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::Memórias dos alemães::

Conversando com alemães, aprendemos muito com suas memórias. A Neusa d'”O Paraíso sem Bananas” que o diga! 🙂

Quando apresentei meu livro em Hildesheim e comentei sobre a existência de orgulho regional, e por outro lado da quase ausência do orgulho nacional no país, alemãs com atualmente uns 50 anos comentaram comigo que não tiveram aula de história da Alemanha depois da época de 30. Antes da crise econômica daquela década ter entrado em vigor, a aula de história parava abruptamente pra pessoas daquela idade, na época quando estavam na escola. Por sua vez, em casa pouquíssimos falavam sobre experiências e memórias das Guerras. Só a partir dos anos de 70 voltou-se a dar aula sobre toda a história alemã, o que elas constataram quando seus filhos foram para a escola. Não admira que as pessoas tenham tido muita dificuldade aqui na Alemanha de desenvolver um orgulho pelo país, o que foi substituído pelo orgulho regional, mesmo levando em conta que o país pôde bravamente se reerguer depois das Guerras.

Conversando com um professor de matemática vindo da Alemanha Oriental, comentei com ele que acho as possibilidades de pesquisa das crianças e jovens hoje em dia absolutamente fantásticas, pois eles têm fontes intermináveis pra buscar o saber, o que nós, pelo menos na minha geração, não tivemos. Contei pra ele que na minha época de universidade existia um só livro na biblioteca para uma sala de 40 pessoas, e antes mesmo que o professor acabasse de passar o nome do livro uma das minhas colegas de classe já estava esperando em pé na porta da sala pra sair correndo pra biblioteca e pegar o tal livro emprestado, deixando os outros colegas a ver navios… O jeito era pegar o livro emprestado dela por algumas horas e pagar por cópias horríveis de xerox, que se amontoaram ao longo dos anos de universidade. No final de 4 anos, tinha uma pilha de uns 40 cm de cópias! O alemão oriental, por sua vez, me contou que fazer cópias era proibido na Alemanha Oriental, pois tinha-se medo que se fosse feita propaganda contra o sistema. Os alunos foram criativos e inventaram um jeito de ganhar um dinheirinho: faziam suas anotações com folhas separadas por papel carbono e assim tinham cópias, que por sua vez eram vendidas para outros estudantes. Assim, tanto lá quanto cá, todos davam seu jeitinho de aprender!

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