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::Pensamentos de fim de ano::

Eu tenho uma amigona, a Chris, que prefere bichos ao ser humano. Primeiro, quando a conheci, eu achava isso intrigante, mas com o passar do tempo vou chegando à conclusão que ela tem razão.

Primeiro, porque somos bichos muito complexos. Já nascemos complexos, trazendo uma bagagem não sabe-se de onde, acumulando sabedoria, chatices e manias ao longo da vida… Mais cedo ou mais tarde, descobrimos que somos uma ilha. Percebemos que não conseguimos nos explicar para o mundo lá fora. Decepcionamo-nos ao nos perceber aquilo que somos, imperfeitos. Temos grande dificuldade de achar outros loucos que nos entendam. E padecemos na nossa solidão diária, mesmo que tenhamos muitos contatos ao longo de um dia-a-dia todo atarefado, todo atribulado, todo louco e estressante.

Segundo, porque temos uma mania imensa de achar que o mundo roda em volta do nosso umbigo. Meu filho de 9 anos, que é doido por astronomia, estava outro dia vendo uma reportagem sobre o buraco negro e eu perguntei onde é que o tal do buraco negro ficava. Ele, seguro de si, me disse que ficava no centro. No centro de onde, quis saber eu, no centro fica o sol, afirmei. Ele veio com um dos seus livros sobre astronomia e me mostrou nosso sistema solar como um ínfimo ponto no meio da galáxia onde estamos inseridos, entre tantas outras no universo, e no meio dela, claro, o buraco negro. Preciso de pensar nesta figura toda vez que correr o risco de me ensimesmar demais.

Terceiro, porque nós, seres humanos, somos verdaeiros idiotas, uns egoístas de marca maior, seguros de nós e de nossas verdades. Qualquer passarinho é mais inteligente do que nós. Eles voam para onde bem entendem, para onde está quente, para onde acham comida. Nós, seres altamente inteligentes, decidimos colocar linhas imaginárias nas terras e dividir a raça humana em grupinhos, discutindo qual é melhor, porque grupo A não combina com B, porque o povo do grupo A incomoda o B, e por aí vai. Somos verdadeiros idiotas. Habitamos um planeta onde, HOJE, seria possível viver em paz, com comida para todos, com oportunidades para todos, com a possibilidade de todos sermos felizes numa verdadeira aldeia global. Se não fosse, ah, se não fosse… a raça humana que divide, segrega, julga, tudo sob o ponto de vista de cada um. E quando está tudo analisado, recomeça a análise, num interminável processo de separação. Somos ilhas no universo.

Mas hoje é Natal. Tempo de confraternização, de amor ao próximo, de agradecimento. Lembramos do tsunami de 10 ANOS atrás (estamos mesmo ficando velhos!) e realizamos que, em um segundo, toda a nossa vida, tudo aquilo que temos e somos, pode sumir do mapa. Pedimos um pouco mais de humildade, para nós mesmos, para nossos semelhantes. E queremos lembrar de fazer de todo dia em 2015 um dia de Natal.

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