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::Como eu mudei depois de mudar para a Alemanha::

Inspirada no texto que republiquei no meu mural do Facebook, pensei que seria uma boa ideia escrever um texto meu sobre como eu mudei depois de morar na Alemanha. Claro que esta avaliação será só pela metade, porque depois de meia vida aqui talvez já tenha incorporado tanta coisa que já me parece normal, que não a notaria sem que me alertassem deste fato, tirando claro os cabelos grisalhos, as rugas e o ganho de peso com a idade. Portanto, se me conhece e quer me lembrar de algum aspecto que porventura não tenha comentado aqui, deixe seu comentário abaixo, ok? Pois então vamos lá!

Beijinhos e cumprimentos

Com certeza eu beijo menos no rosto e cumprimento muito mais falando do que pegando nas pessoas. Deixei também de encostar nas pessoas ao falar com elas, o que logo de princípio irritava muito meu namorado na época.

Lanches e usados

Fazer “farofa”, levando comida ou lanches ao sair de casa, era inaceitável lá em casa. Vivendo na Alemanha passei a ver que esta atitude é louvável, economiza dinheiro, faz com que nos alimentemos de coisas mais saudáveis e na hora que bem quisermos.

Não cresci em um meio onde a compra ou troca de usados fosse normal. Hoje em dia já participei de várias festinhas onde o único objetivo era a troca entre amigas de roupas e acessórios, sem gastar dinheiro nenhum. Acostumei-me a vender e comprar roupas usadas para meus filhos. Faço também muitas doações aqui, o que já era normal no Brasil, mas aqui às vezes é mais difícil achar pra quem doar.

Espiritualidade

Cresci como católica, mas aqui aprendi a conhecer e respeitar todas as religiões. Aprendi que um ateu que age com civilidade e respeito é mais religioso do que um evangélico ou católico que cumpre o que sua religião exige, mas desrespeita o próximo na primeira oportunidade possível.

Origens e nacionalidades

No Brasil nunca ficamos refletindo sobre a origem das pessoas, sobre a nacionalidade de suas famílias, mas isto aqui na Alemanha é imperativo, pois todos querem saber. Também porque o método de tratamento formal é feito só pelo sobrenome, o que leva as pessoas a colocarem perguntas sobre as origens, o marido (se se tratar de uma mulher casada que tenha trocado o nome) e até se a pessoa for alemã, querem saber de que parte da Alemanha a pessoa vem.

Cidade grande x bicho do mato

Morava em uma cidade com 3,5 milhões de habitantes e para mim era impossível pensar em viver no interior. Hoje moro em uma pequena cidade pertinho de um lago lindo no sul da Alemanha e gosto das vantagens de morar assim, porque tudo é pertinho, gasto pouco tempo me locomovendo para a escola, trabalho, etc., vivo mais próxima à natureza, respiro um ar mais puro e tenho acesso a tudo o que preciso para viver, mesmo tendo feito a opção ser “bicho de mato”.

Preconceitos

Eu não sou livre de preconceitos (quem me dera!), mas no Brasil era definitivamente mais preconceituosa do que aqui. Com certeza porque aqui tenho a oportunidade de conviver e interagir com pessoas de muitas partes do mundo, provar de comidas diferentes e refletir sobre meus preconceitos e os preconceitos de outras pessoas.

Introspecção e (in)tolerância ao barulho

A Alemanha é muito silenciosa, com pouquíssimos barulhos em locais públicos, as pessoas falam mais baixo, a buzina só pode ser usada em caso de emergência… Tudo isso pode incomodar demais um brasileiro em busca de agitação. Eu, da minha parte, faço uso do meu lado introspectivo e aprendi a gostar do silêncio. Mas quando uma festinha boa aparece por aí, com ou sem música, eu adoro também!

Direitos do cidadão e conceito de cidadania

Lembro de andar em Belo Horizonte com o direito do consumidor debaixo dos braços para tentar fazer valer meus direitos em uma loja de sapatos, sendo quase vista como uma ET por agir assim. Aqui todos conhecem seus direitos e costumam fazer uso deles com frequência.

O conceito de cidadania é bem visível aqui. Os bens públicos são conservados e ninguém costuma deixar lixo em lugares públicos. Acho isso o máximo!

Brasil e o valor dos mais simples

Morando na Alemanha, passei a conhecer mais do Brasil além do que conhecia. Vi e li muita coisa que me fez repensar sobre vários conceitos antes ganhos sobre meu país. Passei a ver coisas que para mim antes eram normais, desde que moro aqui como equivocadas, como p.ex. o tratamento às empregadas (almoço em mesas separadas, elevador de empregada, etc.). Sendo obrigada a colocar a mão na massa, cuidar da casa e fazer tudo sozinha, aprendi a ter respeito com cada ser humano e pela função que ele exerce na sociedade. Voltando ao quesito preconceito, aprendi que muitas vezes os mais simples podem ter melhor caráter do que os mais cultos.

Simplicidade

Na Alemanha o esbanjamento é bem diferente do visto no Brasil. Praticamente não há casas planejadas por decoradores, as festas são simples (e ainda assim muito caras), mas investe-se p.ex. em bons carros e em viagens. Mesmo assim, há uma tendência grande da nova geração de consumidores alemães de optar conscientemente contra a compra de um carro, e se for possível de usar os meios de transportes públicos. Isto menos pela falta de recursos, mas mais pela consciência ecológica.

Animais

Eu não tinha ligação nenhuma com animais no Brasil. Hoje vivo com dois gatos em casa e respeito aqueles que cuidam e lutam pelos direitos dos animais. Aprendi com uma amiga minha que disse que se só houvessem pessoas que se importam com pessoas, quem cuidaria dos bichinhos e bichanos? É bom que cada um tenha interesses diferentes, assim todos são considerados. Vivendo e aprendendo!

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