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Archive for the ‘Entrevistas’ Category

::Guia de Estudo e Trabalho n’Alemanha::

25/09/2014

::Pedro Morais, uai!::Estou trabalhando todas as noites no Guia, meu novo projeto, que sairá como um e-book, pois assim poderei continuar aumentando as informações e corrigindo alguma coisa que for mudando ao passar do tempo.

Estou muito emocionada e me sinto honrada com os relatos que estou recebendo de brasileiros, leitores do livro da “Mineirinha n’Alemanha”, que estão tendo a bondade e delicadeza para com seus compatriotas, descrevendo como está sendo o processo de reconhecimento de diplomas estrangeiros e sua inserção no mercado de trabalho. Fico super orgulhosa com as conquistas de cada um! Até o momento tenho relatos das seguintes profissões:

– Odontologia/Medicina
– Enfermagem
– Direito
– Além de um relato de uma brasileira fazendo um Doutorado aqui.

Caso mais algum leitor queira participar do projeto, comente aqui e entrarei em contato logo em seguida. Este livro será dedicado a vocês! Agradeço de antemão! Assim como os demais profissionais, que terão a oportunidade de seguir os conselhos daqueles que já estão mais na frente no caminho de conquistar um lugar ao sol na Alemanha. 🙂

::Depoimento de uma portuguesa no abrigo para mulheres na Alemanha – Frauenhaus::

16/03/2014

No dia 11.03.14 fui contactada por uma leitora do blog:

“Sou uma portuguesa a viver na Alemanha e gostaria de lhe dar o meu testemunho da minha vida neste país. Amanhã vou começar a viver num abrigo de mulheres e gostaria de partilhar consigo e com o seu site dado que pouco ou nada encontro na internet sobre testemunhos reais”.

°°
Concordei com a ideia dela e transformei o testemunho em uma entrevista. Vamos a ela:

Por que você quer dividir sua experiência com outras mulheres?

Eu quero escrever para poder guiar as milhares de mulheres que têm receio de dar este passo.

Como foram seus primeiros passos na Alemanha?

Vim para cá e comecei a trabalhar numa empresa de controle de qualidade onde permaneci um ano e meio. Nessa empresa o meu inglês era suficiente. Infelizmente essa empresa fechou e vi-me sem alemão à procura de trabalho. Recebi o seguro-desemprego apenas durante 6 meses.

O que aconteceu durante o tempo em que esteve desempregada?

No decorrer desse período conheci o meu namorado que depois de um mês de namoro me pediu em casamento e como eu aceitei decidimos dar início a uma vida em conjunto. O seguro-desemprego terminou em abril e nós começamos nesse mês a viver juntos. Ele não é alemão mas pertence à União europeia. Trabalhava e continua a trabalhar numa empresa de trabalho temporário (trabalho terceirizado).

O Arbeitsamt (Agentur für Arbeit, depto. de ajuda a desempregados) informou-me entretanto que deixei de obter qualquer tipo d ajuda social e que só poderia reavê-la se encontrasse um Nebenjob (um trabalho além da ajuda social pago por horas, onde o bruto é igual ao salário neto, no máximo 450 euros, chamado de Minijob ou 450,00€-Job). A razão não foi por eu ter meu companheiro a trabalhar mas sim porque disseram que eu tinha necessidade de encontrar esse trabalho para obter novamente ajuda social. Ocorre que sem alemão conseguir arranjar um trabalho foi missão quase impossível.

E como isso influenciou no seu relacionamento com seu marido?

O nosso relacionamento devido a esta situação começou a andar mal. O dinheiro ajuda qualquer relação e nós não o tínhamos. A grande parte do nosso dinheiro ia para o pagamento de aluguel e eletricidade. Os problemas começaram. Descobri que meu companheiro com a aflição de não ter dinheiro começou a jogar em casinos. Ele jogava de forma tão desesperante que gastava e continuava a gastar o que nos restava.

E você conseguiu encontrar um trabalho?

Profissionalmente em setembro encontrei um Nebenjob e assim voltei a receber uma pequeno apoio social, abaixo do valor do Minijob. Comecei a ver uma luz no fim do túnel para meu relacionamento mas logo percebi que nada tinha mudado.

Em dezembro minha chefe me despediu porque alegou que meu alemão não era suficiente. Voltei a viver de ajuda social novamente.

E o que aconteceu no seu relacionamento depois de ficar desempregada pela segunda vez?

Depois de muita briga, com maus tratos físicos e psicológicos, decidi no início de março sair de casa pois sei que ele é viciado em jogo. Talvez já era antes, mas como namoramos pouco tempo não tinha percebido antes.

Comecei então a procurar uma WG (Wohngemeinschaft, um apartamento mobiliado onde cada um tem seu quarto mas divide a sala, cozinha e banheiro – fala-se “WêGê”). Foi assim que percebi que ninguém aluga porque não querem pessoas que vivam de ajuda social. Vi-me à procura de uma luz na internet e foi assim que encontrei o seu site! Frauenhaus (abrigo para mulheres)! Natürlich (claro)!

No começo desta semana visitei a Frauenhaus e contei sobre minha situação. Disseram-me que não tinham vagas mas um dia depois ligaram e disseram que já podia me mudar!

Que bom, e você já começou a estudar alemão?

Sim, desde janeiro deste ano estou fazendo um curso de alemão na AWO (Arbeiterwohlfahrt) apoiado pelo Job Center! Ele vai terminar em julho de 2015. Somos aproximadamente 22 alunos de todos os cantos do mundo: Vietnã, Colômbia, Peru, Itália, Romênia, Bulgária, Marrocos, Kosovo, Grécia, Irã e Turquia. Eu continuo a procura de um emprego, mas sem alemão fica mesmo tudo muito difícil!

E como era para você viver com um viciado em jogos?

Sempre tive muitos problemas com violência doméstica pois meu pai bebia e batia na minha mãe. Aos 19 anos saí de casa pois não aguentava mais ver minha mãe ser maltratada. Saí como saí hoje do meu casamento, somente com minhas roupas e sem um centavo.

Já encontrou uma moral da história pra sua própria história de vida?

Sempre tive bons empregos mas pouca sorte com os homens. Sempre tive queda por homens problemáticos que acabavam quase sempre me traindo.

E quais são as diferenças principais entre Portugal e a Alemanha, na sua opinião?

Portugal vai bem em termos de mentalidade, serviços, tecnologia. Mas agora com a crise os salários caíram pela metade e por isso decidi vir pra cá.
Quanto à burocracia, a única coisa que posso dizer é que tecnologicamente as repartições públicas são mais avançadas. Através de um número o atendente tem acesso a todo o seu histórico e quando alguma coisa modifica, é só inserir os novos dados no computador e pronto.
Aqui neste país tão à frente o processo é tratado como se fosse um novo atendente, como se ele não tivesse nenhuma informação a meu respeito…

(Nota da Mineirinha: a burocracia é proposital para dificultar o processo.)

Quais foram suas primeiras impressões no abrigo de mulheres?

Hoje fui muito bem recebida mas fiquei sabendo que ninguém me ajudará a procurar um apartamento. Eu vou ter que fazer isso sozinha. Meu quarto está equipado, somente necessito da minha roupa. Temos televisão em uma sala, mas não temos internet. É proibida a entrada de homens de mais de 16 anos nas instalações do abrigo e nos jardins que circundam a casa. Isso quer dizer que meu irmão não vai poder vir me visitar aqui.

Como conseguiu encontrar forças para terminar tudo com meu ex-companheiro?

Não sei muito bem! Acho que gosto mais de mim do que dele. Essa é a razão. Quando temos baixa auto-estima é dificil deixar. Sabendo o nosso valor tudo é bem mais fácil. E também porque acredito que um relacionamento tem que ter mais coisas boas do que más e no meu não tinha. Isso quer dizer que não tinha nada bom a que me agarrar.
Por mais mal que uma pessoa esteja, ninguém tem o direito de nos tratar como objeto adquirido. Ninguém pertence a ninguém. Somos todos livres! Ninguém merece nascer de mães escravas! Ninguém quer isso!!

E como vai a procura a um novo emprego?

Fui ao Job Center informar que estava morando no Frauenhaus. Tive dificuldade de explicar o óbvio porque parecia que não me entendiam. Fiquei toda envergonhada e comecei logo a suar de nervoso! Foi difícil tornar claro que acabo de me separar e que agora vivo em um abrigo para mulheres. Todos os documentos que havia preparado há 4 meses não têm mais validade, vou ter que preencher tudo de novo.
Vou receber a partir de agora uma pequena ajuda mensal, abaixo do valor um Minijob, e quando conseguir um apartamento praticamente o valor dobrado se morar dentro da cidade. Fora da cidade o valor é menor.

E o seu ex, já voltou a fazer contato com você?

Sim, ele não pára de me escrever e tenta fazer alguma chantagem psicológica…. Não me toca minimamente porque me lembro de quantas lágrimas eu já derramei sem ter o mínimo apoio dele.

E o que você gostaria de deixar aqui como dica para outras portuguesas e mulheres em geral de língua portuguesa que pensam em vir tentar a vida na Alemanha?

Aconselho às mulheres a virem preparadas para encontrar muitas dificuldades se vêm sem alemão. Sugiro que tragam uma boa quantidade de dinheiro para pagar o aluguel e as despesas básicas nos primeiros meses. Se vierem para viver com familiares, que se preparem, porque isso tende a não funcionar.
Aconselho às mulheres a nunca se inibirem de dar sua opinião por mais contraditória que seja. Vivemos em sociedade livre!

::Bom dia, Deutschland – Brasileiros na Alemanha::

09/07/2012

É este tipo de reportagem que deveria existir sempre na televisão alemã, mostrando as culturas do mundo e como estrangeiros vieram pra cá, deram certo e influenciaram positivamente a comunidade onde vivem! Vejam o vídeo, tenho certeza que vão adorar! 🙂

Genau solche Art von Reportagen sollte man immer auf dem deutschen Fernseher sehen können. Hier geht es um Ausländer (in dem Fall Brasilianer) denen es gelungen ist erfolgreich in Deutschland zu leben und ihre Umgebung positiv zu beeinflussen. Das Video ist sehr sehenswert! 🙂

::7a. entrevista com leitores – Ivaldo e Svea::

07/10/2010

No meio do ano passado, ganhei a Svea e o Ivaldo como amigos. Foi meu livro que os trouxe até a mim. A simples existência desta amizade já faz o meu projeto de ter escrito um livro ter 100% de sentido pra mim. Leiam a entrevista e entendam por quê. Antes da leitura, um recadinho sussurrado, bem pertinho no ouvido: o Ivaldo Moreira é cantor e compositor, nascido em Minas e “crescido” em Sampa, e está no momento na Alemanha fazendo sua segunda turnê musical. Dias e horários exatos aqui ou aqui (2a. página do documento). A todos os brasileiros distribuídos pela Alemanha: não percam o show dele! Tenho uma leve impressão de que irão gostar tanto da música que ele faz quanto eu, pois ela sai direto do coração dele pros ouvidos da gente. Abaixo um bocadinho do talento dele, e em seguida a entrevista:


1 – Façam por favor uma apresentação de vocês por vocês mesmos.

Nós nos conhecemos na TV Bandeirantes em SP, onde o Ivaldo era coordenador musical dos programas e eu estava fazendo o meu primeiro estágio em produção de TV. Eu era estudante, mas vivia com a minha máquina fotográfica pra cima e pra baixo, pois sempre gostei muito de fotografar, desde os meus 11 anos de idade, quando a minha avó me deu uma ‘tira-teima’, lembra?

Também sempre tive uma relação muito forte com a música e aí… bem, unimos o útil ao agradável: ele tocava pra mim, eu batia as fotos de divulgação, rolou uma química mais elaborada e aqui estamos bem juntinhos até hoje, 21 anos depois.

2 – Como surgiu a oportunidade de vocês virem em 2009 pra Alemanha, quando nos conhecemos?

Pois é. O sonho de viajar à Alemanha já era bem antigo. Mas aqui no Brasil é mesmo muito difícil conciliar tudo: moradia, lazer, família, profissão, estudo… Então fomos realizando as vontades por partes: primeiro, curtimos a vida a dois e com amigos solteiros, fizemos viagens curtas e baratas. Depois tivemos filhos, começamos as freqüentar o mundo das festinhas infantis, o apê foi ficando apertado… Estava na hora de chamar o caminhão de mudanças pra algo maior.

E aí, só depois de pagar o apartamento onde moramos agora, é que, pela primeira vez (2007), pudemos viajar juntos pra minha ‘terrinha’. Eu já havia ido outras vezes, mas sempre sozinha e para projetos profissionais. Passamos o Natal com a minha prima e suas sobrinhas nos Alpes, fomos a Heidelberg, Bonn/Köln e Berlin. Este é o meu roteiro ‘básico’, pois é onde vivem minha prima e minhas amigas. Da próxima vez, já vou incluir Konstanz, Lindau, Bernau e Paris…

A viagem com toda a família foi uma delícia! Criou vários vínculos e referências que abriram novos caminhos. Um deles, foi a possibilidade do Ivaldo apresentar o seu trabalho musical na Alemanha.

Primeiro, ele se inscreveu na Popkomm, que é uma feira / congresso / festival de música que acontecia todo ano em Berlim. Em cima da hora, a Popkomm foi cancelada, mas já estávamos buscando outras possibilidades por meio da Internet . Assim, depois de vários e-mails e acertos, fechamos uma apresentação em Bonn, outra em Berlim e uma terceira em Konstanz. Esta graças a você, Sandra!


3 – Svea, você nasceu na Alemanha mas foi pro Brasil com um aninho. Conte pra gente como é viver entre dois mundos.

Viver entre dois mundos, é uma coisa um tanto quanto complicada. Principalmente quando o mundo em que você está vivendo pensa culturalmente muito diferente daquele do qual você veio. Entre a Alemanha e o Brasil existem várias diferenças culturais, como: o horário que os filhos têm de ir pra cama e a maneira de impor limites neles; a expressão direta e sincera do alemão, a expressão política e rebuscada do brasileiro (Machado de Assis que o diga!); o jeito reservado do alemão, que quer seu sossego, mas não deixa na mão um amigo; o jeito alegre do brasileiro, que está sempre fazendo novos amigos.

Aqui no Brasil, ainda está impressa a imagem do alemão frio e cruel, representado pelas personagens nazistas dos filmes de Hollywood. Então, muitas vezes sinto um certo preconceito nas pessoas, principalmente em ambientes de trabalho. Por outro lado, sempre sou chamada pra botar ordem na casa. Em pouco tempo, consigo. Mas aí surgem os melindres, tem gente que leva pro lado pessoal, por mais cuidado que eu tenha ao chamar a atenção ou simplesmente dar uma dica. Acho que é uma questão de maturidade, de aceitação da própria imperfeição. O profissional alemão é mais bem resolvido do que a maioria dos profissionais brasileiros em inteligência emocional. Ele separa melhor, não se envolve tanto e é bem mais sincero. E, ao contrário daqui e pela experiência que tive trabalhando com alemães, na Alemanha quem se ofende com uma simples observação, é considerado um ‘Sensibelchen’, alguém cheio de ‘não-me-toques’ e é mal visto pelos colegas.

Também tenho de ser mais dura com os meus filhos do que gostaria, pra conseguir educá-los com os limites que eles precisam pra se tornarem cidadãos éticos e com uma visão de mundo mais social. Muitos pais são liberais demais e a garotada fica muito solta, ganha presentes caros, só usa roupas de marca… Mas pelo que li no seu livro, na Alemanha não deve ser muito diferente, né?

4 – Ivaldo, você vem do interior de Minas e fez sua vida em São Paulo. Como se deu sua ida para Sampa e o que a cidade significa pra você?

No início, sinceramente, eu não tinha a menor pretensão de vir a São Paulo, muito menos de VIVER em São Paulo. Tudo aconteceu porque uma irmã minha tinha se mudado para cá e eu vim para fazer companhia nos primeiros momentos, pois ela tinha dois filhos pequenos e tudo era uma grande aventura numa megalópole como esta.

Eu aproveitei que estava na cidade e fui procurar algumas pessoas e fazer alguns contatos por conta da música. Eu tinha uma recomendação para procurar uma pessoa no SBT, o Paulo Idelfonso, que era um produtor de disco e que estava dirigindo um programa de TV. Na verdade, era um festival de música infantil e eu apresentei duas composições minhas. Logo apareceram candidatos para interpretar as canções e eu acabei me envolvendo mais com o festival; em determinado momento, eles ficaram sem o produtor musical do festival e me perguntaram se eu gostaria de assumir esta função. Daí pra frente, produzi vários programas de TV, sempre trabalhando com música. E em paralelo, investia na minha carreira artística, em que eu continuo bastante focado.

São Paulo é uma cidade com muitas oportunidades, mas que também tem muita concorrência. Cavar um espaço por aqui, é um trabalho árduo. Por outro lado, a cidade abre linques pra outros estados e países, porque tudo vem ou parte de Sampa.

5 – Ivaldo, o que mais te chamou a atenção ao chegar na Alemanha pela 1a. vez?

O que me chamou a atenção logo de cara, foi a funcionalidade existente em diferentes situações que vivenciei. Todas aquelas histórias que escutávamos – e que achávamos que era meio exagero de viajante – de que tudo na Europa funciona como um relógio suíço, foi como que se materializando dentro de mim. Pois para mim era a revelação fiel de que nada daquilo era folclore. As coisas são realmente assim e funcionam sem excessos e sem desperdício… Não quero dizer que seja a perfeição. Mas que impressiona, isso sim… impressiona!!!

6 – O que vocês gostaram mais durante a turnê do ano passado do Ivaldo pela Alemanha? Contem alguns momentos emocionantes pra gente.

Ivaldo: Várias circunstâncias permitiram o sucesso dessa turnê, principalmente pelo ótimo clima de expectativa gerado e correspondido por todas as cidades por onde passamos. O que mais gostei durante a turnê foi a forma carinhosa, o companheirismo e o respeito que tivemos por parte de todas as pessoas que encontramos, que conhecemos e que se esforçavam o máximo pra nos deixar confortáveis e à vontade.
Alguns momentos se tornaram inesquecíveis, emocionantes e, sem dúvida, deixaram muitas saudades. Um deles foi num dia de sol maravilhoso…! Fizemos um passeio num barco movido a energia solar e, portanto, absolutamente silencioso. Ele deslizava suavemente pelo Lago de Constança… Acompanhados de pessoas muito especiais, novos amigos, peguei o meu violão e começamos a cantar: música brasileira, Cat Stevens, REM, Pink Floyd… e nos divertimos com a expressão de felicidade do piloto do barco, contagiado pela nossa alegria… Ah, e a Impéria! Que saudades da Impéria!!! Em meio à correria que é viver em São Paulo, várias vezes nos lembramos deste dia que foi realmente mágico! Pudemos relaxar de verdade, curtir aqueles instantes únicos, com uma tranquilidade que não tínhamos há muito tempo…

Svea: Outro momento que marcou, foi antes de seguirmos viagem a Konstanz. Estávamos hospedados num hotel-restaurante em Weiler, um bairro de Sinsheim, cidadezinha próxima a Heidelberg. A proprietária há dias vinha pedindo pro Ivaldo tocar um pouco e, na última noite, convidamos a minha prima pra jantar conosco ali na ‘Küferschänke’. Ali as mesas laterais ficam dentro de barris gigantes e duas grandes mesas redondas ficam no centro do salão. Após jantarmos, o Ivaldo pegou o violão e começou a cantar. Aos poucos, todos os que estavam ali foram saindo de dentro dos barris pra ouvi-lo mais de pertinho. Assim, a noite foi longa, regada ao bom vinho da casa, com muitos risos, aplausos, ‘saúdes’ e prosts!! Foi bom demais da conta…!

7 – Houve alguma dificuldade para vocês aqui na Alemanha durante a viagem do ano passado?

Ivaldo: Pra mim é muito fácil porque não tenho dificuldade com o idioma – viajo com alguém que fala muito bem o alemão rsrsrsrs… Quando eu estou em alguma situação sem a presença da Svea, eu misturo um pouco (muito pouco mesmo) de alemão com inglês e tento me comunicar com as pessoas… Às vezes aparece um brasileiro, português ou espanhol e a conversa acaba ficando mais fácil… Tirando a parte do idioma, pra entender o resto é só ler o livro da Mineirinha na Alemanha… vai ficar bem mais fácil!

Svea: Dificuldade, não. Mas passei por umas situações engraçadas, como em 2007, quando os meus filhos queriam um sorvete de casquinha. Na sorveteria, havia também a opção servida no potinho e não havia nada escrito, como acontece nas padarias, em que sempre há uma plaquinha embaixo, indicando a ‘espécie’ do pão. Pois bem. Passei um aperto quando fui explicar que era de casquinha – como a gente fala isso em alemão? E o vendedor me olhou como se eu fosse um ET, quando eu pedi: “in diesem Keks da…” Ou seja, nesse biscoito aí… Hoje eu sei que chama ‘Hörnchen’ (chifrinho). Mas… já pensou se aqui no Brasil a gente começar a pedir ‘sorvete no chifrinho’…? rs rs rs

8 – O que vocês levaram na bagagem (de lembranças) aqui da Alemanha?

Momentos deliciosos que vivenciamos aqui e que jamais irão se desfazer ou deixar de existir dentro de nós; reconhecimento e valorização do meu trabalho musical; lugares, cheiros, sensações, visões, situações e – acima de tudo – os amigos, os novos e eternos amigos!

9 – E do que sentem falta lá da terrinha enquanto estiveram aqui, além dos filhos, naturalmente?

Sempre do café, rs… E de vez em quando vinha aquela vontade de comer um prato de arroz, feijão e bife. Principalmente o Ivaldo, acostumado desde criança com o PF tradicional do Brasil. Eu já sou mais radical: se é pra comer feijão, tem de ser logo uma feijoada completa, acompanhada de couve manteiga, mandioca, farofa, caldo de feijão, gomos de laranja, molho de pimenta e – claro! – chopp e caipirinha de cachaça e limão.

Mas do que a gente só se deu conta assim que chegamos em Sampa que fazia falta, foi das nossas padarias! Ah como é bom chegar na padaria do português, seja ele o Sr. Manoel, o Sr. Antonio ou o Sr. José… e pedir um pão com manteiga na chapa fresquinho, acompanhado de um pingado servido no copo de vidro. Aquele bem básico, tradicional…!!! O cheiro do pão fresquinho a qualquer hora do dia, os frios fatiados na hora ao gosto do freguês, aquele brigadeirinho que o filho pede e ganha só pra matar a vontade… Isso não existe na Alemanha. Lá o pão é fresco de manhã, todos iguais em qualquer padaria. Todos os sanduíches e bolos, tortas, doces são idênticos . Não se vê mais o carinho, nem a personalidade do padeiro. Virou um fast food. E pedir um suco de laranja natural, então? Demora uns 40 minutos. E a garçonete arregala o olho quando a gente pergunta se ela esqueceu o pedido…

10 – Svea, como você descobriu a Mineirinha?

Esse negócio de internet tem um dinâmica muito louca: eu estava buscando algumas oportunidades de show na Alemanha e uma pessoa da gravadora do Ivaldo deu como dica o site ‘Viver na Alemanha’. Nele eu vi um link pro livro e, deste link eu fui parar no seu blog. Aí te mandei um e-mail como fiz com vários outros e só você e a Cristina Marques, uma musicista que vive em Stuttgart, me responderam. Aí encomendei o seu livro e fomos trocando e-mails até nos conhecermos pessoalmente em Constança, né?! 🙂

11 – Como foi a experiência de ler o livro a dois?

Ivaldo: Para mim, foi uma feliz constatação. Foi como uma compilação de tudo aquilo que eu e a Svea já havíamos coletado através de papos com amigos e outras pessoas que tinham relações e ou afinidades com a Alemanha e também com o Brasil. Foi como olhar através do prisma de alguém que experimenta o encontro de duas culturas diferentes e quer transmitir fielmente a sua experiência.

Era como se todo aquele contexto discutido e investigado ao sabor de longas e boas conversas de repente se materializasse; estava tudo ali: real e preciso, confirmando com exatidão tudo aquilo que em reflexões particularmente eu, havia imaginado e que soava bastante familiar. Foi uma delícia ler os seus relatos, dicas, histórias etc., escritas com tanta naturalidade!

Svea: E o Ivaldo passou a entender melhor várias das minhas implicâncias! rs rs rs… Eu, que sou alemã mas vivo no Brasil, vi relatadas cenas e reflexões que eu e o Ivaldo vivenciamos em nossa viagem, como a do mau humor dos alemães, o jeito de descascar a laranja do brasileiro (os alemães ficam mesmo boquiabertos!) e certos constrangimentos como a saudação nazista quando sou apresentada como alemã a alguns brasileiros sem noção… A identificação foi total!!! Agora… o que me impressionou foram as opções de parto que você descreve no livro!! Foi uma constatação real de que o alemão vai fundo mesmo.



12 – Quais são os seus próximos planos?

Estamos no comeco da 2a. turnê pela Alemanha, desta vez com mais um músico, o Paulinho de Almeida. Com novo repertório, fotos e vídeos para a divulgação. Tudo comecou com um show em Bonn, que já estava agendado desde o ano passado, que será no dia 15/10/10. Quem quiser marcar mais alguma apresentação na Alemanha, pode falar direto com a gente ou então com essa Mineirinha muito gente boa, que é a Sandra Santos.

13 – Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!

Queremos dizer pra vocês que ao entrarem na casa de alguém que vocês ainda não ou pouco conhecem, entendam que ali naquele lugar a vida foi sendo construída com a experiência de fatos e situações que acabaram por definir valores, gestos, atitudes e comportamentos adquiridos como conseqüência do desenrolar das coisas comuns. Por isso é de muito bom tom parar e observar, experimentar antes de definir, comparar e extrair e depois permitir que novas possibilidades sejam incorporadas como adjetivo de crescimento.

Esta é a razão pela qual ler o livro da Mineirinha antes de dar o primeiro passo, é básico; pois, brilhantemente e de forma confiável e fundamentada, ela nos conduz pela porta da frente sem receio de bater joelho com joelho… Ela ensina que basta caminhar e ir descobrindo o prazer de conviver com o novo, o diferente ou com o imprevisto; sem temor, sem preconceito e sem julgamentos infundados. É só seguir em frente e, claro, sorrir com um sorriso de felicidade!!!

Obrigada, Ivaldo e Svea pela amizade e pelo carinho!!!

::6a. entrevista: Ana Cristina de Minas :-)::

07/03/2010

A seguir mais uma entrevista com uma leitora do “Mineirinha n’Alemanha”, a Ana Cristina, também das montanhas de Minas como eu. A entrevista é longa, mas vale a pena cada linha pela experiência de vida e pelo exemplo de sempre enfrentar as tribulações da vida com um sorriso no rosto, com gosto pela vida e pelo viver. Acho que a Ana Cristina deve ser uma das poucas mineiras, senão a única, com um fogão à lenha em casa na Alemanha! Descubra esta e outras peculiaridades desta pessoa linda e positiva através das perguntas abaixo. Ana Cristina: muito obrigada pela oportunidade de tê-la entrevistado!

– Faça por favor uma apresentação de você por você mesma.

Sou Ana Cristina Magalhães Müller. Este é meu nome de casada. Há um ano atrás me chamava Ana Cristina Gonçalves Magalhães. Como me casei mantive o sobrenome de meu pai e acrescentei do meu marido; Müller. Até que gostei, M.M. rsssss.

Sou especialista em Pedagogia Empresarial pela PUC de BH. Trabalhei aproximadamente 2 anos e meio com projetos pedagógicos em algumas empresas no Brasil. Não obtive sucesso devido à vários problemas, tanto no campo profissional quanto social.

Nasci no interior de Minas Gerais. Sou a mais nova de uma família de nove mulheres. É, nove mulheres. Meu único irmão morreu aos 23 anos quando eu tinha 8 anos de idade. Meu pai, também faleceu quando tinha 12 anos de idade. Assim, restaram somente as mulheres em minha casa. Nao é fácil crescer no meio de tantas mulheres. Às vezes me fazia falta a presença de homem no lar. Por outro lado, é interessante viver entre calcinhas sem cuecas rssss…

Apesar das perdas precoces, elas não deixaram muitas sequelas. Confesso que numa determinada época da minha vida recorri à terapia. Muito boa por sinal. Me ajudou mto, inclusive a perceber que não havia perdoado meu pai por ele ter ido embora e ter me deixado aos 12 anos de idade. Egoísmo da minha parte, mas são sentimentos e às vezes precisamos de bons profissionais para enxergamos o quanto temos de bom e o quanto temos de ruim. Afinal, somos humanos e é normal nos surpreendermos com nossos próprios sentimentos. Como dizia nosso Mestre maior Jesus Cristo, conhecer-nos a nós mesmos é importante para nossa tranquilidade existencial. Assim eu fiz, procurei esses anjos profissionais que me orientaram melhor e pude me conhecer um pouco mais.

Desta forma fui crescendo entre mulheres. Logo em seguida vieram alguns homens como os cunhados, sobrinhos etc… Entao, entre apanhar, cair, chorar, sorrir, fui aprendendo e descobrindo o mundo ao meu redor.

É meio embaraçoso falar da gente mesmo. Mas, hoje, posso parafrasear uma observação que fizeram ao meu respeito e, acredito, é a minha cara rsssss… Uma vez me disseram que sou uma pessoa que gosta da vida, que gosta de viver. Concordei e hoje concordo ainda mais rssss… Realmente, sou uma pessoa que gosta do mistério da vida. Da sua elegância em nos trapacear de vez em quando. Gosto da maneira como ela nos surpreende, gosto do seu gingado, da sua ciranda. Gosto de quando ela chega de mansinho e nos diz, calma, que agora o “bicho vai pegar” rsssssssss… E depois ela vem e nos diz que agora é tempo de calmaria. Isto é fantástico. Eu nao tenho definição certa sobre mim. Sou a vida! Estarei sorrindo quando ela estiver de bem comigo mesmo. Estarei de pirraça quando ela disser que tem que ser do jeito dela, pois vou querer que seja do meu jeito e estarei super feliz quando ela me trouxer uma surpresa. É isto, eu sou a vida com ou sem muitas complicações às vezes!

– Como surgiu a oportunidade de você vir morar na Alemanha?

Minha oportunidade de vir para Alemanha surgiu com o encontro entre eu e meu marido, numas férias em Paraty, RJ. Eu nunca pensei em morar fora do Brasil. Salvo uma vez em que eu e minha colega pensamos em nos mudarmos para Portugal. Mas nosso colega nos disse que não seria bom negócio, pois em Portugal havia muito preconceito com brasileiras. Depois disto, nao pensei mais a respeito a não ser quando conheci meu marido.



– Sua história de vida é muito marcante e nos ensina a viver o dia de hoje, além de ter perseverança. Conte um pouquinho dela pra nós.

Dizem que viver não é fácil. Realmente, é preciso aprender a viver, com já dizia o poeta. Mas viver tem seus encantos, apesar dos tropeços que a vida às vezes nos proporciona.

A vida me surpreendeu há alguns anos atrás. Ela foi responsável por eu morar agora na Alemanha. Contarei um pouco deste drama onde tudo começou a mudar quando conheci meu marido, em dezembro de 2006. Nesta época tinha oito meses que meu namorado havia morrido.

G. era o nome dele. Ele era viúvo quando a gente começou a namorar. O problema é que era uma viuvez recente. Tinha somente um mês que a mulher dele tinha morrido quando nós começamos a nos relacionar. Imaginem a confusão que deu. O interior todo falou de nós dois. A família da ex dele, entao, vix Maria, até amantes nós viramos. O bom é que, enquanto o povo falava, a gente namorava. Se no Brasil fizesse o frio daqui, iríamos namorar dobrado.

Nós nos apaixonamos (coisa gostosa esta viu, apaixonar, bão dimais sô rssss), deixamos o povo falar e fomos viver nossa vida. O porém é que a situação dele era complicada. Ele tinha uma menina de dois ou três anos de idade. Chama-se C.M, tinha câncer no cérebro. Nós, ou melhor, mais ele, tivemos que ter muito jogo de cintura com a família da ex, e eles não foram nem um tanto simpáticos com a nossa situação. Também né, a gente queria demais, caso eles concordassem com nossa estória romântica: um mês de viuvez e o cara já começa a namorar. Normal, mas no interior de Minas Gerais, Brasil, os costumes são meios que radiciais, vamos dizer assim. Nesta época fui trabalhar na FIEMG, em Governador Valadares.

O pessoal de Valadares havia me entrevistado uns três meses antes da gente começar a namorar. Já nem esperava mais a contratação e quando ela veio, danou-se, não queria mais trabalhar em GV. Mas decidimos que seria melhor, pois, assim, com a gente afastado um pouco, poderiamos alcalmar os nervos dos ex parentes dele. Assim fizemos.

Como tudo na vida é passageiro, nossa estória não foi diferente. O que é bom dura pouco, já se falava o ditado. Então, em fevereiro ele começou a passar mal. Apareceram uns furúnculos e ele apresentava febre alta. Foi ao médico e o diagnóstico: leucemia! O que era fantástico, virou um… sei lá. Uma confusão. A luz se apagou e comecei a enxergar meio nebuloso. Perguntas? Imaginem quantas eu fazia…

Meu contrato na FIEMG estava acabando e eles queriam prolongá-lo. Eu deveria decidir se ficaria ou não. Qual foi a situação? Se correr o bicho pega se ficar o bicho come. Então o que fazer? Tentei ser prática como sempre fui e deixei a intuição agir. Simplesmente disse pra mim mesma que vida é vida e trabalho se consegue outro depois.

Assim eu fiz, nao renovei meu contrato e fiquei com ele. Nao esqueço a carinha dele quando cheguei ao hospital e disse que não prolongaria o contrato. Ficou feliz da vida rsss… Uma gracinha!!! Sei que eu ficava de Valadares à BH, BH à Valares. Acompanhei o caso desde o início. Claro né, estava com ele rssss… Falo que nós casamos e só Deus sabia. No hospital nós nos divertíamos muito. Riamos pra caramba. Falávamos bobagem que nem posso narrar aqui. Tem uma da freira que nós rimos muito. Ele me xingou né, mas foi muito divertido kkkkkk… Nem parecia que ele corria risco de vida. Nós fizemos o ambiente que estava pesado se tornar um pouco mais leve. Isto foi muito bom, tanto pra mim quanto pra ele, afinal os médicos da alegria nao estão aí por acaso, existe algo de muito positivo nisto e como tem!

O G. era uma pessoa que sabia ver o lado positivo da vida. Amputou a perna aos 15 anos de idade e nem por isso deixou-se abater. Trabalhava muito. Era representante e sócio de uma Metalúrgica. Aprendi muito com o ele. Digo que o G. foi meu maior mestre em vida. Umas das coisas que aprendi foi a ter fé em Deus. É irônico, mas se eu não tivesse passado pelo que eu passei com o G, eu não estaria hoje na Alemanha. Pude aprender e crer que tudo gira através de uma obra maior. Nada acontece por acaso e pude ver isto perfeitamente.

Quando se doma a morte, como muitos já domaram, a vida se torna mais fácil. Apesar dos momentos de tédios que ainda temos. Somos humanos e estamos aprendendo sempre e aprender dói. Entao, não tem como ficarmos sem dor. Mas a gente aprende a ter mais confianca em Deus, no seu poder e glória e, principalmente, em sua providência Divina. Isto é, para mim, o Milagre. Lógico que tem pessoas que não precisam domar a morte pra aprender, sem dúvida nenhuma. Porém eu tive e aprendi com isto, graças a Deus, porque passar por uma lição e não aprender é complicado.

Bem vamos para um outro capítulo.

O G. faleceu em abril de 2006. Nós ficamos juntos 4 meses. A filha dele faleceu, se não me engano, em abril também. Inicio de abril e ele no final de abril. Irônico, mas toda a família viajou.

Quando terminou tudo e vi que tinha feito o que Deus me determinou naquele momento, fiquei perdida. Perdidinha da Silva. Como havia deixado meu emprego em Valadares, voltei pra minha cidade natal. Fiquei sem serviço, devendo, frustrada, carente, desamparada… Dei um tempo pra mim. Precisava disto e tracei alguns objetivos pra alcançar. Foram planos pequenos, pois ate então não podia exigir muito de mim. Normal, uma perda destas, por mais que se confia e crê… não é possível manter o barco no leme certo não!

Assim fui remando o barco devagar e numa destas destas remadas encontrei o Joerg, um alemão perdido em uma balsa em Paraty kkkk… No momento em que iria desistir do sexo oposto, me apareceu o Joerg e resolvi tentar mais uma vez. Então, resultou que estou aqui, na Alemanha, aprendendo de novo, nascendo de novo. Fácil? Não, não é. Às vezes dá um certo desânimo ter que começar tudo de novo. A sensação de impotência aqui é grande demais pra mim. Não sei nem procurar emprego!!! Isso peeesaaaaaaaaa!!! Mas, tento manter a calma. Afinal, acredito que isto será fichinha perto do que passei aí em cima. Contudo, se depois da tempestade vem a bonança, espero colher os frutos aqui, pois na Alemanha acontecerão as cenas do próximo capítulo!

– O que mais lhe chamou a atenção ao chegar na Alemanha pela primeira vez?

Quando a gente chega aqui pela primeira vez, tudo é deslumbrante, super interessante.
Cheguei aqui no inverno de 2007. Não nevou muito neste ano. Mas o que me chamou muito a atenção foi a organização das ruas. Todas pavimentadas, limpas. Barulho? Não se ouvia nem barulho de mosquito rssss…

Observei que havia um respeito com o ser humano diferente do Brasil. Porque notei isto? Onde morava, apesar de ser interior de MG, hoje em dia os jovem colocam umas músicas horríveis bem em praça pública. E muitas vezes a polícia não pune como se deveria. Isto é muito desagradável. E os velhinhos que moram perto! Um grande desrespeito, na minha opinião, não só com as pessoas mais idosas, mas também com o ser humano em geral. Isto é um absurdo. Ao notar que aqui não tem esse tipo de algazarra, gostei, achei super bacana!

Notei, também, que alguns costumes aqui são iguais aos do interior de Minas Gerais. Como, por exemplo, recolher lenha, trabalhos nas hortas, cultivo dos jardins, etc. Só não vi vacas desta primeira vez rsss… Gostei muito quando ouvi o sino da igreja bater em Schweinber, so faltou a oração do Angelus pra ficar igual ao interior onde morava rssss… Um dos costumes que achei interessante foi o culto aos mortos. Cada família cumpre, religiosamente, as visitas aos seus entes queridos que se foram. Eu não gosto de cemitério. Apesar de existirem pessoas no Brasil que cultuam seus mortos, acredito que nós aceitamos melhor a partida de um ente querido do que eles. Observei que nossa mistura cultural nos permite visarmos outros conceitos, principalmente os religiosos. Contudo, notei que, apesar das diferenças culturais, muitas coisas me lembraram o interior onde nasci.

– Você já fez um curso e integração? Caso positivo, conte um pouco dele pra nós. Caso
negativo, ira fazê-lo em breve?

Comecei o curso na VHS (nota da Mineirinha: Volkshochschule, a “escola do povo” acessível a toda e qualquer pessoa na Alemanha). O curso de integração é bom e é importante pra nós estrangeiros. Para quem quer se socializar qualitativamente na Alemanha é preciso aprender a língua. Este curso nos dá esta oportunidade. Faço apenas uma observação como pedagoga. Acredito que eles deveriam fazer uma seleção da turma. Por exemplo, na minha sala a maioria consegue entender bem o alemão. São alunos que possuem entre 5 a 11 anos de Alemanha. Mas existem outras pessoas, um pequeno numero que não conseguem acompanhar por nao ter noção nenhuma da língua. Lógico que se elas não se esforçarem não conseguirão terminar o curso, isto é óbvio. Se a escola fizesse uma seleção, na minha opinião, evitaria que estas pessoas com dificuldades maiores ficassem constrangidas em sala de aula. Contudo, apesar de ser cansativo (normal né, sNo Brasil o cinco horas de aula rsss…), o curso é bom. A metodologia e didática dos professores ajuda a não ficar muito tedioso, mas precisamos estudar muitoooooo.

– Qual foi a sua maior dificuldade aqui na Alemanha nos primeiros tempos?

Eu estou aqui faz um ano apenas. Para mim ainda é o começo do começo rsss… Tenho muitas dificuldades com a língua. Apesar que consigo me comunicar um pouco, ainda tenho dificuldades de adaptação. Às vezes me sinto um peixe for a d’água. A desaculturação é um processo lento e dolorido. Para cada pessoa isto se dá de forma diferente. Mas acredito que todos passam por perturbações semelhantes.

No início de novembro de 2008 lembro-me que assustei quando deparei com a escuridão do inverno. Meu Deus o que é que é isso??? Perguntei rssss… Nesse ano o inverno foi puxado, não aguentava mais ver neve. Que saudades do sol!

Um dos fatores que pesa pra mim até mais que a falta dos familiares é a questão profissional. A sensação de analfabetismo me incomoda muito. Sei que escolhi viver aqui e preciso me conformar em começar tudo de novo. Mas, confesso que esta questão me incomoda e que é dificílimo pra mim. Mas saberei, se Deus quiser, administrar com sabedoria. Tentarei não me cobrar muito e viverei um dia de cada vez. Respeitarei meu tempo de adaptação e me sentirei realizada profissionalmente mesmo que deva trabalhar em outro campo profissional. Afinal, o trabalho é digno em qualquer área desde que seja, desde que feito com amor e responsabilidade.

– Do que você gosta mais aqui na Alemanha?

Apesar não gostar de frio, a paisagem no inverno é linda. Gosto muito da preguiça do sol nesta época do ano. A neve, então, é fantática. Gosto de perceber a transformação da natureza. Até as pessoas se transformam dependendo da estação do ano. Isto é muito interessante! Gosto da organização social. Gosto de como os governantes administram as cidades. É interessante perceber que não há muita diferença social, que o capitalismo aqui, digamos, é funcional. Entretanto, apesar de saber que por trás existem coisas que desconhecemos, gosto de como os representantes administram o dinheiro público na Alemanha.

– E o que lhe faz muita falta lá da terrinha, além da comida mineira feita no fogão à lenha?

Ultimamente toda a natureza de Minas me faz falta. O sol, as cachoeiras, o cheiro de terra molhada. O barulho da chuva no telhado. Tudo isto me faz falta. Sei que aqui tem estes fenômenos. Mas nossa chuva, nossas águas, nosso sol tem um tempero diferente. Como já dizia o poeta: “nossa terra tem Palmeiras, onde canta o Sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá…”

Sinto muita falta de todo este mundo natural à minha volta. As montanhas de Minas, suas formas e cores. Sinto falta do canto das cigarras. Minha família então! Saudades das reuniões entre família e amigos ao redor do fogão à lenha. Do ritual ao preparar uma refeição que só o mineiro sabe fazer. Enfim, saudades de tudo que deixei pra trás. Apesar de saber que sempre voltarei à minha pátria amada, alguma coisa sei que mudou, que não será como antes e que sempre se traduzirá como saudade!

– Você tinha me contado que tem um fogão à lenha. Como ele veio vir “passear” aqui na Alemanha?

O fogão à lenha foi presente de um grande amigo do meu marido. É um fogão típico da Alemanha. Ele é todo de alumínio e funciona à lenha.

Cozinhei nele uma vez. Dá pra matar a saudade de Minas. Pena que ele funcionará somente no verão. Tivemos que instalá-lo no pequeno pátio que temos em casa, pois daria muito trabalho se o instalássemos na cozinha. Mas ele está bem “agasalhado” para enfrentar o inverno e as chuvas da Alemanha rsss….

– Como você descobriu a Mineirinha?

Descobri acessando o Google. Nao me lembro bem o que digitei. Deve ter sido algo como dificuldades de se viver no exterior ou pessoas no exterior, não sei. Então encontrei o livro e o blog. Entrei, li alguns trechos, me interessei e comprei.

– Como foi a experiência de ler o livro? Ele te acrescentou alguma coisa?

Sim, o livro me acrescentou muito. Pude perceber que algumas das perturbações sentimentais pela quais eu passava eram normais. O livro me deu dicas muito interessantes e me mostrou que é possível se realizar profissionalmente na Alemanha, apesar das dificuldades. Vi que devemos estar atentas com relação aos abusos por parte de nossos companheiros, tanto em termos físicos quanto psicológicos. Contudo com a leitura do Mineirinha pude perceber, também, que optei por ser uma cidadã do mundo e que, apesar das dificuldades, é possível construir uma vida com dignidade, sem dúvida!

– Quais são os seus próximos planos?

Meus planos no momento são estudar alemão. Me dedicar e esforçar muito para aprender o máximo da língua. Tirar a carteira de habilitação. Então, mais no futuro batalhar para conseguir um trabalho em que eu possa me sentir bem. Penso em lecionar. Sei que é possível dar aulas de português para alemães ou até mesmo para crianças binacionais. Gosto de ensinar e sei que me realizaria caso atingir este objetivo. Acredito que consigo sim, se Deus quiser!

– Se quiser deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!

Para os leitores da Mineirinha…
Sei que cada um de nós que lemos a Mineirinha temos algo em comum. Sei que a maioria deixou para trás algo de muito valor e a vida costuma cobrar um preço. Às vezes esse preço é alto demais e faz com que entremos em um estado meio depressivo de vez em quando. Sei que a saudade dói e dói muito. Sei, também, que soa meio estranho ao saber que temos que recomeçar. Mas o que é o começo se a vida em si nos propõe a recomeçar sempre!

Portanto, proponho a nós, leitores da Mineirinha, que caminhemos pelos encantos da vida. Se estamos aqui foi porque escolhemos e o principal: foi permitido por Deus. “Nenhuma folha de nenhuma árvore cai sem a permissão Divina.” Perdoem-me os céticos, mas acredito que o fator “Crer” nos ajuda muito a enfrentarmos as tormentas existencias. Afinal a vida não é feita só de maravilhas, como já disse, ela sabe nos surpreender.

Um grande abraço a todos e que Deus possa estar no coração de cada um de vocês, os abençoando e protegendo sempre!

::Entrevista Delirantemente Feliz! :-)::

31/08/2009

Eis aqui a entrevista com a Liza do blog Liza Delirantemente Feliz. Tive a oportunidade de conhecê-la, junto de sua família, no domingo passado, quando organizamos um brunch brasileiro aqui no Bodensee. A Liza é dona de uma voz doce, é meiga e tem uma família muito bonita. Ah, sim, também muito importante: ela tem todo o jeito de uma cozinheira de mão cheia! A coxinha dela fez o maior sucesso no nosso brunch e acabou rapidinho!… Então vamos ver o que ela e seu marido relatam sobre a vida na Alemanha:

– Façam uma pequena apresentação de vcs por vcs mesmos:
Alberto, 28 anos, engenheiro eletrônico, mestre em microssistemas, atualmente trabalhando como pesquisador numa universidade no sul da Alemanha. Liza, 31 anos, quase turismóloga (faltando 2 semestres para formar), atualmente mãe, dona-de-casa e estudante de alemão. Miguelzinho, 1 ano e meio, o mais novo membro da familia.

Mineirinha n'Alemanha
– Como surgiu a oportunidade de vcs virem morar na Alemanha?

Meu marido, recém formado em engenharia eletrônica pela PUC Minas, recebeu um convite para fazer mestrado em engenharia de microssistemas numa universidade no sul da Alemanha. Só tinhamos 1 ano e meio de namoro e a proposta de vir junto para cá me pegou de surpresa. Decidi encarar junto com ele essa grande mudança nas nossas vidas. Foi então que começamos uma nova jornada num país totalmente desconhecido, trazendo na bagagem muitos sonhos e muitos medos.

– Seu blog chama a atenção pelo nome super positivo. De onde saiu a ideia do nome?
Com 2 meses de namoro eu e o Alberto fizemos uma pequena viagem e nao me esqueço do dia em que ele disse que queria me fazer absurdamente, intensamente e delirantemente feliz. Ele realmente conseguiu cumprir aquela promessa e hoje posso dizer que me sinto assim, delirantemente feliz. Claro que tenho problemas e momentos difíceis, mas eu aprendi que a felicidade não depende de fatores externos e que é uma escolha que depende exclusivamente de nós mesmos.

– Como é a experiência de ter um filho pequeno na Alemanha?

Acho a Alemanha um país maravilhoso para se criar um filho. É um país que oferece segurança, saúde e educação, de uma maneira muito diferente do Brasil. Nao precisamos pagar medicamentos para ele e ainda recebemos ajuda do governo, mesmo ele sendo brasileiro. Recentemente ele entrou no Kinderbetreuung (jardim de infância), também pago pelo governo para que eu possa estudar, e só tenho elogios para a forma como ele é tratado lá, o que me dá tranquilidade para estudar. Confesso que no início me senti um pouco insegura, achei que não daria conta de criar um bebê num país tão diferente do meu, longe da minha família e sem contar com a ajuda de ninguém. Mas tenho certeza que não poderia oferecer um lugar melhor para ele crescer.

– E como está sendo a experiência de participar de um curso de integração? Quanto tempo ele dura, como é dividido e o que vc poderá fazer quando ele terminar?
O curso de integração é exigência do governo para que estrangeiros que residem na Alemanha desde 2005. O governo financia parte do curso para quem tem condições financeiras (o aluno paga apenas 1 euro por hora-aula) e oferece o curso integralmente para quem não tem trabalho ou recebe pouco. A duração do curso varia muito. Há casos de estudantes que optam por um curso mais lento, com apenas duas aulas por semana. Nesse caso o curso pode durar 2 anos. Mas normalmente, os cursos duram 8 meses, com aulas de segunda a sexta na parte da manhã. O curso é dividido em 6 módulos de 100 horas cada para o ensino do idioma (nível A1 ao nível B1) mais 45 horas para o curso de orientação. Caso o aluno consiga no final do curso o certificado B1, o governo devolve metade do dinheiro pago. Com o certificado B1 fica mais fácil conseguir um Ausbildung (curso profissionalizante) e já é um começo para quem pretende estudar aqui. Já vi casos de pessoas que apenas com o nivel B1 conseguiram vaga numa universidade para cursos de graduação e mestrado.

– Só a título de curiosidade, quantas nacionalidades estão reunidas no seu curso?
Sao 14 nacionalidades: 4 russos, 2 paquistaneses, 1 peruana, 1 tunisiana, 1 francesa, 1 sérvia, 1 iraquiano, 1 africano, 1 polonesa, 1 albanesa, 1 tailandesa, 1 cazaque, 1 turco e 1 brasileira.

– Qual foi a maior dificuldade de vcs aqui na Alemanha nos primeiros tempos?
As nossas maiores dificuldades sempre foram ligadas ao idioma. Também foi muito difícil lidar com a diferença do clima e com a saudade da familia (com essa dificuldade convivemos e temos certeza que conviveremos sempre).

– Do que vcs gostam mais aqui da Alemanha?
Nada melhor do que viver num país onde voce não tem que sentir medo de sair e não voltar para casa, um lugar onde seu filho pode brincar na pracinha, como faziamos antigamente no Brasil. Nada melhor que não ter que provar para as pessoas que voce está dizendo a verdade, por que é isso que elas esperam de você. Os alemães partem do principio que voce é honesto e dão sempre um voto de confiança nisso. Nada melhor do que viver num país que investe nas ideias e que valoriza a educação. Claro que a Alemanha não é um país perfeito, mas morar aqui tem sido um presente nas nossas vidas.

– E o que lhes faz muita falta pra vcs aqui lá do Brasil?
Além da família e amigos, o que mais faz falta é a comida mineira e o clima.

– Como vcs descobriram a Mineirinha?

Através do meu blog acabei descobrindo a Mineirinha. Posso dizer que foi um grande achado, além de encontrar dicas sobre a vida na Alemanha, encontramos uma pessoa super bacana, dona de um coração enorme e sempre disponível para ajudar.

– Como foi a experiência de ler o livro a dois? O que vocês acharam do livro?
O Alberto, que não gosta de ler, se interessou logo de cara pelo livro e o devorou em poucos dias. De vez em quando o livro desaparecia e reaparecia depois milagrosamente nas coisas dele. A opção foi ler o livro juntos. Adoramos a leitura, pois além de ser um livro delicioso, tivemos a oportunidade de trocar nossas opiniões sobre diversos assuntos. Desde então tornou-se nosso livro de cabeceira e o indico para qualquer um que goste da Alemanha, que pensa em morar aqui ou fora do Brasil ou para aqueles que buscam uma boa leitura.

– A Mineirinha auxiliou o seu marido a confeccionar seu currículo e cartas de apresentação em inglês e alemão. De sua opinião sobre este serviço prestado por ela.
Esse foi o depoimento do meu marido sobre o trabalho da Sandra: “Mesmo depois de viver aqui por 3 anos, posso dizer que fazer um curriculo e uma carta de apresentação dentro dos padrões alemães é extremamente difícil. Primeiro pelas dificuldades da língua e segundo por que um estrangeiro nunca sabe ao certo o que uma empresa alemã espera de um futuro empregado. Foi aí que a Sandra surgiu, traduzindo os meus documentos, os colocando dentro do padrão alemão, me proporcionando agora uma maior chance no mercado de trabalho. Estou muito satisfeito com o trabalho que ela prestou por sua dedicação, profissionalismo, competência, pontualidade e disponibilidade em ajudar.” O que posso dizer é que o trabalho dela aliado à dedicação e esforço do meu marido (é importante dizer que aqui eles valorizam muito as notas, entao vale a pena se dedicar) tem nos aberto muitas portas.

– Quais são os próximos planos da “Família Delirantemente Feliz”?
O contrato do Alberto com a universidade vai até o próximo ano. Temos alguns planos para depois que incluem permanecer na Alemanha, mas por enquanto são apenas planos aguardando a resposta de Deus, afinal é dele sempre a decisão aqui em casa.

– Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!
Morar fora do Brasil, num país tão diferente do nosso, longe da família e amigos não é uma tarefa fácil. O que ajuda é poder contar com pessoas no caminho, dispostas a compartilhar experiências. Que possamos estar sempre abertos e dispostos a ajudar, conscientes que colhemos sempre aquilo que plantamos.

Liza, Alberto e Miguelzinho: obrigada pela participação e pelo carinho!

::Update da entrevista com Klaus e Dalvanira::

14/08/2009

Estamos em Munique até o final das férias no domingo visitando minha irmã Rê, seu marido Rô e nosso sobrinho fofinho, o Dominic. Enquanto isso, aqui uma foto como update da entrevista com o Klaus e Dalvanira tirada em Viena nos jardins do castelo de Schönbrunn, pra vcs matarem a curiosidade junto comigo da carinha simpática dos dois:

Mineirinha n'Alemanha_Klaus e Dalvanira

::Com vocês, Paulo e Evelyne!::

06/08/2009

A seguir uma nova entrevista cujos participantes são especiais para mim. Do Paulo eu recebi o primeiro feedback de um leitor alemão e sua esposa brasileira, Evelyne, me deu a boa ideia de arquivar as entrevistas aqui no blog, além de tantas outras opiniões e retornos positivos, enfim muitas demonstrações de carinho, como esta aqui:

“Acho que você está abrindo mais uma porta para brasileiros e alemães se conhecerem e se integrarem. Adoramos a iniciativa.
Não sei como está pensando em estruturar isso no seu blog, mas, sugiro que você dedique uma página só para isso. Verá como será exponencial.”

Vamos às perguntas:
Poderiam fazer uma curta apresentação de vcs por vcs mesmos?
Evelyne, brasileirinha nascida no sul, mas que mora na terra do sol e da praia, Bahia, 27 anos, formada em Administração, MBA em Marketing, consultora de RSE (Responsabilidade Social Empresarial), sagitariana, alegre, espontânea e, quase sempre, chata na TPM.

Paulo, 53, nascido alemão, hoje alemão-baiano, professor de tecnologia, economia e educação física, analista de sistemas, ex-coordenador de TI de uma rede brasileira de microcrédito e diretor de uma empresa de software. Cheguei ao Brasil em 1994, através do DED (Deutscher Entwicklungsdienst)… e fiquei. Curioso, interessado, crítico, às vezes calmo, às vezes comunicativo, às vezes engraçado, às vezes chato. Há dois tipos de alemães, os teimosos e os muito teimosos. Eu só sou teimoso. Além disso, sou o melhor pai do mundo, pelo menos na opinião dos meus filhos, adotados aqui na Bahia.

Em resumo, um casal nada convencional.

eu e meu amor-1

Como vcs se conheceram?
Saí de um emprego, e indicada por um amigo também alemão, fui parar na empresa que Paulo tinha acabado de abrir. Ele era meu chefe, depois namorado, depois sócio e, agora, marido. Estamos juntos a pouco mais de cinco anos. Bastante tempo para quem não botava fé. Nosso lema é contrariar. Rsss

Vc já veio à Alemanha, Evelyne?
A primeira vez que estive na Alemanha foi em maio de 2008. Depois de mais de 4 anos de relacionamento ainda não conhecia a família dele. Foram 30 dias de ótimas férias, inesquecíveis. Na ocasião, conheci Berlim, Potsdam, Hannover, Osnabrück, Münster, Hameln e outras cidadezinhas graciosas. Berlim foi amor à primeira vista. Na primavera/verão, quem não se apaixona?
Depois, voltamos em dezembro, no frio mais frio dos últimos tempos para acompanhar a filha dele que fez uma cirurgia para que pudesse ter a oportunidade de andar. Depois de anos na cadeira de rodas, ela já dá os primeiros e longos passos. Eu fiquei um mês e Paulo, três. Muita saudade, porém por um ótimo motivo.

O que o Paulo mais admira na cultura brasileira? E o que te chama a atenção positivamente na cultura alemã?
Paulo: A habilidade de comunicação e a facilidade de fazer contatos, a hospitalidade, a alegria e leveza que aparentemente supera todos os obstáculos. Ver o copo meio cheio e não meio vazio e um contraste incrível em relação aos alemães, que conseguem complicar a própria vida pela perfeição e preocupação.

Evelyne: O que me chama mais atenção na cultura alemã é a civilidade e o respeito ao próximo. Ninguém acelera o carro no sinal quando fica verde só porque tem um pedestre atravessando a rua, para mostrar quem tem o poder, como acontece muitas vezes aqui no Brasil. Claro que a Alemanha não está livre de gente assim, mas a proporção é bem menor, creio eu.

Qual foi o maior choque cultural do Paulo em relação ao Brasil?
Os extremos e a desigualdade da sociedade, o caos e a poluição sonora e ambiental nas cidades e aceitação da corrupção e violência combinado com uma paranóia exagerada.
Quando cheguei ao Brasil, fiquei apavorado com os muros altos e as grades nas residências e pensei que todo mundo vive na prisão. Hoje, infelizmente, já me acostumei com isto.

E o seu choque cultural, em relação ao Paulo?
Meu choque cultural em relação ao Paulo??? Ele não cumprir horários como eu sempre acreditei que os alemães fizessem. Eu dou um desconto. Depois de tanto tempo, já virou baiano.

Do que o Paulo sente mais falta da Alemanha, morando no Brasil?
Os cheiros da primavera e outono, o respeito ao próximo, comida grega, Leberwurst (salsicha de fígado) e a possibilidade de tomar banho com água quente e com pressão.

Como ficaram sabendo do livro “Mineirinha n’Alemanha”?
Depois da nossa viagem em maio, Paulo decidiu voltar para a Alemanha e eu decidi ir junto, por acreditar que seria uma experiência valorosa para mim, além de saber que não consigo ficar sem ele (Ownnnn!). Aí, ele começou a procurar emprego e eu comecei a pesquisar sobre experiências de brasileiros na Alemanha. Encontrei o site “Viver na Alemanha” e, através dele, cheguei ao seu blog. Do blog para o livro foi bem fácil. =D
(Comentário de Paulo: Acho que foi o contrário. Ela decidiu e eu vou acompanhá-la.)
(Comentário meu: Dá licença, Sandra. Acho que temos que ter uma DR, voltamos depois dos comerciais…)

O que diriam sobre o livro/recado de vcs para outros leitores.
Evelyne: É uma quebra de tabus. Brasileiro tem uma visão pré-definida de alemão, e vice-versa. Mas, essa visão é baseada em preconceitos antigos. A sociedade evoluiu, de um lado e de outro, por isso, houve mudanças. Achamos que o livro é interessante para apresentar novas visões ou justificar antigas.

Paulo: Comprem, leiam, aprendam e divirtam-se! O livro passa a percepção da Alemanha por uma brasileira, que conseguiu se integrar muito bem neste país e conviver com um povo com cultura bastante diferente. Curiosa e sem preconceitos ela relata os pontos fortes e fracos da sociedade alemã e dos estrangeiros que vivem nela, sem abrir as gavetas de bom e ruim.

Vcs são da opinião de que o livro deveria ser traduzido para o alemão. Por quê?
Hummm. Acho que Paulo já falou isso para você e eu não conseguiria reproduzir com a perfeição que ele o fez. Se quiser, pode publicar alguns trechos do e-mail dele que eu assino embaixo, do lado, em cima…

Nota da Mineirinha: o feedback do Paulo é para mim tão especial, que será parte do meu livro, quando ele for traduzido em alemão. Coloco aqui uma pequena parte do mesmo, para vcs terem uma ideia do que ele escreveu sobre o livro:

„Es macht Spaß, vom deutschen Alltag aus dem Blickwinkel einer Ausländerin zu lesen. Von Dingen, über die ein Deutscher in Deutschland nicht nachdenkt, weil sie einfach total normal für ihn sind. Von deutschen Verhaltensweisen, die für einen Brasilianer undenkbar sind. Von Lösungsansätzen mit unterschiedlicher Logik, die vermutlich zum gleichen Ziel führen würden. Von zwischenmenschlicher Kommunikation, die nicht nur wegen sprachlicher Hindernisse zu einem Desaster werden kann.

Interessant und wichtig ist es auch zu wissen, dass es neben dem typischen Klischee auch genug Ausländer in Deutschland gibt, die da so gar nicht nicht in die Schublade passen. Und zu erkennen, dass jemand wie du vielleicht in meiner Nachbarschaft lebt. Jemand, den ich gerne kennen lernen würde und der mein Leben bereichert. Und dem ich mit meinen Möglichkeiten vielleicht auch helfen kann, sich in seiner neuen Welt besser zurechtzufinden“.

“Dá prazer ler sobre o dia-a-dia na Alemanha contado sob a perspectiva de uma estrangeira. Ler sobre coisas que um alemão na Alemanha nem chega a pensar, pois para ele elas são normais. Sobre reações de alemães que são inimagináveis para brasileiros. Sobre soluções com uma lógica diferente, que provavelmente fariam com que o mesmo objetivo fosse alcançado. Sobre a comunicação interpessoal, que pode virar um desastre, não só por causa de dificuldades linguísticas.

É interessante e importante saber que além do clichê típico há muitos estrangeiros na Alemanha que não batem com a opinião da maioria. E descobrir que talvez uma pessoa como vc mora perto da minha vizinhança. Alguém que eu gostaria de conhecere e que poderia enriquecer minha vida. E que eu talvez pudesse ajudar a se ajustar à sua nova vida”.

Burkhard é um nome muito difícil de ser pronunciado por brasileiros. Como surgiu a ideia do codinome “Paulo” no Brasil? 😉
Pois é, e ainda para os pequenos agricultores no sertão baiano, com quem eu inicialmente trabalhei. Meu sobrenome é Puwalla e tem origem polonesa. Vem de Powel = Paulo e o …la, dizem, é a forma diminuitiva, ou seja Paulinho. Só que tenho 1,85cm. Então ficou o Paulo.

Qual é a motivação de vcs para morar na/voltar para a Alemanha?
Para Evelyne é uma possibilidade de experiência nova e um desafio pessoal. Acho que ela vai se dar razoavelmente bem, pois tem muitas características tipicamente alemãs, talvez mais do que eu. Eu tenho a impressão que 15 anos no Brasil são suficientes. Gostaria de viver uns anos mais perto da minha família e velhos amigos, mostrar o meu país para minha mulher brasileira e curtir a vida organizada na Alemanha, já sabendo que em pouco tempo me encherá o saco.

::Troca-troca de livros – Parte II::

27/07/2009

A segunda pessoa envolvida no troca-troca de livros foi o Klaus, um leitor alemão com alma de brasileiro que mora na Paraíba. Quis o destino que o livro dele fosse passear em Lemgo antes de chegar a Berlim ;-), onde ele está no momento passando férias com sua esposa brasileira, a Dalvanira. Nao pude resistir à tentação de entrevistá-los também e se conseguir uma foto dos dois, vou colocá-la aqui neste post mais tarde. A entrevista está metade em alemão/metade em português, e a parte em alemão foi devidamente traduzida por mim. Aliás, a partir de agora todas as entrevistas serão arquivadas através do link à direita do blog, intitulado “Entrevistas”, por sugestão da leitora baiana Evelyne, cuja entrevista já está esperando na fila pra ser publicada! 🙂 Muito obrigada pela ideia, Evelyne!

A segunda entrevista da série ficou também super interessante. Confiram vocês mesmos!

Uma apresentação de vc por vc mesmo:
Oi, meu nome é Klaus R.C.Ciesielski, eu venho de Berlim e moro agora no Brasil no estado da Paraíba, na cidade de Campina Grande, no nordeste do nosso país.

Como vc tomou a decisão de emigrar para o Brasil?
Desde 1988 vinha trabalhando, além da minha profissão oficial, também como agente de viagens especializado no Brasil e acompanhava meus grupos durante muitas semanas no país. Durante a viagem do ano de 2005 tive um AVC (acidente vascular cerebral) e por causa da doença tive que parar de trabalhar por completo. Durante aquela viagem conheci também minha agora esposa Dalvanira, uma brasileira, depois de termos trocado muitos e-mails durante alguns meses através da internet. Através de sua ajuda fui levado imediatamente para o hospital e assim pude me recuperar muito rapidamente. Agradeço a Deus por nao ter nenhuma sequela do acidente. Depois desta viagem eu me preparei em Berlim para me mudar para o Brasil em 2006. Sempre tinha sido um sonho meu poder viver no meu querido Brasil.

Wie fiel bei dir die Entscheidung, nach Brasilien auszuwandern?
Hallo, mein Name ist Klaus R.C.Ciesielski, ich komme ursprünglich aus Berlin und lebe
jetzt in Brasilien, im Bundesstaat Paraíba, in der Stadt Campina Grande,
im Nordosten unseres Landes.

Ja, wie bin ich nach Brasilien gekommen?
Ich war seit 1988 nebenbei Reiseveranstalter für Brasilien und habe in den Jahren auch meine Gruppen immer auch in den vier Wochen durch das Land begleitet. Auf der Reise 2005 bekam ich dann meinen zweiten leichten Schlaganfall und musste leider meinen Hauptberuf und den Tourismus aufgeben. Auf dieser Reise habe ich auch meine Frau Dalvanira, eine Brasilianerin, das erste Mal getroffen, nachdem wir uns schon vorher einige Monate im Internet geschrieben haben. Durch ihre schnelle Entscheidung kam ich rechtzeitig ins Krankenhaus und alles war sehr schnell überstanden. Gott sei Dank ist nichts übriggeblieben. Nach der Reise habe ich in Berlin alles geregelt und seit 2006 lebe ich jetzt hier im Nordosten Brasiliens. Es war immer mein Traum, in meinem geliebten Brasilien zu leben.

Quais foram os choques culturais que vc vivenciou lá durante o primeiro tempo?
Na realidade eu não vivenciei nenhum choque, porque eu já tinha visitado muitas vezes o Brasil e já conhecia bem o país. Eu me adaptei muito rápido e nunca achei que tivesse tomado a decisão errada ao me mudar para lá. Para mim eu simplesmente fiz uma mudança em 2006, nao foi uma emigração no sentido exato da palavra. Foi fácil para mim me adaptar, pois à minha volta tive muitas pessoas que constantemente me auxiliaram a me sentir em casa no Brasil.

Welche Schocks hast du während der ersten Zeit dort erlebt?
Es gab für mich keine Schocks, weil ich von den vielen Reisen nach Brasilien doch schon einiges kannte. Ich habe mich sehr schnell eingelebt und es gab keine Zeit, in der ich meine Entscheidung bedauert habe. Es war im Grunde genommen 2006 lediglich ein Umzug, es gab keine Auswanderung in dem sonst üblichen Sinne. Ich habe mich sehr schnell eingelebt und ich habe es sehr leicht damit gehabt. Rund um mich herum hatte ich Menschen, die es mir ermöglicht haben, mich in Brasilien sehr schnell zu Hause zu fühlen.

Do que vc mais sente falta daqui da Alemanha morando no Brasil?
Eu sinto falta da amizade que me liga ao meu time de futebol em Berlim. Eu era o diretor do time e já tinha jogado futebol durante anos a fio e me sentia muito bem naquele time. No Brasil tenho dois times onde atuo, mas eles não me dão a mesma satisfação que tive com o futebol em Berlim. O futebol tem um significado bastante diferente entre o Brasil e a Alemanha. Eu consigo me entender muito bem com os jogadores antes e depois das partidas, mas as reações durante o jogo são muito diferentes para mim. Dentro do time não há infelizmente a união que eu gosto e da qual preciso.
Eu também sinto falta dos meus filhos, que moram em Berlim e na Inglaterra, mas através da internet temos um contato frequente e dois dos meus filhos já foram me visitar no Brasil.

Was vermisst du sehr aus Deutschland in Brasilien?
Mir fehlt sehr die Freundschaft, die mich mit meiner Fußball-Mannschaft in Berlin verbindet. Ich war dort Vorsitzender und ich habe dort einige Jahre gespielt und mich innerhalb dieser Mannschaft auch sehr wohlgefühlt. Die beiden Mannschaften, in denen ich seit 2007 in Brasilien spiele, geben mir dieses Gefühl der Zufriedenheit nicht. Zu groß ist der Unterschied in der Auffassung vom Fußballspiel in Deutschland und Brasilien. Mit den Spielern in Brasilien verstehe ich mich vor dem Spiel und nach dem Spiel sehr gut, aber auf dem Platz sind doch die Vorstellungen vom Fußball sehr unterschiedlich. Es gibt leider in Brasilien für mich innerhalb der Mannschaften nicht den Zusammenhalt, den ich gut finde und wie ich ihn für meine Zufriedenheit brauche.
Mir fehlen meine Kinder, die in Berlin und in England leben, aber durch das Internet sind wir eigentlich ständig in guten Verbindung und zwei meiner Kinder haben uns auch schon in Brasilien besucht.


Como vc descobriu a Mineirinha?

Eu estava no Xing procurando por contatos relacionados ao Brasil e encontrei o seu perfil por lá.

Wie hast du die Mineirinha entdeckt?
Im Xing habe ich Kontakte mit Brasilien gesucht und bin dabei
auf dein Profil getroffen.


Qual é a opinião da sua esposa com relação ao meu livro?
Welche Eindrücke hat mein Buch bei deiner Frau hinterlassen?

Olá, aqui é Dalvanira, a esposa do Klaus.

Encontrei em suas experiências as mesmas situações que vivi nos primeiros momentos aqui na Alemanha. Somos de um país liberal, aqui as regras rígidas a princípio me assustaram um pouco pelo fato de termos ideias, vontades e ideologias diferentes.

Os costumes realmente geram conflito. Como sou adaptável posso dizer que não tive conflito cultural. Fui educada em colégio de freiras, e portanto em um ambiente onde também existem regras e ordem. Sou casada com um alemão carinhoso, amável e brasileiro de coração, que chega a contradizer a própria cultura. Lembrando do seu relato das brasileiras que não tiveram a mesma sorte que eu.

Aprendi muitas coisas ao ler o seu sábio livro. Ao mesmo tempo descubri novas qualidades da cultura e das pessoas, com mais definição.

Tenho convivido com pessoas de maneira diferente levando em conta o seu relato ligado às diferenças do contato verbal e visual. Parabenizo todos os seus relatos por expresso.

Quanto à dificudade do idioma sofro muito. Uma observação: você dá a orientação de assistir tv, ouvir música e/ou rádio, e eu passei a segui-la imediatamente! Ouvir mais e tentar entender. A declinação é a minha dificudade como também de todos que desejam aprender esse idioma tão lindo e difícil.

Irei divulgar seu livro que será um guia de grande valor para todos que desejam morar ou fazer turismo neste país maravilhoso, rico em cultura e disciplina. Desejo sucesso, lhe aconselho escrever vários livros. SUCESSO!!!

Klaus e Dalvanira
Berlim, 26.07.2009

Obrigadíssima pela entrevista, Klaus e Dalvanira! Que vcs continuem tendo uma boa estadia por aqui!

P.S.-Update em 14.08.09: Aqui vcs podem ver uma foto dos dois!


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