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:: Como funcionam os mercados de roupas infantis::

30/10/2007

Cresci ouvindo que “quem leva comida para a praia é farofeiro”. Aqui na Alemanha vale o oposto: praticamente todo mundo que viaja ou sai para fazer um passeio leva uma merenda de casa. Bobo de quem não faz e deixa para comprar caro no meio do caminho. Nossas crenças, atitudes e preconceitos são realmente totalmente dependentes da cultura em que vivemos.

Assim também funciona com as roupas. Aqui não é nenhuma vergonha usar roupa de segunda mão. Onde trabalho desenvolvemos um sistema informal de empréstimo de roupas, sendo que as minhas passam para os filhos de um funcionário que tem um filho pequeno, e do filho maior dele recebo muitas roupas para meu filho, Daniel. Levando-se em conta que as roupas aqui são caras e ficaram ainda mais caras desde a introdução do euro, é uma prática positiva para ambas as famílias. Existem também lojas de segunda mão especializadas só em roupas de criança, vendem-se roupas no ebay a torto e a direito e no ebay há roupas usadas de todos os tamanhos e formas, realmente para ninguém botar defeito. Também são vendidas roupas em mercados das pulgas, através de anúncios de jornal, propagandas dependuradas na vidraça da padaria da esquina, dentre várias outras formas. Tudo vale para conseguir economizar muitos euros.

Uma das maneiras mais típicas de vender roupas é através de mercados de roupas para crianças, organizados por escolas, mães e interessados. Funciona assim: em um anúncio, é definido o dia do mercado, o horário e são incluídos os telefones das pessoas de contato. Com estas pessoas faz-se o registro e recebe-se um número que indica a participação. Na casa da pessoa de contato recebe-se etiquetas ou pequenos retângulos de cartolina que deverão ser afixados em cada roupa, sempre contendo o número de participação, o número da peça (normalmente há um limite de 50-60 peças por participante) a quantidade, o tamanho e o preço das peças. O trabalho investido nos mercados é totalmente voluntário, geralmente feito por mães que participam da associação organizadora. Há um horário definido para entregar as roupas, que por sua vez são separadas em mesas, de acordo com seu tamanho.

O horário de vendas é geralmente de 3 horas, na primeira hora praticamente ocorre a grande invasão de mães acompanhadas ou não de suas crianças e grávidas, que chegam com sacolas enormes e procuram descobrir seus “tesouros” no meio de tanta oferta. No mesmo dia as roupas são separadas novamente de acordo com o dono, as peças que tiverem perdido as etiquetas são separadas em um determinado espaço para serem eventualmente recuperadas pelas participantes e algumas horas depois pode-se ir no local buscar o dinheiro obtido com as vendas das peças e reaver o restante das roupas não vendidas.

Vejo este mercado como um mercado de trocas: é como se toda a cidade colocasse suas roupas para vender, mas todas elas ficassem por algumas horas anônimas, pois ninguém sabe quem era anteriormente o dono da roupa. Para mim, muitas vezes, acaba saindo “elas por elas”: vendo as roupas que já ficaram pequenas para meus filhos e praticamente com o mesmo dinheiro compro roupas no mercado para eles. É como se eu tivesse trocado as minhas roupas pelas roupas de outra pessoa, e na realidade é realmente o que aconteceu.

Um detalhe: muitas vezes esses mercados têm um fundo social, sendo que cada comprador de roupas paga uma determinada percentagem a mais para ajudar em um projeto social, e das vendas realizadas também é retirado um valor para o mesmo fim. Assim, ganha-se para o projeto de dois lados, aliás até de três, pois no caso do mercado da minha cidade ainda é feita a venda de bolos, café e suco, e o valor obtido também é repassado para o projeto, que aqui é a ajuda a uma creche infantil no Peru.

Assim, pode-se dizer que através dos mercados todos os lados saem ganhando!

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