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Archive for dezembro \17\UTC 2004

::Apelo pela integração::

17/12/2004

Depois da morte do cineasta Theo van Gogh na Holanda e das reações pouco amistosas a este fato ao redor daquele país, no meio do mês de novembro de 2004 também foi jogado um coquetel molotove na entrada de uma mesquita aqui na Alemanha. Apesar de não ter havido mortos ou feridos, isso foi motivo suficiente para que todos os políticos se manifestassem, passeatas fossem feitas, uma movimentação incrível acontecesse em cima do medo de que aqui o problema também escale e tome proporções incontroláveis como parece estar tomando no país vizinho.

Por um lado, este fato tem um lado bem positivo. Começaram de uma hora para outra a discutir uma grande questão por aqui: a integração. Os vários imigrantes que foram trazidos para cá depois da Segunda Guerra Mundial (turcos, espanhóis, portugueses, etc.) vieram para fazer um serviço que poucos alemães queriam fazer e ninguém se preocupou com integração porque a esperança era de que essas pessoas fossem embora, depois do trabalho feito. Pois bem, ela só não foram embora, como procriaram por aqui, muitas delas tendo trazido o seu futuro cônjuge do seu país de origem. Constatei que nesta geração a vontade de integração, dos dois lados, era praticamente inexistente: as pessoas que vinham de fora procuravam (e procuram até hoje) viver aqui como se ainda estivessem em seu país de origem e por outro lado muitos alemães falavam alemão errado por terem a impressão de que assim o estrangeiro o entenderia “melhor”. Resultado: algumas vezes por falta de vontade e outras pela síndrome de repetência do que foi ouvido, essa geração de imigrantes fala pouco – e mal – a língua alemã.

O mesmo não aconteceu com a segunda geração que aqui nasceu, que já assimilou muito da cultura vigente, mesmo sem deixar de lado as tradições da cultura estrangeira. Apesar de muitos deles se sentirem alemães, eles não têm a permissão de ter um passaporte alemão, já que a lei daqui é, com poucas exceções, a lei do sangue e não do local de nascimento. Os alemães tampouco reconhecem essas pessoas como alemãs, pois mesmo se esses filhos de imigrantes obtivessem o passaporte alemão, seriam denominadas como “alemão de passaporte com origem tal e qual”. E eles se sentem assim que nem a gente, totalmente estrangeiro que veio parar nas bandas de cá, mas acho que ainda pior do que nós porque nasceram aqui, mas não são reconhecidos como tal, dizem pra eles que são isso ou aquilo, mas na realidade nem eles mesmos sabem quem são ao certo. De certa forma eles são excluídos e percebem que não são necessariamente bem-vindos, o que abre as portas para possíveis tendências extremistas.

Pois bem, o coquetel molotove caiu lá na bendita da mesquita e de repente até o primeiro ministro convoca os muçulmanos para assimilar os valores alemães de democracia. Outros lembram-se de dizer que as pessoas que estão aqui têm que saber assimilar a cultura e devem ter disponibilidade para aprender o idioma, pressuposto para a integração. Alguns poucos lembram-se de voltar-se aos próprios alemães e convocá-los para que estejam dispostos a aceitar a integração, pois integração é, afinal, uma via de mão dupla onde um lado só vai, se o outro deixa que ele avance. Integração é acima de tudo uma troca, onde eu dou um pouco do que é meu, e recebo muito do que vale aqui. E não significa sufocar meus valores primordiais, significa que eu aceito as leis daqui para poder viver bem dentro da comunidade em que me encontro.

Para ler várias reportagens interessantes sobre este tema atualíssimo, clique no Deutsche Welle

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::Costumes e Tradições – Época natalina::

01/12/2004

O Natal na Alemanha, segundo os donos de supermercado por aqui, já começa no final do verão (final de agosto/meio de setembro), quando todos começam a oferecer produtos natalinos como se já estivéssemos bem pertinho do final do ano. E não é que os donos de supermercado têm certa razão? De uma hora pra outra passa o outono, o inverno chega e com ele os dias ficam cada vez mais curtos. A escuridão do inverno, que já impera a partir das 5 horas da tarde, é um prato cheio para a iluminação de natal. Com a chegada da neve, então, tudo fica branquinho, misturado ao brilho da iluminação de Natal. Tudo super romântico!

Época natalina é época de biscoitinhos de Natal de todos e dos mais variados tipos, época de encontros com amigos, época de fazer balanço do ano que se passou e época muito propícia para donativos dirigidos a instituições de caridade, um prato cheio para os alemães que queiram se livrar daquele conhecido peso de consciência de final de ano. Também é época de correria para cumprir tudo aquilo o que se propôs realizar até o final do ano, visitar todas as pessoas que se quer visitar e é época de comprar o máximo de presentes – que, em grande parte, impreterivelmente serão devolvidos ou trocados nas lojas, que abrem quase que só para este intuito, logo depois do Natal. Época natalina também é época de ir a todos os Mercados de Natal das redondezas, ver neles o artesanato da região, levar as crianças para andar de carosssel, experimentar algumas comidas típicas (tipo Schupfnudel – um tipo de macarrão com chucrute – uma delícia!) e tomar o máximo de Glühwein (um vinho quente e misturado com temperos, que lembra muito o nosso quentão das festas juninas).

Pode-se dizer, por via das dúvidas, que o espírito natalino já começa a ser vivenciado no meio de novembro, na festa de São Martim. Nesta festa, quando crianças saem às ruas carregando suas lanternas acesas e coloridas (geralmente feitas por elas nos jardins de infância da cidade), elas aprendem que São Martim dividiu seu manto com uma pessoa que estava passando frio, praticando caridade e compaixão.

No dia 6 de dezembro chega o tão aguardado dia de Nicolaus, que mais parece um papa magrelo vestido de Papai Noel. As crianças ganham saquinhos com guloseimas, além de nozes e mexiricas ou maçãs pela passagem da data. No ambiente de trabalho, os colegas costumam também trocar pequenos presentes, chocolates ou frutas.

Antes do final de novembro, coroas de advento são vendidas com decoração natalina e as imprescindíveis quatro velas, que representam as quatro semanas que antecedem o Natal. O primeiro advento é comemorado no final de novembro, e a cada semana uma vela vai se unindo à outra, até a chegada do Natal.

Outra maneira de comemorar a entrada do advento é através de um calendário de advento, que contém 24 portinhas, geralmente recheadas com chocolate ou com um pequeno presente. A cada dia se abre uma janelinha e lá se vai um chocolatinho!….

As casas alemãs são muito decoradas para esta época do ano. Tudo brilha, muita janela pisca, mil luzinhas pra lá e pra cá e até jardins inteiros são decorados durante todo o mês de dezembro.

Quem traz os presentes de Natal aqui para a Alemanha? O Papai Noel, claro. E além dele, dizem também aqui que o Menino Jesus traz presentes. Na casa dos meus sogros, a chegada d’Ele é anunciada através do toque de um sininho e só depois de Sua passagem é que podemos entrar na sala para ver o que Ele deixou de presente debaixo da árvore…

Os alemães inventaram o antídoto do Papai Noel, que é o Knecht Ruprecht. Ele sabe de tudo de ruim que uma pessoa fez durante o ano e se julgar necessário, esta pessoa ganha umas chapuletadas no bumbum com uma vassoura de galhos e fica sem presente!

Ah, e a árvore! Aqui as árvores de Natal são árvores de verdade, que são pinheiros plantados em vaso, trazidos pra dentro de casa, plantados no jardim ou como alternativa vendidos somente em sua parte superior, o topo de um grande pinheiro, que é cuidadosamente cortado e, se necessário, reflorestado para que no ano posterior não faltem árvores de Natal em toda a Europa. Em um dia determinado pela prefeitura, todos jogam seus pinheiros fora e o caminhão da prefeitura passa coletando as bravas protetoras de mil e um presentes natalinos.

Taísa, minha filha de 9 anos, ainda tem certeza absoluta de que o Papai Noel existe – e ela consegue explicar isso com toda a lógica do mundo. Segundo ela, uma amiguinha dela saiu de casa com sua mãe e as duas trancaram todas as portas e todas as janelas, tendo verificado que tudo estava fechadinho antes de sairem. Ao voltarem, encontraram vários presentes debaixo da árvore de Natal. Por isso, não há dúvidas de que o velhinho realmente existe!…


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