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Archive for the ‘Pessoal’ Category

::O que é melhor no Brasil?::

17/11/2017

Dando uma pesquisada por determinadas palavras no emaranhado de posts do meu blog, achei o que queria, e por acaso li esse post, que por sua vez me levou ao blog do Dago e da Cíntia, que me levou a seus comentários. Deu pra vc se reconhecer quando queria só olhar uma coisinha bem rapidinho e acabou caindo de novo (confesse, isso te acontece muitas vezes…) no esquema suga-tempo da internet?

Mas a parte boa da história foi que nos comentários achei essa pérola bem humorada:


What’s better in Brasil? Lots of things:
– Caipirinha
– Girls wear less clothes 😛
– no matter how I speak: important is to be understood
– People don’t dislike chimarrão (strong green tea)
– People share more than divide (a group divides prices for a meal by count of persons) –> less democratic but nice social gesture
– Girls wear less clothes
– Traveling is cheap, at least by 14h bus ride for us guys
– it rains less than 1/2 a year continuosly
– aligators, snakes and monkeys in buses (serious! promise!) 😉

And last: girls wear less clothes.

…que o Dago respondeu à altura, comparando com a Alemanha:

Girls wear less clothes…yes, mainly at the beach. But let me say: in the short time I was in Germany I saw several naked people near a lake, or sun-bathing at a river shore. Never have I seen that here 🙂

Se alguém precisar de tradução, é só avisar que faço mais tarde. Agora ainda tô morta da semana, praticamente caindo de sono…

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::O nosso amigo, o frio::

05/11/2017

O frio chegou e não é nada fácil, todo ano é o mesmo processo: aceitar que tenho que usar muitas roupas, que tenho que reagir à mudança de temperatura, dar uma olhada nos meus sapatos de inverno, me ensimesmar, entrar pra dentro do meu casulo, o que tem até um lado bom, tenho a dizer. Olhar menos pra fora e mais pra dentro. Na realidade é bom pra quem gosta de escrever como eu.

Mas… com o frio também aparecem as pessoas doentes, os vírus são sabidinhos e pensam em novas formas, vírus vai, vírus vem, e eu pelo menos já fui “laçada” este ano. E como boa menina que sou, distribuí o que tinha entre os meus em casa, e todos nós ficamos doentes… e um trator passou por cima de cada um, nos nocauteando um após o outro, várias vezes já na segunda semana do nosso dia a dia de remedinhos caseiros e não-caseiros.

Bom, mas é o que fazer pra tentar fugir dele, o nosso querido amigo, o frio? Bom, fugir mesmo não dá jeito. Temos que sair pra passear assim mesmo, “aproveitar o ar fresco”, como diriam os alemães.

No mais, os segredos dos alemães no que diz respeito a lidar com o frio se resumem ao seguinte:
a) Não há tempo ruim, só roupa que não é adequada
b) Efeito cebola: vestir várias camadas e ir tirando, caso necessário
c) O calor do corpo sai pelas extremidades. Vale a pena investir em bons sapatos e lembrar de usar todos os acessórios: gorro, cachecol, luvas, meias-calças e/ou meias quentinhas. 

Noto que cada um perde o calor mais por uma parte do corpo. É ela que tem que ser mais protegida. No início não dei ouvidos à dica dos bons sapatos até que meus pés se congelaram na rua… E uma boa jaqueta não tem preço!…

O bom é que pra crianças, hoje em dia, é possível achar roupas de frio bem em conta em lojas de departamento ou em segunda mão. A parte ruim da história é que elas crescem… Bom, de agora pra frente todo meio de esquentar o corpo é pouco. É melhor tirar roupa por estar suando do que passar frio, vá por mim. E se quiser deixar seus truques anti-frio aqui nos comentários, os outros leitores agradecerão, e lembrarão de você num momento desses debaixo das cobertas!… 

::Backwerk: Como ganhar – e perder – um cliente em menos de 24 horas::

31/10/2017

Há umas semanas atrás assisti um documentário sobre o fato de que muitas padarias não são mais padarias, mas mantêm meros fornos para esquentar massa de pão feito muito longe, muitas vezes em outros países, p.ex. na Polônia. Elas conseguem vender pães a preços mais baratos, mas a custo da qualidade e da falta de ética por todo o processo econômico, pois quem compra barato também quer ter baixos gastos, p.ex. com pessoal, para maximizar seu lucro. Assim todo mundo sai perdendo, mas os bolsos dos donos dessas grandes cadeias acabam crescendo e eliminando as pequenas padarias espalhadas pelo país. Capitalismo no nível hard core.

A Backwerk é uma dessas empresas. Compro pouco lá, mas ontem estava voltando do trabalho, ia direto pra ioga e tinha só uns minutos em uma estação de trem, e corri lá pra comprar um pão. Quando ia pagar, vi que me faltava um euro e não poderia levar o pão. Quis devolver, mas não me permitiram. O gerente me passou um sabão, mas pediu que a empregada anotasse o valor que faltava na nota de compra e eu deveria voltar lá para pagar o valor devido. Comentei com meu marido que a empresa me vendeu fiado, como antigamente.

Em praticamente 12 horas voltei lá pra pagar minha dívida, pois não gosto de ter dívidas. A funcionária não sabia falar alemão direito e chamou a gerente  do dia. Essa, não gostou da novidade e começou a reclamar, que não poderia aceitar o dinheiro, que eu voltasse outra hora. Disse que não faria isso e pedi que me cobrasse o valor. Ela deu ordens à sua empregada que nunca faça coisa parecida, disse que não seria tão fácil assim, seu caixa não fecharia no final do dia. Eu disse que o gerente do dia anterior tomou essa decisão, que pelo jeito ele tinha mais a mandar do que ela e que agora eu queria pagar minha dívida, e que afinal de contas se em um dia falta um euro e no outro sobra um euro, o caixa dos dois dias irá fechar porque um euro positivo com um euro negativo daria zero. Mesmo assim ela relutava e eu pedi que a funcionária cobrasse o dinheiro e deixasse o valor separado ao lado do caixa, para poder resolver como colocá-lo no sistema mais tarde, porque eu não poderia perder meu trem. Ela cobra o valor devido, enquanto a gerente desaparece esbravejando para o fundo da loja. Isso bastou para que eu comentasse com ela: “Sua chefe é muito sem educação. Hoje foi o último dia que compro alguma coisa nesta loja. Não volto aqui nunca mais!”

Li que as marcas e empresas das quais gostamos e onde gastamos nosso dinheiro têm muita ligação conosco mesmo e com nossos valores. Quais são as marcas às quais você é fiel e por que, o que elas dizem sobre você mesmo?

P.S.-Se quiser responder mais perguntas sobre você e fazer uma viagem dentro de si mesmo, dê uma olhada no meu novo livro aqui.

::Direito trabalhista na Alemanha::

30/10/2017

Conversando com minha irmã nesse último final de semana, a informei de um direito que ela desconhecia com relação a dias de férias na Alemanha.  Comentei em seguida que entendo relativamente bem o direito trabalhista alemão e queria encontrar uma maneira de registrá-lo para que outros estrangeiros possam usá-lo em suas negociações com empregadores alemães. Saber o Direito do país é o primeiro passo para ver seus direitos se tornarem realidade! Apesar de já ter escrito alguns posts a respeito, deixo aqui esse canal para os meus leitores comentarem sobre os tópicos que gostariam de ter esclarecidos. Pretendo reunir suas perguntas com uma estrutura minha e postar com alguma frequência a esse respeito. Qual é sua dúvida pessoal, ou qual foi a maior dúvida que já teve desde que começou a se envolver com o tema “Trabalhar na Alemanha”?

::Mineirinha n’Alemanha: Promoção especial de quase 25 anos na Alemanha::

29/10/2017

Ano que vem estarei completando exatos 25 anos na Alemanha, esse acontecimento parece incrível até para mim mesma! É muito chão e muita história pra contar!…

Em comemoração aos 25 anos e ao lançamento do meu novo livrinho (Re)descobrindo Quem é Você, que eu carinhosamente apelidei de RQEV, quero oferecer uma promoção especial, valida somente até o dia 31 de março de 2018, data que completo meus 25 anos de Alemanha: para quem adquirir meu novo livro, gostar e quiser ler também o Mineirinha n’Alemanha, meu primeiro livro, ou quiser presenteá-lo para um amigo, sempre com dedicatória e autógrafo por um preço especial de 10 euros, incluindo o envio pelos Correios dentro da Alemanha, fora da Alemanha a combinar.

Quer se informar mais sobre os assuntos tratados no primeiro livro? É só visitar a seção “Os livros e onde comprar” aqui no blog. Qual é a opinião de quem já leu o livro? Visite a seção “Opiniões dos leitores“.

Eu quero o livro, como proceder? É só entrar em contato comigo, mandando uma comprovação da compra do RQEV, informar pra quem é a dedicatória e após a transferência, o livro é enviado pelos Correios. Corra lá pra garantir o seu, pois o número de livros é limitado, só restam mais alguns exemplares!

::Dica da Mineirinha::

22/10/2017

Pra quem está passando por aqui agora, por causa do lançamento do meu livrinho “(Re)descobrindo Quem é Você”, eu queria sugerir que me procurem também no Facebook e assinem lá minha página, a Mineirinha n’Alemanha”, porque costumo publicar muita coisa direto lá. Vira e mexe leio muita coisa legal e estou deitada na cama, dentro do trem, passeando por aí… e republico imediatamente no Facebook, sem passar por aqui.

Fica a dica! Nos vemos por lá?

E por falar em escrever por aqui, hoje ganhei dois presentes maravilhosos da vida!

Um deles foi o primeiro retorno sobre o meu novo livrinho, que foi muito, muito positivo vindo de uma amiga que significa MUITO pra mim e que considero de montão! Reduziu o medo do que ainda está por vir quanto a retornos quanto ao novo projeto, pois o retorno dela foi muito significativo pra mim, e como disse muito positivo, fiquei super feliz e grata!!! O ato de escrever pra mim é como se “despir” para o leitor, e depois que o projeto é solto no mundo, ele ganha pernas sozinho! Eu fico daqui vendo como ele está andando… É uma coisa meio como ganhar um filho e vê-lo crescer… um processo de absoluta introspecção e depois de soltar o “menino” pro mundo, deixá-lo andar com as próprias pernas. Bom ver que ele está se dando bem agora no comecinho de sua vida “adulta”, fazendo amigas e conseguindo dialogar com o mundão lá fora!

O segundo presente aconteceu depois que tive a coragem de fazer uma pergunta descarada e diretamente. Trata-se de outra pessoa que admiro muito, pra quem escrevi e perguntei se poderia incluir uma poesia de sua autoria no meu próximo projeto, que espero poder lançar nos próximos meses, e também perguntei se queria participar dele sendo a pessoa que irá escrever o prefácio. A resposta foi SIM… e SIM!!!

Esses dois acontecimentos foram dois grandes presentes hoje pra mim!!! Lá fora tem muita coisa para ser realizada, muito projeto pra levar adiante, muito sonho esperando pra nos dar as mãos e andar conosco. Vamos nos encher de coragem… e vamos caminhar?!?

::Dica de viagem – pesquisa de acomodações::

14/10/2017

Depois de tanto planejar viagens pra mim e pra outras pessoas, tanto na vida privada como na profissional, estou virando uma expert com quase 25 anos de experiência, ehehehe… E pensei em dividir dicas com vocês, leitores, que com certeza gostam tanto de viajar quanto eu!

Dica número 1: sempre fazer pesquisa de acomodações, principalmente aqui na Europa, através da página Booking.com. A página pode ser acessada em mais de 40 idiomas, também em português! Ela dá uma boa ideia das opções e tipos de acomodações, oferece a possibilidade de você fazer uma avaliação de custo-benefício através da opinião de outros viajantes quanto a inúmeros quesitos e, claro, quanto ao que você considera importante. Com o tempo você começa até a receber descontos, caso se registrar! Clicando no link acima, tanto você quanto eu ganhamos 15 euros de desconto na próxima reserva. Outra super vantagem: uma boa parte das reservas podem ser canceladas até uma determinada data antes da viagem, o que traz um pouco mais de segurança ao planejar o seu passeio!

Vamos viajar? Se quiserem sugerir a próxima dica, fiquem à vontade!

::Um dia qualquer, um dia desses::

12/10/2017

Ela se levanta e vai cuidar da vida. Antes, dá uma enroladinha de 5 minutos na cama. Em pouco tempo, depois de pular da cama, ela e o filho estão prontos para o novo dia. Dependuram bolsas, mochilas e tudo o mais que precisam em seus corpos e dão no pé para não perderem o ônibus. Já dentro dele, dão o primeiro “bom dia” do dia para o motorista, conversam um pouco, se ajudam com o que levam, trocam umas ideias sobre o dia e sobre o que está por vir e se despedem a certa altura, quando o filho desce do ônibus.

Ela segue na rotina diária de dar uma lida nas manchetes dos jornais, e constata a cada vez mais como os jornais sofrem com esse mundo digitalizado! Muitas vezes, as manchetes não refletem mais os últimos acontecimentos… Ela agradece em carreira pelo transporte público que a leva até o trabalho, mas inicia uma cadeia de reclamações quando algo sai fora do planejado e as expectativas de chegar no trabalho em determinado horário vão pro espaço.

Um pouco de Facebook, mais leitura. Ah sim, agora as mulheres podem dirigir na Arábia Saudita?!? Quer dizer, a partir do meio do ano que vem??? Ah, e elas iam tirar carteira em outros países, se por ventura achassem quem as liberasse para tal, e agora estão felizes que vão poder tirar suas carteiras do esconderijo? Nossa, elas não podiam ir a um estádio e agora podem fazer parte das festividades nacionais??? Elas não podiam tanta coisa, quer dizer, não podem ainda, isso tudo tem que ser organizado ainda. Vão ter que abrir mais auto-escolas, preparar o país para uma mudança grande dessas… Ah, e tudo isso depois de um clérigo ter anunciado lá “que as mulheres não merecem dirigir porque só têm um quarto do cérebro de um homem!” Ah sim, com certeza esse rei que anunciou essas novidades tão “bondoso” não está sendo movido a dinheiro, obrigado a modernizar o país 100% dependente do petróleo, e os homens não estão cansados de ficar dirigindo as mulheres para cima e para baixo e pagar motoristas para elas, que bem poderiam estar dirigindo seus próprios carros e movimentando a economia com as próprias pernas!… Money makes the world go round!… Muito bem.

Ela chega no trabalho e o dia passa, como sempre, voando… Se não prestar atenção, nem um café ela toma, porque já chegou a hora do almoço. Ah, perdeu o horário de ir almoçar com os colegas por causa de outro compromisso. Não faz mal, ela resolve comprar algo pra comer e vai pra beirada do rio, aproveitar o sol e as árvores de mil cores do outono. Encontra por acaso um jovem de 20 e poucos anos, colega de trabalho dela, e diz pra ele aproveitar a vida como estudante de Mestrado, que ele vai começar no começo do ano que vem. “Estudantes vivem definitivamente uns dos melhores anos de suas vidas! “, diz ela… Não comenta que se refere às preocupações do dia a dia do adulto, às decepções que a vida vai apresentando, às correrias, às expectativas de tudo e todos que nem sempre podem ser cumpridas…  Money makes the world go round!… Muito bem.

Já tinha a firme intenção de voltar para casa quando é pega, antes de conseguir se levantar da cadeira, por uma das pessoas importantes com quem ela lida. Ele reclama e descarrega sua frustração enquanto ela procura opções e argumenta. Ele se vai… e ela descobre que por 5 minutos perdeu o trem e terá que ficar mais meia hora no trabalho até que chegue o próximo trem…. Vai acabar chegando em casa à noite…. Money makes the world go round!… Muito bem.

No caminho pra casa, umas florzinhas lindas no caminho, um passo firme para ter certeza de que vai chegar na hora que o trem vai passar, um pouco de WhatsApp, algumas mensagens, umas novidades do Facebook… e mais notícias do dia. E esse tal de Weinstein sobre quem todos estão escrevendo nas manchetes das revistas, quem é ele? Ah… que cara nojento, esse chefão e magnata da Miramax, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, usando seu poder para comer as menininhas e mulheres de Hollywood, ameaçando destruir as carreiras delas e ao mesmo tempo saindo do banheiro pelado pronto “pr’aquilo” sem querer nem saber se a pessoa está interessada ou não… Casado e com mulher em casa, mas quem importa com isso? “Ah, e não tem problema nenhum, se alguém ousar abrir a boca, eu dou uma desculpa esfarrapada e ofereço uma grana para que ela fique calada! ” (Parêntesis para as vezes que eu mesma sofri ataques mínimos e não tão mínimos de homens nos ônibus, no primeiro emprego, do chefe, do colega de trabalho, do namoradinho… Fiz por bem esquecer da maioria deles, mas quando começo a ler as descrições detalhadas de algumas das mulheres atacadas pelo Weinstein, as lembranças colocadas no cantinho da memória afloram…) Money makes the world go round!… Muito bem. Mas, pensa ela, há algo positivo nessa meleca toda: as mulheres estão tomando coragem de denunciar o que é antes sofriam caladas!

Ela olha pra fora no trem e vê um céu indescritivelmente lindo! Vermelho, alaranjado, todo pintado, parece até pintura! Ela tira o celular da bolsa pra fotograr aquele espetáculo! Ao invés de ir direto para a casa, ela vai na direção da água para tirar mais fotos, observar o pôr do sol, lindo de um jeito diferente a cada segundo que passa. Que momento mágico! Há muito, muito a agradecer. E muita beleza que muitos não têm tempo de ver, mas que ela agradece por ter a oportunidade e realmente presenciar aquilo, poder estar PRESENTE. A vida é um presente.

::Saiu um novo livro da Mineirinha! Ou o inverso de: como se diz “enrolação” em alemão?::

10/10/2017

Para falar a verdade, eu tinha o projeto de escrever um novo livro já há muito tempo, mas fui – quase – vencida pela famosa enrolação, a em alemão tão famosa, conhecida e respeitada “Aufschieberitis” (vem do verbo “aufschieben”, que significa adiar, diferir, enfim para os mais entendidos e numa boa gíria brasileira: enrolar).

Nós, mulheres, temos 1.001 coisas na cabeça e para nós é muuuuuito fácil fazer de “b” a “z” quando na realidade sabemos claramente que deveríamos estar investindo naquele sonho importante, o “a”. Dizem que se algo nos dá muito medo, é exatamente naquilo que temos que investir, pois medos costumam esconder nossos maiores sonhos! E olha que tem bastante verdade nisso, viu?

Enfrentando meus medos de inúmeras coisas como escritora, mulher, mãe, profissional e expatriada, virava e mexia eu pensava de novo no projeto engavetado, que estava quase pronto… Comentei sobre ele com uma amiga escritora, a Isa Magalhães, e ela foi bem categórica: “lançe-o”. Mas eu sabia que não iria ser tão fácil assim…

Deixando de lado no momento algumas razões centrais da inércia temporária que explico no finalzinho do livro, e falando agora um pouco mais a nível geral, o ato de escrever para mim tem muita ligação com sentimentos. Tem muito de “timing“, de você um dia levantar da cama e afirmar: “hoje é o dia! ” E para mim, para minha satisfação pessoal e, espero, também dos meus leitores, foi no último domingo, 08/10/17, que consegui mesmo colocar a mão na massa de manhã até à noite e o novo livro saiu do forno!

°°°

Sobre o livro:

Este livro é para mulheres, principalmente aquelas em busca delas mesmas e de uma ocupação profissional que faça a diferença em suas vidas.

Simples, concisa, de leitura rápida, mas intensa, o objetivo da obra é que a leitora faça um mergulho profundo dentro de si mesma, voltando à superfície com reflexões importantes para sua vida.

A ideia do livro surgiu da experiência de expatriada da autora, que já acompanhou vários casos de mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente no exterior. A autora espera que possa contribuir na caminhada dessas mulheres para se tornarem quem são de verdade.

°°°

Talvez alguém possa estar se perguntando por que estou sendo tão sincera ao anunciar que meu novo livro demorou pra sair,  muito mais do que eu esperava… É bem simples: minha intenção é motivacional, uma mensagem direta para todos aquel@s que, como eu, já tinham se acostumado com o projeto inacabado.

Uma pergunta direta: você tem um sonho que está bem pertinho do seu coração, que você sabe exatamente qual é, mas tem até certo receio de pensar nele? Já chegou a se acostumar à ideia de deixá-lo inacabado?

Outra pergunta: como você se sente quando pensa nele?

Última pergunta (juro!): como você vai se sentir quando realizar o seu sonho?

Esses pensamentos não me davam paz quando meu projeto me vinha à cabeça…. Ficava decepcionada comigo mesma, depois ia procurar outra coisa para “tapar o buraco”, se é que você entende o que estou querendo dizer.

Dizem que há dois dias importantíssimos na sua vida: o dia em que você nasceu e o dia em que descobriu qual é sua missão nesse mundo. A minha está descrita no livro, e uma dica bem grande da direção que me guia fica no topo da minha página de consultoria Connex Consulting: sharing knowledge to help others to grow – dividindo conhecimento para ajudar outros a crescer. É isso aí, quando aqui não mais estiver, quero ter deixado uma marca no mundo de agregação, solidariedade, persistência, fé, ação, amor… e muito mais. E dei mais um passo em todas essas direções com esse novo projeto! Eu prefiro ser… essa borboleta-metamorfose ambulante!..

Espero que encontre no livro pensamentos e frases, além de muitas perguntas, que lhe levem firmemente a pensar em você mesmo, pois nesse mundo louco e interconectado estamos perdendo a capacidade de nos refletir enquanto seres humanos e nos traduzir para o mundo externo. E por aí passam as pequenas e grandes alegrias do dia a dia!

O livro está disponível na Amazon no mundo inteiro, mas em diferentes canais dependendo do país. Nota IMPORTANTE: como a ideia do livro é de reflexão constante, ele recebeu o título “(Re)descubra Quem é Você”. Através da possibilidade da descoberta e da redescoberta, inventei de novo uma palavra dentro de uma palavra, como já tinha feito no primeiro lançamento, o “Mineirinha n’Alemanha”. Portanto,  ao procurar pelo livro na Amazon, lembre-se de adicionar os PARÊNTESIS na sua busca, ok?

Pra facilitar um pouco, abaixo alguns links:

E-book no Brasil * sem fotos pessoais, que aparentemente não puderam ser lidas pelo sistema

E-book na Alemanha * também sem fotos pessoais

Livro na Alemanha * com 9 fotos coloridas e pessoais, capa mais colorida ainda!

Ainda não tenho um canal de distribuição para a versão do livro no Brasil. Quando ele existir, aviso aqui.

Dependendo de onde você estiver no mundo, é mais fácil procurar pelo livro através do seu título, no campo de busca da Amazon, e assim você vai achar a oferta local, certo? Ele está disponível em 13 websites diferentes da Amazon, espalhados como vários canais de venda do Brasil ao Japão.

Estou bastante curiosa para receber comentários, ler e ouvir o que outras pessoas acharam depois da leitura do RQEV (isso, inventei também uma sigla para ele!). Vai lá e depois me conta, vai?!? Minha prima Lílian, que carinhosamente escreveu o prefácio do livro, já começa afirmando: “certamente, se este livro chegou até suas mãos, é porque você precisa dele! “

::Convivendo com o inimigo::

25/09/2017

Depois do susto das eleições de ontem, onde mais de 13% dos votos foram para o partido de extrema direita da AfD, andava hoje pelas ruas e ficava pensando em quem serão essas pessoas, esses que votaram no AfD. Um em cada cinco no leste alemão e até um em cada quatro homens votaram nesse partido. O comentário de hoje, por causa disso, era de que a democracia tem um problema masculino na Alemanha.

O AfD é um partido racista, xenófobo, marrom (a cor do nazismo), escondido atrás do azul cintilante de suas propagandas. É o partido que disse que o jogador de futebol Boateng até joga bem, mas que ninguém gostaria de tê-lo como vizinho. Que, em última medida, deveria-se atirar em mulheres e crianças refugiadas na fronteira alemã. E ontem o Gaulant, chefe do partido, disse que vai caçar a Merkel e quem quer que esteja no poder, que ele vai recuperar seu país e seu povo. Chega a dar medo. Nessas horas, acho bom viver na fronteira!

Felizmente há muitas cabeças pensantes no país, uma delas é a Ferda Ataman, cujo artigo que saiu hoje na revista Der Spiegel eu vou fazer questão de traduzir. Vamos lá!

Aqui quem fala é uma cidadã preocupada – Ferda Ataman

Desde que ouvi o Alexander Gaulant dizer ontem em todos os canais de tevê de forma bem alta e agressiva que “nós vamos recuperar nosso país e nosso povo de volta”, estou atordoada. Essa ênfase toda na palavra “nós”. O que significa isso? Desde quando se pode falar desse jeito dentro da Alemanha, sem ser taxado de persona non grata? “Recuperar nosso país” – talvez isso significa que vão fechar as fronteiras e desistir de tratados como o de Schengen. Mas “recuperar nosso povo”, o que será que o AfD quer dizer com essa frase, partido esse que daqui a pouco vai entrar no parlamento alemão com 13% dos votos? Eu não consigo achar resposta para isso. Ou não quero. Porque quem haveria de ser o “nosso povo”?

O político da AfD Jörg Meuthen explica logo em seguida na “Berliner Runde” (Rodada de Berlim) que eu como alemã de origem turca, que se esforçou para se integrar e para aprender o idioma alemão, faço parte desse grupo de forma plena. Pertenço ao povo alemão. A ênfase dessa vez fica na palavra “alemão”. E ele afirma que o AfD não pode ser um partido racista, dizendo que seu sucesso vem também de pessoas de origem estrangeira. Não achei nenhuma estatística a respeito. O que encontrei foi um estudo representativo de 2016, que afirma que em um local de votação em Freiburgo, um total de 40 de 118 pessoas que votaram na AfD tinham origem estrangeira. Conclusão do estudo: muitos alemães que emigraram para a Rússia e depois retornaram para a Alemanha, os chamados “Russlanddeutsche“, alemães-russsos, votaram no AfD.

Mas não importa quem votou nesse partido populista de extrema direita no último domingo: o AfD é e continua sendo um partido que se posiciona contra os muçulmanos e contra os refugiados, com racistas em suas primeiras fileiras e – desde o sucesso de ontem – com alguns integrantes de extrema direita nas últimas fileiras. Agora a coisa vai ficar interessante, poderia se dizer, isto é, se não se fizer parte do grupo dos muçulmanos, judeus, homossexuais ou qualquer outro grupo “diferente”, pelo menos diferente do que a nova Direita gosta/aceita. Para mim como alemã de origem turca, que o AfD sugere que retorne para a Anatolia, sinto-me acima de tudo acuada quando vejo notícias de que uma parte do povo está sendo atacada sem que nenhum comentário crítico seja anexado a esse ataque. Nunca antes um partido conseguiu entrar no parlamento (alemão) com dois pontos percentuais. E daí aparece um, que quer recuperar o povo alemão.

Mas ninguém falou ontem sobre as preocupações de pessoas como eu.

Ao invés disso, discutiu-se meticulosamente sobre as preocupações daqueles que votaram no AfD, onde quase todos têm medo da “perda da cultura e do idioma” (95%) e de uma”influência muito grande do islã dentro da Alemanha” (92%). Essas questões foram levantadas como se fosse possível extrair delas respostas para inquietações da sociedade – como por exemplo aposentadorias seguras e aluguéis possíveis de pagar. Eu olho para a tabela da pesquisa do AfD, que parece um soco no rosto, e que é apresentada por um moderador que provavelmente não está me considerando como uma de suas telespectadoras. Como se a “perda da cultura alemã” não significasse que “a Alemanha é dos alemães”. Como se o medo difuso da influência do islã não fosse um indicativo claro de um ato racista contra os muçulmanos.

Eleitores como eu tiveram que presenciar muitas vezes durante a última fase eleitoral que políticos e jornalistas sem nenhuma origem estrangeira discutiram de forma detalhada sobre minorias, imigração e a política de refugiados, sem que ninguém de origem estrangeira pudesse participar da conversa.

Ainda me pergunto como é possível em pleno ano de 2017 discutir sobre temas importantes para o país sem incluir pessoas de origem estrangeiras na conversa. E no caso do duelo dos concorrentes ao cargo de chanceler alemão aconteceu exatamente isso: quatro jornalistas “brancos” colocavam perguntas provocativas sobre imigração, integração e medo de muçulmanos, mas nenhum deles tinha conhecimento de causa.

E na noite das eleições, a coisa se repete: na “Berliner Runde” (Rodada de Berlim) iniciou-se uma discussão sobre o que significava a votação do parlamento alemão para a Alemanha entre sete representantes de partidos e dois jornalistas de idade avançada de canais de televisão alemã, a ARD (Rainhald Becker) e o ZDF (Peter Frey) – todos na mesa eram brancos.

Enquanto eu participava de um chat com outras mulheres engajadas de cor (de origem estrangeiras), nos percebemos: mais uma rodada de discussão, sem que “nós” fossemos incluídas. Aliás não nos vemos como pequena minoria. Somos um grupo grande da sociedade, que ainda é passado pra trás com muita frequência. Já há 10 anos o Instituto Alemão de Estatística está contando quem mora na Alemanha e tem origem estrangeira. Sem os alemães-russos somos 18,6 milhões de pessoas, o que significa 23% da população, um a cada quatro habitantes do país, e o que muitos não sabem: uma grande parte desse grupo, 9,3 milhões, possui passaporte alemão. E falamos bem o idioma alemão. Basta que tentem! Agora há quatro anos pela frente de discussões com populistas de extrema direita. Também gostaríamos de participar das discussões.

Fonte: Artigo da revista Der Spiegel: Hier spricht eine besorgte Bürgerin de 25/09/17.

 


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