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Posts Tagged ‘alemã’

::Onde fica Ausfahrt?::

17/11/2017

Encontre resposta para essa e muitas outras perguntas relacionadas à direção no inverno nas rodovias alemãs nesse artigo informativo e bem humorado! Ausfahrt, essa cidade alemã deve ser muito grande!…

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::Um alemão em Blumenau::

06/11/2017

Como se sente um alemão do século 21 visitando Blumenau em Santa Catarina? Descubra nesse texto bem humorado do correspondente alemão do jornal Die Zeit, Thomas Fischermann.

::Mineirinha n’Alemanha: Promoção especial de quase 25 anos na Alemanha::

29/10/2017

Ano que vem estarei completando exatos 25 anos na Alemanha, esse acontecimento parece incrível até para mim mesma! É muito chão e muita história pra contar!…

Em comemoração aos 25 anos e ao lançamento do meu novo livrinho (Re)descobrindo Quem é Você, que eu carinhosamente apelidei de RQEV, quero oferecer uma promoção especial, valida somente até o dia 31 de março de 2018, data que completo meus 25 anos de Alemanha: para quem adquirir meu novo livro, gostar e quiser ler também o Mineirinha n’Alemanha, meu primeiro livro, ou quiser presenteá-lo para um amigo, sempre com dedicatória e autógrafo por um preço especial de 10 euros, incluindo o envio pelos Correios dentro da Alemanha, fora da Alemanha a combinar.

Quer se informar mais sobre os assuntos tratados no primeiro livro? É só visitar a seção “Os livros e onde comprar” aqui no blog. Qual é a opinião de quem já leu o livro? Visite a seção “Opiniões dos leitores“.

Eu quero o livro, como proceder? É só entrar em contato comigo, mandando uma comprovação da compra do RQEV, informar pra quem é a dedicatória e após a transferência, o livro é enviado pelos Correios. Corra lá pra garantir o seu, pois o número de livros é limitado, só restam mais alguns exemplares!

::Aprenda alemão cantando – Feuerwerk / Fogos de artifício::

22/10/2017

Gente, o cantor dessa música tem só 24 anos e já está fazendo música conhecida no país inteiro! Seguindo seus sonhos! Não deixando para depois! Aqui a tradução da letra da música do Wincent Weiss, que me tocou bastante pela mensagem que ela passa:

Fogos de artifício – Wincent Weiss

Faltam só quinze minutos – merda, estou atrasado de novo!
Tenho que correr de novo, lá vem vindo meu trem
Sim, eu sei, dizem que “ninguém espera por você”
Nós nos encontramos na mesma loja como há vários anos
Nós contamos pra nós mesmos como estamos estressados
Ah, deixa pra lá, esvaziemos a cabeça, você ainda se lembra?

Nós juramos pra nós mesmos:
„Ei, nós não vamos esperar pelo amanhã!”
Nós ainda continuamos a ser os mesmos palhaços
E heróis do nosso mundo

Vivamos como fogos de artifício, fogos de artifício – oh-oh
Como se tivéssemos só o dia de hoje – oh-oh
Porque esse momento não vai voltar nunca mais
Vivamos como fogos de artifício, fogos de artifício – oh-oh
Podemos conquistar o mundo todo – oh-oh
Vamos acender os foguetes um por um
E vivamos como fogos de artifício, fogos de artifício
Fogos de artifício

Os olhos estão ardendo, mas eu sigo meu instinto
Não vou entrar ainda, porque não quero perder nada
Você sabe muito bem, temos tudo isso só uma vez

Nós juramos pra nós mesmos:
„Ei, nós não vamos esperar pelo amanhã!”
Nós ainda continuamos a ser os mesmos palhaços
E heróis do nosso mundo

(Refrão)

E vivamos como …

Fogos de artifício e tudo passa tão rápido
Cinzas e lembranças são o que vai sobrar amanhã
Não importa, então de novo
Lá fora tem tanta coisa mais (pra conquistar)!

(Refrão)

°°°

Feuerwerk – Wincent Weiss

Viertel vor – verdammt, schon wieder spät dran!
Ich muss renn’n, da vorne kommt schon meine Bahn
Ja, ich weiß, es heißt: „Keiner wartet auf dich.”
Wir treffen uns im gleichen Laden wie seit Jahr’n
Erzählen uns, was für ein’n Stress wir haben
Scheiß drauf, Kopf aus, erinnerst du dich?

Wir hab’n uns mal geschworen:
„Ey, wir warten nie auf morgen!”
Wir sind doch immer noch dieselben Clowns
Und Helden uns’rer Welt

Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Als wenn es nur für heute wär’ – oh-oh
Denn dieser Augenblick kommt nie zurück
Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Die ganze Welt kann uns gehör’n – oh-oh
Verbrenn’n die Raketen Stück für Stück
Und leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk
Feuerwerk

Die Augen brenn’n, doch ich hör’ auf mein Gefühl
Geh’ noch nicht rein, weil ich nichts verpassen will
Du weiß auch genau, wir hab’n das alles nur einmal

Wir hab’n uns mal geschworen:
„Ey, wir warten nie auf morgen!”
Wir sind doch immer noch dieselben Clowns
Und Helden uns’rer Welt

Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Als wenn es nur für heute wär’ – oh-oh
Denn dieser Augenblick kommt nie zurück
Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Die ganze Welt kann uns gehör’n – oh-oh
Verbrenn’n die Raketen Stück für Stück
Und leben wie ein …

Feuerwerk und alles ist so schnell vorbei
Asche und Erinnerung ist, was morgen überbleibt
Ist egal, dann halt nochmal
Da ist noch so viel mehr!

Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Als wenn es nur für heute wär’ – oh-oh
Denn dieser Augenblick kommt nie zurück
Lass uns leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk – oh-oh
Die ganze Welt kann uns gehör’n – oh-oh
Verbrenn’n die Raketen Stück für Stück
Und leben wie ein Feuerwerk, Feuerwerk
Feuerwerk
Und leben wie ein Feuerwerk

::Paixão alemã::

25/10/2016

tigre

Lá pelos idos do ano de 2000, depois que cheguei a ter medo de que o mundo iria acabar na virada do ano, ao voltar de uma viagem do Brasil fui intimada pelo meu marido de outrora para ir escolher um gato pra nossa família. Até então, gato não era o que eu exatamente poderia chamar de “amigo”: tinha tido alergia a gatos quando criança e não consegui me aproximar de animal nenhum durante toda a minha infância e adolescência – eles lá, eu cá. Tinha aprendido que nós, humanos, estávamos (muito!) acima deles.

Os gatos chegaram na nossa casa, irmãos, bem nenenzinhos, e como dupla permaneceram por muito pouco tempo, pois um deles morreu em seguida. Por ter pena do gato sozinho, tentamos arrumar companhia para o gato principal, mas a primeira tentativa não deu certo. Perdi meu peso na consciência depois de entender que gato gosta de ficar sozinho e, além do mais, dorme durante grande parte do dia. Durante esse período de peso na consciência, chegamos a tentar levar o gato, que era essencialmente de apartamento, pra passear, mas não funcionou. Nem coleira, nem passeio. O gato rastejou no chão e parecia carregar mil livros no lombo… Quando queria passear, ele subia no telhado da casa e poderia ser visto do outro lado, tomando sol ou caçando passarinhos…

Nosso gato principal viveu vários momentos legais conosco. Foi fantasiado numa festa de Halloween e ganhou uma lanterna na cabeça pra correr atrás do próprio ponto de luz. Corria e batia na parede atrás de um reflexo de relógio e foi lançado da cama para nosso armário no quarto quando meu marido se sentiu incomodado por ele (e eu cheguei a pensar que era nosso filho voando pelo quarto)…

Meditava e tomava muito sol. Soube aproveitar a vida, ao lado de muitos que o amaram. Fazia massagens e praticava reiki. Era terapeuta! Antes mesmo de sabermos de um ponto que doía no nosso corpo, ele mostrava o local, fazia massagem e aplicava energia curativa.

Junto de um novo gatinho que recebemos depois que ele já era vovô, fez cocô pela casa toda, até no meio dos colchões da minha cama de casal e debaixo do tapete que tinha ganhado de presente de casamento. Os dois pintaram o sete, fizeram xixi por todo canto, espalharam partes do lixo pela casa e destruíram parte dos meus móveis. Depois de destruir grande parte deles, o Tigre, Tigrinho, “Tigger” ou Tiggi em alemão, ganhou um novo local para afiar suas unhas…

Ficou traumatizado depois que o levamos no veterinário pra ser castrado. Teve duas casas. Acompanhou muitas mudanças, altos e baixos, achou que tinha ficado sozinho pra sempre toda vez que viajamos, viu um neném vir ao mundo e fez greve de fome porque não queria aceitar dividir a atenção de sua dona com ele (ou será que ele era o verdadeiro dono do pedaço?). Passou vários anos em pé de guerra com meu filho e depois de uns cinco anos os dois finalmente fizeram amizade.

Teve uma saúde de ferro, que só foi abalada por um livro grosso que, por azar, caiu nas suas costas e machucou seus nervos. Lutou contra a homeopatia prescrita pela dona, cuspindo cada bolinha dificilmente enfiada em sua boca, e, sem querer, quase foi morto por Paracetamol. Por sorte olhei antes no Google: gato + Paracetamol = morte.

Foi e sempre será um gato insubstituível, companheiro de meus filhos e de toda a família, leal, caridoso, sábio, terapeuta, zen. Tem cadeirinha cativa na primeira fileira do meu coração e pra mim vale muito, muito mais do que muitos seres de duas patas, senhores de si, espalhados por este mundo lindo e cruel.

Mostrava o caráter das visitas. Recepcionava meu filho na porta de casa. Esquentou as mãos da minha irmã por vários dias seguidos no inverno. Cuidava da gente quando estávamos em casa. Sentava em cima do celular ou do teclado pra ganhar carinho. Refazia a energia do ambiente. Sumia quando lhe dava na telha. Caiu do telhado ou fugiu pela porta algumas vezes, mas sempre voltou pra casa.

Viveu por 17 anos e nos acompanhou por quase 16 anos e meio, durante quase toda a minha vida na Alemanha. Morreu de morte natural, depois que conseguiu se despedir de todos os cantos da casa e de todos os integrantes da família, e vai viver pra sempre na nossa memória. Somos muito gratos por sua existência e por termos podido dividi-la com ele! Que ele esteja em um lugar especial reservado aos bons, quer sejam homens, quer sejam animais.

°°°

Aqui um pouco mais de suas peripécias. Aqui algo para rir um pouco, especialmente para aqueles que têm gatos em casa.

°°°

Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos.
Albert Schweitzer

Gatos são poemas ambulantes.
Kligerman Murray

Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior.
Hippolyte Taine

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Artur da Távola

No princípio, Deus criou o homem, mas ao vê-lo tão fraco, deu-lhe o gato.
Warren Eckstein

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
Mark Twain

Mulheres e gatos agem como bem entendem. Homens e cães deveriam relaxar e acostumar-se com isso.
Robert A. Heinlein

::Viajando de trem pela Floresta Negra::

05/10/2016

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Se você nunca tiver feito essa viagem, não deixe de fazê-la o quanto antes: pegue um trem no extremo sul da Alemanha, por exemplo na região do Lago de Constança, e vá até Offenburg, na fronteira com a França, bem pertinho de Strassburgo.

É uma viagem inesquecível! Você vai passar por 33 túneis, entender por que a Floresta Negra tem esse nome (devido à densidade de árvores umas perto das outras, a floresta fica mesmo negra), além de admirar as paisagens, cidadezinhas e arquitetura da região.

Em maio, o verde já está radiante. Em dezembro, de preferência com neve, é como se vc estivesse em um conto de fadas, tudo branquinho à sua volta, paz total. Vai passar pela cidade cuja estação de trem é a mais alta da Alemanha (St. Georgen, que fica a 899 metros acima do nível do mar) e se admirar com a quantidade de placas solares que povoam os detalhes ígremes da região. Vai se admirar com castelos no alto das montanhas (a primeira coisa que me deixou boquiaberta quando cheguei na Alemanha). Vai passar por lindas planilhas e depois se perguntar como foi que se animaram a construir cidades nos vales mais profundos da floresta, se expandindo montanha acima.

É realmente um verdadeiro espetáculo para os olhos! Vale super a pena e é uma das minhas viagens favoritas. Fica a dica!

::Reise (Ich war hier) – Viagem (Eu estive aqui) – Da série “aprenda alemão cantando”::

12/10/2015

Tradução minha em português abaixo da letra em alemão

Reise (ich war hier) – Miss Platnum

Die Wände beben,
vom donnern der Gleise
Ich spring auf den Zug
lass’ die Weichen entscheiden

Land und Himmel
verschwimmen zu einem
an mir zieh’n Vögel
ich an ihnen vorbei

Ich brauch nichts mehr
in Worte zu fassen
ich streck’ die Arme aus, ich bin…

REFRAIN
Ich bin auf der Reise
um zu beweisen,
dass es stimmt
Dass nach dem Schließen der Kreise
etwas Neues beginnt
Schreib’ mit Kreide auf Steine und Beton
Ich war hier, ich war hier
Ich bin auf der Reise
bis mein Name verschwimmt

Mein altes Ich beginnt zu verblassen
Kein Plan, bin auf dem Weg loszulassen
Das Chaos ist einfach perfekt
Hab’ wie Kolumbus eine Welt neu entdeckt
Verlier’ die Angst, wie einen alten Schlüssel
ich streck’ die Arme aus, ich bin…

REFRAIN

Es ist an der Zeit, die Zeit loszulassen
Den Schlaf loszulassen
auf dem Weg nach Haus’
An der Zeit sich mit Neuem zu befassen
alles zuzulassen auf dem Weg

REFRAIN

°°

Viagem (Eu estive aqui) – Miss Platnum

As paredes estão tremendo
Por causa do trovejar dos trilhos
Eu pulo no trem
Deixo as vias tomarem as decisões

Terra e céu
Se misturam
Pássaros passam por mim
E eu por eles

Eu não preciso de
Explicar nada mais em palavras
Eu abro os braços, eu…

REFRÃO
Eu estou viajando
Pra provar
Que é verdade
Que depois que o círculo se fecha
Algo novo começa
Eu escrevo com giz na pedra e no concreto
Eu estive aqui, eu estive aqui
Eu estou viajando
Até que meu nome desapareça

O meu velho „eu” está deixando de existir
Estou sem planos, estou no caminho de deixar coisas pra trás
O caos está perfeito
Descobri como Colombo um novo mundo
Estou perdendo o medo, como uma chave velha
Eu abro os braços, eu…

REFRÃO

Chegou a hora, de deixar o tempo pra trás
Deixar o sono pra trás
No caminho pra casa
Chegou a hora de se ocupar com o novo
Aceitar tudo durante o caminho

REFRÃO

::#WelcomeChallenge – Onda de Solidariedade para com Refugiados na Alemanha::

07/09/2015


Ainda estou processando os fatos dos últimos dias. Já chorei algumas vezes, ao ver os vídeos dos alemães dando boas-vindas aos refugiados que têm chegado aos montes na Alemanha.

Sim, o preconceito racial continua existindo na Alemanha. Sim, o mundo continua sendo da opinião de que existem pessoas melhores e piores, dependendo de seu passaporte e da língua que falam. Sim, os nazistam continuam por aí. Mas há esperanças, há grandes esperanças. Enquanto nos noticiários surgem reportagens de casas (de refugiados ou de pessoas que apóiam os refugiados) que foram incendiadas propositalmente, nos últimos dias os noticiários e as manchetes que predominam na Alemanha são os da solidariedade do povo alemão direcionados aos refugiados, recebendo-os nas estações de trem, dando-lhes comida, bebida, bichinhos de pelúcia para as crianças, aplaudindo sua chegada… É muito emocionante! Ainda mais para mim, que cheguei aqui em 1993, exatamente na época em praticamente não se via (mas certamente existia) solidariedade direcionada aos que chegavam e na realidade era bem mais comum ouvir notícias de incêndio das moradias de asilados… O incêndio de Solingen, por exemplo, marcou a história do país, e tornou-se símbolo daquela época, quando um pequeno grupo de alemães, bêbados, depois de terem sido expulsos de uma festa, foram para a frente da casa de uma família turca, colocaram fogo nela e mataram, ao todo, cinco pessoas, deixando 17 pessoas feridas. Lembro-me que os membros da AIESEC, com quem eu convivia, usava naquela época, como sinal de protesto, camisetas com o nome de todas as cidades onde incêndios daquele tipo tinham acontecido naqueles anos fatídicos… Meu marido disse que naquela época a Alemanha era tão preconceituosa que até ele, que tinha morado no exterior e voltou a morar em seu país natal, sentia o preconceito com relação a ele mesmo, por não ter crescido aqui, não ter nascido na região onde morava. Alguns amigos me contaram que os jovens dos bairros da região onde moro tinham muita rixa uns com os outros naquela época, muitos não se misturavam e não se aceitavam. E vejam bem, isso tudo aconteceu há pouco mais de 20 anos atrás!…

Desde então a Alemanha mudou de cara – e de alma. O país se internacionalizou. O inglês virou o segundo idioma mais falado. Em 1993 já andei quilômetros e quilômetros em Frankfurt procurando UMA pessoa que falasse inglês!… Os jovens crescem agora em grupos multiculturais e acham que o multiculturalismo é algo natural. O termo “pessoas de origem migratória”, mesmo que possa ser usado de forma pejorativa, surgiu para tentar entender e quantificar o processo migratório que se instalava, cada vez mais, no país. Hoje uma em cada cinco pessoas que moram na Alemanha, ou seja, 20% da população, é estrangeira ou filha de estrangeiros.

Está claro que a situação atual não está clara para ninguém. Nenhum país ou líder tem todas as repostas para a onda migratória que está afetando o mundo todo, e alterando o quotidiano da Europa, mudando sua cara mesmo. Os empresários alemães vêm a chegada de jovens como uma mão de obra potencialmente propícia para ocupar os postos de trabalho que estão em aberto na Alemanha e para garantir o crescimento econômico do país. O governo vai ter que alterar as leis relativas a refugiados para que eles tenham o direito de trabalhar mais rapidamente, facilitando sua integração. Escolas e universidades preparam-se para receber também os refugiados e aumentar os cursos para o aprendizado do idioma. Voluntários de todas as cores e sabores atuam de várias formas ajudando os refugiados e aqueles que já foram declarados oficialmente como asilados. Pessoas comuns participam de doações, dentre e fora da internet, e no Facebook vários grupos, como por exemplo o #WelcomeChallenge (no mesmo estilo do #IceBucketChallenge do ano passado), faz ações e doações para ajudar os que estão chegando no país e depois nomeiam colegas e amigos para que a boa ação seja seguida por outros. Muitas pessoas que exercem influência e têm um papel de destaque no país, como o ator e diretor de cinema Til Schweiger, estão se engajando em prol dos refugiados e influenciando positivamente a sociedade.

Óbvio que enquanto a população ajuda, ela também tem medo. Metade da população preocupa-se com a integração e a manutenção de tantos asilados no país. Enquanto os membros da Comunidade Europeia discutem como dividir os refugiados entre si, a Hungria constrói um muro de 175 km na fronteira com a Sérvia… Enquanto turistam se deitam para merecidamente curtir suas férias nas praias, como por exemplo na ilha de Kos, refugiados chegam nessa ilha da Grécia e em muitas outras com necessidades básicas a serem atendidas… O governo alemão vai ter que contratar mais de 1000 pessoas e disponibilizar mais dinheiro para poder receber e processar os pedidos de asilo, de forma a ajudar a quem realmente precisa. Discute-se a diferença entre o refugiado, que está fugindo de uma situação insustentável de guerra e condições inexistentes de vida digna em seu país natal, e o imigrante, que busca melhor qualidade de vida, mas não está necessariamente passando por dificuldades tremendas para manter sua dignidade. Pretende-se concentrar os esforços e ajudar a quem realmente está precisando de ajuda.

A ideia de que moramos em um só planeta e de que somos todos um, somos todos seres humanos com as mesmas necessidades e desejos, urge ainda mais na situação atual. A foto do menininho morto na praia da Turquia rodou o mundo e colocou muita gente pra pensar. O Papa Francisco pediu para que cada igreja, cada mosteiro, a começar por ele no Vaticano, cuide de pelo menos uma família refugiada. Muitos aqui lembram que os alemães tiveram que fugir durante as Guerras até dentro de seu próprio país e que tiveram a sorte de serem recebidos e terem podido reerguer suas vidas em outras partes da Alemanha, outros por sua vez em muitas outras partes do mundo, também como emigrantes. Ontem foram eles, hoje são outros. Ontem foram alvo de solidariedade, hoje são solidários. Não há resposta para todas as perguntas atuais. Não há resposta para quase nenhuma pergunta atual. Mas há muita solidariedade de pessoas comuns como eu e você. Esta já é uma grande resposta.

Quer ajudar e não sabe ainda como? Veja aqui um Portal de Informações sobre Projetos de Ajuda a Refugiados na Alemanha.

°°°

Encheram a terra de fronteiras, carregaram o céu de bandeiras, mas só há duas nações – a dos vivos e dos mortos.”
Mia Couto

::Estresse nas escolas alemãs::

23/07/2015

Complemento do post de ontem: achei esta reportagem aqui que complica ainda um pouquinho mais a coisa toda. Nela consta que cada estado também lida diferente com a questão de poder indicar uma escola para a criança. No estado de Hessen, por exemplo, os pais podem escolher em que escola o filho será matriculado. Na Baviera, pelo contrário, é o professor que irá indicar a escola de acordo com a nota da criança. As notas importantes na tomada da decisão são alemão, matemática e HuS (Heimat- und Sachkunde, um misto de geografia com aprendizado sobre a cultura regional). Pasmem: se a média das notas for igual ou maior do que 2,3, a criança receberá a indicação para o ginásio. Se a nota for pior que 2,6, o aluno será indicado para a Mittelschule (a Hauptschule de lá).

Um estudo da universidade de Würzburg comparou ambos os estados, Baviera (Bayern) e Hessen. A constatação foi de que o estresse ligado à passagem da 4ª. para a 5ª. série, tanto para crianças quanto para os pais, é ainda maior quanto menos os pais podem influenciar na escolha da escola para seus filhos. Isso quer dizer que o pessoal na Baviera é muito estressado no quesito escola!

Quanto ao nível de estresse em geral, queria comentar que geralmente os adultos são muito mais estressados que as crianças, exigindo demais, apertando o cerco, fazendo pressão, pagando por notas boas… a lista é interminável. Lembro quando o Daniel entrou na escola e uma mãe me ligou no final de semana pedindo um texto que o filho tinha que aprender naquele dia. Eu argumentei que era domingo e ela disse que é de pequeno que se torce o pepino e logo as crianças chegariam à 4ª. série. Nunca pressionei meus meninos, incito acima de tudo o interesse pelo saber e a busca daquilo que realmente os interessa. Ambos receberam a indicação para o ginásio.

Por aqui, o pessoal mais estressado são os alunos do ginásio, ainda mais depois que reduziram o ginásio de 13 para 12 anos (era G9 e virou G8). Desde então muitos jovens ficam um ou até dois anos sem entrar na universidade para poderem se recuperar do estresse até o Abitur.

::Sistema educacional na Alemanha::

22/07/2015

O sistema educacional alemão é pra lá de complicado. Basicamente, em termos de 1° e 2° graus, há três tipos de escola, a Hauptschule, a Realschule e o Gymnasium. Falando de forma bem simplória, na 4ª. série as crianças são avaliadas e recebem uma sugestão de que escola deveriam cursar a partir dali, o que de certa forma já define o caminho de sua vida, a princípio. Aqui no estado de Baden-Württemberg há poucos anos atrás a decisão era unilateral por parte da escola e se os pais eram contra essa decisão, a criança teria que fazer uma prova para poder estudar em outro tipo de escola que não o recomendado pelos educadores. Mas isso felizmente mudou e a decisão foi colocada nas mãos dos pais.

Crianças com notas mais baixas, principalmente em matemática e alemão, são indicadas para cursar a Hauptschule, crianças com notas médias irão para a Realschule, podendo depois se candidatar para cursos profissionalizantes, e as crianças no Gymnasium serão, em regra, aquelas que farão um curso universitário. Isso falando de forma bem generalizada, porque na prática pode acontecer, ainda que seja uma exceção, que uma criança acabe a Hauptschule, passe pra Realschule e chegue até o nível do Gymnasium, podendo então cursar uma universidade. A ideia básica deste tipo de ensino é dividir as turmas em grupos mais ou menos homogêneos e assim, também as expectativas do que essas crianças tenderão a ter mais tarde na vida adulta. O sistema está também apoiado nos pais, o que já foi comprovado através de várias pesquisas, mesmo sendo uma forma de preconceito, pois filhos de pais que cursaram uma universidade têm bem mais probabilidade de receber uma indicação para o ginásio do que um filho de operários.

As notas na Alemanha vão de 1 a 6, sendo que 1 é a melhor é 6 a pior. O engraçado é que não é necessário acertar a prova inteira para tirar uma nota 1. A partir de 93% das respostas corretas, a nota será 1. Às vezes o professor pode também oferecer testes extras que poderiam melhorar a nota final, e se a criança acertar tudo, as questões básicas e as extras, ela recebe um 1***,  portanto ultrapassa os 100%.  Pra complicar mais um pouquinho, a partir da Oberstufe do Gymnasium (que são os dois últimos anos do ginásio, anos 11/12) as notas vão de 15 a 0, sendo 15 a melhor nota e 0 a pior, claro. Aqui tem umas tabelinhas tentando explicar as notas na Alemanha.

Cada estado alemão decide independentemente sobre as notas dadas nas escolas, sendo que o que substitui o vestibular na Alemanha, a nota do Abitur de Baden-Württemberg e de Bayern (Baviera) são os mais respeitados no país. Existem também vários tipos de ginásio, humanistisches Gymnasium, Sport- und Skigymnasium, Musikgymnasium, Technisches Gymnasium und Wirtschaftsgymnasium (Oberstufe anos 11/13, ginásios especializados em ciências humanas, exatas, esporte, música, etc.), enquanto que o ginásio normal vai até os anos 11/12. Isso significa que quem chega ao nível do ginásio vindo de outro tipo de escola vai precisar de um ano a mais para chegar ao Abitur.  Também existe um Abendgymnasium, um ginásio à noite, geralmente para quem está  terminando o 2° grau para mais tarde poder estudar na universidade, geralmente adultos que trabalham durante o dia e estudam à noite.

Bem nova é a idéia da Gesamtschule ou Gemeinschaftsschule, que reúne os três tipos de escola em um só grupo, como no Brasil, até a classe 10. As aulas são o dia inteiro e as crianças não têm aula frontal o tempo todo, se acostumam a trabalhar em grupo, ajudar outros colegas e podem receber tratamento individual para se desenvolverem de acordo com suas habilidades. As notas são mais inteligíveis, pois o máximo é 100, e no fim do ano 10 as crianças podem continuar em um ginásio até atingirem o Abitur, se quiserem estudar em uma universidade na Alemanha.

Há dois tipos de universidade, a universidade normal, chamada Universität, e a Fachhochschule, uma universidade de ciências aplicadas, sendo mais prática do que o curso mais teórico de uma universidade normal. Quem tem o Abitur, pode estudar tanto em um tipo como no outro de universidade, mas quem só tem Fachhoschulreife só pode estudar na Fachhochschule.

A parte mais interessante desses mil e um caminhos é que as escolas alemãs são gratuitas desde a 1ª. série até o final do segundo grau. Na universidade se paga apenas um pequeno valor (tipo 60 euros) para efetuar a matrícula semestral. No estado onde moro, Baden-Württemberg, as crianças recebem todos os livros no início do ano letivo, tendo só que encapar os que forem novos e colocar o nome do aluno em uma listinha logo na contracapa de cada livro. Geralmente depois de alguns anos de uso consecutivo os livros são doados para os alunos daquele ano e livros novinhos em folha serão postos em circulação.

Na prática, claro, a vida não é tão simples como no papel. Já vi jovens deixando a universidade para tentar uma vaga em um curso profissionalizante, já vi muitos jovens terminando o Abitur e fazendo de tudo, menos universidade. No caso da turma da minha filha, que terminou o ginásio há um ano atrás e era um grupo de 130 pessoas, somente 10 foram estudar em seguida e a grande maioria foi viajar, fazer algum trabalho voluntário ou estágios que pudessem contribuir para eventualmente melhorar a nota do Abitur no processo seletivo para a universidade. Paradoxalmente, a Alemanha carece de profissionais de saúde, mas somente jovens cujo Abitur chega perto da nota 1 conseguem um lugar em uma universidade de Medicina, provavelmente a mais concorrida do país. Tem muito alemão indo estudar em países da Europa Oriental devido às dificuldades de conseguir um lugar em uma universidade alemã, o que não se aplica para todos os cursos.

O estado alemão tem soberania de definir os pilares da educação, as universidades têm soberania individual. O engraçado é que não há nada parecido como um ENEM ou um vestibular na Alemanha, e se o jovem tem interesse em estudar em 15 universidades diferentes, ele tem que se candidatar 15 vezes, e pode ser que cada universidade tenha pré-requisitos bem diferentes umas das outras. Como eu expliquei, a nota do Abitur vai decidir quem consegue uma vaga na universidade, mas há cursos, p.ex. na área criativia, que avaliam a aptidão do candidato além da nota através de trabalhos práticos, criativos, etc. Para cada caso, um caso, uma nova forma de tentar um lugar na universidade, novas regras.

Outros fatos curiosos: não existem uniformes. As crianças e jovens vão para escola como bem entenderem. Em geral celulares são proibidos dentro das escolas, que não têm nenhum muro ou tipo de controle na entrada. Durante o horário de funcionamento da escola entra e sai quem quiser. Se alguma criança é pega usando o celular, ela tem que entregá-lo ao professor e depois ir buscá-lo na secretaria… Não há chamada ou lista de presença, só na hora de entrega das notas de provas. O ano letivo começa em setembro e termina em julho (pode ser um pouco diferente de estado para estado, mas o ano letivo é sempre do meio de um ano até antes do final das férias do verão do ano seguinte).

Fui perguntada se acho que uma criança brasileira pode vir para a Alemanha e continuar os estudos aqui em uma escola alemã. Conheço crianças brasileiras e de várias outras nacionalidades que se mudaram pra cá e foram matriculadas em escolas normais da Alemanha, depois de um curso intensivo de alemão e de uma avaliação de que tipo de escola seria o mais adequado para elas. O mais importante mesmo é que a criança consiga receber uma boa base da língua alemã, para poder ter condições de acompanhar bem as aulas e de se enturmar na classe. As notas de alemão e de matemática são as mais importantes no currículo e ajudarão a decidir qual é o tipo de escola adequado para cada criança, mas se uma criança tem dificuldades de grafia e gramática, perderá notas em todas as outras matérias ao  fazer provas e cometer erros de alemão. Um fato interessante que li aqui e queria incluir neste post é que hoje em dia um terço dos estudantes na Alemanha tem pelo menos um pai de outro país, mas o número de estudantes filhos de imigrantes em ginásios é bem baixo. Na época da minha filha, praticamente só 5% tinham sobrenomes estrangeiros. Filhos de russos, judeus, chineses, coreanos ou vietnameses são matriculados com mais frequência no ginásio na Alemanha do que crianças alemãs, em termos percentuais.

A grande crítica ao sistema de ensino alemão é que na quarta série a vida de uma criança é definida em grande parte, e por outro lado o meio social dos pais influencia de forma considerável nesta decisão. A cultura alemã analisa o que falta, portanto uma criança tende a ser analisada pelo que lhe falta, não pelo que ela traz em abundância. Fico pensando o que é decidido no caso de crianças cujos pais não entendem bem o sistema ou mesmo o idioma alemão. Fico pensando o que teria sido de mim se tivesse crescido na Alemanha, se teria seguido a mesma trajetória que segui no Brasil. Todo ser humano deveria poder conseguir crescer tanto quanto sua potencialidade lhe permita e tentar transpor seus próprios limites.

E quanto a você, qual é a sua experiência com o sistema educacional alemão? Tem filhos que vão à escola aqui? Do que gosta, do que não gosta? Deixe seu comentário abaixo! Eu e os demais leitores agradecemos por sua contribuição!


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