-la. O bonitinho foi terem misturado no refrão o “oh,oh”, com a palavra francesa “au revoir”. 😉

Nota minha: gosto muito de ler sobre os cantores e comentar de onde vêm, porque antigamente costumava-se afirmar na Alemanha que estrangeiros não contribuem culturalmente para o país, o que talvez seja o pensamento de uma parte da população ainda hoje em dia. Acho importante valorizar pessoas que fazem sucesso dentro da Alemanha, são produtores de cultura, e que têm ascendência estrangeira.

Bom, vou fazer a tradução da música mais abaixo.


Au revoir – Mark Forster feat. Sido

In diesem Haus, wo ich wohn
Ist alles so gewohnt
So zum Kotzen vertraut
Mann, jeder Tag ist so gleich
Ich zieh Runden durch mein’ Teich
Ich will nur noch hier raus
Ich brauch mehr Platz und frischen Wind
Ich muss schnell woanders hin
Sonst wachs ich hier fest
Ich mach ‘nen Kopfsprung durch die Tür
Ich lass alles hinter mir
Hab was Großes im Visier
Ich komm nie zurück zu mir

Es gibt nichts, was mich hält, Au Revoir
Vergesst, wer ich war
Vergesst meinen Nam’n
Es wird nie mehr sein, wie es war
Ich bin weg, Au Au
Au Au Au Revoir
Au Revoir
Au Revoir
Au Revoir

Auf Wiederseh’n? Auf kein’
Ich hab meine Sachen gepackt, ich hau rein
Sonst wird das für mich immer nur dieser Traum bleiben
Ich brauch Freiheit, ich geh auf Reisen
Ich mach alles das, was ich verpasst hab
Fahr mit ‘nem Gummiboot bis nach Alaska
Ich spring in Singapur in das kalte Wasser
Ich such das Weite und dann tank ich neue Kraft da
Ich seh Orte, von den’ andere nie hörten
Ich fühl mich wie Humboldt oder Steve Irwin
Ich setz mich im Dschungel auf den Maya-Thron
Auf den Spuren von Messner, Indiana Jones
Der Phönix macht jetzt ‘n Abflug
Au Revoir, meine Freunde, macht’s gut
Ich sag dem alten Leben Tschüss, Affe tot, Klappe zu
Wie die Kinder in Indien, ich mach ‘n Schuh

°°°

Nesta casa, onde vivo
Tá tudo tão monótono
Tão do jeito que sempre foi
Meu Deus, todo dia é sempre igual ao outro
Eu estou dando voltas em torno do meu laguinho
Só quero sair daqui
Eu preciso de espaço e de ar puro
Eu tenho que ir rápido pra outro lugar
Senão vou grudar aqui
Eu dou um salto de cabeça passando pela minha porta
E deixo tudo pra trás
Estou com algo grande na cabeça
E não vou voltar mais a ser quem eu era

Não há nada que me segure, tchau
Esqueçam quem eu era
Esqueçam meu nome
Nada mais vai ser como era antes
Fui, tchau
Tchau (4x)

Adeus? Não…
Eu já fiz minha mala, eu mando ver
Senão meu sonho vai ficar pra sempre só sendo um sonho
Eu preciso de liberdade, eu vou viajar
Vou fazer tudo o que eu deixei de fazer no passado
Vou andar com um barco de borracha no Alasca
Vou pular na água fria em Singapura
Vou pra bem longe e me encher de energia
Eu vejo lugares, dos quais outros nunca ouviram falar
Sinto-me como Humboldt ou Steve Irwin
Vou pra selva no trono dos Maias
Seguir os rastros do Messner, Indiana Jones
O fênix vai fazer agora uma decolagem
Tchau, meus amigos, até a próxima
Estou me despedindo da minha vida antiga
Como as crianças na Índia, vou dar no pé

::Aprenda alemão (e, de quebra, inglês) cantando::

23/09/2014

Em dias como os atuais, onde os povos estão em guerra e falta entendimento dentro da raça humana, que afinal, é uma só, é gostoso ouvir músicas que são cantadas por pessoas multiculturais e que levam uma mensagem também multicultural, que falam de tolerância e respeito. Isso vale para esta música do cantor alemãoAdel Tawil, nascido em Berlim de pais imigrantes do Egito & Tunísia, com participação do cantor de reggae americano Matisyahu, filho de imigrantes judeus, que está fazendo bastante sucesso no momento aqui na Alemanha.

O refrão da música “Zuhause” (Casa) é o seguinte:

Venha, vamos fazer o mundo brilhar!
Não importa de onde quer que você venha
Você pode se sentir em casa onde estão os seus amigos
Neste lugar o amor é de graça

::Tradução da música do final da Copa do Mundo “Ein hoch auf uns” – Andreas Bourani::

26/07/2014

Aqui a tradução livre, feita por mim do alemão para o português, da minha música predileta no momento. Foi ela que tocou quando o time da Alemanha ganhou a Copa do Mundo no estadio do Maracanã no Rio de Janeiro no dia 13/07/14. A música é do cantor de origem egípcia Andreas Bourani, que cresceu na Baviera, e se chama “Ein hoch auf uns” (letra da música em alemão aqui).

Vamos festejar – Andreas Bourani

Quem pode congelar este momento
Melhor não é possível
Pense nos dias que deixamos para trás
Há quanto tempo dividimos alegrias e lágrimas
Aqui cada um dá a camisa pelo outro
Não somos deixados sozinhos (na chuva)
E enquanto formos guiados pelos nossos corações
Isso vai continuar assim

(Refrão)
Vamos festejar o que está por vir
Que seja o melhor para nós
Vamos festejar o que nos une
Vamos festejar este momento (e nós)
Vamos festejar esta vida
O momento
Vamos festejar este momento (e nós)
Que fica pra sempre
Vamos festejar este momento (e nós)
Agora e sempre
Ao dia de hoje
Infinito

Nós temos asas, juramos que vamos ser fiéis eternamente
Aproveitamos o dia de hoje juntos
Uma vida inteira sem arrependimentos
Desde os primeiros passos até morrermos
(Refrão)

Fogos de artifício de endorfina
Fogos de artifício que passam pela noite
Tantas luzes restaram
Um momento que nos deixa imortais
Nos deixa imortais
(Refrão)

::Aprenda alemão cantando – versão 6::

19/06/2014

Esta música também é da banda de ontem Die Ärzte (Os Médicos), porém interpretada por um cantor dinossáurico de música brega chamado Heino.

::Dica pra aprender alemão – parte 6::

25/06/2012

Ouvir música legal como esta daqui do rapper alemão Cro, chamada simplesmente “Du” (dica minha: ouça no volume máximo ;-)):

Sie sagt, sie würde gern ans Meer
Mal wieder weg von hier
ist egal wohin einfach weit weit weg und der Stress bleibt hier
und am besten gleich
sie sagt man ich hätt’ gern Zeit
wär nicht gern reich
ich will nur so viel dass es stressfrei reicht
ey verdammt man ich wär gern bei ihr
sie will nach London Paris einfach raus in die Welt und smilet yeah
und jeder Club spielt ihr Lieblingslied
sie will nie wieder heim yeah
und sie glaubt fest dran
aber schaut mich an sagt “was ist mit dir sag hast du ‘nen Wunsch?”
Ne eigentlich ist alles cool

Denn Baby glaub mir das beste bist du,
hey vergiss mal den Rest und hör zu
ich will nie wieder weg
denn es ist cool
Ja ich weiß es gibt viel was mir gefällt (2x)

Baby ich zerbrech’ mir den Kopf
denn was bringt mir das Geld
wenn ich dich nicht seh’
und jedes mal wenn du mich dann ansiehst
bleibt meine Welt kurz stehen
und ich weiß ganz genau dass du dich g’rade fragst
ob das mit uns geht
kaum bin ich da muss ich weg
doch versprech dir jetzt
bin bald wieder da yeah
ich bin in London Paris
man ich glaub ich bin jetzt ein Star yeah
nein ich denk nicht nach
sondern mach nur was ich war yeah
denn diese Welt ist geil
jeder Tag zur Zeit macht Spaß
und es ist wahr
es gibt viel was mir gefällt

und Baby glaub mir das Beste bist du,
hey vergiss mal den Rest und hör zu
ich will nie wieder weg denn es ist cool
Ja ich weiß es gibt viel was mir gefällt (2x)

Baby
und alles Geld der Welt hat plötzlich keinen Wert
wenn du mich ansiehst
und alles dreht sich um sich selbst
fühlt sich an als ob man fällt
nichts was uns jetzt noch hält
nur wir Zwei gegen die Welt

und Baby glaub mir das Beste bist du,
hey vergiss mal den Rest und hör zu
ich will nie wieder weg denn es ist cool
Ja ich weiß es gibt viel was mir gefällt (2x)

Baby glaub mir das beste (3x)
du
Baby glaub mir das beste (3x)
du

Ou esta daqui, que também é show de bola, mas é mais difícil de entender porque ele deixa as frases sempre sem terminar, faltando sempre a última palavra… e não se deve levar a mal que ele canta sempre “sunny” com sotaque alemão, pronunciando como um “z” :-):

::Edson Cordeiro na Alemanha::

25/01/2011

No sábado à noite passado tirei a sorte grande e pude ir com amigas minhas no show do Edson Cordeiro & Klazz Brothers. Eu, que não conhecia os artistas e fui ao show aberta para conhecer novos artistas, fui premiada com um dos melhores shows de toda a minha vida: o Klazz Brothers é um grupo alemão de 3 músicos, um pianista, um violoncelista e um bateirista (respectivamente: David Gazarov, Kilian Forster e Tim Hahn), todos mestres em suas áreas, que misturam, como eu nunca tinha ouvido antes, a música clássica com o jazz, que amo de paixão. Por sorte, estávamos de frente pro bateirista, que além de fazer dos sons mais leves aos mais fortes, era um super colírio para os nossos olhos. A partir da metade do show tive o prazer de conhecer a arte do nosso conterrâneo Edson Cordeiro, paulista que mora aqui na Alemanha há 3 anos. Gente, o que é aquilo? Que voz fenomenal, que vai do soprano ao barítono! Que SENHORA presença de palco! Fiquei toda orgulhosa dele, ri até cansar, dancei, ainda que sentada, cantamos juntos e no final ainda aplaudi de pé, pois ele merece. É um artista completo. Vou guardar este show pra sempre com carinho na minha mente, pois ele foi excepcional.

Minha amiga, Ceci, que já era fã incondicional do Edson Cordeiro há mais de 10 anos, descreveu o show da seguinte forma:
“Meninas, vocês perderam um show que nao se compara a nada… Foi incrível. A voz e a energia do cara nos deixaram loucas e no fim ele veio falar com a gente, tiramos fotos com ele, recebemos autógrafos, batemos um papo legal, trocamos e-mails e fomos felizes pra casa … Ops casa? Não, não… estavamos tao cheias de energia deste show contagiante que resolvemos ir pra Disco e morremos de rir e de dançar … No show deste cara eu iria até o fim do mundo! Que performance e que voz! Ele é uma pessoa linda!”

Assino embaixo e só posso recomendar pra todos os brasileiros que vivem aqui na Alemanha: assistam a um show do Edson Cordeiro, melhor ainda ao lado do Klazz Brothers, com colírio grátis. 🙂

Juntos, o grupo Klazz Brothers e o Edson Cordeiro lançaram um CD, que eu recomendo: “Klazz meets The Voice”. Nenhum vídeo conseguiria mostrar a qualidade da voz e da presença de palco do Edson Cordeiro, mas pra ilustrar vou deixar registrado este aqui:

::7a. entrevista com leitores – Ivaldo e Svea::

07/10/2010

No meio do ano passado, ganhei a Svea e o Ivaldo como amigos. Foi meu livro que os trouxe até a mim. A simples existência desta amizade já faz o meu projeto de ter escrito um livro ter 100% de sentido pra mim. Leiam a entrevista e entendam por quê. Antes da leitura, um recadinho sussurrado, bem pertinho no ouvido: o Ivaldo Moreira é cantor e compositor, nascido em Minas e “crescido” em Sampa, e está no momento na Alemanha fazendo sua segunda turnê musical. Dias e horários exatos aqui ou aqui (2a. página do documento). A todos os brasileiros distribuídos pela Alemanha: não percam o show dele! Tenho uma leve impressão de que irão gostar tanto da música que ele faz quanto eu, pois ela sai direto do coração dele pros ouvidos da gente. Abaixo um bocadinho do talento dele, e em seguida a entrevista:


1 – Façam por favor uma apresentação de vocês por vocês mesmos.

Nós nos conhecemos na TV Bandeirantes em SP, onde o Ivaldo era coordenador musical dos programas e eu estava fazendo o meu primeiro estágio em produção de TV. Eu era estudante, mas vivia com a minha máquina fotográfica pra cima e pra baixo, pois sempre gostei muito de fotografar, desde os meus 11 anos de idade, quando a minha avó me deu uma ‘tira-teima’, lembra?

Também sempre tive uma relação muito forte com a música e aí… bem, unimos o útil ao agradável: ele tocava pra mim, eu batia as fotos de divulgação, rolou uma química mais elaborada e aqui estamos bem juntinhos até hoje, 21 anos depois.

2 – Como surgiu a oportunidade de vocês virem em 2009 pra Alemanha, quando nos conhecemos?

Pois é. O sonho de viajar à Alemanha já era bem antigo. Mas aqui no Brasil é mesmo muito difícil conciliar tudo: moradia, lazer, família, profissão, estudo… Então fomos realizando as vontades por partes: primeiro, curtimos a vida a dois e com amigos solteiros, fizemos viagens curtas e baratas. Depois tivemos filhos, começamos as freqüentar o mundo das festinhas infantis, o apê foi ficando apertado… Estava na hora de chamar o caminhão de mudanças pra algo maior.

E aí, só depois de pagar o apartamento onde moramos agora, é que, pela primeira vez (2007), pudemos viajar juntos pra minha ‘terrinha’. Eu já havia ido outras vezes, mas sempre sozinha e para projetos profissionais. Passamos o Natal com a minha prima e suas sobrinhas nos Alpes, fomos a Heidelberg, Bonn/Köln e Berlin. Este é o meu roteiro ‘básico’, pois é onde vivem minha prima e minhas amigas. Da próxima vez, já vou incluir Konstanz, Lindau, Bernau e Paris…

A viagem com toda a família foi uma delícia! Criou vários vínculos e referências que abriram novos caminhos. Um deles, foi a possibilidade do Ivaldo apresentar o seu trabalho musical na Alemanha.

Primeiro, ele se inscreveu na Popkomm, que é uma feira / congresso / festival de música que acontecia todo ano em Berlim. Em cima da hora, a Popkomm foi cancelada, mas já estávamos buscando outras possibilidades por meio da Internet . Assim, depois de vários e-mails e acertos, fechamos uma apresentação em Bonn, outra em Berlim e uma terceira em Konstanz. Esta graças a você, Sandra!


3 – Svea, você nasceu na Alemanha mas foi pro Brasil com um aninho. Conte pra gente como é viver entre dois mundos.

Viver entre dois mundos, é uma coisa um tanto quanto complicada. Principalmente quando o mundo em que você está vivendo pensa culturalmente muito diferente daquele do qual você veio. Entre a Alemanha e o Brasil existem várias diferenças culturais, como: o horário que os filhos têm de ir pra cama e a maneira de impor limites neles; a expressão direta e sincera do alemão, a expressão política e rebuscada do brasileiro (Machado de Assis que o diga!); o jeito reservado do alemão, que quer seu sossego, mas não deixa na mão um amigo; o jeito alegre do brasileiro, que está sempre fazendo novos amigos.

Aqui no Brasil, ainda está impressa a imagem do alemão frio e cruel, representado pelas personagens nazistas dos filmes de Hollywood. Então, muitas vezes sinto um certo preconceito nas pessoas, principalmente em ambientes de trabalho. Por outro lado, sempre sou chamada pra botar ordem na casa. Em pouco tempo, consigo. Mas aí surgem os melindres, tem gente que leva pro lado pessoal, por mais cuidado que eu tenha ao chamar a atenção ou simplesmente dar uma dica. Acho que é uma questão de maturidade, de aceitação da própria imperfeição. O profissional alemão é mais bem resolvido do que a maioria dos profissionais brasileiros em inteligência emocional. Ele separa melhor, não se envolve tanto e é bem mais sincero. E, ao contrário daqui e pela experiência que tive trabalhando com alemães, na Alemanha quem se ofende com uma simples observação, é considerado um ‘Sensibelchen’, alguém cheio de ‘não-me-toques’ e é mal visto pelos colegas.

Também tenho de ser mais dura com os meus filhos do que gostaria, pra conseguir educá-los com os limites que eles precisam pra se tornarem cidadãos éticos e com uma visão de mundo mais social. Muitos pais são liberais demais e a garotada fica muito solta, ganha presentes caros, só usa roupas de marca… Mas pelo que li no seu livro, na Alemanha não deve ser muito diferente, né?

4 – Ivaldo, você vem do interior de Minas e fez sua vida em São Paulo. Como se deu sua ida para Sampa e o que a cidade significa pra você?

No início, sinceramente, eu não tinha a menor pretensão de vir a São Paulo, muito menos de VIVER em São Paulo. Tudo aconteceu porque uma irmã minha tinha se mudado para cá e eu vim para fazer companhia nos primeiros momentos, pois ela tinha dois filhos pequenos e tudo era uma grande aventura numa megalópole como esta.

Eu aproveitei que estava na cidade e fui procurar algumas pessoas e fazer alguns contatos por conta da música. Eu tinha uma recomendação para procurar uma pessoa no SBT, o Paulo Idelfonso, que era um produtor de disco e que estava dirigindo um programa de TV. Na verdade, era um festival de música infantil e eu apresentei duas composições minhas. Logo apareceram candidatos para interpretar as canções e eu acabei me envolvendo mais com o festival; em determinado momento, eles ficaram sem o produtor musical do festival e me perguntaram se eu gostaria de assumir esta função. Daí pra frente, produzi vários programas de TV, sempre trabalhando com música. E em paralelo, investia na minha carreira artística, em que eu continuo bastante focado.

São Paulo é uma cidade com muitas oportunidades, mas que também tem muita concorrência. Cavar um espaço por aqui, é um trabalho árduo. Por outro lado, a cidade abre linques pra outros estados e países, porque tudo vem ou parte de Sampa.

5 – Ivaldo, o que mais te chamou a atenção ao chegar na Alemanha pela 1a. vez?

O que me chamou a atenção logo de cara, foi a funcionalidade existente em diferentes situações que vivenciei. Todas aquelas histórias que escutávamos – e que achávamos que era meio exagero de viajante – de que tudo na Europa funciona como um relógio suíço, foi como que se materializando dentro de mim. Pois para mim era a revelação fiel de que nada daquilo era folclore. As coisas são realmente assim e funcionam sem excessos e sem desperdício… Não quero dizer que seja a perfeição. Mas que impressiona, isso sim… impressiona!!!

6 – O que vocês gostaram mais durante a turnê do ano passado do Ivaldo pela Alemanha? Contem alguns momentos emocionantes pra gente.

Ivaldo: Várias circunstâncias permitiram o sucesso dessa turnê, principalmente pelo ótimo clima de expectativa gerado e correspondido por todas as cidades por onde passamos. O que mais gostei durante a turnê foi a forma carinhosa, o companheirismo e o respeito que tivemos por parte de todas as pessoas que encontramos, que conhecemos e que se esforçavam o máximo pra nos deixar confortáveis e à vontade.
Alguns momentos se tornaram inesquecíveis, emocionantes e, sem dúvida, deixaram muitas saudades. Um deles foi num dia de sol maravilhoso…! Fizemos um passeio num barco movido a energia solar e, portanto, absolutamente silencioso. Ele deslizava suavemente pelo Lago de Constança… Acompanhados de pessoas muito especiais, novos amigos, peguei o meu violão e começamos a cantar: música brasileira, Cat Stevens, REM, Pink Floyd… e nos divertimos com a expressão de felicidade do piloto do barco, contagiado pela nossa alegria… Ah, e a Impéria! Que saudades da Impéria!!! Em meio à correria que é viver em São Paulo, várias vezes nos lembramos deste dia que foi realmente mágico! Pudemos relaxar de verdade, curtir aqueles instantes únicos, com uma tranquilidade que não tínhamos há muito tempo…

Svea: Outro momento que marcou, foi antes de seguirmos viagem a Konstanz. Estávamos hospedados num hotel-restaurante em Weiler, um bairro de Sinsheim, cidadezinha próxima a Heidelberg. A proprietária há dias vinha pedindo pro Ivaldo tocar um pouco e, na última noite, convidamos a minha prima pra jantar conosco ali na ‘Küferschänke’. Ali as mesas laterais ficam dentro de barris gigantes e duas grandes mesas redondas ficam no centro do salão. Após jantarmos, o Ivaldo pegou o violão e começou a cantar. Aos poucos, todos os que estavam ali foram saindo de dentro dos barris pra ouvi-lo mais de pertinho. Assim, a noite foi longa, regada ao bom vinho da casa, com muitos risos, aplausos, ‘saúdes’ e prosts!! Foi bom demais da conta…!

7 – Houve alguma dificuldade para vocês aqui na Alemanha durante a viagem do ano passado?

Ivaldo: Pra mim é muito fácil porque não tenho dificuldade com o idioma – viajo com alguém que fala muito bem o alemão rsrsrsrs… Quando eu estou em alguma situação sem a presença da Svea, eu misturo um pouco (muito pouco mesmo) de alemão com inglês e tento me comunicar com as pessoas… Às vezes aparece um brasileiro, português ou espanhol e a conversa acaba ficando mais fácil… Tirando a parte do idioma, pra entender o resto é só ler o livro da Mineirinha na Alemanha… vai ficar bem mais fácil!

Svea: Dificuldade, não. Mas passei por umas situações engraçadas, como em 2007, quando os meus filhos queriam um sorvete de casquinha. Na sorveteria, havia também a opção servida no potinho e não havia nada escrito, como acontece nas padarias, em que sempre há uma plaquinha embaixo, indicando a ‘espécie’ do pão. Pois bem. Passei um aperto quando fui explicar que era de casquinha – como a gente fala isso em alemão? E o vendedor me olhou como se eu fosse um ET, quando eu pedi: “in diesem Keks da…” Ou seja, nesse biscoito aí… Hoje eu sei que chama ‘Hörnchen’ (chifrinho). Mas… já pensou se aqui no Brasil a gente começar a pedir ‘sorvete no chifrinho’…? rs rs rs

8 – O que vocês levaram na bagagem (de lembranças) aqui da Alemanha?

Momentos deliciosos que vivenciamos aqui e que jamais irão se desfazer ou deixar de existir dentro de nós; reconhecimento e valorização do meu trabalho musical; lugares, cheiros, sensações, visões, situações e – acima de tudo – os amigos, os novos e eternos amigos!

9 – E do que sentem falta lá da terrinha enquanto estiveram aqui, além dos filhos, naturalmente?

Sempre do café, rs… E de vez em quando vinha aquela vontade de comer um prato de arroz, feijão e bife. Principalmente o Ivaldo, acostumado desde criança com o PF tradicional do Brasil. Eu já sou mais radical: se é pra comer feijão, tem de ser logo uma feijoada completa, acompanhada de couve manteiga, mandioca, farofa, caldo de feijão, gomos de laranja, molho de pimenta e – claro! – chopp e caipirinha de cachaça e limão.

Mas do que a gente só se deu conta assim que chegamos em Sampa que fazia falta, foi das nossas padarias! Ah como é bom chegar na padaria do português, seja ele o Sr. Manoel, o Sr. Antonio ou o Sr. José… e pedir um pão com manteiga na chapa fresquinho, acompanhado de um pingado servido no copo de vidro. Aquele bem básico, tradicional…!!! O cheiro do pão fresquinho a qualquer hora do dia, os frios fatiados na hora ao gosto do freguês, aquele brigadeirinho que o filho pede e ganha só pra matar a vontade… Isso não existe na Alemanha. Lá o pão é fresco de manhã, todos iguais em qualquer padaria. Todos os sanduíches e bolos, tortas, doces são idênticos . Não se vê mais o carinho, nem a personalidade do padeiro. Virou um fast food. E pedir um suco de laranja natural, então? Demora uns 40 minutos. E a garçonete arregala o olho quando a gente pergunta se ela esqueceu o pedido…

10 – Svea, como você descobriu a Mineirinha?

Esse negócio de internet tem um dinâmica muito louca: eu estava buscando algumas oportunidades de show na Alemanha e uma pessoa da gravadora do Ivaldo deu como dica o site ‘Viver na Alemanha’. Nele eu vi um link pro livro e, deste link eu fui parar no seu blog. Aí te mandei um e-mail como fiz com vários outros e só você e a Cristina Marques, uma musicista que vive em Stuttgart, me responderam. Aí encomendei o seu livro e fomos trocando e-mails até nos conhecermos pessoalmente em Constança, né?! 🙂

11 – Como foi a experiência de ler o livro a dois?

Ivaldo: Para mim, foi uma feliz constatação. Foi como uma compilação de tudo aquilo que eu e a Svea já havíamos coletado através de papos com amigos e outras pessoas que tinham relações e ou afinidades com a Alemanha e também com o Brasil. Foi como olhar através do prisma de alguém que experimenta o encontro de duas culturas diferentes e quer transmitir fielmente a sua experiência.

Era como se todo aquele contexto discutido e investigado ao sabor de longas e boas conversas de repente se materializasse; estava tudo ali: real e preciso, confirmando com exatidão tudo aquilo que em reflexões particularmente eu, havia imaginado e que soava bastante familiar. Foi uma delícia ler os seus relatos, dicas, histórias etc., escritas com tanta naturalidade!

Svea: E o Ivaldo passou a entender melhor várias das minhas implicâncias! rs rs rs… Eu, que sou alemã mas vivo no Brasil, vi relatadas cenas e reflexões que eu e o Ivaldo vivenciamos em nossa viagem, como a do mau humor dos alemães, o jeito de descascar a laranja do brasileiro (os alemães ficam mesmo boquiabertos!) e certos constrangimentos como a saudação nazista quando sou apresentada como alemã a alguns brasileiros sem noção… A identificação foi total!!! Agora… o que me impressionou foram as opções de parto que você descreve no livro!! Foi uma constatação real de que o alemão vai fundo mesmo.



12 – Quais são os seus próximos planos?

Estamos no comeco da 2a. turnê pela Alemanha, desta vez com mais um músico, o Paulinho de Almeida. Com novo repertório, fotos e vídeos para a divulgação. Tudo comecou com um show em Bonn, que já estava agendado desde o ano passado, que será no dia 15/10/10. Quem quiser marcar mais alguma apresentação na Alemanha, pode falar direto com a gente ou então com essa Mineirinha muito gente boa, que é a Sandra Santos.

13 – Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!

Queremos dizer pra vocês que ao entrarem na casa de alguém que vocês ainda não ou pouco conhecem, entendam que ali naquele lugar a vida foi sendo construída com a experiência de fatos e situações que acabaram por definir valores, gestos, atitudes e comportamentos adquiridos como conseqüência do desenrolar das coisas comuns. Por isso é de muito bom tom parar e observar, experimentar antes de definir, comparar e extrair e depois permitir que novas possibilidades sejam incorporadas como adjetivo de crescimento.

Esta é a razão pela qual ler o livro da Mineirinha antes de dar o primeiro passo, é básico; pois, brilhantemente e de forma confiável e fundamentada, ela nos conduz pela porta da frente sem receio de bater joelho com joelho… Ela ensina que basta caminhar e ir descobrindo o prazer de conviver com o novo, o diferente ou com o imprevisto; sem temor, sem preconceito e sem julgamentos infundados. É só seguir em frente e, claro, sorrir com um sorriso de felicidade!!!

Obrigada, Ivaldo e Svea pela amizade e pelo carinho!!!

::Tudo pode melhorar – Xavier Naidoo::

05/11/2009

Refrão:
Tudo pode melhorar
Devemos trazer o céu para a Terra
Tudo vai melhorar
E ninguém precisa colocar sua vida em risco
Um dos maiores tesouros da Terra

Eu quero sair desta merda aqui
Mas eu não sei como
Sair desta merda de prisão
Mas eu não sei como
Prenderam-me aqui neste canto
Porque não devo ver o resto do mundo
Eu vou sair pra passear fora desta prisão
Assim que souber para onde devo ir

(Refrão)

Mesmo que você esteja agora chorando copiosamente
Por favor não desista
Mesmo que negue agora a vida
Por favor não desista
Mesmo que tenha a impressão de que está morto
Por favor não desista
Mesmo que tudo pareça estar apodrecido
Por favor não desista

(Refrão)

Eu vejo além das fronteiras daqui
E eu sei que há mais para mim
Se isso significa que eu posso ficar livre
Faça com que eu perca a coragem se você puder
Mas eu não vou parar até conseguir sair daqui
Sim, eu nem ligo
Eu não tenho medo de enfrentar o que eles receiam

(Refrão)
Tudo vai melhorar
Por favor não desista
Não desista

Veja a letra da música em alemão/inglês aqui.

***

No sábado estamos viajando para a Índia para o casamento de um amigo. De lá vou dia 15.11 para um curso em Munique, depois conto mais sobre ele. Pode ser que eu não tenha tempo amanhã para postar, portanto vou me despedindo, deixando esta nova música do Xavier Naidoo (com a cantora Janet Grogan, que aliás também é fenomenal!). O título da música também da nome à sua turnê atual, com 14 shows na Alemanha, Suíça e Áustria. O Xavier é um dos meus ídolos, é uma pessoa abençoada que consegue transportar os questionamentos da atualidade para a música, sempre com letras contundentes. Ele consegue fazer sucesso com músicas que fazem sentido, com um forte apelo espiritual. Nesta época de crise, onde mais de 20 funcionários da France Telecom já se suicidaram por não conseguirem suportar a pressão, já que a empresa está passando pelo processo de deixar de ser pública para privada, sofrendo mudanças muito rápidas na cultura da empresa; em que os funcionários da Opel anunciaram ontem aceitar reduzir seus salários e deixar de receber gratificações em troca de seus postos de trabalho e tudo é parado hoje no último minuto pela GM, que agora não quer vender a empresa para o grupo Magna; e no meio de previsões assustadoras com relação ao aumento do número de desempregados nos próximos meses na Alemanha, logo depois do final do “Kurzarbeit” (redução de salários subsidiada pelo governo alemão), precisamos nos agarrar a uma força interna, forte o suficiente para nos impulsionar pra frente e nos fazer enxergar uma luz no fim do túnel. Temos que acreditar que tudo pode e vai melhorar.

Até logo! Tenho certeza que vou voltar com muita história pra contar!

P.S.-Durante minha ausência, meu livro pode ser comprado no Brasil através de um e-mail para minha mãe Eny, e-mail: ilha.dosol(arroba)uol.com.br, e aqui na Alemanha através d”A Livraria” em Berlim (venda também pelos Correios).


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