Anúncios

Archive for the ‘Livros’ Category

::Backwerk: Como ganhar – e perder – um cliente em menos de 24 horas::

31/10/2017

Há umas semanas atrás assisti um documentário sobre o fato de que muitas padarias não são mais padarias, mas mantêm meros fornos para esquentar massa de pão feito muito longe, muitas vezes em outros países, p.ex. na Polônia. Elas conseguem vender pães a preços mais baratos, mas a custo da qualidade e da falta de ética por todo o processo econômico, pois quem compra barato também quer ter baixos gastos, p.ex. com pessoal, para maximizar seu lucro. Assim todo mundo sai perdendo, mas os bolsos dos donos dessas grandes cadeias acabam crescendo e eliminando as pequenas padarias espalhadas pelo país. Capitalismo no nível hard core.

A Backwerk é uma dessas empresas. Compro pouco lá, mas ontem estava voltando do trabalho, ia direto pra ioga e tinha só uns minutos em uma estação de trem, e corri lá pra comprar um pão. Quando ia pagar, vi que me faltava um euro e não poderia levar o pão. Quis devolver, mas não me permitiram. O gerente me passou um sabão, mas pediu que a empregada anotasse o valor que faltava na nota de compra e eu deveria voltar lá para pagar o valor devido. Comentei com meu marido que a empresa me vendeu fiado, como antigamente.

Em praticamente 12 horas voltei lá pra pagar minha dívida, pois não gosto de ter dívidas. A funcionária não sabia falar alemão direito e chamou a gerente  do dia. Essa, não gostou da novidade e começou a reclamar, que não poderia aceitar o dinheiro, que eu voltasse outra hora. Disse que não faria isso e pedi que me cobrasse o valor. Ela deu ordens à sua empregada que nunca faça coisa parecida, disse que não seria tão fácil assim, seu caixa não fecharia no final do dia. Eu disse que o gerente do dia anterior tomou essa decisão, que pelo jeito ele tinha mais a mandar do que ela e que agora eu queria pagar minha dívida, e que afinal de contas se em um dia falta um euro e no outro sobra um euro, o caixa dos dois dias irá fechar porque um euro positivo com um euro negativo daria zero. Mesmo assim ela relutava e eu pedi que a funcionária cobrasse o dinheiro e deixasse o valor separado ao lado do caixa, para poder resolver como colocá-lo no sistema mais tarde, porque eu não poderia perder meu trem. Ela cobra o valor devido, enquanto a gerente desaparece esbravejando para o fundo da loja. Isso bastou para que eu comentasse com ela: “Sua chefe é muito sem educação. Hoje foi o último dia que compro alguma coisa nesta loja. Não volto aqui nunca mais!”

Li que as marcas e empresas das quais gostamos e onde gastamos nosso dinheiro têm muita ligação conosco mesmo e com nossos valores. Quais são as marcas às quais você é fiel e por que, o que elas dizem sobre você mesmo?

P.S.-Se quiser responder mais perguntas sobre você e fazer uma viagem dentro de si mesmo, dê uma olhada no meu novo livro aqui.

Anúncios

::Mineirinha n’Alemanha: Promoção especial de quase 25 anos na Alemanha::

29/10/2017

Ano que vem estarei completando exatos 25 anos na Alemanha, esse acontecimento parece incrível até para mim mesma! É muito chão e muita história pra contar!…

Em comemoração aos 25 anos e ao lançamento do meu novo livrinho (Re)descobrindo Quem é Você, que eu carinhosamente apelidei de RQEV, quero oferecer uma promoção especial, valida somente até o dia 31 de março de 2018, data que completo meus 25 anos de Alemanha: para quem adquirir meu novo livro, gostar e quiser ler também o Mineirinha n’Alemanha, meu primeiro livro, ou quiser presenteá-lo para um amigo, sempre com dedicatória e autógrafo por um preço especial de 10 euros, incluindo o envio pelos Correios dentro da Alemanha, fora da Alemanha a combinar.

Quer se informar mais sobre os assuntos tratados no primeiro livro? É só visitar a seção “Os livros e onde comprar” aqui no blog. Qual é a opinião de quem já leu o livro? Visite a seção “Opiniões dos leitores“.

Eu quero o livro, como proceder? É só entrar em contato comigo, mandando uma comprovação da compra do RQEV, informar pra quem é a dedicatória e após a transferência, o livro é enviado pelos Correios. Corra lá pra garantir o seu, pois o número de livros é limitado, só restam mais alguns exemplares!

::Dica da Mineirinha::

22/10/2017

Pra quem está passando por aqui agora, por causa do lançamento do meu livrinho “(Re)descobrindo Quem é Você”, eu queria sugerir que me procurem também no Facebook e assinem lá minha página, a Mineirinha n’Alemanha”, porque costumo publicar muita coisa direto lá. Vira e mexe leio muita coisa legal e estou deitada na cama, dentro do trem, passeando por aí… e republico imediatamente no Facebook, sem passar por aqui.

Fica a dica! Nos vemos por lá?

E por falar em escrever por aqui, hoje ganhei dois presentes maravilhosos da vida!

Um deles foi o primeiro retorno sobre o meu novo livrinho, que foi muito, muito positivo vindo de uma amiga que significa MUITO pra mim e que considero de montão! Reduziu o medo do que ainda está por vir quanto a retornos quanto ao novo projeto, pois o retorno dela foi muito significativo pra mim, e como disse muito positivo, fiquei super feliz e grata!!! O ato de escrever pra mim é como se “despir” para o leitor, e depois que o projeto é solto no mundo, ele ganha pernas sozinho! Eu fico daqui vendo como ele está andando… É uma coisa meio como ganhar um filho e vê-lo crescer… um processo de absoluta introspecção e depois de soltar o “menino” pro mundo, deixá-lo andar com as próprias pernas. Bom ver que ele está se dando bem agora no comecinho de sua vida “adulta”, fazendo amigas e conseguindo dialogar com o mundão lá fora!

O segundo presente aconteceu depois que tive a coragem de fazer uma pergunta descarada e diretamente. Trata-se de outra pessoa que admiro muito, pra quem escrevi e perguntei se poderia incluir uma poesia de sua autoria no meu próximo projeto, que espero poder lançar nos próximos meses, e também perguntei se queria participar dele sendo a pessoa que irá escrever o prefácio. A resposta foi SIM… e SIM!!!

Esses dois acontecimentos foram dois grandes presentes hoje pra mim!!! Lá fora tem muita coisa para ser realizada, muito projeto pra levar adiante, muito sonho esperando pra nos dar as mãos e andar conosco. Vamos nos encher de coragem… e vamos caminhar?!?

::Saiu um novo livro da Mineirinha! Ou o inverso de: como se diz “enrolação” em alemão?::

10/10/2017

Para falar a verdade, eu tinha o projeto de escrever um novo livro já há muito tempo, mas fui – quase – vencida pela famosa enrolação, a em alemão tão famosa, conhecida e respeitada “Aufschieberitis” (vem do verbo “aufschieben”, que significa adiar, diferir, enfim para os mais entendidos e numa boa gíria brasileira: enrolar).

Nós, mulheres, temos 1.001 coisas na cabeça e para nós é muuuuuito fácil fazer de “b” a “z” quando na realidade sabemos claramente que deveríamos estar investindo naquele sonho importante, o “a”. Dizem que se algo nos dá muito medo, é exatamente naquilo que temos que investir, pois medos costumam esconder nossos maiores sonhos! E olha que tem bastante verdade nisso, viu?

Enfrentando meus medos de inúmeras coisas como escritora, mulher, mãe, profissional e expatriada, virava e mexia eu pensava de novo no projeto engavetado, que estava quase pronto… Comentei sobre ele com uma amiga escritora, a Isa Magalhães, e ela foi bem categórica: “lançe-o”. Mas eu sabia que não iria ser tão fácil assim…

Deixando de lado no momento algumas razões centrais da inércia temporária que explico no finalzinho do livro, e falando agora um pouco mais a nível geral, o ato de escrever para mim tem muita ligação com sentimentos. Tem muito de “timing“, de você um dia levantar da cama e afirmar: “hoje é o dia! ” E para mim, para minha satisfação pessoal e, espero, também dos meus leitores, foi no último domingo, 08/10/17, que consegui mesmo colocar a mão na massa de manhã até à noite e o novo livro saiu do forno!

°°°

Sobre o livro:

Este livro é para mulheres, principalmente aquelas em busca delas mesmas e de uma ocupação profissional que faça a diferença em suas vidas.

Simples, concisa, de leitura rápida, mas intensa, o objetivo da obra é que a leitora faça um mergulho profundo dentro de si mesma, voltando à superfície com reflexões importantes para sua vida.

A ideia do livro surgiu da experiência de expatriada da autora, que já acompanhou vários casos de mulheres que tiveram que se reinventar profissionalmente no exterior. A autora espera que possa contribuir na caminhada dessas mulheres para se tornarem quem são de verdade.

°°°

Talvez alguém possa estar se perguntando por que estou sendo tão sincera ao anunciar que meu novo livro demorou pra sair,  muito mais do que eu esperava… É bem simples: minha intenção é motivacional, uma mensagem direta para todos aquel@s que, como eu, já tinham se acostumado com o projeto inacabado.

Uma pergunta direta: você tem um sonho que está bem pertinho do seu coração, que você sabe exatamente qual é, mas tem até certo receio de pensar nele? Já chegou a se acostumar à ideia de deixá-lo inacabado?

Outra pergunta: como você se sente quando pensa nele?

Última pergunta (juro!): como você vai se sentir quando realizar o seu sonho?

Esses pensamentos não me davam paz quando meu projeto me vinha à cabeça…. Ficava decepcionada comigo mesma, depois ia procurar outra coisa para “tapar o buraco”, se é que você entende o que estou querendo dizer.

Dizem que há dois dias importantíssimos na sua vida: o dia em que você nasceu e o dia em que descobriu qual é sua missão nesse mundo. A minha está descrita no livro, e uma dica bem grande da direção que me guia fica no topo da minha página de consultoria Connex Consulting: sharing knowledge to help others to grow – dividindo conhecimento para ajudar outros a crescer. É isso aí, quando aqui não mais estiver, quero ter deixado uma marca no mundo de agregação, solidariedade, persistência, fé, ação, amor… e muito mais. E dei mais um passo em todas essas direções com esse novo projeto! Eu prefiro ser… essa borboleta-metamorfose ambulante!..

Espero que encontre no livro pensamentos e frases, além de muitas perguntas, que lhe levem firmemente a pensar em você mesmo, pois nesse mundo louco e interconectado estamos perdendo a capacidade de nos refletir enquanto seres humanos e nos traduzir para o mundo externo. E por aí passam as pequenas e grandes alegrias do dia a dia!

O livro está disponível na Amazon no mundo inteiro, mas em diferentes canais dependendo do país. Nota IMPORTANTE: como a ideia do livro é de reflexão constante, ele recebeu o título “(Re)descubra Quem é Você”. Através da possibilidade da descoberta e da redescoberta, inventei de novo uma palavra dentro de uma palavra, como já tinha feito no primeiro lançamento, o “Mineirinha n’Alemanha”. Portanto,  ao procurar pelo livro na Amazon, lembre-se de adicionar os PARÊNTESIS na sua busca, ok?

Pra facilitar um pouco, abaixo alguns links:

E-book no Brasil * sem fotos pessoais, que aparentemente não puderam ser lidas pelo sistema

E-book na Alemanha * também sem fotos pessoais

Livro na Alemanha * com 9 fotos coloridas e pessoais, capa mais colorida ainda!

Ainda não tenho um canal de distribuição para a versão do livro no Brasil. Quando ele existir, aviso aqui.

Dependendo de onde você estiver no mundo, é mais fácil procurar pelo livro através do seu título, no campo de busca da Amazon, e assim você vai achar a oferta local, certo? Ele está disponível em 13 websites diferentes da Amazon, espalhados como vários canais de venda do Brasil ao Japão.

Estou bastante curiosa para receber comentários, ler e ouvir o que outras pessoas acharam depois da leitura do RQEV (isso, inventei também uma sigla para ele!). Vai lá e depois me conta, vai?!? Minha prima Lílian, que carinhosamente escreveu o prefácio do livro, já começa afirmando: “certamente, se este livro chegou até suas mãos, é porque você precisa dele! “

::Morre uma estrela::

21/06/2016

Quando me separei do meu ex-marido, finalmente me vi livre e voltei a ser dona da minha própria vida novamente, recuperando aos poucos minha auto-estima, meu nome, minha identidade… Foi, dentre outros, no livro desta grande escritora que descansei minha alma e juntei forças para continuar acreditando no amor, apesar de tudo. Por acaso fiquei sabendo que ela morreu ontem. E gostaria de prestar uma singela homenagem, apesar de não concordar com parte do que ela defendia. Não sou adepta nem do aborto e muito menos da eutanásia. Mas quem disse que tenho que concordar com tudo para considerar uma outra pessoa digna de respeito e admiração?

Fazendo uma pequena pesquisa na internet, descobri que há um filme baseado em um de seus maiores sucessos: Sal sobre a nossa pele, que tenho que ver! Alguém o conhece? Parece que quando esse livro foi lançado, em alemão Salz auf unserer Haut, em 1988, ele foi um escândalo e tanto!…

Que ela, Benoîte Groult, possa descansar em paz. Alguns de seus pensamentos, que devem servir para nós de lembrança de que a vida de muitas mulheres já foi muito, muito mais desigual que a nossa, mas estamos longe de atingir a sociedade egualitária que nos é de direito:

I was a Latin teacher, but being born a woman, I was considered incapable. Of course, I lived most of my married life before contraception and experienced the dark ages of illegal abortion. I had to ask my husband’s authorization to open a bank account to put in the money I had earned by my own work. And many other incapacities.

Eu era uma professora de latim, mas por ser mulher, era considerada incapaz. Claro que me casei antes da pílula anticoncepcional e experimentei a era negra do aborto ilegal. Tive que pedir licença ao meu marido para abrir uma conta de banco para guardar o dinheiro que eu recebia com o esforço do meu próprio trabalho. Além de muitas outras incapacidades.

Letzten Endes kommt es einzig darauf an, dass man seine Kinder liebt. Doch wenn man zu Hause eingesperrt ist, fängt man irgendwann an, die Kinder zu hassen. Ich hätte jeden Job angenommen, um nicht 24 Stunden am Tag auf mein Muttersein beschränkt zu sein.

No final das contas o mais importante é que amemos nossos filhos. Pois quando estamos presas às nossas casas, podemos começar a odiar nossas crianças. Eu teria aceitado qualquer tipo de trabalho para não ficar presa às atividades maternais durante 24 horas por dia.

Als ich 25 war und als Journalistin arbeitete, hatte ich immer noch kein Wahlrecht! In Deutschland konnten Frauen schon in den zwanziger Jahren wählen, das Wahlrecht für Frauen wurde in Frankreich erst 1944 eingeführt. 

Quando eu tinha 25 anos de idade e trabalhava como jornalista, não tinha o direito de voto! Na Alemanha as mulheres já tinham conquistado esse direito nos anos vinte, enquanto o direito ao voto feminino na França só foi institucionalizado em 1944.

Vermutlich muss man geraume Zeit in der Haut eines Menschen verbringen, der einem nicht ähnelt, ehe man zu dem wird, der man ist. Oder vielleicht hat man auch all diese vielfältigen Figuren in sich und muss von einer befreien, ehe man zur nächsten werden kann.

Talvez seja necessário viver a vida de outra pessoa por determinado tempo, para que possamos nos tornar quem somos. Ou talvez todas essas figuras vivam dentro de nós e temos que nos libertar de uma, para que a outra se torne realidade.

 

Groult era uma das feministas mais conhecidas da França. Enquanto François Mitterand estava no poder, ela liderou uma comissão que buscava denominações femininas para profissões até então só masculinas. Ela lutou pelo direito do aborto, da pílula anticoncepcional e mais tarde pelo direito à eutanásia.

Segundo ela mesma, Groult se tornou feminista contra sua própria vontade, porque teve muita dificuldade de ser feminina. Ela continuou como feminista, porque as mulheres alcançaram muitos avanços no âmbito privado, mas muito poucos no campo político. No começo dos anos 90 ela reconheceu que o movimento feminino estava perdendo forças. Em 1992, em Paris, ela declarou ao jornal “Stuttgarter Nachrichten” (Notícias de Estugarda), que o “feminismo estava fora de moda e o poder tinha voltado às mãos dos homens como há 20 anos atrás”.

A autora foi casada três vezes, teve um amante durante cinco décadas e no anel de seu último casamento tinha gravado, a pedido do marido que propôs um relacionamento aberto, “liberdade, igualdade e fidelidade”. Eles consideravam ser possível ter uma vida independente, inclusive sexualmente, enquanto demonstravam fidelidade em outros níveis e respeito um ao outro.

Groult morreu aos 96 anos na noite de terça-feira, 20 de junho de 2016, enquanto dormia. Como desejou, segundo informações de sua filha, sem dores. Do contrário, ela teria optado pela eutanásia, pois achava que a vida só valia a pena se pudesse ser vivida de maneira digna.

Que ela sirva de exemplo e inspiração para nós, para que não constatemos como ela, daqui a 20 anos, que não houve avanço nenhum para as mulheres. Pois, se não prestarmos atenção ao andar da carruagem, até corremos o risco de perder o que já alcançamos. Que saibamos agir nesse mundo de mídia social, onde é tão fácil aprender, elogiar e ofender, evitando toda e qualquer oportunidade onde a mulher é vendida como um produto de decoração, um ornamento bonito, um ser impensante mas bonitinho que esta ali, parado, sem voz, quieto no seu lugar, ou, no máximo, dançando como nas tardes de domingo da tevê brasileira. No dia a dia, temos que nos unir evitando piadinhas de mau gosto que denigrem a loira, logicamente burra, a dona de casa, com mãos pequenas para alcançar todo e qualquer cantinho, e tantas outras funções femininas. Dou graças a Deus por não ter vindo ao mundo na época em que uma mulher não tinha direitos que hoje são considerados óbvios, tampouco queria ter visto uma sociedade como a de Muhammad Ali, onde um negro não tinha o direito de pedir um café num bar da cidade, mas se olharmos bem para a nossa atualidade, veremos que ainda há muitas, insuportáveis aberrações, o mundo anda louco, e o machismo impera, calado e senhor de si, certo de seu poder.

P.S.: Se alguém quiser usar esta plataforma para homenagear alguma mulher, favor deixar um comentário abaixo. Eu e muitas outras leitoras, com certeza também leitores, agradecemos!

P.S.2-Por acaso, hoje, depois de 2.769 anos, uma mulher tomou o poder de Roma e será prefeita da cidade. Os nossos parabéns pra ela!

Fontes: página da autora no Facebook, reportagem da revista Spiegel e Brigitte Woman, página da Wikipedia.

::Saudade::

20/04/2016

Saudade é uma palavra densa

Profunda no significado

Quanto menos a gente pensa

Se vê por ela fisgado

 

Uma noite, tudo em paz

Tudo por mim conhecido

Em menos de um segundo

Vejo-me pego e vencido

 

Um sentimento de perda

Um vão, um adeus

Invariavelmente aquela cerca

Dita o que é de Deus

 

Uma lágrima no olho

Doces lembranças

Parte do meu miolo

Muitas esperanças

 

Inspirada por Rainer Maria Rilke

::Sons do coração::

19/04/2016

Escrever é uma forma de eternizar aquilo que se acha bonito, doce e até mesmo alguns desalentos que nos fazem relembrar do quanto tudo na vida é superável. É dar vazão a um eu diferente ou talvez i…

Fonte: Sons do coração

::Despedida – Rainer Maria Rilke::

19/04/2016

 

Rilke

Tradução livre para o português abaixo

Abschied – Rainer Maria Rilke

Wie hab ich das gefühlt was Abschied heißt.
Wie weiß ich’s noch: ein dunkles unverwundnes
grausames Etwas, das ein Schönverbundnes
noch einmal zeigt und hinhält und zerreißt.

Wie war ich ohne Wehr dem zuzuschauen
das, da es mich, mich rufend, gehen ließ,
zurückblieb, so als wären’s alle Frauen
und dennoch klein und weiß und nichts als dies:

Ein Winken, schon nicht mehr auf mich bezogen,

ein leise Weiterwinkendes —, schon kaum
erklärbar mehr: vielleicht ein Pflaumenbaum,
von dem ein Kuckuck hastig abgeflogen.

 

Despedida – Rainer Maria Rilke

Como tenho o sentimento do que significa a despedida

Como eu sei ainda: algo escuro e puro

Cinza, que o que estava unido e era bonito

Desnuda, põe a prova e desata

 

Como foi que eu não reagi quando vi

Quem, me chamando, me deixou ir

Ficou pra trás, como se fossem todas as mulheres

E ainda assim pequena, e não muito menos que isso:

 

Um aceno, não mais dirigido a mim,

Outro aceno mais breve – menos ainda

Outra explicação: talvez um pé de ameixa

De onde um pássaro voa, às pressas

 

Tradução livre de Sandra Santos

::Sinais, refugiados & poemas::

11/09/2015

Talvez estejam se perguntando o que um tema tem a ver com o outro?!? Pasmem: acreditem ou não, por um grande acaso do universo, reencontrei o anjo sobre o qual comentei no meu livro Mineirinha n’Alemanha, bem no finalzinho, que salvou meu filho depois de uma parada respiratória. Fui até o meu anjo feminino e disse que a conhecia, mas não lembrava bem de onde… Ela disse que tinha sido a pessoa que me ajudou, quando meu fiho parou de respirar… Eu a abraçei imediatamente! Disse que mantenho minha promessa até hoje, pois continuo sendo socorrista. E disse que aquela história, naturalmente, me marcou muito, porque eu só a vi em minha vida no dia que ela me ajudou, um dia depois para poder agradecê-la pela ajuda, e depois nunca mais voltei a vê-la. Acreditem se quiser, isso aconteceu quando o Daniel tinha uns 3 anos, e fiquei sabendo essa semana que ela mora no meu bairro, mas nunca mais tínhamos nos visto novamente. Conversamos um pouco, eu disse que acredito firmemente em sinais e que semana passada recebi um grande sinal, pelo que estava pedindo e orando muito, com a ajuda dos meus amigos e familiares. E sei que ela foi um sinal para mim, um anjo no lugar certo e na hora certa, que salvou meu filho, pelo que sou muitíssimo agradecida! E que lugar teria sido mais propício e mais simbólico para esse reencontro que não em um curso de meditação budista? 🙂 Eu disse pra ela que hoje o Daniel é um menino enorme, quase do meu tamanho, com ótimas notas e muito inteligente. E que eu sei que naquele dia fatídico tínhamos só dois minutos para reagir depois da parada cardíaca, e não posso parar de agradecer a ela e ao universo por essa dádiva. Ela comentou sobre a filha dela, começamos a falar da volta às aulas na semana que vem. Mais uma coincidência: a filha dela é da mesma idade do Daniel e vai estudar na mesma escola, porém em uma classe paralela à dele. Vamos nos rever a partir de agora várias vezes! Que grande presente do universo!…

Vira e mexe vejo vídeos e leio mais artigos sobre a atual crise de imigração. Existem no momento ao todo 50 milhões de pessoas no mundo envolvidas em movimentos migratórios! Este é o maior número desde a 2ª. Guerra Mundial!

Dos refugidados da Síria, até o final de janeiro de 2015, somente 4% tinham vindo para a Europa. Em termos relativos, se comparado ao tamanho da população de cada país, os países que mais recebem refugiados em 2013 foram a Suécia, a Áustria e a Hungria. Está provado que os imigrantes podem ser uma força propulsora para as economias locais. No caso da Alemanha, em 2012 os estrangeiros contribuíram em em média com 3.300 euros de impostos e contribuições sociais, ainda levando em conta o que havia sido gasto com a ajuda ao imigrante. Conclusão: eles geram mais recursos do que custam, a contrário do que todo mundo pensa. Esses dados aqui são muito valiosos, claro que terão que ser atualizados com as mudanças atuais, mas devem ser mostrados a todos aqueles que têm muito preconceito e receio com relação aos refugiados. Tinha lido também que dos asilados, 15% tem ginásio completo e outros 15% tem um curso superior, o que vale ouro para um país feito a Alemanha que precisa urgente de mão de obra qualificada em várias áreas de conhecimento. Segundo uma pesquisa atual 18% da população alemã já ajudou diretamente os refugiados, outros 23% pretendem prestar ajuda concreta dentro em breve.

Outra comparação: o Obama anunciou ontem que vai receber 10.000 refugiados no próximo ano, depois de ter sido fortemente criticado nos últimos dias. A estimativa é de que a Alemanha estará recebendo este ano 800.000 refugiados (o maior número de pedidos de asilo tinha sio até agora em 1992, de aproximadamente 440.000). Comparado a população da Alemanha com a dos EUA, ele teria que receber 3,2 milhões de refugiados, o que daria aproximadamente 10.000 pessoas, mas por dia.

Tenho escrito muitos poemas no momento. São tantos, que estou até pensando em lançar um livrinho só com poesias e pensamentos, sinais que ando recebendo nos últimos meses. Fecho o post de hoje com um poema, aquele que usei como fechamento do meu livro Mineirinha n’Alemanha, que não poderia ser mais atual para os dias de hoje (tradução para o português logo abaixo). Bom final de semana para todos! Agora que o sol está nos deixando, chegamos novamente à fase introspectiva do ano, hora de fazer altas viagens mentais. Bons pensamentos!

Wir sind alle Ausländer – Somos todos estrangeiros


Wir sind alle Ausländer
Heute ich
Weit weg von zu Hause
Nehme eine andere Kultur an
Wohne,
Bewege mich,
Esse,
Trinke:
Alles ist anders.

Morgen DU
Kannst eine andere Kultur annehmen
Aus eigener Entscheidung oder unfreiwillig
Dann wirst DU
Wohnen,
Dich bewegen,
Essen,
Trinken:
Alles wird anders sein.

Wir sind alle Ausländer
Heute ich, gestern ein anderer, morgen du, vielleicht:
Bürger dieser Welt.

°°°

Hoje EU
Muito longe de casa
Abraço outra cultura
Vivo,
Me movimento,
Como,
Bebo:
Tudo é diferente.

Amanhã VOCÊ
Pode abraçar outra cultura
Por decisão própria ou por falta de escolha
Então você irá
Viver,
Se movimentar,
Comer,
Beber:
Tudo vai ser diferente.

Somos todos estrangeiros
Hoje eu, ontem outro, amanhã você, talvez:
Cidadãos deste mundo

Fontes: Handelsblatt Morning Brief de 11.09.15, artigos do jornal Süddeutsche ZeitungFakten gegen Vorurteile” (Fatos contra o Preconceito) de 21.01.15 e “Was hinter der Bereitschaft der Deutschen Steckt” (O que está atrás da solidariedade dos alemães) de 11.09.15.

::Nova Era – Leitura em Frankfurt::

30/05/2015

::Nova Era::.

Gente, eu me repito. Pelo menos posso afirmar que continuo comigo, sou autêntica naquilo que penso e como vivo. Estou comigo aqui e agora.

A leitura do “Mineirinha n’Alemanha” em Frankfurt foi a mais gratificante de todas as que já tinha feito antes. Fico muito grata à Imbradiva e à TFM pelo convite! Casa cheia, muitas perguntas, muita troca, público interessado e muito interessante. Vieram leitores de Marburg me ver! Fiz novas amizades!  Há presente maior que um livro possa te dar?!? Pra mim não! Escrevo pela troca, pra mim, por mim, pra todos, por todos. Quem quiser, pode ver fotos do evento no Facebook aqui.

Frankfurt foi a primeira cidade que visitei quando vim à Alemanha em 1991. Foi emocionante pisar nos mesmos lugares depois de 24 anos. Saiu até um poeminha, que eu li no começo da leitura do livro na TFM, dia 22/05/15:

Frankfurt (poeminha feito durante meu almoço na Hauptwache em 22/05/15, inspirada pelo saxofone que ouço, misturado a uma violinha clássica vinda do outro lado da praça, inspirada também por Fernando Pessoa. À minha frente, gente do mundo perambulando pela cidade, uma igreja e muito arranha-céu)

 

É uma verdadeira

Torre de Babel

Cheia

De letreiros, de papel

 

Gente

De todo canto

Músicas, sons

Até com espanto

 

Tem chinês,

Brasileiro,

Estrangeiro do Havaí

E até português!

(Se bobear, até um alemão

Vai ser achado por aqui!)

 

Tanta língua

Tanta gente

Velho e novo

Cidade contente

 

Primeira cidade alemã

Que eu conheci

Pena que fico aqui

Só até amanhã!…


%d blogueiros gostam disto: