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::Entrevista Delirantemente Feliz! :-)::

Eis aqui a entrevista com a Liza do blog Liza Delirantemente Feliz. Tive a oportunidade de conhecê-la, junto de sua família, no domingo passado, quando organizamos um brunch brasileiro aqui no Bodensee. A Liza é dona de uma voz doce, é meiga e tem uma família muito bonita. Ah, sim, também muito importante: ela tem todo o jeito de uma cozinheira de mão cheia! A coxinha dela fez o maior sucesso no nosso brunch e acabou rapidinho!… Então vamos ver o que ela e seu marido relatam sobre a vida na Alemanha:

– Façam uma pequena apresentação de vcs por vcs mesmos:
Alberto, 28 anos, engenheiro eletrônico, mestre em microssistemas, atualmente trabalhando como pesquisador numa universidade no sul da Alemanha. Liza, 31 anos, quase turismóloga (faltando 2 semestres para formar), atualmente mãe, dona-de-casa e estudante de alemão. Miguelzinho, 1 ano e meio, o mais novo membro da familia.

Mineirinha n'Alemanha
– Como surgiu a oportunidade de vcs virem morar na Alemanha?

Meu marido, recém formado em engenharia eletrônica pela PUC Minas, recebeu um convite para fazer mestrado em engenharia de microssistemas numa universidade no sul da Alemanha. Só tinhamos 1 ano e meio de namoro e a proposta de vir junto para cá me pegou de surpresa. Decidi encarar junto com ele essa grande mudança nas nossas vidas. Foi então que começamos uma nova jornada num país totalmente desconhecido, trazendo na bagagem muitos sonhos e muitos medos.

– Seu blog chama a atenção pelo nome super positivo. De onde saiu a ideia do nome?
Com 2 meses de namoro eu e o Alberto fizemos uma pequena viagem e nao me esqueço do dia em que ele disse que queria me fazer absurdamente, intensamente e delirantemente feliz. Ele realmente conseguiu cumprir aquela promessa e hoje posso dizer que me sinto assim, delirantemente feliz. Claro que tenho problemas e momentos difíceis, mas eu aprendi que a felicidade não depende de fatores externos e que é uma escolha que depende exclusivamente de nós mesmos.

– Como é a experiência de ter um filho pequeno na Alemanha?

Acho a Alemanha um país maravilhoso para se criar um filho. É um país que oferece segurança, saúde e educação, de uma maneira muito diferente do Brasil. Nao precisamos pagar medicamentos para ele e ainda recebemos ajuda do governo, mesmo ele sendo brasileiro. Recentemente ele entrou no Kinderbetreuung (jardim de infância), também pago pelo governo para que eu possa estudar, e só tenho elogios para a forma como ele é tratado lá, o que me dá tranquilidade para estudar. Confesso que no início me senti um pouco insegura, achei que não daria conta de criar um bebê num país tão diferente do meu, longe da minha família e sem contar com a ajuda de ninguém. Mas tenho certeza que não poderia oferecer um lugar melhor para ele crescer.

– E como está sendo a experiência de participar de um curso de integração? Quanto tempo ele dura, como é dividido e o que vc poderá fazer quando ele terminar?
O curso de integração é exigência do governo para que estrangeiros que residem na Alemanha desde 2005. O governo financia parte do curso para quem tem condições financeiras (o aluno paga apenas 1 euro por hora-aula) e oferece o curso integralmente para quem não tem trabalho ou recebe pouco. A duração do curso varia muito. Há casos de estudantes que optam por um curso mais lento, com apenas duas aulas por semana. Nesse caso o curso pode durar 2 anos. Mas normalmente, os cursos duram 8 meses, com aulas de segunda a sexta na parte da manhã. O curso é dividido em 6 módulos de 100 horas cada para o ensino do idioma (nível A1 ao nível B1) mais 45 horas para o curso de orientação. Caso o aluno consiga no final do curso o certificado B1, o governo devolve metade do dinheiro pago. Com o certificado B1 fica mais fácil conseguir um Ausbildung (curso profissionalizante) e já é um começo para quem pretende estudar aqui. Já vi casos de pessoas que apenas com o nivel B1 conseguiram vaga numa universidade para cursos de graduação e mestrado.

– Só a título de curiosidade, quantas nacionalidades estão reunidas no seu curso?
Sao 14 nacionalidades: 4 russos, 2 paquistaneses, 1 peruana, 1 tunisiana, 1 francesa, 1 sérvia, 1 iraquiano, 1 africano, 1 polonesa, 1 albanesa, 1 tailandesa, 1 cazaque, 1 turco e 1 brasileira.

– Qual foi a maior dificuldade de vcs aqui na Alemanha nos primeiros tempos?
As nossas maiores dificuldades sempre foram ligadas ao idioma. Também foi muito difícil lidar com a diferença do clima e com a saudade da familia (com essa dificuldade convivemos e temos certeza que conviveremos sempre).

– Do que vcs gostam mais aqui da Alemanha?
Nada melhor do que viver num país onde voce não tem que sentir medo de sair e não voltar para casa, um lugar onde seu filho pode brincar na pracinha, como faziamos antigamente no Brasil. Nada melhor que não ter que provar para as pessoas que voce está dizendo a verdade, por que é isso que elas esperam de você. Os alemães partem do principio que voce é honesto e dão sempre um voto de confiança nisso. Nada melhor do que viver num país que investe nas ideias e que valoriza a educação. Claro que a Alemanha não é um país perfeito, mas morar aqui tem sido um presente nas nossas vidas.

– E o que lhes faz muita falta pra vcs aqui lá do Brasil?
Além da família e amigos, o que mais faz falta é a comida mineira e o clima.

– Como vcs descobriram a Mineirinha?

Através do meu blog acabei descobrindo a Mineirinha. Posso dizer que foi um grande achado, além de encontrar dicas sobre a vida na Alemanha, encontramos uma pessoa super bacana, dona de um coração enorme e sempre disponível para ajudar.

– Como foi a experiência de ler o livro a dois? O que vocês acharam do livro?
O Alberto, que não gosta de ler, se interessou logo de cara pelo livro e o devorou em poucos dias. De vez em quando o livro desaparecia e reaparecia depois milagrosamente nas coisas dele. A opção foi ler o livro juntos. Adoramos a leitura, pois além de ser um livro delicioso, tivemos a oportunidade de trocar nossas opiniões sobre diversos assuntos. Desde então tornou-se nosso livro de cabeceira e o indico para qualquer um que goste da Alemanha, que pensa em morar aqui ou fora do Brasil ou para aqueles que buscam uma boa leitura.

– A Mineirinha auxiliou o seu marido a confeccionar seu currículo e cartas de apresentação em inglês e alemão. De sua opinião sobre este serviço prestado por ela.
Esse foi o depoimento do meu marido sobre o trabalho da Sandra: “Mesmo depois de viver aqui por 3 anos, posso dizer que fazer um curriculo e uma carta de apresentação dentro dos padrões alemães é extremamente difícil. Primeiro pelas dificuldades da língua e segundo por que um estrangeiro nunca sabe ao certo o que uma empresa alemã espera de um futuro empregado. Foi aí que a Sandra surgiu, traduzindo os meus documentos, os colocando dentro do padrão alemão, me proporcionando agora uma maior chance no mercado de trabalho. Estou muito satisfeito com o trabalho que ela prestou por sua dedicação, profissionalismo, competência, pontualidade e disponibilidade em ajudar.” O que posso dizer é que o trabalho dela aliado à dedicação e esforço do meu marido (é importante dizer que aqui eles valorizam muito as notas, entao vale a pena se dedicar) tem nos aberto muitas portas.

– Quais são os próximos planos da “Família Delirantemente Feliz”?
O contrato do Alberto com a universidade vai até o próximo ano. Temos alguns planos para depois que incluem permanecer na Alemanha, mas por enquanto são apenas planos aguardando a resposta de Deus, afinal é dele sempre a decisão aqui em casa.

– Se quiserem deixar um recado para os leitores da Mineirinha, esta é a chance!
Morar fora do Brasil, num país tão diferente do nosso, longe da família e amigos não é uma tarefa fácil. O que ajuda é poder contar com pessoas no caminho, dispostas a compartilhar experiências. Que possamos estar sempre abertos e dispostos a ajudar, conscientes que colhemos sempre aquilo que plantamos.

Liza, Alberto e Miguelzinho: obrigada pela participação e pelo carinho!

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13 Respostas to “::Entrevista Delirantemente Feliz! :-)::”

  1. Luis Alberto Friedrich Says:

    Por quê falam em Africa como se fosse um pais, e não especificam o pais. É a mesma coisa que falar da américa, e não especificar qual o pais, como ela se referiu ao Peru. Deve se ter cuidado especial neste sentido, pois acho discriminação até racial. Se é do pais Africa do Sul, deve-se observar a nacionalidade, mas como foi colocado, pode até ser Angolana, Tunisiano, etc…

    • arlete soffiatti Says:

      Mais e mais vejo que a Liza tem muito em comum comigo. Legal, Sandra, voce ter feito uma entrevista com ela.
      Quanto ao comentário acima, no semestre passado, tive 3 colegas africanas em meu grupo. Elas não identificaram o país de origem, mas sim o continente. Talvez, elas próprias se vejam como cidadãs e habitantes de algo maior do que países de um continente, separados por fronteiras. E não vamos dizer que isso deve ser visto como discriminação por parte delas mesmas, não é? Pelo contrário, vejo como uma idéia de unificação. Coisa que todos deveríamos ter. A mesma coisa acontece com a comunidade européia. Assim como nós brasileiros muitas vezes nos referimos aos cidadãos de qualquer pais da europa como europeus sem especificar o país.
      E além disso, a Liza se referiu a uma Tunisiana. Quem sabe a outra aluna não tenha especificado o país, como no meu caso.
      E a entrevista foi tão legal que este detalhe é algo muito pequeno comparado com o exemplo de integração entre países também tão diferentes como Brasil e Alemanha dado por um casal que abraça essas diferenças.
      Beijos pra todos

  2. Anderson Says:

    Parabéns ao casal pela luta por seus sonhos, e principalmente pela decisão de serem felizes. Mais um ponto para você, Sandrinha, que sempre procura ajudar as pessoas.

    Abraço.

  3. Liza Says:

    Sandra, obrigada pelo carinho e pela oportunidade de apresentar um pouco da nossa história no seu cantinho.

    Luis Alberto, voce tem razao. Realmente a gente deve tomar certos cuidados, mas como a Arlete exemplificou acima, algumas pessoas vindas da África nao falam de qual país vieram, como foi o caso do meu colega que disse apenas que era africano ao contrário da tunisiana que disse ao se apresentar que era da Tunísia. Amanha mesmo vou perguntar de qual país ele é. Obrigada pela dica, pois agora ficarei sempre atenta a esses detalhes.

    Arlete, cada dia que passa fico mais curiosa em te conhecer. Obrigada pelo carinho!

    Anderson, obrigada pelo comentário e também acho que o trabalho de integracao e ajuda que a Sandra tem dado aos brasileiros aqui, merece ser aplaudido de pé.

  4. Liza Says:

    Ah, Sandra, esqueci de dizer. Sabe que por muito tempo eu tive trauma da minha voz? Acho ela fina demais. Quando era uma adolescente, vivia sonhando em fazer 18 anos, pois imaginava que a minha voz iria engrossar e virar voz de “mulher de verdade”. Doce engano! Muitas vezes tive que conviver com piadinhas, e até em alemao já tive que ouvir por telefone que queriam falar com um adulto. hehehehehehehe Algumas pessoas chegam a pensar, antes de me conhecerem melhor, que forco a voz para ela ser assim, mal sabem o quanto já desejei que fosse diferente. Hoje já aceito essa voz de “crianca” e sei que as coisas que realmente fazem diferenca sao as que a gente carrega dentro da gente, e com essas eh que devo me preocupar e estar numa mudanca diária para me tornar a cada dia um ser humano melhor.
    Beijos querida!

    • Sandra Santos Says:

      Pois é, Liza, eu sou mais uma das que também nao gostava muito de sua voz, também é de criança, né? Mas fazer o que? É minha voz, eu agradeço por te-la e sei “impor respeito” quando necessário, hehehe… Curiosidade: minha voz, da minha irma e da minha filha sao super parecidas, entao quando ligam cá pra casa, tentam resolver os problemas direto com a Taísa! 🙂 Mas voltando a vc, acho que sua voz traduz a pessoa que vc é: meiga e simples. Afinal, combina, olhando pelo lado positivo, nao é mesmo?
      Um beijo e obrigada novamente pela entrevista,
      Sandra

  5. Luis Alberto Friedrich Says:

    Olá, fiz o comentário, não para polemizar, mas ajudar aos africanos terem uma pátria que eles amem. Tenho um filho que fez 2 (dois) anos, agora dia 30 de agosto, que está trabalhando em Luanda-Angola, trabalhando e ensinando, aqueles nativos, que passaram com quase trinta anos em guerra, os quais fazem questão de dizer que são angolanos.
    Abr, voz e aparencia não faz a pessoa, mas o intimo, não conheço ninguém do grupo, mas só pela entrevista pode-se ver que são pessoas de bem com a terra dos meus antepassados e da terra que eles abraçaram à 185 anos atrás.
    Lui

  6. Evelyne Says:

    Que bela entrevista dessa família delirantemente feliz! Parabéns!
    É motivador, para mim, ler essas palavras.
    Obrigada!

    Ah, a dica do certifcado B1 foi ótima. Vou anotar essa.

    Bjs!!!!

    • Sandra Santos Says:

      Sao brasileiros ajudando brasileiros, mais precisamente uma troca entre os leitores da Mineirinha, o que pra mim é fantástico! Nós temos a força, hehehe 🙂
      Um beijo,
      Sandra

  7. arlete soffiatti Says:

    Oi, Sandra,
    Convite aceito.
    Só marcar.
    Bjs e obrigada

  8. ceci Says:

    realmente as coxinhas da liza estavam delirantemente gostosas!!! quero mais ;D
    Parabens pela entrevista Mineirinha ! e Liza&Familia: foi um prazer te-los conosco, voltem mais vezes!
    beijos a todos!

    Ceci

    PS: qdo ligo pra Mineirinha, digo: é Santos-mãe ou a Santos-filha falando? ;D

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