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::Anarquia no laboratório de testes do inferno::

Simon George chegou ao fim de suas forças. Ele passou dias tirando com as próprias mãos partes do entulho do que tinha restado de sua casa, na tentativa de chegar até sua esposa, que conversava com ele dia após dia e implorava por água. “Eu estou com tanta sede!”, dizia a esposa do homem de 34 anos. Pelo fato de morar somente 6 Km do aeroporto de Port-au-Prince, ele pensava que a ajuda lhe chegaria a tempo. Mas passados 4 dias após o terremoto de Haiti, todos os que poderiam ser salvos debaixo dos entulhos da catástrofe provavelmente se foram. Inclusive sua esposa. Ele não chegou a ouvir gritos de socorro de sua filha, que deve ter morrido no momento do terremoto. Ele, que tinha saído de casa no exato momento do terremoto, perdeu tudo: família, casa, roupas, alimentos – e desejou que tivesse ficado em casa para poder estar com sua família. Para ele, e para tantos outros sobreviventes, não há água, comida ou acomodação. Resta-lhe uma ferida acima dos olhos, que sangra e pede por tratamento médico, mas ele não tem forças para buscar por ajuda.

Os 9.000 soldados da UN têm que ser cuidadosos na hora de dividir água e comida entre a população. Eles cuidam para que crianças e mulheres grávidas sejam as primeiras a receber ajuda, já presumindo que o que trazem para distribuir não será suficiente para todos. Se passam por uma aglomeração muito grande de pessoas, eles nem param, com medo de ser saqueados e de estarem correndo perigo de vida. Enquanto isso, os aproveitadores, típicos de toda catástrofe, saqueiam as poucas casas que ficaram em pé e levam tudo o que encontram.

No jornal que estou lendo hoje, de onde tirei estas informações. o “Welt am Sonntag” (Mundo no Domingo”), há uma propaganda de uma empresa de roupas de luxo na mesma página onde várias fotos de sobreviventes desesperados e perdidos estão sendo mostrados. Será que algum ser humano normal conseguiu se ater a esta propaganda e não se importou com a urgência da catástrofe no Haiti? Ontem, no jornal local, o “Südkurier” (Correio do Sul), li que um médico da região, ao ficar sabendo do terremoto, pediu doações de farmácias, médicos e hospitais da cidade onde mora e viajou ontem para a República Dominicana com um tíquete pago do próprio bolso e 44 Kgs de bagagem quase que completamente compostos pelas doações que tinha recebido. Ele deixou de aceitar uma proposta de emprego para ir ajudar os sobreviventes da catástrofe. Palmas para ele! Para todos os outros que, como eu, não têm a mínima condição de ajudar diretamente em pessoa, aqui as contas para doações (que podem até ser abatidas no imposto de renda) para instituições confiáveis aqui na Alemanha, que já estão agindo para tentar reduzir o sofrimento no Haiti. Acho que qualquer valor, mesmo que mínimo, é válido, pois como diria o ditado em alemão “Kleinvieh macht auch Mist” (Através de gado miúdo chega-se também a esterco). Ou, como dira a Zilda Arns, médica pediatra sanitarista brasileira que morreu no terremoto do Haiti, “uma gotinha no oceano faz, sim, muita diferença.” Se muitos doarem um pouquinho que seja, algumas pessoas a mais poderão receber ajuda. O universo agradece.

Todas as doações podem ser feitas sob a palavra-chave (Kennwort) “Haiti”:
– DRK: Konto 41 41 41, Bank für Sozialwirtschaft, BLZ 370 205 00
– Unicef: Konto 300 000, Bank für Sozialwirtschaft, BLZ 370 205 00
– Caritas: Konto 202, Bank für Sozialwirtschaft Karlsruhe, BLZ 660 205 00
– Diakonie: Konto 502 707, Postbank Stuttgart, BLZ 600 100 70
– Bild hilft e.V. – Ein Herz für Kinder: Konto 067 67 67, Deutsche Bank, BLZ 200 700 00

Por que a ajuda internacional está chegando tão devagar em Haiti? Leia aqui (em inglês).

Fontes: jornais “Welt am Sonntag” e “Südkurier”; revista Época

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