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Archive for the ‘Mistura Fina’ Category

::Let us live how we dance – Vivamos como dançamos::

03/11/2017

Vocês adoram esse comercial tanto quanto eu?!?

E a cantora é uma menina francesa de 25 anos, a Jain. Olhem a versão original da música dela, que demais!

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::Histórias de brasileiros pelo mundo::

31/10/2017

O que leva uma pessoa a deixar tudo o que conhece pra trás pra se aventurar por esse mundo afora, passando pelo subemprego e por muitas outras aventuras nunca dantes imaginadas?!? Cada um tem sua resposta pessoal… Veja as razões e um resumo super resumido da vida do jornalista brasileiro Henrique Andrade Camargo aqui, que mora atualmente com sua família na República Tcheca. Como diz a psicóloga dele: “acredite que vai dar tudo certo, simplesmente porque vai”. Enfia o pé que vai!

P.S.-Já ficou sabendo da promoção especial de quase 25 anos da Mineirinha n’Alemanha? Leia sobre ela aqui.

::Convivendo com o inimigo::

25/09/2017

Depois do susto das eleições de ontem, onde mais de 13% dos votos foram para o partido de extrema direita da AfD, andava hoje pelas ruas e ficava pensando em quem serão essas pessoas, esses que votaram no AfD. Um em cada cinco no leste alemão e até um em cada quatro homens votaram nesse partido. O comentário de hoje, por causa disso, era de que a democracia tem um problema masculino na Alemanha.

O AfD é um partido racista, xenófobo, marrom (a cor do nazismo), escondido atrás do azul cintilante de suas propagandas. É o partido que disse que o jogador de futebol Boateng até joga bem, mas que ninguém gostaria de tê-lo como vizinho. Que, em última medida, deveria-se atirar em mulheres e crianças refugiadas na fronteira alemã. E ontem o Gaulant, chefe do partido, disse que vai caçar a Merkel e quem quer que esteja no poder, que ele vai recuperar seu país e seu povo. Chega a dar medo. Nessas horas, acho bom viver na fronteira!

Felizmente há muitas cabeças pensantes no país, uma delas é a Ferda Ataman, cujo artigo que saiu hoje na revista Der Spiegel eu vou fazer questão de traduzir. Vamos lá!

Aqui quem fala é uma cidadã preocupada – Ferda Ataman

Desde que ouvi o Alexander Gaulant dizer ontem em todos os canais de tevê de forma bem alta e agressiva que “nós vamos recuperar nosso país e nosso povo de volta”, estou atordoada. Essa ênfase toda na palavra “nós”. O que significa isso? Desde quando se pode falar desse jeito dentro da Alemanha, sem ser taxado de persona non grata? “Recuperar nosso país” – talvez isso significa que vão fechar as fronteiras e desistir de tratados como o de Schengen. Mas “recuperar nosso povo”, o que será que o AfD quer dizer com essa frase, partido esse que daqui a pouco vai entrar no parlamento alemão com 13% dos votos? Eu não consigo achar resposta para isso. Ou não quero. Porque quem haveria de ser o “nosso povo”?

O político da AfD Jörg Meuthen explica logo em seguida na “Berliner Runde” (Rodada de Berlim) que eu como alemã de origem turca, que se esforçou para se integrar e para aprender o idioma alemão, faço parte desse grupo de forma plena. Pertenço ao povo alemão. A ênfase dessa vez fica na palavra “alemão”. E ele afirma que o AfD não pode ser um partido racista, dizendo que seu sucesso vem também de pessoas de origem estrangeira. Não achei nenhuma estatística a respeito. O que encontrei foi um estudo representativo de 2016, que afirma que em um local de votação em Freiburgo, um total de 40 de 118 pessoas que votaram na AfD tinham origem estrangeira. Conclusão do estudo: muitos alemães que emigraram para a Rússia e depois retornaram para a Alemanha, os chamados “Russlanddeutsche“, alemães-russsos, votaram no AfD.

Mas não importa quem votou nesse partido populista de extrema direita no último domingo: o AfD é e continua sendo um partido que se posiciona contra os muçulmanos e contra os refugiados, com racistas em suas primeiras fileiras e – desde o sucesso de ontem – com alguns integrantes de extrema direita nas últimas fileiras. Agora a coisa vai ficar interessante, poderia se dizer, isto é, se não se fizer parte do grupo dos muçulmanos, judeus, homossexuais ou qualquer outro grupo “diferente”, pelo menos diferente do que a nova Direita gosta/aceita. Para mim como alemã de origem turca, que o AfD sugere que retorne para a Anatolia, sinto-me acima de tudo acuada quando vejo notícias de que uma parte do povo está sendo atacada sem que nenhum comentário crítico seja anexado a esse ataque. Nunca antes um partido conseguiu entrar no parlamento (alemão) com dois pontos percentuais. E daí aparece um, que quer recuperar o povo alemão.

Mas ninguém falou ontem sobre as preocupações de pessoas como eu.

Ao invés disso, discutiu-se meticulosamente sobre as preocupações daqueles que votaram no AfD, onde quase todos têm medo da “perda da cultura e do idioma” (95%) e de uma”influência muito grande do islã dentro da Alemanha” (92%). Essas questões foram levantadas como se fosse possível extrair delas respostas para inquietações da sociedade – como por exemplo aposentadorias seguras e aluguéis possíveis de pagar. Eu olho para a tabela da pesquisa do AfD, que parece um soco no rosto, e que é apresentada por um moderador que provavelmente não está me considerando como uma de suas telespectadoras. Como se a “perda da cultura alemã” não significasse que “a Alemanha é dos alemães”. Como se o medo difuso da influência do islã não fosse um indicativo claro de um ato racista contra os muçulmanos.

Eleitores como eu tiveram que presenciar muitas vezes durante a última fase eleitoral que políticos e jornalistas sem nenhuma origem estrangeira discutiram de forma detalhada sobre minorias, imigração e a política de refugiados, sem que ninguém de origem estrangeira pudesse participar da conversa.

Ainda me pergunto como é possível em pleno ano de 2017 discutir sobre temas importantes para o país sem incluir pessoas de origem estrangeiras na conversa. E no caso do duelo dos concorrentes ao cargo de chanceler alemão aconteceu exatamente isso: quatro jornalistas “brancos” colocavam perguntas provocativas sobre imigração, integração e medo de muçulmanos, mas nenhum deles tinha conhecimento de causa.

E na noite das eleições, a coisa se repete: na “Berliner Runde” (Rodada de Berlim) iniciou-se uma discussão sobre o que significava a votação do parlamento alemão para a Alemanha entre sete representantes de partidos e dois jornalistas de idade avançada de canais de televisão alemã, a ARD (Rainhald Becker) e o ZDF (Peter Frey) – todos na mesa eram brancos.

Enquanto eu participava de um chat com outras mulheres engajadas de cor (de origem estrangeiras), nos percebemos: mais uma rodada de discussão, sem que “nós” fossemos incluídas. Aliás não nos vemos como pequena minoria. Somos um grupo grande da sociedade, que ainda é passado pra trás com muita frequência. Já há 10 anos o Instituto Alemão de Estatística está contando quem mora na Alemanha e tem origem estrangeira. Sem os alemães-russos somos 18,6 milhões de pessoas, o que significa 23% da população, um a cada quatro habitantes do país, e o que muitos não sabem: uma grande parte desse grupo, 9,3 milhões, possui passaporte alemão. E falamos bem o idioma alemão. Basta que tentem! Agora há quatro anos pela frente de discussões com populistas de extrema direita. Também gostaríamos de participar das discussões.

Fonte: Artigo da revista Der Spiegel: Hier spricht eine besorgte Bürgerin de 25/09/17.

 

::Por que ser feminista?::

12/03/2017

Quando eu era criança, queria falar tantas línguas quanto o Papa João Paulo II, que falava 40 línguas, e visitar todos os países do mundo, como ele visitava. Com o tempo, descobri que o Papa da minha infância lia o som dos idiomas, mas não falava tantas línguas, e decidi também que não quero visitar países onde mulheres tenham menos direitos do que homens. Alguns poderiam argumentar que esses países são poucos, outros poderiam dizer que são “só” os países muçulmanos, mas acabo de achar uma lista enorme de países onde a mulher vale bem menos do que o homem… Assim fica difícil viajar!… Pensando pelo lado positivo, espero que essas discrepâncias diminuam com o tempo e que a igualdade entre os sexos seja cada vez mais alcançada! A verdade é que em pleno século 21, onde os homens querem conquistar o espaço e estabelecer vida em Marte, muit@s ainda questionam e perguntam sobre o sentido do feminismo, e ainda há muito por conquistar para nós, mulheres.

Muito do que podemos hoje e consideramos claros direitos adquiridos do sexo feminino, foram direitos conquistados com o passar do tempo, frutos de muitas discussões e lutas, como por exemplo: o direito ao voto, ao divórcio, a frequentar uma universidade, trabalhar, ter conta própria no banco, dirigir, decidir se queremos ou não fazer sexo (também dentro do casamento)… a lista seria interminável se contássemos as desigualdades que ainda existem nos dias de hoje, nos quatro cantos do mundo: desigualdade de gênero, de salários, na divisão do trabalho doméstico, no tempo investido (e não remunerado) com o cuidado de familiares, a dependência feminina até a aposentadoria, para aquelas que não têm um salário próprio…

Enquanto isso, na Suíça, li recentemente um artigo dizendo que a atuação feminista das mulheres, como p.ex. as ações durante o Dia Internacional da Mulher, deixa os homens inseguros. Muitos deles, por não saberem direito mais como se portar perante uma mulher, preferem assistir filmes pornográficos no lugar de manter um relacionamento!… Mas a resposta, na realidade, é bem simples: um “não” significa um “não”!… Como dizia a minha avó: “quando um não quer, dois não brigam (ou brincam)”!… Cada par define o que está bem para eles  e os deixa felizes, definindo suas regras e compromissos aceitos entre as partes.

Vamos às leis absurdas que ainda imperam no mundo contra as mulheres:

– Uma mulher tem que permitir “sexo ilimitado” ao marido, assim que ela completar 15 anos na Índia e 13 anos em Singapura! No Yemen, onde o casamento entre crianças é algo muito comum, não existe nem uma idade mínima para tanto. Isso quer dizer que se um homem violentar sua mulher nesses países, ele não cometeu nenhum crime perante a lei;

– Na Tansânia, uma menina de 15 anos pode se casar com o consentimento de seus pais, ou até com 14 anos através de decisão judicial, se “razões importantes “ puderem ser consideradas, enquanto que meninos  só podem se casar aos 18 anos;

– Na Jordânia ou no Líbano, só é dada a nacionalidade automática destes países a filhos cujo pai seja jordaniano ou libanês. A nacionalidade da mãe não é levada em conta e não é transferida automaticamente ao seu filho. Se uma mãe jordaniana for casada com um homem de outra nacionalidade, seus filhos não terão o direito de receber a nacionalidade da mãe e perderão direitos como o de concorrer a empregos públicos ou ligados ao sistema de saúde e escolar;

– Em Malta, se uma mulher for raptada e decidir se casar com o agressor, este não precisará ser julgado perante a lei e não irá cumprir pena de prisão;

–  No Líbano, se uma mulher for raptada ou estuprada e o agressor se casar com ela em seguida, ele também estará livre de julgamento;

– Ainda há 46 países do mundo que consideram que a mulher é um acessório masculino e que só pode agir na esfera do seu consentimento, não lhes oferecendo proteção contra a violência doméstica. Na Nigéria um homem tem até o direito de bater em sua esposa, com o objetivo de castigo e repreensão, desde que desse castigo não resultem “danos irreparáveis e permanentes”. Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa (estudo de 2010 feito pela Asociación de la Encuesta Mundial de Valores). Atualmente, a violência doméstica mata cinco mulheres por hora (!) diariamente em todo o mundo;

– No Chile, na Tunísia e na Inglaterra, em caso de herança, o homem recebe mais do que a mulher. Na Tunísia, uma lei de 1956 prevê que um filho homem recebe o dobro da herança de uma filha mulher. Na Inglaterra, a casa da família será passada para o primeiro filho homem do casal, independente do número de filhas mulheres que tiverem nascido antes. Somente em 2012 (!) houve uma alteração na sucessão ao trono, que será dada ao primeiro filho do casal, independente de seu sexo;

– Na República dos Camarões, dentro um total de 18 países, um homem pode impedir que uma mulher trabalhe se ele for da opinião de que a atividade dela não irá contribuir para o bem da família. Uma lei como essa não é só discriminatória, mas impede que a mulher tenha renda independente e fuja da espiral da dependência e pobreza;

– Em 29 países do mundo, na Ásia e na África, o clítoris de meninas e mulheres é cortado como costume ancestral. Mais de 125 milhões de mulheres já foram vítimas dessa prática;

– A Arábia Saudita é o único país do mundo onde mulheres não podem dirigir carros!

O feminicídio é o ato máximo da violência contra a mulher, que não está só relacionado a violências externas (agressão, espancamento, estupro, assassinato, etc.) mas também a violências psicológicas (humilhação, coação, manipulação, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, vigilância constante, limitação do direito de ir e vir, etc.). No ano de 2015, o Brasil foi classificado como o quinto país com maior taxa de homicídio de mulheres. Segundo pesquisa da Datafolha, 33% da população brasileira diz acreditar que a vítima tem culpa em casos de estupro. Uma tristeza mundial: uma em cada cinco mulheres de até 18 anos já foi vítima de violência. Veja todas as formas de violência contra a mulher aqui.

Se você conhecer mais alguma lei ou proibição absurda contra mulheres, não deixe de incluí-la nos comentários. Se tiver algo a completar ou corrigir, agradeço por sua contribuição! Repasse este post, para que mais e mais mulheres entendam que precisamos ser amigas e irmãs umas das outras, lutando e defendendo o feminismo e a sororidade (irmadade entre mulheres). Muito obrigada!

Fontes: Jornal 20 Minutos da Suíça de 10/03/17, artigoTreibt Feminismus-Hype Männer in die Porno-Falle?”; website Global Citizen, artigo10 völlig absurde, frauenverachtende Gesetze, die auch heute noch existieren”, website La Informacion, artigo “La ablacion del clítoris se practica en 29 países de Asia y África”; website http://www.compromissoeatitude.org.br, artigo “Em muitos países, 25% ou mais acham justificável um homem bater na esposa”; website http://www.agenciabrasil.ebc.com.br, artigo “Violência doméstica mata cinco mulheres por hora diariamente em todo o mundo”; página www.ultimosegundo.ig.com.br, artigo “Meus pais me ameaçavam com motossera”: veja casos de violência contra a mulher”, página www.cnj.jus.br, artigo “Formas de violência”.

::Imigração e mercado de trabalho na Alemanha – dados de 2015::

05/10/2016

Aqui um artigo super atual sobre a imigração e a prognose do nível de mão de obra para o futuro da Alemanha. Abaixo um resumo do artigo – tradução minha:

Em 2015, 2,1 milhões de pessoas imigraram para a Alemamha. Destes, quase um milhão de pessoas vieram da Comunidade Europeia e/ou solicitaram asilo. Somente 82.000 pessoas vieram de fora da Europa e destas, somente 5.867 através do Blue Card, por terem um alto nível de qualificação. Destas, somente 192 usaram a possibilidade de pedir um visto de 6 meses para a busca de emprego.

Em contrapartida, um milhão de alemães deixaram o país no mesmo ano. E o país volta a discutir sobre a possibilidade de instituir quotas para a imigração de mão de obra qualificada, baseadas em diplomas, conhecimento do idioma e experiência profissional. A proposta seria de que os selecionados recebessem um visto de um ano para a busca de emprego.

Está claro que a Alemanha precisa de pessoal qualificado, ainda mais quando se analisa o desenvolvimento demográfico do país. Mesmo que 200.000 pessoas imigrassem para a Alemanha por ano até 2030, o nível de mão de obra cairia ainda assim em 5 milhões ou ficaria 10% menor. Mesmo que o país consiga qualificar os asilados que acabam de chegar no país, ainda assim faltaria mão de obra para as empresas na Alemanha.

Fonte: artigo “Deutschland zieht kaum Fachkräfte an“ do jornal FAZ de 04.10.16

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke

::Despedida – Rainer Maria Rilke::

19/04/2016

 

Rilke

Tradução livre para o português abaixo

Abschied – Rainer Maria Rilke

Wie hab ich das gefühlt was Abschied heißt.
Wie weiß ich’s noch: ein dunkles unverwundnes
grausames Etwas, das ein Schönverbundnes
noch einmal zeigt und hinhält und zerreißt.

Wie war ich ohne Wehr dem zuzuschauen
das, da es mich, mich rufend, gehen ließ,
zurückblieb, so als wären’s alle Frauen
und dennoch klein und weiß und nichts als dies:

Ein Winken, schon nicht mehr auf mich bezogen,

ein leise Weiterwinkendes —, schon kaum
erklärbar mehr: vielleicht ein Pflaumenbaum,
von dem ein Kuckuck hastig abgeflogen.

 

Despedida – Rainer Maria Rilke

Como tenho o sentimento do que significa a despedida

Como eu sei ainda: algo escuro e puro

Cinza, que o que estava unido e era bonito

Desnuda, põe a prova e desata

 

Como foi que eu não reagi quando vi

Quem, me chamando, me deixou ir

Ficou pra trás, como se fossem todas as mulheres

E ainda assim pequena, e não muito menos que isso:

 

Um aceno, não mais dirigido a mim,

Outro aceno mais breve – menos ainda

Outra explicação: talvez um pé de ameixa

De onde um pássaro voa, às pressas

 

Tradução livre de Sandra Santos

::Mundo louco x mundo lindo::

29/03/2016

Num dia louco feito o de hoje onde, fica difícil acompanhar (e acreditar) nas atualidades.

Mulher passa 4 horas nadando atrás de navio

Uma mulher de 65 anos pula no mar atrás de um navio, achando que vai encontrar o marido com quem tinha brigado. Ela é resgatada 4 horas depois, passando muito frio nas águas de 18 graus da costa da ilha de Madeira, agarrada a uma malinha. O marido não se encontrava mais no navio; ele tinha ido, logo depois da briga, para o aeroporto, e voltado pra Bristol, na Inglaterra, onde morava.

Leis severas

Um homem rico na Suíça ultrapassa com seu carro esporte duas vezes a velocidade permitida (100 km/h ao invés de 60 km/h e 154 km/h ao invés de 120 km/h) e paga primeiro uma multa de 600 francos suíços, depois outra de 9.000 francos suíços e por último tem que entregar sua carteira de motorista por dois anos para as autoridades. Ele afirma não se importar com esse fato, pois o transporte público no país é muito bom e quando não está andando de trem ou de ônibus, tem seu chauffeur próprio. Lá as leis valem para todo ser mortal, não importando o poder aquisitivo ou a classe social da pessoa…

Tay – Inteligência Artificial espelha o extremismo dos dias de hoje

Tay

A Microsoft resolve fazer um experimento de Inteligência Artificial e coloca o robô Tay no Twitter, para bater papo, se divertir e aprender com os internautas. Tinham anunciado que ele poderia receber e comentar fotos, contar piadas e entreter a comunidade. Tay começa o dia saudando os internautas e dizendo o quanto os preza. Em menos de 24 horas, a exemplo do extremismo que assola a internet, ele se torna sexista e nazista, afirma que o Holocausto nunca aconteceu, elogia Hitler, fala mal do feminismo e incita o extermínio do México. A Microsoft tem que tirar Tay às pressas do ar, pedindo desculpas e afirmando que as ideias dele não são as mesmas da empresa. Tay aprendeu, em pouquíssimo tempo, a se deixar influenciar como uma criança sem opinião própria e provou o que a grande massa tem de pior…

Bélgica & Lahore – terrorismo e capitalismo

Em menos de uma semana, vimos dois atentados terroristas acontecerem, dentro do aeroporto e do metrô de Bruxelas, na Bélgica, matando mais de 30 e deixando mais de 300 feridos, e no feriado da Páscoa num parquinho com crianças cristãs em Lahore, no Paquistão, matando 70 pessoas, dentro elas 35 crianças e ferindo 340 outras… Como se a loucura dos dias atuais já não tivesse chegado ao limite máximo, trocamos o medo antigo da Guerra Fria, de uma Super Potência com um provável botão para acionar a bomba atômica, por todo e qualquer ser humano desacreditado e desiludido, que não conseguiu se integrar onde está, é ou está doente, psicopata, e não vê perspectiva para sua vida a não ser a de se explodir ou meter um avião na rocha, levando consigo centenas de inocentes… Um único ser humano se tornou uma arma eficaz e barata, a consciência (o a falta dela) está no comando.

Nem em uma hora dessas pára-se de tentar encontrar meios de fazer dinheiro. Por escolha própria, porque não quero virar produto pro Facebook, me nego a informar pro sistema onde moro. Por isso, eu e muitas outras pessoas bem longe de Lahore, espalhadas por todo o mundo, recebemos uma mensagem perguntando se estávamos passando bem, nos convidando a visitar o programa para assinalar que estamos vivos. Vai ver que a intenção era a de fazer com que os que não tinham determinado onde moram, o façam nesta ocasião, consequentemente aumentando o valor da empresa. Por via das dúvidas, o que pode ser interpretado como uma brincadeira de mau gosto e também como um ato solidário, virou uma pane declarada e o Facebook a anunciou, pedindo desculpas pelo ocorrido…

Enquanto isso, na Turquia…

O Erdogan acha que pode limitar a liberdade da imprensa, não só dentro da Turquia, mas também fora dela. Naquele país, quem tem opinião própria vai parar atrás das grades, e o embaixador alemão acaba de ser intimado para visitar Erdogan depois de uma sátira lançada pelo canal de tevê alemão NDR. Nela, afirma-se a verdade (falta de liberdade de expressão, prisão de repórteres, regalias do governo, pessos maltradas pela polícia, dentre tantas outras aberrações) e espera-se que, se ninguém pode ter opinião própria dentro da Turquia, que não venham com essa de propagar a verdade fora de lá… E o pior é que o governo alemão não comentou nada oficialmente depois do ocorrido, pois depende da Turquia nas negociações ligadas aos refugiados…

60 milhões de pessoas estão se movimentando pelo mundo no momento, em busca de um lugar melhor, mais calmo e mais digno pra viver. Muitas delas vieram desde o ano passado aqui para a Alemanha, pelo que eu tenho que tirar o chapéu para a chanceler Angela Merkel, que não mudou de opinião nem depois de ter sido criticada praticamente pelo país inteiro e de ter corrido o risco de perder seu posto de chanceler. A consciência foi posta acima do poder. Palmas para ela.

Tiro o chapéu e não saberia nem o que fazer mais, além de manter uma admiração profunda pelo Papa Francisco, que busca a linguagem do amor, acima de todas as religiões, e lava os pés de 12 refugiados de várias nacionalidades na Páscoa, contribuindo para o entendimento entre os povos e dando um exemplo de humildade e amor ao próximo. Mesmo que a igreja tenha sido reformada 30 anos em 3 anos, desde que ele ocupa o cargo, dentre tantas outras reformas necessárias falta ainda ele liberar os postos de liderança dentro da Igreja Católica para as mulheres. Por que não há (ainda) mulher padre, mulher bispo e mulher papa? Por quanto tempo?

Num mundo conturbado como o de hoje, tempos que voltar a atenção para as pequenas coisas e tentar nos concentrar no bem, quer seja ele conhecido ou desconhecido. Fecho esse post agradecendo a um desconhecido que achou a carteira do meu marido, perdida há algumas semanas na Baviera, e dela tirou somente o dinheiro, devolvendo o restante do conteúdo para a prefeitura da cidade onde a mesma tinha sido perdida, que por sua vez a enviou para a nossa cidade. Tudo o que foi deixado dentro da carteira vale uns 500 euros, inclusive um cartão anual para andar de trem, mais de 60 euros de tíquetes restaurante, documentos, fotos, sem falar na carteira em si, novinha, de couro. Existem muitas pessoas de bem. E nós, a cada segundo, temos a opção de ver o mundo sob o ângulo negativo ou positivo, de tentar sermos pessimistas ou positivistas, de incitar o mau ou de fazer o bem.  O livre arbítrio é todo nosso.

Fontes: praticamente todos os meios de comunicação da atualidade, dentre eles Twitter, Facebook, YouTube, revista Spiegel, jornal FAZ (Frankfurter Allgemeine Zeitung), website da Telekom, programa Extra 3 da NDR.

::Dia Internacional da Mulher::

07/03/2016

Amanhã é o Dia Internacional da Mulher e muitos dirão que uma data comemorativa como essa já está ultrapassada, mas é aí que muitos se enganam.

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Talvez digamos isso porque não temos consciência completa de que só existe data comemorativa para minorias, e somos claramente uma delas. Apesar de já representarmos na atualidade mais da metade das pessoas que frequentam uma universidade, seja em curso de bacharelado, mestrado ou doutorado, não formamos nem 15% do grupo de liderança das empresas, mesmo que vários estudos já tenham provado e todos saibam que empresas diversas, com mais de 30% de mulheres ocupando cargos de liderança, tendem a ter mais sucesso.

Eu era contras as quotas de toda e qualquer espécie, contra as quotas que foram adotadas no Brasil para a entrada na universidade, e apesar de adotar uma posição feminista, também era contra as quotas que estão sendo discutidas e adotadas aqui na Europa com relação à mulher em cargo de liderança para empresas de capital aberto. Isso porque eu busco Justiça, trabalho na área de recrutamento e seleção e sempre fui a favor de que o melhor candidato ocupe uma vaga em aberto, seja ele homem ou mulher. Esta foi a minha postura até o dia em que troquei ideias com um colega de trabalho, que já acompanha há 30 anos as discussões acerca da mulher no mundo dos negócios e diz que já está cansado de presenciar tanta discussão e tão pouca ação. Ele é a favor das quotas por um determinado período de tempo, pois só uma medida drástica como essa poderá modificar o cenário existente onde as mulheres são responsáveis por 70% das decisões de compra, mas ocupam a maioria dos cargos com menor poder de decisão e chegam a ganhar menos pelo mesmo trabalho desempenhado por um homem. Enquanto nos esforçamos em ser boas funcionárias e em agradar a chefia, admitindo honestamente o que sabemos e o que não sabemos numa entrevista de emprego, muitos homens estão ocupados se catapultando ou se mantendo no auge do poder, mantendo o estatus quo que tão bem conhecemos.

the-intern-200x300Nós, mulheres, temos ainda um defeito horrível de procurar sempre em nós a culpa para tudo o que não anda bem. Como no caso da personagem Jules Ostin do filme “Um Senhor Estagiário” (The Intern), que apesar de ter sucesso como CEO de uma start-up de moda e driblar seus dias entre o sono, escritório, trabalho em casa e os papeis de profissional, esposa e mãe, se dá toda a culpa e começa a buscar um sucessor, propondo-se a se desligar em parte de seu grande sonho e do sucesso empresarial conquistado, quando descobre que o marido a está traindo. Sugiro que o filme seja visto pelo maior número possível de mulheres, pois precisamos de mulheres neste mundo que admitam ter sonhos e que lutem por eles, que não se escondam atrás deles ou o escondam debaixo dos cobertores, se fazendo menores do que são. Precisamos de investir um tempo revendo o que já conquistamos nas últimas décadas mas também precisamos de coragem pra abrir a boca quando algo não vai bem, dentro ou fora do ambiente de trabalho. O preconceito, as tramas do poder, os comentários maliciosos, as “chegadas pra lá” não são uma exceção e não vão parar de existir só porque nós as ignorarmos. E, acima de tudo, temos que admitir que não somos nenhuma Mulher Maravilha, mas sim pessoas de carne e osso com muitos erros e limitações. Não podemos querer ser perfeitas e nos cobrar o impossível como mães, mulheres e profissionais, pois isso só nos levará à amargura. Precisamos dividir os fardos e os prazeres dentro e fora de casa. Que saibamos comemorar o Dia Internacional da Mulher e esperemos que um dia não exista razão para uma data comemorativa como essa, pois a mulher terá alcançado o espaço que lhe é de direito. Que tenhamos coragem pra sonhar… como eu sonhei, por exemplo, em um dia poder ver a Madonna, o Papa Francisco ou a Angela Merkel ao vivo e a cores, e que tenhamos fé, persistência e resiliência pra acreditar que nossos sonhos podem se tornar realidade. Eu, ainda que tenha que admitir que seja um tanto quanto teimosa e fora do normal, vi os três e quero continuar a sonhar.

P.S. – Dicas de mulher pra mulher:

MAKERS – The largest video collection of women´s histories

20 Inspiring TED Talks every woman should watch

Male Champions of Change

Se tiver dicas, deixe-as por favor nos comentários. Eu e as outras mulheres agradecemos!

P.S. 2 – Leia também aqui “Os direitos da mulher” e aqui “A Alemanha é uma sociedade machista?”

::Flores para Danielle #DesFleurspourDanielle::

19/11/2015

No meio de tantos dias tristes, um raio de luz. Uma senhora francesa foi entrevistada logo depois do atentado de Paris da última sexta-feira, 13 de novembro de 2015, e falou o que muitos pensam:

“É muito importante trazer flores para os nossos mortos. É muito importante ler várias vezes o livro de Hemingway intitulado ‘Paris é uma Festa’. Porque nós somos uma civilização bastante antiga. E damos muita importância aos nossos valores. Nós nos unimos aos 5 milhões de muçulmanos que praticam sua religião de forma livre e pacífica. E vamos lutar contra os 10 mil bárbaros, que dizem matar em nome de Alá.

Em alemão:

Es ist sehr wichtig, unseren Toten Blumen zu bringen. Es ist sehr wichtig, mehrfach das Buch von Hemingway ‘Paris est une fête’ (Paris – Ein Fest fürs Leben) zu lesen. Denn wir sind eine sehr alte Zivilisation. Und wir tragen unsere Werte hoch. Wir verbrüdern uns mit den fünf Millionen Muslimen, die ihre Religion frei und friedlich ausüben. Und wir werden kämpfen gegen die 10.000 Barbaren, die angeblich im Namen von Allah töten.

Em francês (só achei um pedaço):

Nous fraterniserons avec 5 millions de musulmans qui exercent leur religion librement et gentiment et nous nous battrons contre les 10 000 barbares qui tuent soi-disant au nom d’Allah”.

Danielle 

Um escritor francês, Karim Boukercha, gostou tanto do que a senhora disse, que resolveu iniciar uma busca na internet para encontrá-la e dar-lhe flores de presente. Ele resolveu colocar um pedido no Twitter para que ela fosse encontrada, ao mesmo tempo que iniciou uma “vaquinha virtual” aqui (agora em 4 idiomas) para ela. Em pouco tempo descobriu seu nome, que é advogada aposentada, nascida em Paris, tem 77 anos e se ocupa com muitos projetos sociais, é defensora dos Direitos das Mulheres e, como ela mesma diz, “revoltada com a estupidez”. A entrevista de Danielle rapidamente viralizou na web. Uma floricultura ficou sabendo do caso e mandou entregar flores para Danielle. Remetente: “A Internet”. E o mais legal é que a vaquinha fez muito sucesso, ela já atingiu mais de 14 mil euros hoje, 19 de novembro à noite, com contribuições de mais de 1.500 pessoas. Todas elas estão fazendo uma doação à Danielle, por terem se simpatizado com o que ela disse de forma firme, correta e convicta e como meio de contribuir de forma direta para seus projetos sociais, dentre eles uma recém-criada associação para ajudar as famílias das vítimas do último dia 13. Flores para Danielle. Asssinado: As pessoas de bem da internet. Muito comovente o que ela disse, ao ser entrevistada depois de ter ficado famosa na internet: J’ai été très heureuse de voir que beaucoup de musulmans m’ont dit “merci madame”. (Fiquei muito feliz pelo fato de que muitos muçulmanos disseram para mim “muito obrigado, madame”. )

Linda história, não é mesmo? Flores para todos! #DesFleursPourDanielle

Fontes reportagens das revistas Der Spiegel de 18.11.15 e Tribune de Genève de 17.11.15.


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