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::Bactéria E.coli x uma vida normal::

Três semanas depois do surgi- mento da bactéria E.coli confesso que está ficando meio difícil achar algo comível na hora do almoço sem ficar com medo. Em casa, parece que somos umas das últimas famílias na Alemanha a comer saladas: continuamos comendo alface (da horta do meu sogro), tomates (analisando a origem, lavando e relavando), mas não compraria pepinos ou brotos. Felizmente estamos a muitos e muitos quilômetros do epicentro da epidemia, que está no norte da Alemanha na cidade de Hamburgo e arredores.

Tenho pena de toda a colheita, mesmo a regional, que tem sido jogado fora nos últimos dias e semanas, e fiquei surpresa com a notícia de hoje de que a CE vai repor grande parte das perdas econômicas aos agricultores afetados pela “crise da bactéria”. O capitalismo daqui protege quem tem perdas causadas por epidemias, que sorte a dos agricultores daqui! Pensando na fome no mundo, é muito louco saber que tanta comida é jogada fora aqui, mesmo que os agricultores tenham analisado sua colheita e dito que ela é livre de bactérias: tem muito consumidor que prefere não arriscar e desde então o alimento que está em alta é o “junk food“. Bem-vindos McDonalds, batatas fritas e carboidratos!

Como cada estado parecem ter autonomia para analisar e cuidar de assuntos de saúde, as notícias diárias têm deixado os consumidores cada vez mais perdidos, sem saber direito o que comer e no que acreditar. O certo é que a E.coli é a mistura de duas outras bactérias, e por isso é super forte e os médicos não tem clareza sobre como conduzir o tratamento dos pacientes acamados. Há dois tipos sérios de doenças ligadas à bactéria do tipo O104:H4: Escherichia coli entero-hemorrágica (ECEH, aqui denominada EHEC) – uma grave diarreia com sangramento, com até agora 1.605 casos – e a Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) – que ataca os rins, com 605 casos na Europa. Até agora são 22 pessoas mortas, uma delas na Suécia, que tinha voltado de uma viagem ao norte da Alemanha. Uma reportagem comentou que há pessoas que são supostamente imunes à bactéria, mas se elas forem ao banheiro, e logo depois uma pessoa não-imune passar por lá, não lavar bem as mãos e comer algo em seguida, pode ser contaminada. Portanto, a higiene é o mandatório número um! Recomenda-se, principalmente no norte do país, não se comer alface, tomate, pepino e brotos.

Quanto mais o tempo passa, mais difícil vai ficando descobrir como foi que a epidemia começou: do pepino espanhol, à alface e tomates, passando por brotos, muitos alimentos crus já passaram pela lente das autoridades. O que chama a atenção é que a bactéria vem atacando um grande número de mulheres adultas, que preparam e comem comida (crua) com bastante frequência. É muito estranho viver em um país lutando contra uma bactéria que ninguém sabe de onde veio, para onde vai, como surgiu e como se deu a transformação da “super bactéria”, que pelo que andei lendo é fruto do cruzamento de um tipo conhecido na Europa com outro africano. Penso nas pessoas afetadas, que desde então têm vivido isoladas, sem saber o que fazer, sem a possibilidade de viver uma vida normal. Desejo que achem logo a origem, descubram boas formas de tratamento e que a epidemia possa ser controlada de fato. Pelo que noticiaram hoje, parece que os culpados sao mesmo os brotos. Quero poder voltar a comer comida saudável crua sem receios!

Fontes: varías leituras e reportagens de rádio, p.ex. jornal Südkurier, revista “Der Spiegel“, Meio-Norte.com (reportagem de 05.06.11), rádios SWR1 e SWR3.

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8 Respostas to “::Bactéria E.coli x uma vida normal::”

  1. Lílian Says:

    Ei prima!
    Adorei o texto. Estava morrendo de vontade de comer salada.. aqui é só arroz com feijão, apesar de termos um terrenão para o cultivo.
    Vou imprimir e levar pros alunos na semana que vem.
    Aqui, a escola até que não é tão tão ruim assim… nós temos água, temos torneiras, temos bomba. Essas coisas só não funcionam por desorganização.
    E a limpeza, higiene e saúde não são prioridades pra eles. Talvez passe a ser depois do artigo…
    Para mim é. E essa bandeira é o meu carro chefe!
    Semana passada uma conquista! Agora todos os alunos tem acesso á água fervida. Eles não tomavam água potável, acredite se quiser!
    Um passo de cada vez. Mas tem hora que é difícil caminhar…
    Amo muito voce! Muito mesmo!
    Deus te abençõe! E abençõe tb os brotos, o alface, o tomate! E a cura para o E Coli!
    Luz, paz e amor!
    Prima

    • Sandra Santos Says:

      Que jóia, prima. Boas notícias! Saudades!!! Quer que eu te envie a versao em PDF do meu livro? Lá tem muitos outros textos que professores aqui na Alemanha gostam de usar na sala de aula, como início de discussao. Se quiser, fica a oferta.
      Um beijo no coracao e muita luz,
      Sandra

  2. Quelen Says:

    Oi Sandra!
    Excelente teu texto!
    Um ótimo restinho de semana pra vc e a família!
    Bjs com carinho : )

  3. Cristina Says:

    Estamos torcendo para que tudo isso passe logo, importante é a descoberta da origem para posterior tratamento com eficácia, né?
    Tenho família em Hamburgo, Schwerin e Hemmoor, tudo na região norte da Alemanha e confesso que estou apreensiva por eles e por todos que estão sujeitos a esta bactéria. Tenham fé e tudo vai se resolver. São meus votos sinceros!!!!!
    Cris

  4. Meggi Fechter Says:

    Oi Sandra, pelo menos agora foram liberados os tomates, os pepinos e o alface, realmente foi uma polemica os ultimos dias, em busca da origem da infecao ehec, a inseguranca em nao saber se realmente esse produtos estavao contaminados, eu e minha família nao degerimos os tais , mais a partir de hoje vou voltar a comer meu tomate ,estava sentindo falta rss
    Muito triste esses acontecimentos e as pessoas que faleceram! Espero qiue agora sejam feitos mais controles. Foi um choque para todos nos! Um beijao enorme e parabéns pelo texto, muito bem escrito como sempre! Beijos e bom feriado..

    • Sandra Santos Says:

      Oi Meggi,
      Pois é, né? Eu estava mesmo muitíssimo desconfiada desses brotos, ainda mais quando li que uma epidemia parecida tinha sido causada no Japao por brotos e que eles crescem a 38°C, o que deve ser um ambiente “bótimo” pras bactérias. Eu continuei comendo salada, como disse no texto, mesmo tentando ser um pouco precavida aqui e ali eu ficava sim por um lado super preocupada com o avanco da bactéria e pelas pessoas acamadas ou mortas pela doenca, e por outro lado triste por jogarem tanta comida fora. Como foi repetido tantas vezes durante esta semana: a saúde das pessoas deve estar à frente de interesses economicos. E foi mesmo, olhando a atitude tomada pelo governo daqui.
      Obrigada pelo elogio pelo texto e um excelente feriado pra vc e sua família!
      Beijos,
      Sandra

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