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::O que cabe em duas malas::

Na creche do meu filho vira e mexe a diretora de lá põe livros (provavelmente seus) à venda pra juntar um dinheirinho extra pras atividades extras deles. Aliás, se tem pessoa que eu admiro, ela é uma delas : sabe o nome de praticamente todas as crianças, tem sempre tempo para um papo, está sempre atenta, interagindo com o meio. Tem sempre um sorriso no rosto e gosta de mulheres independentes. Também pudera: ela é uma delas. Muitas vezes já a vi varrendo a calçada da creche ou participando das atividades com as educadoras e com as crianças. Na Alemanha parece haver menos pessoas que se escondem atrás de seus títulos e posições.

Mas do que eu queria falar mesmo era do livro que comprei lá na saída do jardim do meu filho. Chama-se “Was in zwei Koffer passt – Klosterjahre” (O que cabe em duas malas – anos de convento) e relata, isso mesmo, 12 anos de vida em um convento (e a vida depois do convento) de uma alemã, que decidiu aos 21 anos de idade viver enclausurada, por livre e espontânea vontade, em busca de si e de sentido no mundo. O livro me fascinou por pensar que cada um de nós vive em um “convento”, ilhado em suas idéias, maneira de ver a vida, valores, perspectivas, modo de encarar as dificuldades, etc. E se o “convento”, o mundo diferente e desconhecido, pode ser para nós mudar de país, para a escritora Veronika Peters ele significou uma mudança de 100% de sua perspectiva de vida, apesar de ter continuado a viver dentro da Alemanha, porém no papel de freira. O livro esteve entre a lista dos mais vendidos e é super gostoso de ler, faz pensar na vida, no que é realmente importante e valioso, faz dar suspiros e ter curiosidade pela vida da escritora, enquanto ela descreve o dia-a-dia dentro de um convento. Algumas passagens:

“Provavelmente responder à pergunta sobre porque se decide entrar para um convento deve ser tão difícil de responder quanto saber dizer porque apaixona-se por uma determinada pessoa e não por outra, que talvez seja muito mais inteligente, mais bonita, mais rica ou tenha outras qualidades melhores. Talvez seja a fascinação da “vida alternativa”, de poder ter um espaço próprio, a vontade de encontrar algo que se possa apagar de forma rápida, a busca pela razão de nossa existência, a busca por algo que fique, a luta contra a anulação da própria existência”.

Durante um passeio fora do convento, um comentário de uma das freiras ao ver uma mulher quase pelada em um outdoor:

“A mulher se reduz a um objeto, ao seu corpo, se entrega para o desconhecido através de sua nudez. Onde será que ela poderá ter intimidade? E o que ela fará quando ficar velha e cheia de rugas? Se matar, pois não sobrou nada daquilo que definia seu valor? Não, não, eu prefiro passear por aí como a indumentária de uma freira”.

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8 Respostas to “::O que cabe em duas malas::”

  1. Paula Says:

    fiquei interessada no livro agora, vou procurar pra comprar.
    vi uma vez um reportagem sobre um mosteiro budista no tibet aonde você pode passar 1 noite ou 1 semana vivendo com os monges budistas seguindo parte do seu ritual… achei super interessante, quem sabe um dia não passo 1 semana por lá? deve ser uma experiência muito interessante.

    • Sandra Santos Says:

      Oi Paula,
      Tive curiosidade de dar uma olhada no convento mais próximo, lá também há a oferta de passar um ou mais dias vivendo com as freiras. Deve ser uma experiencia e tanto. Se quiser, te mando o livro pelos Correios. É só me dar seu endereco de e-mail e eu entro em contato.
      Um abraco,
      Sandra

  2. Deborah Biermann Says:

    Oi Sandra, tudo bem?
    Sandra, tenho um comentário técnico com relação ao seu blog. De vez em quando venho ver suas postagens e já percebi que você se propõe muito a informar e por vezes, faz traduções de passagens de livros e de artigos de jornais. Para sua melhor proteção e para não ferir os direitos autorais destes artigos, recomendo a você que sempre cite a fonte bibliográfica, ou seja, no caso do jornal, a edição e a página, e, é lógico, o nome do tablóide. Se você se ater a uma passagem de um livro, como é o caso aqui, achava melhor você citar a edição e a página além é claro, do nome do livro e da autora (o nome da editora tb). Trata-se somente de um comentário técnico, pois estes textos não são de sua autoria e, em tese, você tem que ter autorização para publicar traduções ou reproduzí-los… Desculpe-me a intromissão!
    De qualquer maneira, me interessei tb pelo livro, pois tenho uma cunhada que fez exatamente o mesmo, após 11 anos de convento, ela abandonou tudo. Infelizmente ela é mal resolvida até hoje, o que eu, em particular, atribuo à vida que ela teve lá. Como temos pouco contato, não posso descrever nenhum detalhe, mas sei que a fase de transição foi bastante difícil. Vou parando, pois escrevo quase tanto quanto falo! Abraços Deborah

    • Sandra Santos Says:

      Oi Deborah,
      Obrigada pela dica. Vou prestar mais atencao às fontes bibliográficas.
      Se quiser, quando eu for te visitar em Bern poderei levar o livro para vc ler.
      Um abraco,
      Sandra

  3. Deborah Biermann Says:

    Oi Sandra, não se preocupe, pois o pessoal da família do meu marido sempre me pergunta se quero algo da Alemanha e tenho sempre uma listinha de livros ou comidinhas nostálgicas do meu tempinho em Colônia…
    De qualquer forma, você será sempre benvinda aqui (gozado escrever benvinda tudo junto!). Na próxima quinta-feira, acho que você ficou sabendo, estou organizando um evento com uma antiga dançarina de cabaré na CH. Seria 10 se vocês daí do seu grupo pudessem vir ou entrar em contato com ela para ela ir até Constança dar uma palestra.
    Grande abraço (não sei escrever pouco!)
    Deborah

  4. Deborah Biermann Says:

    Oi Sandra, a página da Lúcia é http://www.luciaamelia.ch. Ela trabalha benevolamente nesta área, mas é extremamente ocupada, faz mil e uma coisinhas… Ficamos em contato, obrigada por gostar de ‘ler-me’… Pelo menos sei que não incomodo tanto… Beijinhos Deborah

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