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Archive for the ‘Quotidiano’ Category

::Backwerk: Como ganhar – e perder – um cliente em menos de 24 horas::

31/10/2017

Há umas semanas atrás assisti um documentário sobre o fato de que muitas padarias não são mais padarias, mas mantêm meros fornos para esquentar massa de pão feito muito longe, muitas vezes em outros países, p.ex. na Polônia. Elas conseguem vender pães a preços mais baratos, mas a custo da qualidade e da falta de ética por todo o processo econômico, pois quem compra barato também quer ter baixos gastos, p.ex. com pessoal, para maximizar seu lucro. Assim todo mundo sai perdendo, mas os bolsos dos donos dessas grandes cadeias acabam crescendo e eliminando as pequenas padarias espalhadas pelo país. Capitalismo no nível hard core.

A Backwerk é uma dessas empresas. Compro pouco lá, mas ontem estava voltando do trabalho, ia direto pra ioga e tinha só uns minutos em uma estação de trem, e corri lá pra comprar um pão. Quando ia pagar, vi que me faltava um euro e não poderia levar o pão. Quis devolver, mas não me permitiram. O gerente me passou um sabão, mas pediu que a empregada anotasse o valor que faltava na nota de compra e eu deveria voltar lá para pagar o valor devido. Comentei com meu marido que a empresa me vendeu fiado, como antigamente.

Em praticamente 12 horas voltei lá pra pagar minha dívida, pois não gosto de ter dívidas. A funcionária não sabia falar alemão direito e chamou a gerente  do dia. Essa, não gostou da novidade e começou a reclamar, que não poderia aceitar o dinheiro, que eu voltasse outra hora. Disse que não faria isso e pedi que me cobrasse o valor. Ela deu ordens à sua empregada que nunca faça coisa parecida, disse que não seria tão fácil assim, seu caixa não fecharia no final do dia. Eu disse que o gerente do dia anterior tomou essa decisão, que pelo jeito ele tinha mais a mandar do que ela e que agora eu queria pagar minha dívida, e que afinal de contas se em um dia falta um euro e no outro sobra um euro, o caixa dos dois dias irá fechar porque um euro positivo com um euro negativo daria zero. Mesmo assim ela relutava e eu pedi que a funcionária cobrasse o dinheiro e deixasse o valor separado ao lado do caixa, para poder resolver como colocá-lo no sistema mais tarde, porque eu não poderia perder meu trem. Ela cobra o valor devido, enquanto a gerente desaparece esbravejando para o fundo da loja. Isso bastou para que eu comentasse com ela: “Sua chefe é muito sem educação. Hoje foi o último dia que compro alguma coisa nesta loja. Não volto aqui nunca mais!”

Li que as marcas e empresas das quais gostamos e onde gastamos nosso dinheiro têm muita ligação conosco mesmo e com nossos valores. Quais são as marcas às quais você é fiel e por que, o que elas dizem sobre você mesmo?

P.S.-Se quiser responder mais perguntas sobre você e fazer uma viagem dentro de si mesmo, dê uma olhada no meu novo livro aqui.

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::Histórias de sucesso de brasileiros na Alemanha::

29/10/2017

São histórias assim que me enchem de admiração e respeito pelo caminho de cada um. Apesar de todos os pesares, fica a certeza de que vale a pena acreditar em nossos sonhos… Meus sinceros parabéns, Celso!

“Para cada „Adriana” (mentor) em nossas vidas existem meia dúzia de pessoas prontas para nos desanimar. A arte está em não se deixar apavorar.”

::Um dia qualquer, um dia desses::

12/10/2017

Ela se levanta e vai cuidar da vida. Antes, dá uma enroladinha de 5 minutos na cama. Em pouco tempo, depois de pular da cama, ela e o filho estão prontos para o novo dia. Dependuram bolsas, mochilas e tudo o mais que precisam em seus corpos e dão no pé para não perderem o ônibus. Já dentro dele, dão o primeiro “bom dia” do dia para o motorista, conversam um pouco, se ajudam com o que levam, trocam umas ideias sobre o dia e sobre o que está por vir e se despedem a certa altura, quando o filho desce do ônibus.

Ela segue na rotina diária de dar uma lida nas manchetes dos jornais, e constata a cada vez mais como os jornais sofrem com esse mundo digitalizado! Muitas vezes, as manchetes não refletem mais os últimos acontecimentos… Ela agradece em carreira pelo transporte público que a leva até o trabalho, mas inicia uma cadeia de reclamações quando algo sai fora do planejado e as expectativas de chegar no trabalho em determinado horário vão pro espaço.

Um pouco de Facebook, mais leitura. Ah sim, agora as mulheres podem dirigir na Arábia Saudita?!? Quer dizer, a partir do meio do ano que vem??? Ah, e elas iam tirar carteira em outros países, se por ventura achassem quem as liberasse para tal, e agora estão felizes que vão poder tirar suas carteiras do esconderijo? Nossa, elas não podiam ir a um estádio e agora podem fazer parte das festividades nacionais??? Elas não podiam tanta coisa, quer dizer, não podem ainda, isso tudo tem que ser organizado ainda. Vão ter que abrir mais auto-escolas, preparar o país para uma mudança grande dessas… Ah, e tudo isso depois de um clérigo ter anunciado lá “que as mulheres não merecem dirigir porque só têm um quarto do cérebro de um homem!” Ah sim, com certeza esse rei que anunciou essas novidades tão “bondoso” não está sendo movido a dinheiro, obrigado a modernizar o país 100% dependente do petróleo, e os homens não estão cansados de ficar dirigindo as mulheres para cima e para baixo e pagar motoristas para elas, que bem poderiam estar dirigindo seus próprios carros e movimentando a economia com as próprias pernas!… Money makes the world go round!… Muito bem.

Ela chega no trabalho e o dia passa, como sempre, voando… Se não prestar atenção, nem um café ela toma, porque já chegou a hora do almoço. Ah, perdeu o horário de ir almoçar com os colegas por causa de outro compromisso. Não faz mal, ela resolve comprar algo pra comer e vai pra beirada do rio, aproveitar o sol e as árvores de mil cores do outono. Encontra por acaso um jovem de 20 e poucos anos, colega de trabalho dela, e diz pra ele aproveitar a vida como estudante de Mestrado, que ele vai começar no começo do ano que vem. “Estudantes vivem definitivamente uns dos melhores anos de suas vidas! “, diz ela… Não comenta que se refere às preocupações do dia a dia do adulto, às decepções que a vida vai apresentando, às correrias, às expectativas de tudo e todos que nem sempre podem ser cumpridas…  Money makes the world go round!… Muito bem.

Já tinha a firme intenção de voltar para casa quando é pega, antes de conseguir se levantar da cadeira, por uma das pessoas importantes com quem ela lida. Ele reclama e descarrega sua frustração enquanto ela procura opções e argumenta. Ele se vai… e ela descobre que por 5 minutos perdeu o trem e terá que ficar mais meia hora no trabalho até que chegue o próximo trem…. Vai acabar chegando em casa à noite…. Money makes the world go round!… Muito bem.

No caminho pra casa, umas florzinhas lindas no caminho, um passo firme para ter certeza de que vai chegar na hora que o trem vai passar, um pouco de WhatsApp, algumas mensagens, umas novidades do Facebook… e mais notícias do dia. E esse tal de Weinstein sobre quem todos estão escrevendo nas manchetes das revistas, quem é ele? Ah… que cara nojento, esse chefão e magnata da Miramax, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, usando seu poder para comer as menininhas e mulheres de Hollywood, ameaçando destruir as carreiras delas e ao mesmo tempo saindo do banheiro pelado pronto “pr’aquilo” sem querer nem saber se a pessoa está interessada ou não… Casado e com mulher em casa, mas quem importa com isso? “Ah, e não tem problema nenhum, se alguém ousar abrir a boca, eu dou uma desculpa esfarrapada e ofereço uma grana para que ela fique calada! ” (Parêntesis para as vezes que eu mesma sofri ataques mínimos e não tão mínimos de homens nos ônibus, no primeiro emprego, do chefe, do colega de trabalho, do namoradinho… Fiz por bem esquecer da maioria deles, mas quando começo a ler as descrições detalhadas de algumas das mulheres atacadas pelo Weinstein, as lembranças colocadas no cantinho da memória afloram…) Money makes the world go round!… Muito bem. Mas, pensa ela, há algo positivo nessa meleca toda: as mulheres estão tomando coragem de denunciar o que é antes sofriam caladas!

Ela olha pra fora no trem e vê um céu indescritivelmente lindo! Vermelho, alaranjado, todo pintado, parece até pintura! Ela tira o celular da bolsa pra fotograr aquele espetáculo! Ao invés de ir direto para a casa, ela vai na direção da água para tirar mais fotos, observar o pôr do sol, lindo de um jeito diferente a cada segundo que passa. Que momento mágico! Há muito, muito a agradecer. E muita beleza que muitos não têm tempo de ver, mas que ela agradece por ter a oportunidade e realmente presenciar aquilo, poder estar PRESENTE. A vida é um presente.

::Saiu um novo livro da Mineirinha! Ou o inverso de: como se diz “enrolação” em alemão?::

10/10/2017

Para falar a verdade, eu tinha o projeto de escrever um novo livro já há muito tempo, mas fui – quase – vencida pela famosa enrolação, a em alemão tão famosa, conhecida e respeitada “Aufschieberitis” (vem do verbo “aufschieben”, que significa adiar, diferir, enfim para os mais entendidos e numa boa gíria brasileira: enrolar).

Nós, mulheres, temos 1.001 coisas na cabeça e para nós é muuuuuito fácil fazer de “b” a “z” quando na realidade sabemos claramente que deveríamos estar investindo naquele sonho importante, o “a”. Dizem que se algo nos dá muito medo, é exatamente naquilo que temos que investir, pois medos costumam esconder nossos maiores sonhos! E olha que tem bastante verdade nisso, viu?

Enfrentando meus medos de inúmeras coisas como escritora, mulher, mãe, profissional e expatriada, virava e mexia eu pensava de novo no projeto engavetado, que estava quase pronto… Comentei sobre ele com uma amiga escritora, a Isa Magalhães, e ela foi bem categórica: “lançe-o”. Mas eu sabia que não iria ser tão fácil assim…

Deixando de lado no momento algumas razões centrais da inércia temporária que explico no finalzinho do livro, e falando agora um pouco mais a nível geral, o ato de escrever para mim tem muita ligação com sentimentos. Tem muito de “timing“, de você um dia levantar da cama e afirmar: “hoje é o dia! ” E para mim, para minha satisfação pessoal e, espero, também dos meus leitores, foi no último domingo, 08/10/17, que consegui mesmo colocar a mão na massa de manhã até à noite e o novo livro saiu do forno!

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Sobre o livro:

Este livro é para mulheres, principalmente aquelas em busca delas mesmas e de uma ocupação profissional que faça a diferença em suas vidas.

Simples, concisa, de leitura rápida, mas intensa, o objetivo da obra é que a leitora faça um mergulho profundo dentro de si mesma, voltando à superfície com reflexões importantes para sua vida.

A ideia do livro surgiu da experiência de expatriada da autora, que já acompanhou vários casos de mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente no exterior. A autora espera que possa contribuir na caminhada dessas mulheres para se tornarem quem são de verdade.

°°°

Talvez alguém possa estar se perguntando por que estou sendo tão sincera ao anunciar que meu novo livro demorou pra sair,  muito mais do que eu esperava… É bem simples: minha intenção é motivacional, uma mensagem direta para todos aquel@s que, como eu, já tinham se acostumado com o projeto inacabado.

Uma pergunta direta: você tem um sonho que está bem pertinho do seu coração, que você sabe exatamente qual é, mas tem até certo receio de pensar nele? Já chegou a se acostumar à ideia de deixá-lo inacabado?

Outra pergunta: como você se sente quando pensa nele?

Última pergunta (juro!): como você vai se sentir quando realizar o seu sonho?

Esses pensamentos não me davam paz quando meu projeto me vinha à cabeça…. Ficava decepcionada comigo mesma, depois ia procurar outra coisa para “tapar o buraco”, se é que você entende o que estou querendo dizer.

Dizem que há dois dias importantíssimos na sua vida: o dia em que você nasceu e o dia em que descobriu qual é sua missão nesse mundo. A minha está descrita no livro, e uma dica bem grande da direção que me guia fica no topo da minha página de consultoria Connex Consulting: sharing knowledge to help others to grow – dividindo conhecimento para ajudar outros a crescer. É isso aí, quando aqui não mais estiver, quero ter deixado uma marca no mundo de agregação, solidariedade, persistência, fé, ação, amor… e muito mais. E dei mais um passo em todas essas direções com esse novo projeto! Eu prefiro ser… essa borboleta-metamorfose ambulante!..

Espero que encontre no livro pensamentos e frases, além de muitas perguntas, que lhe levem firmemente a pensar em você mesmo, pois nesse mundo louco e interconectado estamos perdendo a capacidade de nos refletir enquanto seres humanos e nos traduzir para o mundo externo. E por aí passam as pequenas e grandes alegrias do dia a dia!

O livro está disponível na Amazon no mundo inteiro, mas em diferentes canais dependendo do país. Nota IMPORTANTE: como a ideia do livro é de reflexão constante, ele recebeu o título “(Re)descubra Quem é Você”. Através da possibilidade da descoberta e da redescoberta, inventei de novo uma palavra dentro de uma palavra, como já tinha feito no primeiro lançamento, o “Mineirinha n’Alemanha”. Portanto,  ao procurar pelo livro na Amazon, lembre-se de adicionar os PARÊNTESIS na sua busca, ok?

Pra facilitar um pouco, abaixo alguns links:

E-book no Brasil * sem fotos pessoais, que aparentemente não puderam ser lidas pelo sistema

E-book na Alemanha * também sem fotos pessoais

Livro na Alemanha * com 9 fotos coloridas e pessoais, capa mais colorida ainda!

Ainda não tenho um canal de distribuição para a versão do livro no Brasil. Quando ele existir, aviso aqui.

Dependendo de onde você estiver no mundo, é mais fácil procurar pelo livro através do seu título, no campo de busca da Amazon, e assim você vai achar a oferta local, certo? Ele está disponível em 13 websites diferentes da Amazon, espalhados como vários canais de venda do Brasil ao Japão.

Estou bastante curiosa para receber comentários, ler e ouvir o que outras pessoas acharam depois da leitura do RQEV (isso, inventei também uma sigla para ele!). Vai lá e depois me conta, vai?!? Minha prima Lílian, que carinhosamente escreveu o prefácio do livro, já começa afirmando: “certamente, se este livro chegou até suas mãos, é porque você precisa dele! “

::Visitas do Brasil na Alemanha::

20/09/2017

O verão está chegando ao fim e com ele as visitas do Brasil já foram embora. Agora no finalzinho desse período, no meio de setembro, nos divertíamos com minha mãe afirmando que “aqui é frio demais, que ela não sabe como alguém pode conseguir viver aqui e que sente muita pena de levantarmos cedo e termos que sair pra trabalhar nessa friagem…” Detalhe: o “muito frio” dela é quase verão para os patamares alemães, próximo ou pouco abaixo dos 20 graus. Mal sabe ela quando o frio aperta mesmo!…

Pra receber bem minhas visitas, já deixei um cartão SIM em cima da cama deles, como outrora deixávamos só toalhas de mão e de banho. Começamos tentando fazer o cartão do meu irmão funcionar. Estava indo tudo tão fácil que ele comentou que pra um terrorista seria simples demais comprar um cartão e colocar dados falsos a torto e direito no sistema… No final de todos os dados, tínhamos que nos comunicar com a operadora e ele mostraria seu rosto e seu passaporte para liberar o uso do número dele. Daí descobrimos que pelo menos o nome para o uso do celular alemão tinha que ser real. Mas mal sabíamos nós que a burocracia estava para começar… pois o Brasil não faz parte dos países onde se pode fazer o reconhecimento online, e isso significava que iríamos ter que fazer o reconhecimento pelos Correios, o que aqui se chama PostIdent. Passamos por uma maratona indo aos Correios e voltando, depois tentando descobrir onde ficava o formulário necessário, depois preenchendo e imprimindo o formulário, e por último indo a uma agência dos Correios com tradução simultânea a postos, munidos de toda a documentação e concordando que tirassem cópia do passaporte, assinando a documentação perante a funcionária dos Correios… para finalmente o meu irmão ser detentor de um número de celular alemão. No final, sua conclusão foi categórica: esse processo todo, que é novo e foi implementado desde o último 1. de agosto de 2017, é muito complicado para estrangeiros e tem grandes chances de manter os terroristas longe daqui, pelo menos os que pretendem usar um número dentro da Alemanha!

Mais uma coisa que organizamos foram os seguros de saúde e contra danos pessoais (Krankenversicherung & Haftpflichtversicherung), o que fizemos, mas graças a Deus não precisamos usar.

Descobrimos que algumas regras de trânsito são diferentes entre o Brasil e a Alemanha, por exemplo aqui vale a máxima do “rechts vor links” (o carro vindo da direita tem preferência quanto ao da esquerda), o que no Brasil nem sempre é válido, pelo que meu irmão estava me explicando. Eu queria oferecer, mas ele preferiu não dirigir nosso carro por aqui, precavido que ele, como um bom mineiro, é!

E descobrimos algo também curioso. Fizemos uma viagem com nossas visitas para fora da Europa e no final não queriam nos deixar embarcar porque o voo de volta não ia direto até o Brasil, somente até a Europa. Acho que estavam até com a suspeita de que eles estavam tentando emigrar para a Europa quase dando a volta ao mundo! Nem o fato de eu ter falado que brasileiros têm permissão para ficar na Europa durante três meses sem a necessidade de um visto não foi suficiente. No final, só mesmo a apresentação do voo de volta para o Brasil, que ocorreria uma semana mais tarde, foi suficiente para que nos deixassem embarcar…

Minhas visitas observaram como é fácil aqui na Alemanha trocar dinheiro estrangeiro, rapidinho, sem burocracia e papelada. Adoraram andar de trem, carro rápido na rodovia, ônibus e usar tíquetes que valem para toda uma região, tanto para trem quanto para ônibus (por exemplo o Hessen-Ticket quando fomos a Marburg, que valia para o trem e para ônibus dentro da cidade também). Observaram que os horários de trens e ônibus geralmente são ajustados para que o usuário não fique muito tempo esperando entre um trajeto e outro, mas também tiveram o “prazer” de experimentar os atrasos da nossa querida Deutsche Bahn (companhia alemã de linhas férreas).

Vi que estavam com muita saudade de arroz com feijão quando tirei um feijão da despensa para cozinhar. Eu que sou eu, que já moro aqui há tanto tempo e quando morava no Brasil não entendia como se pode comer arroz e feijão todo dia, confesso que também sinto falta e sempre me alegro quando posso comer comida da Terrinha com gosto de “comida da minha mãe”!

E quanto a você, quais foram suas experiências com visitas do Brasil na Alemanha nesse verão? Todo comentário é bem-vindo e pode facilitar a vinda de outros familiares também! Obrigada!

::Boas notícias para o mundo vindas diretamente da Alemanha::

27/07/2017

Há mais mulheres decidindo ter filhos na Alemanha. Por anos a fio as mulheres estavam optando por não ter ou ter só um filho, e agora parece que essa tendência foi alterada para o contrário. Lembro de uma média de alguns anos atrás, de que as mulheres tinham em média 1,3 filhos na Alemanha, agora esse patamar está chegando aos 1,9, quase dois filhos por mulher.

Isso é resultado de uma política governamental de garantir creche para toda criança a partir de dois anos, de garantir por lei horários flexíveis de trabalho, de prever direitos à (futura) mãe, de incentivar homens e mulheres a cuidarem dos filhos e da casa através do Elterngeld (dinheiro que é pago pelo governo alemão durante um ano depois do nascimento de uma criança, e que pode chegar a 70% do salário líquido de quem solicitar a licença). Só com essa medida, li outro dia que antigamente havia só 3% dos homens que decidiam por uma licença e por dividir o tempo do Elternzeit (o tempo que se pode ficar em casa por lei para cuidar do filho, com garantia de trabalho na volta à empresa), e hoje em dia esse patamar já pulou para mais de 30%. Lembro de muito homem dando entrada nos papéis para a licença e de chefes reclamando dessa atitude. Eu, que apoiava com toda a minha convicção, processava a documentação e ficava no meu canto, ou às vezes fazia um comentário ou outro incentivando o funcionário e tentando que o chefe, que logicamente não teve essa chance na vida, pensasse um pouco sobre as mudanças na sociedade e sobre as expectativas de uma família nos dias de hoje.

Outra boa notícia é que a população ativa feminina que tem crianças e vai trabalhar fora está aumentando desde os últimos oito anos. Hoje em dia, 44% das mulheres com filhos a partir de um ano de idade trabalham fora. Em 2008, eram só 36%. Assim que os filhos completam dois anos, 58% das mães estão indo trabalhar na Alemanha (2008: 46%). Falando em geral, 70% das mães trabalham fora, ainda que muitas delas trabalhem em tempo parcial e arquem com perdas salarias, oportunidades de crescimento na carreira e redução na aposentadoria em troca de um contato de mais horas diárias com seus filhos. Comparando com outros países na Europa, a Suécia lidera com 86% das mães trabalhando fora, enquanto que a média de todos os países da Comunidade Europeia é de 68% e a lanterna fica com a Grécia, onde só 54% das mães trabalham.

Há uma análise interessante que ainda mostra uma diferença marcante entre a ex-Alemanha Oriental e a ex-Alemanha Ocidental. Na antiga DDR, menos mulheres decidem não ter filhos, enquanto que no norte do país há mais mulheres sem filhos do que aqui no sul (Baden-Wuerttembereg, Bavária e Saarland). Isso é realmente visível aqui nas ruas da região, pois aqui há muitas famíias e muitas, muitas crianças de todas as idades. Outra coisa interessante é a correlação feita entre estrangeiras e estudos. Quanto mais qualificada uma estrangeira for, menor a tendência dela ter muitos filhos. As estrangeiras de nível superior têm em média 1,9 crianças, a mesma média das alemãs.

Em 2015, a média de nascimentos por mulher chegou à média de 1,5, uma reversão de um quadro de 30 anos!

Eu pensei em escrever o título desse post como “boa notícia para mulheres na Alemanha”, já que se trata do avanço no mercado de trabalho e o aumento de crianças nascendo no país devido às medidas do governo de apoio a famílias, mas depois que pensei um segundo decidi escrever que as boas notícias são para o mundo, pois boas ideias podem e devem ser copiadas por aí. Uma sociedade mais justa não se faz só se as mulheres lutarem por seus direitos, ela se faz quando homens e mulheres trabalham juntos por objetivos comuns. As medidas do governo vêm trazendo mudanças tanto para homens quanto para mulheres, para famílias com crianças e com isso influenciando todo o desenvolvimento de toda uma sociedade. Boas notícias para o mundo!

Fonte: artigo da revista “Der Spiegel” de 26/07/17 e estudo de 2017 do “Statistiches Bundesamt” (Departamento de Estatísticas do governo alemão).

::A insegurança nossa de cada dia::

24/07/2017

Prometi pra mim mesma que vou voltar a escrever no blog com mais frequência. Logo hoje que comecei a observar que passavam muitos helicópteros na minha cabeça, durante o trabalho, e logo depois um colega veio me contar que um homem tinha invadido uma seguradora com uma motosserra, agredido cinco pessoas, deixando uma delas gravemente ferida. E isso bem perto da cidade onde trabalho.

Em poucos minutos eu já sabia detalhes do acontecido. O tragicômico é que se você busca por notícias em vários idiomas e em vários países, fica sabendo de detalhes diferentes da mesma notícia. Aqui na Alemanha ou na Suíça, por exemplo, muitas vezes não se anuncia o nome de uma pessoa que cometeu um crime, ou somente o nome com uma letra adicional do começo do sobrenome. Agora que estão buscando abertamente pelo foragido, decidiram anunciar o nome completo dele, data de nascimento, o máximo de informação de que dispunham. Mas antes disso na CNN o nome completo dele já estava sendo divulgado. Outra coisa curiosa foi como as primeiras pessoas ficaram sabendo do acontecido, lá no trabalho. Um colega, cuja mãe mora no Canadá, foi contatado por ela perguntando se estava tudo bem. Pouco tempo depois, o marido de uma colega francesa ligava preocupado.

Vi a foto da pessoa que tinha sido a autora daquela loucura, que foi fortemente informada como não ser um ataque terrorista. Ele estava foragido, fiquei sabendo da marca, cor e modelo do carro que dirigia, mostraram umas fotos suas, dizendo que ele tinha cortado os cabelos e estava careca. Ouvi uma representante da polícia dando detalhes do crime, e fiquei até um pouco orgulhosa de entender tudo, pois se tratava de alemão suíço, outro departamento pra quem fala alemão padrão.

Por um milisegundo pensei se poderia ir embora pra casa, se os trens não teriam parado de circular. Antes de sair, a notícia que eu não queria ler: talvez o foragido estivesse indo pra Alemanha… Exatamente pra onde eu estava indo!… Acabei tendo uma sorte danada, pois ao deixar o escritório, me encontrei com um colega, que me acompanhou até a estação de trem. Lá chegando, encontrei com um outro colega, que na realidade é meu vizinho e me acompanhou até eu chegar em casa. As reações, durante o caminho, foram mesmo assim inevitáveis: uma pessoa passou por mim correndo, fazendo esporte como mil e outras pessoas sempre fazem à beira do rio Reno, mas eu me assustei com ela. No caminho, começamos a conversar sobre o meu spray de pimenta e eu não o localizei na minha bolsa, mas imediatamente depois que entrei dentro de casa, e ele voltou pra dentro dela, por precaução. Dentro do trem e ainda na estação, eu observei todos os passageiros. E assim que cruzamos a fronteira, procurei pelos policiais alemães. Ao achá-los, com roupas à prova de bala e armas bem grandes, um alívio interno e um sentimento (falso) de segurança se instalaram. Na Suíça, a decisão da polícia tinha sido de ficar à paisana, para não afugentar o foragido, que era considerado perigoso e já tinha tido problemas por porte de arma ilegal por duas vezes nos últimos anos, mas que ainda não cumpriu pena, pois não tem endereço fixo e mora nas florestas…

Assim que coloquei a chave no cadeado da minha porta e entrei em casa, veio aquele alívio final: lar, doce lar!…

::Paixão alemã::

25/10/2016

tigre

Lá pelos idos do ano de 2000, depois que cheguei a ter medo de que o mundo iria acabar na virada do ano, ao voltar de uma viagem do Brasil fui intimada pelo meu marido de outrora para ir escolher um gato pra nossa família. Até então, gato não era o que eu exatamente poderia chamar de “amigo”: tinha tido alergia a gatos quando criança e não consegui me aproximar de animal nenhum durante toda a minha infância e adolescência – eles lá, eu cá. Tinha aprendido que nós, humanos, estávamos (muito!) acima deles.

Os gatos chegaram na nossa casa, irmãos, bem nenenzinhos, e como dupla permaneceram por muito pouco tempo, pois um deles morreu em seguida. Por ter pena do gato sozinho, tentamos arrumar companhia para o gato principal, mas a primeira tentativa não deu certo. Perdi meu peso na consciência depois de entender que gato gosta de ficar sozinho e, além do mais, dorme durante grande parte do dia. Durante esse período de peso na consciência, chegamos a tentar levar o gato, que era essencialmente de apartamento, pra passear, mas não funcionou. Nem coleira, nem passeio. O gato rastejou no chão e parecia carregar mil livros no lombo… Quando queria passear, ele subia no telhado da casa e poderia ser visto do outro lado, tomando sol ou caçando passarinhos…

Nosso gato principal viveu vários momentos legais conosco. Foi fantasiado numa festa de Halloween e ganhou uma lanterna na cabeça pra correr atrás do próprio ponto de luz. Corria e batia na parede atrás de um reflexo de relógio e foi lançado da cama para nosso armário no quarto quando meu marido se sentiu incomodado por ele (e eu cheguei a pensar que era nosso filho voando pelo quarto)…

Meditava e tomava muito sol. Soube aproveitar a vida, ao lado de muitos que o amaram. Fazia massagens e praticava reiki. Era terapeuta! Antes mesmo de sabermos de um ponto que doía no nosso corpo, ele mostrava o local, fazia massagem e aplicava energia curativa.

Junto de um novo gatinho que recebemos depois que ele já era vovô, fez cocô pela casa toda, até no meio dos colchões da minha cama de casal e debaixo do tapete que tinha ganhado de presente de casamento. Os dois pintaram o sete, fizeram xixi por todo canto, espalharam partes do lixo pela casa e destruíram parte dos meus móveis. Depois de destruir grande parte deles, o Tigre, Tigrinho, “Tigger” ou Tiggi em alemão, ganhou um novo local para afiar suas unhas…

Ficou traumatizado depois que o levamos no veterinário pra ser castrado. Teve duas casas. Acompanhou muitas mudanças, altos e baixos, achou que tinha ficado sozinho pra sempre toda vez que viajamos, viu um neném vir ao mundo e fez greve de fome porque não queria aceitar dividir a atenção de sua dona com ele (ou será que ele era o verdadeiro dono do pedaço?). Passou vários anos em pé de guerra com meu filho e depois de uns cinco anos os dois finalmente fizeram amizade.

Teve uma saúde de ferro, que só foi abalada por um livro grosso que, por azar, caiu nas suas costas e machucou seus nervos. Lutou contra a homeopatia prescrita pela dona, cuspindo cada bolinha dificilmente enfiada em sua boca, e, sem querer, quase foi morto por Paracetamol. Por sorte olhei antes no Google: gato + Paracetamol = morte.

Foi e sempre será um gato insubstituível, companheiro de meus filhos e de toda a família, leal, caridoso, sábio, terapeuta, zen. Tem cadeirinha cativa na primeira fileira do meu coração e pra mim vale muito, muito mais do que muitos seres de duas patas, senhores de si, espalhados por este mundo lindo e cruel.

Mostrava o caráter das visitas. Recepcionava meu filho na porta de casa. Esquentou as mãos da minha irmã por vários dias seguidos no inverno. Cuidava da gente quando estávamos em casa. Sentava em cima do celular ou do teclado pra ganhar carinho. Refazia a energia do ambiente. Sumia quando lhe dava na telha. Caiu do telhado ou fugiu pela porta algumas vezes, mas sempre voltou pra casa.

Viveu por 17 anos e nos acompanhou por quase 16 anos e meio, durante quase toda a minha vida na Alemanha. Morreu de morte natural, depois que conseguiu se despedir de todos os cantos da casa e de todos os integrantes da família, e vai viver pra sempre na nossa memória. Somos muito gratos por sua existência e por termos podido dividi-la com ele! Que ele esteja em um lugar especial reservado aos bons, quer sejam homens, quer sejam animais.

°°°

Aqui um pouco mais de suas peripécias. Aqui algo para rir um pouco, especialmente para aqueles que têm gatos em casa.

°°°

Há dois meios de refúgio contra as misérias da vida: música e gatos.
Albert Schweitzer

Gatos são poemas ambulantes.
Kligerman Murray

Eu conheci muitos pensadores e muitos gatos, mas a sabedoria de gatos é infinitamente superior.
Hippolyte Taine

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Artur da Távola

No princípio, Deus criou o homem, mas ao vê-lo tão fraco, deu-lhe o gato.
Warren Eckstein

De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
Mark Twain

Mulheres e gatos agem como bem entendem. Homens e cães deveriam relaxar e acostumar-se com isso.
Robert A. Heinlein

::10 Confissões de Terça-Feira::

25/10/2016

corazonseco_1

Já saí em matéria de jornal no Japão

Tenho vários amigos virtuais (e reais!) pelo mundo

Tinha um gato sábio e terapeuta (ele me tinha em seu reino)

Conheço gente que vê aura (de várias cores e tamanhos)

Às vezes, penso numa pessoa e ela aparece

Já encontrei por acaso uma chinesa que conhecia, totalmente sem planejar, num parque em São Diego nos EUA (logo depois de ter pedido pra escrever os nomes do povo daqui de casa em chinês pra uma outra chinesa desconhecida…)

Vejo sinais em borboletas, borboletas como sinais

Abro livros no meio, procuro e leio “recados”

Leio vários livros ao mesmo tempo

Minha multiplicidade me faz ser voada (e aceitar que sou um simples ser humano cheio de pontos enigmáticos e erros diários)

 

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke


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