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Posts Tagged ‘alemães’

::Um alemão em Blumenau::

06/11/2017

Como se sente um alemão do século 21 visitando Blumenau em Santa Catarina? Descubra nesse texto bem humorado do correspondente alemão do jornal Die Zeit, Thomas Fischermann.

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::Recomendação de leitura::

18/04/2016

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Quando um bom livro chega ao fim,

é como se tivéssemos que nos despedir

de um bom amigo recém-feito

 

Por isso, ao contrário de um filme,

Que não tenho como evitar que acabe

Evitei com a dor do fim

Que o livro (e a viagem) dos gêmeos acabasse…

 

Os doidos dos alemães, num bom sentido,

Andaram mais de 13 mil km de bicicleta

De Berlim a Shanghai

Quando fizeram 30 anos,

(O que eles contam em outro livro)

 

E aos 33, idade de Cristo,

Resolveram dar a volta ao mundo

Sem dinheiro

 

Ficaram os três primeiros dias da viagem

Em Berlim

Pois no começo encontraram muitos

Que deles duvidaram

 

Mas depois….

Descubra você mesmo!

E deixe que eles conquistem a sua amizade

Como aconteceu comigo

 

(Dica: os vídeos das viagens

são muito legais!

Com muitas descobertas,

também musicais!)

::Sinais, refugiados & poemas::

11/09/2015

Talvez estejam se perguntando o que um tema tem a ver com o outro?!? Pasmem: acreditem ou não, por um grande acaso do universo, reencontrei o anjo sobre o qual comentei no meu livro Mineirinha n’Alemanha, bem no finalzinho, que salvou meu filho depois de uma parada respiratória. Fui até o meu anjo feminino e disse que a conhecia, mas não lembrava bem de onde… Ela disse que tinha sido a pessoa que me ajudou, quando meu fiho parou de respirar… Eu a abraçei imediatamente! Disse que mantenho minha promessa até hoje, pois continuo sendo socorrista. E disse que aquela história, naturalmente, me marcou muito, porque eu só a vi em minha vida no dia que ela me ajudou, um dia depois para poder agradecê-la pela ajuda, e depois nunca mais voltei a vê-la. Acreditem se quiser, isso aconteceu quando o Daniel tinha uns 3 anos, e fiquei sabendo essa semana que ela mora no meu bairro, mas nunca mais tínhamos nos visto novamente. Conversamos um pouco, eu disse que acredito firmemente em sinais e que semana passada recebi um grande sinal, pelo que estava pedindo e orando muito, com a ajuda dos meus amigos e familiares. E sei que ela foi um sinal para mim, um anjo no lugar certo e na hora certa, que salvou meu filho, pelo que sou muitíssimo agradecida! E que lugar teria sido mais propício e mais simbólico para esse reencontro que não em um curso de meditação budista? 🙂 Eu disse pra ela que hoje o Daniel é um menino enorme, quase do meu tamanho, com ótimas notas e muito inteligente. E que eu sei que naquele dia fatídico tínhamos só dois minutos para reagir depois da parada cardíaca, e não posso parar de agradecer a ela e ao universo por essa dádiva. Ela comentou sobre a filha dela, começamos a falar da volta às aulas na semana que vem. Mais uma coincidência: a filha dela é da mesma idade do Daniel e vai estudar na mesma escola, porém em uma classe paralela à dele. Vamos nos rever a partir de agora várias vezes! Que grande presente do universo!…

Vira e mexe vejo vídeos e leio mais artigos sobre a atual crise de imigração. Existem no momento ao todo 50 milhões de pessoas no mundo envolvidas em movimentos migratórios! Este é o maior número desde a 2ª. Guerra Mundial!

Dos refugidados da Síria, até o final de janeiro de 2015, somente 4% tinham vindo para a Europa. Em termos relativos, se comparado ao tamanho da população de cada país, os países que mais recebem refugiados em 2013 foram a Suécia, a Áustria e a Hungria. Está provado que os imigrantes podem ser uma força propulsora para as economias locais. No caso da Alemanha, em 2012 os estrangeiros contribuíram em em média com 3.300 euros de impostos e contribuições sociais, ainda levando em conta o que havia sido gasto com a ajuda ao imigrante. Conclusão: eles geram mais recursos do que custam, a contrário do que todo mundo pensa. Esses dados aqui são muito valiosos, claro que terão que ser atualizados com as mudanças atuais, mas devem ser mostrados a todos aqueles que têm muito preconceito e receio com relação aos refugiados. Tinha lido também que dos asilados, 15% tem ginásio completo e outros 15% tem um curso superior, o que vale ouro para um país feito a Alemanha que precisa urgente de mão de obra qualificada em várias áreas de conhecimento. Segundo uma pesquisa atual 18% da população alemã já ajudou diretamente os refugiados, outros 23% pretendem prestar ajuda concreta dentro em breve.

Outra comparação: o Obama anunciou ontem que vai receber 10.000 refugiados no próximo ano, depois de ter sido fortemente criticado nos últimos dias. A estimativa é de que a Alemanha estará recebendo este ano 800.000 refugiados (o maior número de pedidos de asilo tinha sio até agora em 1992, de aproximadamente 440.000). Comparado a população da Alemanha com a dos EUA, ele teria que receber 3,2 milhões de refugiados, o que daria aproximadamente 10.000 pessoas, mas por dia.

Tenho escrito muitos poemas no momento. São tantos, que estou até pensando em lançar um livrinho só com poesias e pensamentos, sinais que ando recebendo nos últimos meses. Fecho o post de hoje com um poema, aquele que usei como fechamento do meu livro Mineirinha n’Alemanha, que não poderia ser mais atual para os dias de hoje (tradução para o português logo abaixo). Bom final de semana para todos! Agora que o sol está nos deixando, chegamos novamente à fase introspectiva do ano, hora de fazer altas viagens mentais. Bons pensamentos!

Wir sind alle Ausländer – Somos todos estrangeiros


Wir sind alle Ausländer
Heute ich
Weit weg von zu Hause
Nehme eine andere Kultur an
Wohne,
Bewege mich,
Esse,
Trinke:
Alles ist anders.

Morgen DU
Kannst eine andere Kultur annehmen
Aus eigener Entscheidung oder unfreiwillig
Dann wirst DU
Wohnen,
Dich bewegen,
Essen,
Trinken:
Alles wird anders sein.

Wir sind alle Ausländer
Heute ich, gestern ein anderer, morgen du, vielleicht:
Bürger dieser Welt.

°°°

Hoje EU
Muito longe de casa
Abraço outra cultura
Vivo,
Me movimento,
Como,
Bebo:
Tudo é diferente.

Amanhã VOCÊ
Pode abraçar outra cultura
Por decisão própria ou por falta de escolha
Então você irá
Viver,
Se movimentar,
Comer,
Beber:
Tudo vai ser diferente.

Somos todos estrangeiros
Hoje eu, ontem outro, amanhã você, talvez:
Cidadãos deste mundo

Fontes: Handelsblatt Morning Brief de 11.09.15, artigos do jornal Süddeutsche ZeitungFakten gegen Vorurteile” (Fatos contra o Preconceito) de 21.01.15 e “Was hinter der Bereitschaft der Deutschen Steckt” (O que está atrás da solidariedade dos alemães) de 11.09.15.

::#WelcomeChallenge – Onda de Solidariedade para com Refugiados na Alemanha::

07/09/2015


Ainda estou processando os fatos dos últimos dias. Já chorei algumas vezes, ao ver os vídeos dos alemães dando boas-vindas aos refugiados que têm chegado aos montes na Alemanha.

Sim, o preconceito racial continua existindo na Alemanha. Sim, o mundo continua sendo da opinião de que existem pessoas melhores e piores, dependendo de seu passaporte e da língua que falam. Sim, os nazistam continuam por aí. Mas há esperanças, há grandes esperanças. Enquanto nos noticiários surgem reportagens de casas (de refugiados ou de pessoas que apóiam os refugiados) que foram incendiadas propositalmente, nos últimos dias os noticiários e as manchetes que predominam na Alemanha são os da solidariedade do povo alemão direcionados aos refugiados, recebendo-os nas estações de trem, dando-lhes comida, bebida, bichinhos de pelúcia para as crianças, aplaudindo sua chegada… É muito emocionante! Ainda mais para mim, que cheguei aqui em 1993, exatamente na época em praticamente não se via (mas certamente existia) solidariedade direcionada aos que chegavam e na realidade era bem mais comum ouvir notícias de incêndio das moradias de asilados… O incêndio de Solingen, por exemplo, marcou a história do país, e tornou-se símbolo daquela época, quando um pequeno grupo de alemães, bêbados, depois de terem sido expulsos de uma festa, foram para a frente da casa de uma família turca, colocaram fogo nela e mataram, ao todo, cinco pessoas, deixando 17 pessoas feridas. Lembro-me que os membros da AIESEC, com quem eu convivia, usava naquela época, como sinal de protesto, camisetas com o nome de todas as cidades onde incêndios daquele tipo tinham acontecido naqueles anos fatídicos… Meu marido disse que naquela época a Alemanha era tão preconceituosa que até ele, que tinha morado no exterior e voltou a morar em seu país natal, sentia o preconceito com relação a ele mesmo, por não ter crescido aqui, não ter nascido na região onde morava. Alguns amigos me contaram que os jovens dos bairros da região onde moro tinham muita rixa uns com os outros naquela época, muitos não se misturavam e não se aceitavam. E vejam bem, isso tudo aconteceu há pouco mais de 20 anos atrás!…

Desde então a Alemanha mudou de cara – e de alma. O país se internacionalizou. O inglês virou o segundo idioma mais falado. Em 1993 já andei quilômetros e quilômetros em Frankfurt procurando UMA pessoa que falasse inglês!… Os jovens crescem agora em grupos multiculturais e acham que o multiculturalismo é algo natural. O termo “pessoas de origem migratória”, mesmo que possa ser usado de forma pejorativa, surgiu para tentar entender e quantificar o processo migratório que se instalava, cada vez mais, no país. Hoje uma em cada cinco pessoas que moram na Alemanha, ou seja, 20% da população, é estrangeira ou filha de estrangeiros.

Está claro que a situação atual não está clara para ninguém. Nenhum país ou líder tem todas as repostas para a onda migratória que está afetando o mundo todo, e alterando o quotidiano da Europa, mudando sua cara mesmo. Os empresários alemães vêm a chegada de jovens como uma mão de obra potencialmente propícia para ocupar os postos de trabalho que estão em aberto na Alemanha e para garantir o crescimento econômico do país. O governo vai ter que alterar as leis relativas a refugiados para que eles tenham o direito de trabalhar mais rapidamente, facilitando sua integração. Escolas e universidades preparam-se para receber também os refugiados e aumentar os cursos para o aprendizado do idioma. Voluntários de todas as cores e sabores atuam de várias formas ajudando os refugiados e aqueles que já foram declarados oficialmente como asilados. Pessoas comuns participam de doações, dentre e fora da internet, e no Facebook vários grupos, como por exemplo o #WelcomeChallenge (no mesmo estilo do #IceBucketChallenge do ano passado), faz ações e doações para ajudar os que estão chegando no país e depois nomeiam colegas e amigos para que a boa ação seja seguida por outros. Muitas pessoas que exercem influência e têm um papel de destaque no país, como o ator e diretor de cinema Til Schweiger, estão se engajando em prol dos refugiados e influenciando positivamente a sociedade.

Óbvio que enquanto a população ajuda, ela também tem medo. Metade da população preocupa-se com a integração e a manutenção de tantos asilados no país. Enquanto os membros da Comunidade Europeia discutem como dividir os refugiados entre si, a Hungria constrói um muro de 175 km na fronteira com a Sérvia… Enquanto turistam se deitam para merecidamente curtir suas férias nas praias, como por exemplo na ilha de Kos, refugiados chegam nessa ilha da Grécia e em muitas outras com necessidades básicas a serem atendidas… O governo alemão vai ter que contratar mais de 1000 pessoas e disponibilizar mais dinheiro para poder receber e processar os pedidos de asilo, de forma a ajudar a quem realmente precisa. Discute-se a diferença entre o refugiado, que está fugindo de uma situação insustentável de guerra e condições inexistentes de vida digna em seu país natal, e o imigrante, que busca melhor qualidade de vida, mas não está necessariamente passando por dificuldades tremendas para manter sua dignidade. Pretende-se concentrar os esforços e ajudar a quem realmente está precisando de ajuda.

A ideia de que moramos em um só planeta e de que somos todos um, somos todos seres humanos com as mesmas necessidades e desejos, urge ainda mais na situação atual. A foto do menininho morto na praia da Turquia rodou o mundo e colocou muita gente pra pensar. O Papa Francisco pediu para que cada igreja, cada mosteiro, a começar por ele no Vaticano, cuide de pelo menos uma família refugiada. Muitos aqui lembram que os alemães tiveram que fugir durante as Guerras até dentro de seu próprio país e que tiveram a sorte de serem recebidos e terem podido reerguer suas vidas em outras partes da Alemanha, outros por sua vez em muitas outras partes do mundo, também como emigrantes. Ontem foram eles, hoje são outros. Ontem foram alvo de solidariedade, hoje são solidários. Não há resposta para todas as perguntas atuais. Não há resposta para quase nenhuma pergunta atual. Mas há muita solidariedade de pessoas comuns como eu e você. Esta já é uma grande resposta.

Quer ajudar e não sabe ainda como? Veja aqui um Portal de Informações sobre Projetos de Ajuda a Refugiados na Alemanha.

°°°

Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos.”
Mia Couto

::Gravidez e direitos de mãe na Alemanha::

21/09/2014

Você está grávida, meus parabéns! 🙂 Assim que ficar sabendo que está esperando um bebê, e assim que for possível determinar a data provável do nascimento dele, peça para o ginecologista que emita um documento chamado “Schwangerschaftsattest”, que é um atestado de gravidez que deverá ser entregue ao seu empregador. Assim seu emprego estará garantido por lei, sendo que seu empregador não poderá lhe mandar embora de maneira nenhuma a partir deste momento até o fim do terceiro ano de vida de seu filho.

Com base na data de nascimento do bebê, informada no atestado, (more…)

::Como a Alemanha se tornou o novo país do futebol::

27/07/2014

Achei na VEJA e divido com vcs. Bom domingo!

°°°

Algumas partes do artigo:

“Obrigado a atrair talentos para sustentar seu crescimento econômico, o país passou a ser procurado por imigrantes qualificados, como engenheiros e cientistas. Quase um em cada três imigrantes entre 20 e 65 anos que entraram na Alemanha na última década tem nível superior. Entre os alemães nativos, menos de 20% têm diploma.”

“Em exportação de produtos de alta tecnologia, a Alemanha só perde para a China, que tem uma população dezesseis vezes maior.”

“A Alemanha de hoje quer ser vista como um país mediador, não como um agressor”, diz Rüdiger Görner, professor da Universidade de Londres e especialista em cultura alemã. “É uma democracia com um poderoso senso de responsabilidade coletiva.”

Fonte: artigo da VEJA de 26/07/14

::Divagações de sábado de manhã de meio-brasileira, meio-alemã::

26/07/2014

Inspirada pela minha revista alemã predileta aqui na Alemanha (Der Spiegel), que comprei há umas semanas atrás e que absolutamente não pode ser substituída pela versão online da mesma, que leio toda noite, volto a pensar sobre o Brasil, a Alemanha e o mundo.

O artigo “A nação que está mais leve” (Die entkrampfte Nation, alguém tem uma sugestão melhor de tradução?) comenta que os alemães estão se descobrindo e se reecontrando, a cada Copa, com o passar dos anos, tendo como marco das mudanças a Copa de 2006, que ocorreu em solo alemão.

O povo alemão está aprendendo a se reinventar e pode afirmar o que está bom no país, e reconhece ao mesmo tempo o que não anda bem. Tudo faz parte da nova identidade, que é mais leve e mais desprovida do peso do passado. Eles sabem quem são internamente, mesmo que tenham dificuldade de saber qual é o seu papel no mundo. Ainda que esteja claro que, com Angela Merkel como líder forte, respeitada e atuante, a Alemanha tenha posição de destaque na política internacional. Portanto, eles demonstram no momento um misto de leveza e importância.

O artigo “Viajar, mas não pra longe” (Bloß nicht so weit weg, tradução livre), também da revista Der Spiegel, afirma que apesar dos jovens alemães terem a oportunidade – e condições – de estudar no exterior, muitos deles preferem ficar no país. Para mim isso pode ser um sinal positivo, já que vejo nas novas gerações a leveza descrita no artigo e o reconhecimento de que o país vai bem, obrigado. Por outro lado, o país está ficando cada vez mais multicultural, ainda que temas como diversidade e integração continuem a ser altamente discutidos. Dos jovens que vão ao exterior, muitos voltam afirmando gostar de conhecer o mundo, mas preferem viver na Alemanha, onde uma vida de qualildade é possível para a maioria da população e as escolas são de graça até a universidade.

Antes da queda do muro, os alemães se definiam como alemães do leste, do oeste, orientais, ocidentais, social-capitalistas, comunitas… “Ossis” e “Wessis” falavam do lado de lá e de cá. O muro caiu sem guerras e o país voltou a ser um só, e pode se dar a liberdade desde a Copa de 2006 de mostrar sua bandeira e de mostrar sua felicidade como nação reunificada. No meio do caminho, depois da queda oficial do muro que dividia o país, um muro virtual continuou por vários anos na cabeça dos alemães, que reclamavam uns dos outros e do fato de que a parte ocidental (cada cidadão) teve que ajudar financeiramente a parte oriental a se reerguer, enquanto na parte oriental falava-se do desemprego, das dificuldades encontradas com a reunificação. Algumas décadas depois, algumas diferenças persistem, mas o país pode se orgulhar de ter passado por este processo sem guerras e sem revolução civil. O alemão virou um povo só, não tem mais que se definir pelo lado de onde vem. E isso ajuda no sentiment de leveza.

O povo alemão também virou um povo colorido e multicultural. Segundo dados do OECD a Alemanha é o segundo destino de imigração no mundo, ficando só atrás dos EUA. Atualmente, 400 mil pessoas têm o desejo de ficar por aqui por tempo indeterminado.

Os alemães também refletem sobre seus erros. O fato de um aeroporto ter sido iniciado e nunca ter sido terminado em Berlim, por motivos de corrupção, falta de planejamento e má administração da verba pública os fazem afirmar: sim, nós também somos isso tudo. Ao mesmo tempo que reconhece seus acertos, critica os erros e olha para o passado de forma consciente para evitar a repetição dos grandes erros de um passado tenebroso.

O que é típico da cultura alemã combina com o estado atual do país: em grande parte, o povo é trabalhador e esforçado, disciplinado, (nota minha: vive de forma humilde, simples e prática) e quer crescer, ou pelo menos manter o que atingiu. Uma economia que vai bem contribui para a leveza de seu povo. Atualmente, mais de 42 milhões de pessoas têm um emprego, a maior marca da história do país. Os salários são bons e o poder de compra cresceu. Os juros estão baixíssimos e as pessoas aproveitam para gastar, comprar imóveis, investir na qualidade de vida. Parece que o país vai crescer 2% neste ano de 2014, o que, para uma economia idosa e instalada feito a Alemanha, é um resultado excelente.

O país vai bem e, se pudesse, iria congelar tudo o que tem no momento. Nada de novo, nenhuma nova chanceler no poder e o mínimo de política. Se o país se envolve de forma militar no mundo, então que seja para que soldados alemães se arrisquem ao mínimo e ajudem, podendo voltar depois para casa. Os alemães estão fartos de guerras.

O país se tornou mais leve, sim, mas ainda não sabe direito qual deve ser seu novo papel no mundo. Antes o país ocupava a liderança na Europa, sendo um dos melhores amigos dos EUA. Agora, com os escândalos dos últimos tempos de NSA e espiões tão próximos do poder alemão, tudo mudou.

Assim como os alemães, acho que nós brasileiros também podemos – e devemos – nos reinventar a cada dia. Não podemos ficar parados em cima do status quo de corrupção, egoísmo e da grande tentativa de manobrar massas da mídia brasileira, que representa os ricos desta nação que sempre souberam defender seus interesses. É necessário avaliar o que anda bem, e o que pode ser mudado. É necessário acreditar e apostar na liberdade de expressão dentro de um país dito democrático. Cada um de nós pode pegar na caneta, encostar os dedos no teclado, mãos à obra, em todos os sentidos! E acreditar que com o andar da carruagem o país vai se fazendo, o mundo vai mudando. Espero, pra melhor.

Mas a mudança começa de baixo para cima. Dos atos do dia-a-dia de cada um, em todo e qualquer canto do mundo. E só enxergamos aquilo que existe em nossa realidade. Aí está a razão pela qual vale a pena viajar e conhecer novas culturas, novas formas de resolver os mesmos desafios. Com a ampliação de nossas mentes, muitas coisas passam a existir, novas janelas vão sendo abertas. A perspectiva é válida para cada um nós. É válida para o mundo. Vão ser as trocas de experiência e de conhecimento que vão fazer deste mundo um lugar melhor para todos. Os animais, por exemplo os passarinhos e as borboletas, mais sabidos que nós, já nos mostram o caminho: eles não conhecem as fronteiras que colocamos no papel.

Fonte de inspiração: revista Der Spiegel número 29 de 14.07.14, artigos „Bloß nicht so weit weg“, página 46, e „Die entkrampfte Nation“, página 57.

::“Gaúchos andam assim”: o mimimi em torno da comemoração da seleção alemã em Berlim::

17/07/2014

Ia escrever um artigo a este respeito, mas acabo de achar este e como concordo com o conteúdo, o divido com vocês.

Fonte: Diário do Centro do Mundo, autor Kiko Nogueira.

::Seleção alemã: entre jogada de marketing e autenticidade::

13/07/2014

Tenho lido desde os últimos dias alguns comentários na internet sobre os presentes do time alemão à região onde esteve e sobre a suposta jogada de marketing bem pensada da seleção alemã durante a Copa no Brasil, que, muitos afirmam, está sendo feita para polir a má imagem no exterior da Alemanha de nazismo, frieza e calculismo. Os jogadores alemães, muitos deles de origem estrangeira (Turquia, Polônia, Gana), foram ao Brasil como representantes da Alemanha e demonstraram ser capazes de se comportar bem, interagindo positivamente com a população local.

Eu moro há 21 anos na Alemanha e posso afirmar que os jogadores não alteraram sua maneira de ser desde que estão no Brasil. Eles sabem que cada jogo é um jogo e que tem que ser vencido, não importando, naquele momento, os resultados do passado. A química entre muitos brasileiros e alemães sempre tendeu a ser boa, como já comentei em vários posts e também no meu livro, o que faz com que o alemão se sinta bem no Brasil, pois em muitos pontos somos antagônicos e em outros muito parecidos, mas a boa mistura é sempre a que prevalece. Tenho visto muitos brasileiros na Alemanha que são esforçados, buscam crescer profissionalmente e demonstram capacidade de integração, mesmo honrando sua pátria e nunca deixando suas raízes de lado, e isso contribui para o fato de que muitos alemães não tenham problemas com brasileiros, pensando muitas vezes em atributos positivos do nosso Brasil, como nossa beleza natural, nosso crescimento econômico dos últimos anos, nossas praias e nosso povo alegre, o Carnaval, mas também vendo coisas negativas que são retratadas sobre nosso país, como a desigualdade social, a corrupção, a pobreza. No final das contas acho que estamos aqui como embaixadores de nosso país e também de nossa cultura, e continuo acreditando que a mistura faz bem a ambos os lados.

Acho também que temos que tomar cuidado com nosso próprio preconceito. Ninguém gosta de ser comparado com opiniões preconceituosas voltadas a seu país. O alemão com certeza também não, o brasileiro muito menos. Aqui, como em qualquer lugar no mundo, existem pessoas frias e calculistas, mas também existem pessoas boas e amorosas. Quando um estrangeiro visita a Alemanha, com certeza ele percebe que não é carregado nas mãos nas lojas e muito dificilmente recebe tratamento diferenciado, além de perceber que muitas vezes é tratado de forma ríspida e/ou impaciente. No princípio, quando isso acontecia comigo, achava que era porque eu era estrangeira. Depois aprendi que o tratamento dos alemães independe da pessoa com quem estão falando, pois, e quem acreditaria nisso, em geral todos são tratados da mesma maneira. E quando o tratamento não condiz com o que eu espero, em geral eu coloco a boca no mundo e lido com minha insatisfação na hora do ocorrido. Com relação a tratamento em lojas, eu já me sinto até meio sem graça quando estou no Brasil, pois não gosto de que todo o estoque de uma loja seja retirado do lugar só pra mim. E, se começo a já ir guardando as roupas depois de desaprová-las, se estiver por exemplo numa loja de vestiário, recebo um comentário da vendedora de que não devo fazer isso, pois este é o serviço dela. Nos EUA, por outro lado, o negócio é ainda mais complicado pro lado do consumidor, pois a vendedora chega a mentir, dizendo que se pudesse, se tivesse dinheiro para comprar, usaria este produto, que aquilo que estamos experimentando está perfeito, lindo, impecável em nós. Assim fica difícil acreditar no que estão dizendo… Nem tanto ao mar, nem tanto à Terra. Eu prefiro entrar numa loja e olhar tudo por mim mesma, e se precisar da ajuda de um vendedor, espero encontrar algum que tenha competência para me orientar, sem usar de meios indevidos para me vender alguma coisa. Aqui na Alemanha, em grandes lojas de departamento, o que faltam, porém, são vendedores disponíveis. Isso é verdade verdadeira. Mas quando achamos um, temos a atenção que precisamos. Acima de tudo,eu tenho a dizer que o respeito à privacidade na Alemanha é muito grande. Cada espaço individual é sempre muito respeitado. Como há poucos vendedores em grandes lojas, interpretamos logo como se não tivéssemos atenção alguma deles.

Bom, mas tem a parte boa do alemão também. Quando algo acontece, quer seja dentro ou fora do país, como uma catástrofe natural, eles estão lá pra ajudar, pois são conhecidos por participar de vários projetos sociais, dentro e fora da Alemanha. O que não gostam muito, é de ajudar aparecendo, nem o que está sendo ajudado gosta de aparecer. Ambos precisam de uma instituição no meio, que os torne invisíveis. Quando são convidados para visitar alguém, levam em geral um presentinho para o anfitrião. No final do ano então, os alemães são campeões de doações. Portanto, os presentes que a seleção alemã deixou para os anfitriões brasileiros combinam com sua cultura e sua maneira de ser. E não foram poucos, segundo um relato tirado do Facebook (autor desconhecido):

Os alemães vieram ao Brasil e…

– Compraram um terreno,
– Construíram um condomínio,
– Incentivaram a reforma de um centro de saúde,
– Construíram um campo de futebol,
– Doaram uma ambulância,
– Incentivaram a criação de um programa de escola em tempo integral,
– Contrataram as pessoas da cidade, gerando dezenas de empregos,

Mais tarde a seleção alemã chegou e…

– Quando não estavam treinando, estavam socializando com as pessoas na cidade e na praia,
– Participaram de festas com a população,
– Interagiram com os moradores locais e ouviram suas demandas,
– Vestiram a camisa de um time local,

Quando ganharam da nossa seleção…

– Nunca desrespeitaram os brasileiros,
– Supostamente combinaram no intervalo do jogo diminuir o ritmo para não desrespeitar a seleção anfitriã,
– Mostraram que seus ídolos são os nossos jogadores do passado,
– Foram humildes após a goleada e tiveram classe para ganhar,
– Postam nas redes sociais mensagens de incentivo ao povo brasileiro e agradecimento pela hospitalidade,

E vão deixar tudo que construíram no Brasil.

°°°

Complemento meu:

– Um cheque de 10 mil euros (30 mil reais) para os índios da tribo Pataxó de Coroa Vermelha, que será investido na compra de um carro que será usado no transporte de pessoas que precisem de assistência médica;
– Deram de presente as 25 bicicletas que trouxeram da Alemanha e não puderam usar por motive de segurança, cada uma no valor de 1.000 euros
– Parece que vão deixar o Campo Bahia para ser transformado em uma escola.

Realmente, parece que fizeram tudo certo em termos de marketing. Leia aqui o que podemos aprender com eles em termos de técnicas de marketing.
Mas o que seriam as técnicas se eles tivessem sido arrogantes, tivessem se transformado logo após chegar no Brasil, perdendo sua autenticidade, tivessem trazido só profissionais da Alemanha para trabalhar no Campo Bahia para servi-los, tivessem usado de técnicas de marketing sem acreditar nas mensagens que estavam transmitindo, sem nenhum comprometimento com aquilo que estavam fazendo? A Alemanha está mudando muito e as gerações mais jovens não carregam consigo o peso do passado. Houve uma mudança substancial marcada durante a Copa aqui na Alemanha em 2006. Se quiser ler mais sobre este tema, clique aqui.

A última acusação que li foi que por trás do time alemão estão grandes empresas alemãs que patrocinam o time, tais como Adidas e Mercedes Benz, e que elas estão ganhando com o sucesso da seleção alemã, como não poderia deixar de ser. Esta é, afinal, a razão pela qual uma empresa aposta em patrocínio. Apesar de eu não ser fã do capitalismo e reconhecer nele muitas injustiças, acho que não vamos mudar o sistema de um dia pro outro. Então, se todos os times tivessem vindo ao Brasil, se comportado bem e tivessem feito algo pela região onde estiveram, acredito que a Alemanha não teria se sobressaido tanto assim como no momento.

Pessoalmente fiquei muito impressionada com a reação dos alemães logo depois de termos perdido de 7×1 pra eles. Eles perguntaram como eu estava, se já tinha me recuperado do jogo, como eu tinha me sentido, como tinha sido em casa com o marido e os filhos… Ninguém chegou rindo da minha cara nem fazendo brincadeiras de mau gosto. Ganharam meu respeito também com relação a este episódio. E foram muitos brasileiros que moram aqui que dividiram experiências semelhantes.

Por ultimo, por mais que me doa no coração, acho que o time alemão se sobressaiu tanto no Brasil devido à nossa decepção com o time brasileiro. Se nosso time tivesse convencido na competição, não teria deixado muito espaço para os demais. Mas no Brasil se joga bola em cada esquina, e devido à nossa natureza e nossa garra acredito que nos relevantaremos e em breve mostraremos um futebol, que no momento, muitos dos que entendem de futebol afirmam que está sendo jogado pelo time alemão…

Bom, esta é minha opinião, ainda acreditando que presentes são presentes e não se deve ficar analisando o tamanho de cada um, como já dizia um bom ditado alemão. Ainda assim fico curiosa com o que você pensa a respeito de tudo isso. Agora é sua vez de deixar sua opinião nos comentários. Se eu tiver esquecido algo ou deixado algo de fora, tanto com relação aos presentes quanto sobre as argumentaçõoes, agradeço por correções e acréscimos. Um bom domingo e um bom jogo para todos hoje à noite!

::Visita ao museu de arqueologia de Constança::

24/03/2014

Taí. Precisei de 16 anos para ir ao museu de arqueologia de Constança e tenho que dizer que adorei a visita! Depois dos primeiros dias lindos de primavera deste ano, este final de semana foi chuvoso e bem frio. Parece que a primavera resolveu dar uma folga e a chuva decidiu cuidar das flores, que já enfeitam toda a região em todas as suas esplêndidas cores e formas. Dada a mudança de temperatura, busquei algo pra fazer com crianças que não dependesse de tempo bom.

Fomos eu, Daniel e dois amiguinhos dele. As crianças foram atraídas por uma exposição toda feita de Playmobil, já que o museu tem sempre uma preocupação de construir cenas históricas e fazê-las visíveis aos olhos dos pequenos. As cenas que vimos hoje foi sobre o Concílio que aconteceu em Constança há 600 anos atrás (1414-18), do qual participaram 70.000 pessoas. Durante o Concílio de Constança, foi escolhido no ano de 1417 o novo Papa Martin V, portanto um acontecimento de repercussão mundial. Do lado da exposição a criançada tinha muito Playmobil e um quebra-cabeça gigante pra brincar. Aqui um link para um vídeo sobre esta exposição.

O museu tem ao todo 4 andares de história. Vimos o que a região onde moramos significou nos séculos passados, quando o Lago de Constança foi importante para as trocas comerciais dos alemães com o resto do mundo, dadas as dificuldades logísticas de antigamente. Nos outros andares vimos também muito da história do povo alemão (Alemannen), que é originário do norte da Alemanha e que povoou o que hoje é conhecido como o estado de Baden-Württemberg aqui na Alemanha. Em Württemberg fica parte do povo alemão conhecido como suebis, aliás na minha opinião os mais parecidos com os mineiros aqui na Alemanha, por serem altamente econômicos como nós. Abaixo um mapa da Europa no século V:

Aprendi que os romanos tinham também tentado ocupar a região do povo alemão (Alemannen ou Alamannen em latim), mas depois de terem tentado entrar no sul da Alemanha e ter até ocupado algumas cidades, eles tiveram que recuar e se limitaram às cidades ao longo do Reno (fronteira da Alemanha com a Suíça e a França). Aprendi também que os arqueólogos conseguiram recuperar grande parte da história do povo alemão através do estudo arqueológico da região, mais intensivo desde os anos 80, e também das descobertas derivadas dos túmulos daquela época, pelo fato distinto de que os cristãos não levavam presentes para o além e do contrário os alemães acreditavam que havia vida após a morte, levando consigo coisas representativas da sua vida terrena (jóias, armas, instrumentos musicais, etc.). Fiquei sabendo que o homens que faziam parte do povo alemão tinha em média 1,72 cm de altura, e as mulheres tinham 1,62 cm de altura, portanto nem tão mais baixos do que a média atual. As casas eram feitas de madeira, barro e tinham que ser refeitas a cada 20 anos em média. Pelo fato do povo alemão ter conseguido expulsar os romanos de suas terras e ter chegado até a tentar conquistar mais território, eles puderam manter seu idioma e sua identidade cultural. Este idioma é a origem dos dialetos alemães de hoje em dia, que vão de um território que abrange o norte da Suíça, norte da Áustria, Lichtenstein, sudoeste da Baviera até grande parte do estado de Baden-Württemberg e mostram que apesar de serem vistos como vários países, trata-se do mesmo povo. A partir do século XIII os romanos passaram a chamar o território teutônico de território alemão, o que deu origem ao nome Alemanha e à denominação do povo alemão no caso das línguas derivadas do latim, como por exemplo no caso do português, espanhol, catalão e francês, mas também para o idioma turco, árabe, curdo e persa.

Tanta coisa para descobrir! Sou super interessada por história, pelos ceutas e pela história de como se formou o povo alemão (reunião dos povos Alemannen, Franken, Friesen, Sachsen, Angeln e Thüringer do mapa acima). Agora fiquei com vontade de aprender mais ainda sobre os temas! E voltar ao museu, quando entender um pouco mais do assunto. Portanto recomendo, pra quem estiver de passagem por Constança, que não cometa o mesmo erro que eu e vá visitar o museu assim que tiver a oportunidade!

Fontes: Museu de Arqueologia de Constança (Archäologisches Landesmuseum) e Wikipedia (Allamanen).


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