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::Quem deixa a desejar::

Há umas semanas atrás um empresário foi morto no metrô de Munique porque quis separar uma tentativa de extorsão entre jovens e os agressores resolveram atacá-lo. Várias pessoas assistiram o ocorrido mas ninguém quis entrar na briga ou separar os envolvidos. O empresário ganhou até um prêmio nacional (Bundesverdienstkreuz) por sua coragem, mas esta não foi mais do que uma homenagem póstuma. O governo alemão pediu à sociedade que não fechasse os olhos para atos de violência.

Durante esta semana fui a um encontro de pais. A sala da minha filha está com um problema desde o ano passado com o professor de matemática, que explica mal a matéria, agride verbalmente os alunos e os chama de incapazes, os demotivando para aprender. Na cabeça do professor há grupos dentro da sala: os que sabem e devem participar, os que não sabem e são incapazes e se alguém do grupo dos “incapazes” resolveu este ano estudar mais a matéria e tenta participar mais, o professor não atende nem de longe a expectativa do aluno. Na cabeça dele ele já sabe desde o ano passado quem tem inteligência para participar de sua aula. Por sorte uma grande maioria de pais resolveu reclamar na reunião. Eu disse que pagamos impostos que se tornam o salário deste professor, e não podemos permitir que um professor que não quer ensinar e trata nossos filhos de maneira deplorável continue a atuar da mesma forma sem que seja tomada uma atitude. Os alunos têm medo de uma represália – e nós também – mas mesmo assim resolvemos agir em conjunto contra a atual situação.

Hoje encontro nos jornais duas notícias que me fazem pensar muito. Mais uma vez outro homem foi atacado no metrô de Frankfurt, ao se intrometer numa briga entre três jovens (moças). Este não morreu, mas muitos assistiram à agressão sem mover uma palha. Assim que as autoridades chegaram, essas pessoas se retiraram do local. Ninguém queria se envolver.

Outro artigo que li foi um, no mínimo, revoltante (vejam a foto no link!). Um rapaz foi agredido por 5 outros jovens no caminho pra casa. Bateram nele, chutaram seu rosto, por sorte ele não teve seu olho atingido. Neste caso duas pessoas se envolveram, conseguiram dar um fim à agressão e serviram mais tarde como testemunhas, já que os agressores puderam ser presos. Mas… a justiça liberou os acusados, argumentando que não pode ser possível descobrir durante o processo quem tinha dado o chute no rosto do agredido, e como não foi possível identificar exatamente o agressor maior, ninguém foi punido. O agredido entrará com uma nova ação contra esta decisão da justiça. Ele afirmou que a notícia doeu mais do que as dores físicas da agressão, e eu imagino que isso seja verdade mesmo.

Na minha opinião, existem três grupos na sociedade (em uma empresa ou em qualquer outro grupo, voltado ou não ao trabalho): aqueles que pegam e fazem, aqueles que nunca fazem e aqueles que sempre criticam o que foi feito. Um dos grandes problemas das sociedades capitalistas de hoje em dia é que o número daqueles que se tornaram indiferentes a tudo e procuram o método mais simples, o que dá menos trabalho, o que é mais confortável pra eles, é gritantemente enorme.

Há várias maneiras de se integrar dentro de uma sociedade de forma positiva. Assistir a um ato bárbaro e não deixar que ele prossiga é uma delas, apesar de que eu sei que nem todos teriam força física para tanto, dependendo da intensidade do caso. Olhar pros olhos de outras pessoas ao cumprimentá-las é outro. Sorrir é outro. Se importar com o semelhante é outro. Há um montão de maneiras pra “aquecer” a sociedade, e muitas delas não custam um centavo sequer, só atitude.

Ontem estávamos, eu e duas amigas brasileiras, discutindo sobre tudo o que é jogado fora aqui na Alemanha e poderia servir para outras pessoas em outros países, como no Brasil por exemplo. Gostaríamos de criar meios para ampliar doações deste tipo, assim como incentivar várias outras produções culturais ligadas ao Brasil na região do Bodensee (Lago de Constança). Uma sementinha foi plantada! Que várias outras sementes sejam plantadas em várias outras mentes espalhadas pelo mundo, para que nossa sociedade se torne um pouquinho mais humana, um pouquinho mais amiga e mais solidária.

Fontes: Revista Focus de 04.10.09, Yahoo News de 09.10.09, Jornal Südkurier de 10.10.09

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10 Respostas to “::Quem deixa a desejar::”

  1. Maira Says:

    Oi muié! Apesar de nao escrever mais muito por aqui continuo te seguindo e adorando ler o que escreve e como escreve. Esse post nos faz realmente refletir sobre muitas coisas e, principalmente, nos impulsiona a agir mais, principalmente no contexto sociedade. Viva as boas sementes! (((-: Bjks! Má

  2. Meire Bagoli-Alemanha Says:

    Adorei os artigos……………na cidade onde moro algumas pessoas acham o Brasil o pior do mundo, detalhe todas são Brasileiras, e ai a gente lêe que na Europa não é tudo flores…………..o engraçado é que tem algumas pessoas daqui, que não tem como voltar a morar no Brasil………….por alguns motivos……………..e ai fica criticando o Brasil. Precisava me desabafar…………….adoro a Europa, mas amo o País que nasci………..

    Beijos

    • Sandra Santos Says:

      Oi Meire,
      Há várias grupos de pessoas que deixam um país:
      – os que acreditam que o país natal é o único válido/positivo, dando valor somente à sua cultura natal;
      – os que gostam de onde veem, mas nao fecham os olhos para a integracao de fatores positivos da nova cultura;
      – os que absorvem tanto a cultura local que se “esquecem” de onde veem, chegando a negar sua cultura e a parar de falar o idioma materno.
      Dependendo da maneira como a pessoa pensa e que motivacao ela teve ao deixar o país, ela irá reagir de maneira diferente. Mas tudo continua em suas maos! Também o poder de mudar de ideia a qualquer hora.
      Um beijo e boa semana pra vc,
      Sandra
      P.S.-Continuo aguardando seu endereco em Sampa (envio dos livros).

  3. Evelyne Says:

    “Quem sabe faz a hora”, né?
    Bjs!

  4. ELIZABETH Says:

    Sandra, sou Santista/SP, sou amiga da dª Eunice, mãe da Cecilia, li seu livro, gostei muito, foi interessante ficar por dentro de costumes de um pais tão bonito e cheio de tradições e de um pouco de sua vida ai também. Desejo-lhe sempre mais e mais boa sorte e triunfo nos seus empreendimentos. Um abraço.

  5. solange belém Says:

    Existe uma séria preocupação no ar. A violência está se tornando normal e corriqueira. É preciso tomar cuidado,porque há o dia da caça e o dia do caçador. É uma pena que ainda exista pessoas que pensam pequeno, que são preconceituosas, violentas, enfim…
    O planeta é de todos e todos merecem respeito e usufruto de seus direitos e deveres. Entretanto a paz, ainda é uma flor que nasce no coração de poucos. Que pena!

    Um abraço

    Sol

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